Sono Te Hanasanaide
69 Capítulo Resumo [FINAL]
Notas iniciais
Nos últimos capítulos de Sono te Hanasanaide…
Após os acontecimentos na festa de casamento de Suzanna Julia, onde Wolfram acabou bebendo álcool por engano e revelando à Yuuri um lado desconhecido seu, tudo parecia estar correndo bem entre os dois, porém, Yuuri não conseguia parar de pensar nisso. Ele estava decidido a conversar sobre isso com Wolfram, mas uma rápida conversa com Saralegui o fez mudar de ideia, por enquanto. Sara, inclusive, começa a demonstrar um suspeito interesse em Natsume, que quase não consegue disfarçar o quanto é sua fã, e isso só pode ser o estopim de mais problemas.
Além disso, com o anúncio do Festival Escolar que se aproximava, Wolfram começou a questionar o seu futuro e as coisas que desejava fazer com a sua vida, agora que já não tinha a obrigação de algum dia, voltar ao seu país para governar, e se via perdido com tantas escolhas diante de si. Após pensar sobre isso, ele decidiu se candidatar ao cargo de presidente do comitê de organização do festival, e outro dilema surgiu: como fazer para recrutar membros para o seu comitê, quando ele não é exatamente próximo de ninguém?
Enquanto Wolfram lida com suas dúvidas, Yuuri seguia com os acontecimentos da festa de casamento incubados dentro de si, e isso afetou seu relacionamento, quando ele simplesmente não conseguia lidar com a dúvida e a curiosidade. Os dois conversam diretamente um com o outro dessa vez, como deveriam ter feito há muito tempo, e uma certeza se firma: eles querem seguir em frente, dar mais esse passo, juntos, e, enfim, ter a sua primeira vez.
A única questão que resta é saber como fazer isso.
Resumo do Final
Como prometido, Natsume se uniu a Wolfram, e com isso ele conseguiu reunir um grupo razoável, ainda que um tanto inesperado, para ajudá-lo. Shuuhei foi o primeiro deles, o que não é nenhuma surpresa já que ele estava sempre com Natsume (e ele diz que precisa ficar de olho nela). Miyako também demonstrou interesse no trabalho, o que foi inesperado, ainda mais porque Wolfram não havia pensado nela antes, por acreditar que ela não se interessaria. Natsume parecia ter sido uma boa influência, afinal, se havia conseguido a proeza de convencer Miyako a sair da sua concha para se juntar a qualquer atividade extra-curricular na escola. O último integrante do grupo era Yonezou, o calouro do time de baseball, que ouviu de Yuuri sobre o comitê, e decidiu se juntar a eles como uma forma de conseguir créditos para a faculdade.
O grupo é bem diferente entre si, e, enquanto Wolfram quer trabalhar duro, Natsume e Shuuhei vivem se provocando, Yonezou está sempre perdido no fogo cruzado, e Miyako tenta a todo custo manter a paz no lugar, sem tanto sucesso. Eles precisam decidir coisas referentes ao Festival Escolar, como a divisão entre as salas, a organização do que cada turma pretende fazer, o material necessário e a verba disponível – não é nada fácil, mas apesar de todas as dificuldades, Wolfram está empolgado com a perspectiva de trabalhar nisso.
Enquanto Wolfram se concentra na sua nova tarefa de organização do Festival Escolar, Yuuri se encontra com outro dilema. Ele havia prometido à Wolfram afinal, e naquela noite, pretendia dar seguimento ao plano de estudar mais para que ele e Wolfram pudessem ter a sua – esperada – primeira vez. No meio da madrugada, ele pega emprestado o notebook que seu irmão havia deixado na casa ao se mudar, já que usar o computador de Miyako para pesquisar isso estava totalmente fora de questão.
[trecho que eu já tinha escrito para essa parte]
A casa estava no mais completo breu, e pelo silêncio, Yuuri sabia que todos já estavam dormindo há tempos. Ele deveria estar, também. Tinha treino logo cedo, no dia seguinte, além das aulas, e os preparativos para o festival que se iniciavam. O time pretendia fazer algo importante naquele ano, para garantir apoio entre os estudantes nas competições que se aproximavam, e ele ainda queria dar todo apoio possível para Wolfram enquanto ele estivesse envolvido com isso.
Em breve, estaria extremamente ocupado, e sabia muito bem que não havia tempo para fazer o que estava prestes a fazer, e ele não deveria nem estar pensando nisso agora, mas… ele tinha prometido à Wolfram, afinal. Precisava continuar.
Com todo o cuidado que conseguiu reunir, Yuuri se ergueu da cama, e caminhou o mais silenciosamente possível, com os pés descalços, pelo escuro do quarto. Não iria arriscar fazer ruído algum. Chegou até o objeto que havia discretamente surrupiado do quarto do seu irmão, ele provavelmente não voltaria para pegar depois de tanto tempo, afinal, e voltou para a sua cama, ainda da forma mais cautelosa possível.
Abriu o notebook, que o aguardava sobre a mesa desde mais cedo daquele mesmo dia, quando ele o guardou no seu quarto esperando que ninguém notasse o seu súbito interesse em tecnologia, e apertou o botão de ligar. Ele fez um barulho que ecoou muito mais alto do que realmente deveria estar, em contraste com o silêncio da noite, e o coração de Yuuri acelerou. Ele aguardou alguns instantes, enquanto o notebook se acalmava e reduzia seus ruídos a algo mais aceitável, mas nenhum sinal de vida veio de fora. Com sorte, ninguém teria notado aquilo.
Respirando fundo, Yuuri esperou que o notebook terminasse de ligar. Ele nunca havia sido adepto do uso de computadores. Não como Miya, que tinha o seu desktop no quarto e não deixava ninguém mexer nele por nada nesse mundo, ou como Shori, que tinha um preocupante vício em date sims de gosto duvidoso. Então, na necessidade que surgia à sua frente, ele precisou utilizar de meios não muito louváveis para ser capaz de pesquisar aquilo que ele pretendia pesquisar, e ter acesso à tecnologias que permitissem isso. Ou seja, invadir o quarto que Shouri havia deixado intacto para trás, até encontrar o notebook que ele costumava usar enquanto morava ali, e que por algum motivo, não havia levado consigo ao se mudar.
Era uma sorte que ele ainda estivesse ali. Usar o computador de Miya para isso seria impossível. Só de pensar no que ela faria, ou diria, se o pegasse no flagra usando o computador dela, ele já sentia arrepios. Não. Ninguém jamais poderia sequer desconfiar do que ele estava prestes a fazer naquele momento.
O notebook enfim ligou, e Yuuri abriu o navegador. Mesmo com medo de que alguém ouvisse o barulho que o aparelho fazia enquanto ligado, ou o bater das teclas quando ele digitasse no campo de pesquisa, Yuuri prosseguiu. Era um homem, com uma missão. Ou melhor, um garoto. Com um objetivo. Um objetivo não muito decente, para ser mais exato. Mas ele não podia pensar nisso agora, ou acabaria desistindo sem nem ter começado.
Encarou a barrinha de digitação no local em branco, que piscava ritmadamente esperando que ele colocasse ali todas as suas dúvidas. Ele não tinha ideia de por onde deveria começar. Só de pensar nas palavras que supostamente deveria inserir naquele lugar, ele já sentia o rosto queimar, e queria jogar o computador para longe e nunca mais ter que pensar nisso. Ele não era nenhum tolo… Bem, certo, ele não era tão tolo assim. Sabia em teoria o que deveria procurar saber, e tinha certeza de que os mangás de Miya, por mais didáticos que supostamente tentassem ser, jamais trariam qualquer informação relevante para o caso dele. Ele precisava ir mais a fundo (péssima analogia para ser usada nessa hora) se quisesse realmente fazer as coisas do jeito certo.
Por onde deveria começar? Aproximou os dedos do teclado, colocando cada letra vagarosamente, enquanto sentia o rosto queimar. S. Não ousou olhar para a tela, não queria ver as palavras que escrevia o encarando de volta. E. Argh, isso era tão embaraçoso!!
X.
O.
— As coisas que eu faço por você, Wolf… – murmurou entredentes, sabendo muito bem que, por aquele garoto genioso e teimoso, ele faria coisas muito piores, então, não podia nem reclamar. A culpa era dele por ter tido essa ideia, no final das contas. E por ter presunçosamente imaginado o quanto seria legal impressionar Wolfram com seus conhecimentos quando chegasse a hora. Ele ficaria tão surpreso.
Com os dedos ainda nas teclas, Yuuri terminou de digitar a frase que pretendia, sentindo o rosto aquecer mais a cada palavra escrita. “Entre”. “Dois”. “Homens”. Fechou os olhos, sentindo o coração bater alto contra a garganta, sem coragem para ver o que havia acabado de escrever ali. Ainda imaginando um cenário fantasioso em que Wolfram elogiava entusiasmadamente a genialidade de Yuuri, ressaltando o quando ele era legal, impressionado com todo seu preparo e conhecimento, ele apertou o enter sem pensar, e as pesquisas na tela carregaram, praticamente saltando sobre a sua cara.
Ok, é agora…
Seu coração ainda estava acelerado pelo nervosismo, o medo de ser pego no flagra a qualquer segundo fazendo seus sentidos ficarem em alerta, e o rosto queimava de vergonha pelo que quer que estivesse prestes a ler, mas ele respirou fundo, e clicou no primeiro resultado da pesquisa, mal reparando no que quer que estivesse no enunciado.
Um site inteiramente negro surgiu na sua tela, e nela havia um vídeo. Yuuri não pensou muito – se tivesse pensado, jamais teria feito o que fez a seguir, era só ter pensado um pouco no tipo de conteúdo que ele estava pesquisando. Ele apertou no triângulo no centro do vídeo, e no mesmo instante, a voz alta e esganiçada de um homem gemendo alto ecoou por todo o quarto, possivelmente por todos os cômodos daquela casa considerando o silêncio que se encontrava. Yuuri se desesperou, quase chutando o notebook para longe, e se atrapalhou para dar fim àqueles sons perturbadores e oh, caramba o que aquele homem estava fazendo! Aquela pessoa estava… estava amarrada?? Não! Ele devia ter visto errado, não era possível.
Yuuri finalmente conseguiu silenciar o vídeo, fechando a janela. Seu coração já havia muito passado do estado de bater rápido, ele estava positivamente tendo um ataque cardíaco, e cairia desmaiado a qualquer segundo. Ele ia morrer com aquele notebook na sua frente e todos saberiam o que ele estava vendo antes de morrer! A pior das mortes, com toda a certeza. Wolfram ficaria tão decepcionado.
Pensar em Wolfram fez Yuuri recobrar, em parte, a razão, e lembrar do motivo pelo qual estava fazendo tudo isso. Ainda estava morrendo de vergonha – só de pensar em encarar qualquer um naquele momento, ele já se encontrava em um estado de pré-ebulição. Mas não podia fraquejar. Além disso… bem, ele não conseguiu ver muito do vídeo mas não podia negar para si mesmo que, apesar do susto, aquilo havia chamado sua atenção, e despertado certa… curiosidade.
Não somente por Wolfram, embora isso ainda fosse prioridade, mas também por sí próprio, Yuuri entendia que queria saber mais sobre… bem, sobre tudo. Aquele vídeo era absolutamente diferente dos mangás que já havia lido, completamente o oposto, tão… gráfico e cru… jogado na sua cara sem qualquer preparação prévia. Se aquilo era como a realidade era, bem… Ele não sabia exatamente o que pensar sobre isso.
Passado o choque inicial, Yuuri tinha certeza de que nada além daquilo poderia chocá-lo mais – e tendo o cuidado de colocar o notebook no mudo, ele decidiu que não iria temer nada e continuaria sua pesquisa. Era só cuidar para não abrir nenhum vídeo suspeito, certo? Não poderia ser pior do que as aulas de saúde que Anissina resolveu dar um belo dia, no início do primeiro ano… argh, ele ainda tinha pesadelos lembrando de como ela usou bananas para fazer demonstrações. Mas não devia pensar nisso agora, não! Os traumas do passado só serviriam para atrasá-lo, agora.
Yuuri abriu novamente a página, que automaticamente voltou à sua pesquisa anterior, de alguma forma. Dessa vez, ele resolveu que ser mais específico não iria doer, na verdade poderia ajudar, então, decidiu acrescentar um solene “como fazer” no início da sua embaraçosa frase na guia de pesquisa. Um pouco mais confiante agora, sentindo-se quase experiente depois daquele breve susto, ele apertou mais uma vez o enter. Novamente, seguiu o primeiro link.
Havia um texto – ok, isso parecia promissor. O texto era dividido em tópicos, parecia realmente um guia. Yuuri rolou um pouco mais da página. Havia uma ilustração, um resumo da explicação. Yuuri ofegou, dividido entre o horror, a indignação e o abalo. Na imagem, três pessoas se enroscavam sobre uma cama, em posições que não pareciam nem sequer humanamente possíveis e… três pessoas, como assim, três pessoas! Não, não, não, Yuuri não queria mais ver isso, não! Isso já era demais para ele aguentar!
Ele voltou à página de pesquisa, imaginando como uma ferramenta útil como a internet estava lotada de conteúdos assustadores, ele jamais entenderia. Ele já não tinha certeza sobre isso ser uma boa ideia, afinal. Voltando à sua pesquisa, já completamente desmotivado e sentindo que algo muito importante havia sido roubado, arrancado dele à força: sua inocência, talvez? Ele se sentia certamente violado depois de ter a pureza dos seus olhos maculada dessa forma.
Tentaria uma última vez. Agora, tirou o “dois” da pesquisa, e talvez isso ajudasse a limitar o número de participantes na atividade. Yuuri era um garoto tradicional, e pretendia dividir esse momento apenas com Wolfram, certamente, não tinha planos de mudar isso. A ideia de que esse momento existiria, em algum futuro próximo, voltou a pairar pela mente de Yuuri, e dessa vez, ele não conseguiu empurrar o pensamento para o fundo como sempre fazia sempre que ele insistia em aparecer.
Por que, era por isso que ele estava ali, no meio da madrugada, morrendo por dentro ao pesquisar tudo aquilo. Para saber como agir, como se comportar, não passar vergonha, e acima de tudo fazer Wolfram feliz. Jamais iria se perdoar se acabasse tornando essa uma memória ruim para Wolf, apenas por causa da sua inexperiência e hesitação. A lembrança da noite no casamento de Suzanna Julia voltou, claramente, como se tivesse acontecido naquele dia mesmo.
Wolfram, com sua pele rosada, completamente afogueado pelo efeito da bebida, os olhos úmidos e provocadores, os lábios curvados em um sorriso doce, tentador, as roupas desordenadas. Ele estava completamente aberto naquela noite, honesto e sincero sobre os próprios desejos como jamais havia sido antes, e Yuuri sentiu-se ao mesmo tempo envolvido e aterrorizado por conhecer um lado do seu namorado com o qual não estava preparado para lidar.
Isso havia mexido com ele, de uma forma que nada antes o afetara. Nem mesmo as revistas embaixo da sua cama – que ele generosamente distribuiu entre os garotos do time há meses atrás, já que não tinha coragem de jogar tudo aquilo fora, nem mesmo os sonhos que tivera, ou as vezes em que ele e Wolfram porventura acabassem indo um pouco além nas carícias geralmente contidas que trocavam. As poucas tentativas inexperientes de outrora não se comparavam com o que ele sentiu.
Sendo completamente sincero, ele havia sido seduzido por Wolfram naquela noite, e nada tirava isso da sua cabeça. A forma como se sentiu ao tocar Wolfram, ao ser tocado por ele, seu cheiro tão próximo e tão puro, ter o peso do corpo dele junto ao seu, ou tê-lo seguro em seus braços, sua expressão ávida e entregue, o contato direto, inebriante, enlouquecedor…
Engoliu em seco, alarmado ao perceber que seus pensamentos tomavam um rumo perigoso e sem retorno. Era melhor parar antes que algo pior acontecesse.
Ele imaginava se seria capaz de causar o mesmo efeito no outro, em troca. Mas a quem queria enganar? Ele mal estava conseguindo pesquisar sobre o assunto sem ter uma crise interna, que dirá trazer aquilo para sua realidade. Yuuri ainda era apenas um garoto patético e sem coragem para ir em frente. Talvez, acabasse estragando tudo mesmo, e essa era a última coisa que queria para Wolfram.
Desligou o computador, decidido a arrumar outro método que não fosse tão ricamente diverso quanto a internet para ser sua fonte de conhecimento. Ele precisava de algo específico, não tão explícito e menos… impactante. Só não sabia onde iria encontrar o que precisava. Mas desistir não estava no seu dicionário, e… quando pensava em Wolf, Yuuri certamente se sentia mais motivado a continuar, até o fim. Mesmo com aquelas imagens que agora estavam gravadas na sua retina, e que ele demoraria ainda um bom tempo até apagar completamente da sua memória.
Naquela noite, Yuuri não dormiu bem. E teve sonhos muito, muito estranhos.
[fim do trecho]
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Depois da sua pesquisa levemente traumatizante, Yuuri continua sem saber o que fazer. Miyako vê o histórico no notebook que ele esqueceu de apagar quando usou, e percebe o motivo de Yuuri andar tão estranho. Com a ajuda de Natsume, ela consegue reunir sites mais informativos que podem de fato ajudar Yuuri em alguma coisa, e sugerem isso para ele. Elas dão algumas dicas do que procurar e onde procurar – o que faz Yuuri querer se esconder em um buraco, mas ele tem que admitir, foi bastante útil.
Durante a preparação para o Festival, Wolfram se aproxima mais do grupo que trabalha com ele, principalmente de Shuuhei, e também de Natsume. Suas defesas normais de se manter distante das outras pessoas não funcionam com nenhum dos dois, e Wolfram aprende isso da pior forma possível. A única pessoa que tem medo dele naquela equipe é Yonezou, porque Miyako já está acostumada com ele e acha tudo fofo e muito normal, Natsume fica bem qual qualquer coisa e é sarcástica demais para ele aturar, e Shuuhei só tira sarro e ri de tudo.
A organização do Festival continua, apesar de toda a confusão no comitê. Natsume atira borrachas e bolinhas de papel (ocasionalmente itens mais pesados) em Shuuhei quando ele fica sendo engraçadinho demais. Miyako passa quietinha pela porta, carregando documentos para os professores, e quando encontra Wolfram chegando, só avisa para ele que se abaixar quando entrar é uma boa ideia. Wolfram não entende, mas 5 segundos depois compreende perfeitamente, quando abre a porta e se depara com aquela zona de guerra. Só resta sentir pena de Yonezou no meio disso tudo.
Durante esse período, Wolfram e Yuuri estão ocupados, e não tem tanto tempo disponível para se encontrarem. Eles continuam com as suas “pesquisas”, e se encontram bem informados, mas agora, o que precisam é de tempo livre para ficar juntos e sozinhos, o que é difícil de acontecer atualmente com tanto a fazer. Eles também tem uma conversa sobre quem vai ser o passivo na primeira relação, e Wolfram admite estar com medo. Yuuri diz que fez suas pesquisas justamente para garantir que Wolfram não sinta dor e que está se esforçando para que tudo seja perfeito, e que, além disso, foi o próprio Wolfram quem pediu por isso, durante a noite no hotel, o que desencadeou toda a confusão mental de Yuuri depois disso, e que acaba com qualquer argumento que Wolfram poderia ter. Os dois se entendem e se sentem prontos para o que quer que aconteça depois disso.
Depois de tanto estudo, os dois marcam o dia em que irão tentar colocar em prática. Yuuri faz compras pela internet, se aventurando em um mundo desconhecido. Compra preservativos e lubrificante com o dinheiro que sobrou do seu salário quando trabalhou na confeitaria, pela primeira vez, e, quando a caixa da encomenda chega em casa, Miko quase a pega, mas ele salva a tempo. Na primeira tentativa, eles marcam no dia em que não haverá ninguém na casa do Yuuri. Começam a se empolgar, e já estão começando a tirar as roupas, quando Shori aparece de surpresa. Eles ouvem o barulho da porta e Shori chamando “Oi, tem alguém em casa? mãe?” e eles correm para se ajeitar. Quando Shori abre a porta, os dois estão acomodados bem longe um do outro, Wolfram com um livro, e eles se fingem de desentendidos, “Nem vi você chegar”. Shori conta que trouxe souvenirs depois de uma viagem, e atrapalha os planos de vez, acabando com o clima; então, eles marcam outro dia.
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Enquanto isso, Natsume convida Miyako para passar uma noite na casa dela. É a primeira vez que Miyako vai dormir na casa de uma amiga, e ela está muito empolgada com a sua primeira festa do pijama de verdade. Depois de conversarem sobre várias coisas diferentes, comerem besteiras, jogarem coisas, assistirem séries, filmes e vídeos engraçados no youtube, falarem sobre garotos/crushs/ídolos, e toda as outras coisas que se faz em uma festa do pijama, o assunto acabaria indo parar em bullying.
Natsume conta para Miyako que, na época em que morou com seu pai, antes de voltar para a cidade, enfrentou algumas dificuldades para se adaptar à nova escola (por conta do cabelo azul, por não ficar quieta diante de situações que acha injusta e por geralmente chamar muita atenção para si). Justamente por isso, ela aprendeu sozinha a se defender. Shuuhei, que não sabia que Miyako estava ali e pulou da sua janela para a sacada de Natsume como costumava fazer sempre, acaba ouvindo a conversa sem querer, e fica surpreso por Natsume nunca ter lhe contado isso antes.
Mais tarde, quando Miyako já está dormindo, Natsume levanta para fechar a janela e vê que Shuuhei está escorado na sacada do próprio quarto, admirando a noite, pensativo. Ela pergunta o que ele faz ali, eles conversam por um pequeno tempo. Em determinado momento, Shuuhei comenta sobre o que ele ouviu da conversa das meninas, e que Natsume nunca havia contado a ele. No fundo, ele se sente constrangido pelas vezes em que brincou sem saber sobre ela não ter amigos. Natsume diz que aquilo é algo passado, o qual já superou sozinha. E complementa: “Além do mais, eu tenho você, não é?”. Shuuhei fica em choque por um instante, antes de, por impulso, pular para a sacada dela e envolvê-la em um abraço apertado. Natsume surta baixinho “Q-que que você tá fazendo?”. Miyako vê a silhueta dos dois pela cortina da janela, e ri para si mesma.
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Preparações para o Festival continuam a acontecer em todas as classes. As turmas decidem o que vão fazer. Wolfram está dispensado por ser chefe do comitê, e Yuuri tem as atividades do clube de baseball (que todos os anos vende okonomiyaki no pátio da escola durante o festival), mas, nesse ano, a sala deles pretendia fazer um bazar vendendo coisas usadas. A turma de Miyako, Natsume e Mariko estava fazendo um Maid Café. E a turma de Shuuhei faria uma casa mal-assombrada, onde ele se vestiria de vampiro.
Durante as preparações na classe de Miyako e Natsume, Mariko dá um piti porque acha que o vestido de maid de Miyako é mais bonito que o dela, e manda-a tirar. Toda a classe fica em silêncio vendo Mariko gritar como uma doida, brigando com Miyako e tentando humilhá-la na frente de todos, mas, para surpresa geral, Miyako responde que não vai fazer isso. Mariko pira mais ainda, porque é a primeira vez que Miyako a enfrenta e responde a qualquer coisa que ela diz na frente dos outros, mas não faz nada porque Natsume está ali (e ela meio que tem medo da garota). Natsume fica muito orgulhosa da amiga por ela ter conseguido se impor dessa vez. Mas Mariko deixa claro que isso não vai ficar assim.
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Continuando a Saga da Primeira vez de Wolfram e Yuuri, os dois escolhem um dia em especial que em que ambos tem algum tempo livre. Dessa vez, marcam na casa de Wolfram, para não correr o risco de serem interrompidos novamente. No meio da noite, como combinaram previamente, Wolfram se esgueira para o quarto de hóspedes que Yuuri usa depois de todos irem dormir. Os dois estão nervosos, sentam na cama ainda sem jeito, com um clima estranho, mas logo, se rendem e deixam acontecer naturalmente. Dessa vez, eles conseguem ir mais longe.
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Wolfram, como presidente do comitê, ficou tão ocupado com as atividades que não teve tempo de cortar o cabelo. Shuuhei, vendo que ele estava passando trabalho com os fios compridos demais, o ensina a prender o cabelo com um elástico, assim como ele próprio faz. Como Wolfram não estava tendo muito sucesso na tarefa, Shuuhei resolve fazer ele mesmo, e posta-se atrás de Wolfram, pegando os cabelos loiros com delicadeza e facilidade. Yuuri entra na sala nesse exato momento, e fica surpreso com o que vê — mas como Wolfram explica a situação despreocupadamente, Yuuri não dá muita importância àquilo (ao menos por enquanto).
No decorrer da organização do festival, como Wolfram e Shuuhei andavam juntos pra lá e pra cá o tempo todo, começam a surgir boatos sobre como Shuuhei “combina” mais com o Príncipe do que Yuuri. Yuuri acaba sabendo sobre isso apenas depois, próximo do fim do período de organização do festival, e isso acaba alimentando a insegurança que surgiu após ele começar a conversar com o Sara (inclusive, ele ficaria sabendo dos boatos através do Masaki, e era tudo o que ele precisava). Yuuri não ficaria com ciúmes no sentido de desconfiar de Wolfram, porque sabia que o loiro jamais faria nada pelas suas costas — porém, quando Sara perguntasse inocentemente se ele não tinha notado nada de “diferente” nos últimos tempos, Yuuri lembraria de quando entrou na sala do comitê um dia e vira Shuuhei arrumando os cabelos de Wolfram.
Wolfram quase pira tentando fazer todo mundo ser sério e trabalhar direito, mas, no decorrer dos dias, ele só desiste e foca no seu trabalho. Mesmo assim, fica impressionado quando chega próximo ao dia do festival, e está tudo encaminhado. Apesar das loucuras, é uma equipe eficiente. Quando eles terminam tudo e veem o Festival acontecendo, super organizado e tudo dando certo, ficam emocionados.
O Festival enfim acontece. Sara aparece durante o festival para semear a discórdia, Yuuri não faz ideia do porquê Wolfram fica tão tenso com a presença dele ali, e Natsume quase morre do coração quando vê ele de perto novamente. Ele é super amigável com todos, algumas alunas até o reconhecem das revistas e ele faz questão de conversar com Natsume (o que faz Mariko espumar de ódio quando percebe que logo Natsume é conhecida de um modelo internacional).
Benjamin também vai visitar Miyako, e todas as meninas da sala ficam bastante surpresas por ela ter um namorado, já que ela nunca falou sobre isso, o que só aumenta o ódio de Mariko, além do fato óbvio de Miyako estar indo melhor do que o esperado no seu trabalho como maid (ninguém sabe que ela já tem experiência com isso). Mariko sai da sala, abandonando seu posto e arrastando suas seguidoras consigo, anunciando para elas que precisava fazer algo, e logo.
Wolfram fica zanzando de um lado para o outro durante todo o festival, resolvendo pequenas questões e verificando para ver se tudo está indo bem, e Yuuri fica ocupado com a barraca do time de baseball, então os dois não encontram tempo para se encontrarem diretamente; só se veem de longe, e tentam conversar entre uma atividade e outra.
No encerramento do Festival, Wolfram sobe no palco montado no pátio para anunciar os vencedores das diversas competições que ocorreram ali durante todo o dia, junto com os outros membros do comitê. Durante o discurso, alguém joga algo do segundo andar do prédio diretamente no palco, em cima de Miyako. Algumas pessoas dão risada, mas a maioria fica apenas chocada com aquilo. A substância parece ser uma mistura de várias coisas, cheira muito mal. Miyako começa a chorar, Ben e Yuuri correm para ajudá-la, assim como Natsume, que ajuda-a a descer do palco. Ninguém sabe o que dizer, nem mesmo os professores. Natsume olha para o alto tentando ver quem fez aquilo, e mesmo que não consiga ver muito bem, não precisa de confirmação, pois sabe exatamente quem é a única pessoa capaz de fazer isso. Ou melhor, mandar alguém fazer. A mesma que está assistindo a tudo com um sorriso no rosto, junto com os outros alunos.
Yuuri leva Miyako para casa, junto com Ben, e Wolfram dá o Festival por encerrado, não sem antes dar uma palavra sobre o que acabara de acontecer, como aquilo havia sido desprezível e que se dependesse dele, a pessoa que fez isso não passaria impune (enquanto olha diretamente para Mariko).
Todos vão para a casa de Yuuri depois do final do festival para ver como Miyako está. Ela está triste, e se sentindo mal, e, além disso, a substância não quer sair do seu cabelo de jeito nenhum, então Miko teve que cortar o cabelo dela curto, na altura do queixo. Quando ela termina de cortar, e Miyako volta para a sala onde todos estão esperando por ela, Ben a abraça e diz que ela continua muito fofa, como sempre foi.
Natsume está uma pilha de nervos, e Shuuhei nota o quanto ela está inquieta. Ele logo percebe que ela não vai conseguir deixar isso passar em branco, e, levando em conta o quanto ela se preocupa e se importa com Miyako, o estrago provavelmente vai ser grande.
No dia seguinte, Natsume chega na escola e só de olhar é possível sentir a aura de fúria que ela emana. Ela vai direto para a sala de aula sem falar com ninguém, e encontra Mariko sentada sobre uma das classes, rindo e se gabando do que aconteceu no dia anterior com Miyako (que ainda não chegou na escola). Natsume marcha direto até ela, e sem hesitar, a puxa pelos cabelos (ou pelo braço) para fora da classe, e as duas começam a brigar – ou, no caso, Natsume bate e Mariko dá chutes no ar, arranha e puxa o cabelo dela. A briga dura até alguém sair correndo para chamar ajuda. Alguns veteranos e professores finalmente aparecem, incluindo Shuuhei, Masaki, além de Yuuri e Miyako que acabaram de chegar na escola e ouviram a confusão. Gunter tenta separar as duas e leva um tapa perdido por ali, então se afasta, reclamando. Shuuhei resolve interferir e segura Natsume pela cintura, levantando ela no ar enquanto ela continua a se contorcer. Masaki ajuda a irmã a levantar, mas ela o empurra, gritando sobre não precisar de ajuda, que vai processar todo mundo, que Natsume vai se arrepender. Shuuhei cogita a possibilidade de deixar Natsume escapar só mais um pouquinho.
No fim das contas, Natsume termina com alguns arranhões, e Mariko com vários hematomas, unhas quebradas e a perda do seu aplique de cabelo. Natsume acaba sendo suspensa por alguns dias, e o pai de Mariko tira ela da escola e coloca na escola interna para meninas (a mesma que Elizabeth estuda, se alguém ainda lembra dela).
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Após todos os acontecimentos turbulentos que se sucederam com o fim do festival escolar, é hora de se concentrar nas provas finais. Yuuri e Shuuhei estão concentrados em ir bem e em estudar para entrar na universidade, e Wolfram finalmente toma uma decisão sobre o seu futuro. Yuuri precisa de uma bolsa de estudos, e Shuuhei pretende ser médico (algo que ele não confidenciou ainda a Natsume, mas acaba contando para Wolfram em uma conversa que os dois têm).
Wolfram e Yuuri tentam estudar juntos, mas isso não dá muito certo porque eles logo se distraem um com o outro e fazem de tudo, menos estudar. Como eles percebem que não vai dar para estudar juntos, Wolfram começa a estudar com Shuuhei, e Yuuri recorre à Murata, que o ajuda através de chamadas de vídeo.
Como Shuuhei está ocupado estudando, Natsume acaba ficando mais afastada dele por algum tempo. Natsume e Sara se encontram eventualmente, e ele a leva para um ensaio fotográfico dele. Natsume acaba se aproximando mais de Sara, já que ele sabia as formas corretas de agradá-la, e ela, como fã, se sente muito lisonjeada por ele estar dando atenção a ela. Ele começa a sondá-la, sem nunca perguntar nada sobre Yuuri ou Wolfram diretamente, demonstrando interesse nela e nas coisas pelas quais ela tem interesse. Ele também pergunta sobre Shuuhei, já que os dois estão sempre juntos e parecem amigos de longa data. Natsume conta sobre como Shuuhei conseguiu fazer amizade com Wolfram (ele é incrível, sério, olha só que milagre ele conseguiu) e que eles estão estudando juntos para as provas finais. Sara acha a informação muito interessante.
Sara aproveita o fato de que Yuuri já está estressado por causa dos estudos, e começa a fazer insinuações bem “inocentes” sobre Wolfram, e a amizade dele com Shuuhei. Yuuri acaba ficando ainda mais nervoso do que já estava, mas guarda isso para si (e acaba deixando acumular).
Depois que as provas terminam, chega enfim as férias de verão. Todos eles (Yuuri, Wolfram, Miyako, Natsume, Shuuhei e Benjamin) decidem fazer alguma coisa juntos, e Wolfram oferece uma casa de praia que sua família possui. Eles viajam de barco até a ilha onde fica a casa, e Wolfram passa meio mal por conta do seu enjoo em transportes. Além do movimento do barco, quando enfim chegam à praia, está muito calor, e com a pressão baixa de Wolfram, ele fica ainda pior. Yuuri fica com ele, para ajudar no que ele precisa, mas Shuuhei também demonstra alguma preocupação, e Wolfram nem protesta quando ele lhe oferece água ou um lugar para sentar na sombra enquanto o grupo espera o ônibus que os levará até a casa como planejado. Yuuri observa isso tudo de perto, e lembra das palavras de Sara sobre a amizade dos dois.
Quando Wolfram fica melhor, todos conseguem se divertir na praia, e Yuuri esquece sobre isso por algum tempo quando se concentra mais nas atividades e em Wolfram do que nessas outras coisas. Porém, cada vez que Wolfram demonstra estar um pouco mais próximo de Shuuhei, como quando faz comentários casuais ou demonstra ser amigável com ele, Yuuri acaba influenciado pelos comentários de Sara, começa a notar o jeito que Wolfram se comporta perto de Shuuhei, e sente ciúmes, mas não diz nada. Wolfram até percebe que há algo de errado, e eles conversam, mas não chegam a resolver tudo.
O novo semestre começa. O relacionamento de Yuuri e Wolfram está um pouco estremecido, apesar deles terem se acertado depois das férias, e eles não chegaram a brigar diretamente, mas é fácil perceber que algo não está como era antes.
Shuuhei acaba discutindo com Natsume também porque ela está falando sobre Sara o tempo todo, e acaba por impulso falando o que ele pensa sobre o loiro, e sobre ele provavelmente estar incentivando as brigas entre Yuuri e Wolfram. Natsume se magoa, e Shuuhei se arrepende no mesmo segundo e vai atrás dela, pedindo desculpas e dizendo que não deixaria Sara estragar isso também.
Natsume começa a desconfiar de Sara depois desse momento com Shuuhei. Como ela podia não acreditar no amigo de infância, na pessoa que ela mais confiava, por alguém que conhecia há tão pouco tempo? Ela ia começar a desconfiar da maneira como Sara falava com ela, achar estranho as brigas entre Yuuri e Wolfram, e relacionar isso com o envolvimento de Sara com Yuuri. Além de se recordar das próprias coisas que ela mesma disse a ele, das pequenas informações que ele conseguia através dela sem ela nem notar. Começaria a ligar os pontos, e ver que algo estava muito errado.
Yuuri e Wolfram estão passando cada vez menos tempo juntos; Yuuri ocupado com os estudos e os treinos de baseball (ele pretende usar a bolsa de esportes para entrar na universidade), e Wolfram pesquisando as universidades disponíveis e ainda estudando com Shuuhei.
Natsume descobre a verdade sobre Sara, ouvindo uma ligação dele com Masaki. E aí percebe o quanto ele era manipulador e falso, enquanto ele continua sendo agradável sem perceber que ela já sabia coisas demais. Ela começa a ter mais cuidado em relação ao que diz. Natsume resolve enfrentá-lo e ele joga toda a verdade na cara dela, cansado de ludibriá-la já que ela não estava mas fornecendo informação útil para ele já há algum tempo. Ele acaba sendo bem cruel enquanto diz a ela toda a verdade sobre o que pensa dela e de tudo o que fez até ali. Ela fica destruída por dentro.
Shuuhei chega em casa e vê sua mãe conversando com a mãe da garota, que parecia preocupada. É informado por Kyohei que Natsume chegou em casa chorando e se trancou no quarto. Ele nem espera por confirmação, apenas sai de casa em um rompante e nem pede licença para entrar na casa vizinha também. Ao chegar na porta de Natsume, vê que está trancada, e a chama. Após alguns segundos de silêncio, quando ele já estava cogitando a possibilidade de arrombar a porta, ela se abre, de leve, e Shuuhei entra com cuidado alguns momentos depois. A primeira coisa que nota no quarto escuro (cortinas fechadas) é a pilha de cartazes e papéis no chão, jogados de qualquer jeito no centro do quarto. As paredes estavam muito vazias também. Perto da parede, Natsume estava sentada no chão, agarrada em um travesseiro, o rosto oculto por ele. Shuuhei fecha a porta e senta do lado dela, e a ouve murmurar “Você tinha razão”. Ela começa a chorar novamente. Shuuhei a puxa para um abraço, e ela, com o rosto oculto em seu peito, soluça “Só hoje”. Shuuhei entende que Natsume queria dizer “Só vou chorar hoje”. Ele sente-se mal por sentir que falhou novamente em protegê-la, deixando que mais uma vez alguém a machucasse.
Natsume se recupera desse golpe, e resolve que não vai permitir que Sara faça o que quiser, e passa a atrapalhar os planos dele sempre que possível, além de soltar indiretas e provocá-lo até quase fazê-lo perder a paciência quando perto de Yuuri. Masaki ameaça Natsume na escola, falando para ela parar de se meter com Sara – porque apesar de tudo, Sara acha a atitude dela ao enfrentá-lo abertamente muito interessante, já que ele esperou que ela ficasse tão mal por ter sido usada que mal pudesse encará-lo, e isso não aconteceu.
Apesar de tudo, Yuuri não acredita que Sara possa ser má pessoa, não acredita em nada do que os seus amigos dizem para ele, e não há muito o que possam fazer sobre isso, mas Yuuri acha que é Wolfram quem está pensando demais e criando intrigas onde não existe. Nesse meio tempo, acontecem as provas finais da escola e de vestibular de Yuuri, Wolfram e Shuuhei. Chega enfim a graduação de todos.
Depois da formatura, a viagem de turma dos terceiros anos chega, e o casal vê nisso uma oportunidade de se aproximar novamente depois do clima estranho que havia entre eles, mas os professores da escola que organizaram os grupos da viagem deixaram os dois separados um do outro (de propósito; segundo a lógica deles, se garotas não podem dormir junto com garotos durante as viagens, os dois também não poderiam). Wolfram acaba ficando no mesmo grupo de Shuuhei, e Yuuri está em um grupo com garotos com quem nunca conversou na vida. Com isso, os dois precisam escapar para ficarem juntos durante os passeios. Os membros do grupo de Yuuri e Shuuhei ajudam o casal a se safar.
Sara aparece do nada durante a viagem, porque aparentemente a gravação do comercial que ele está fazendo foi realocada para o mesmo local (convenientemente). Sara aproveita para passar algum tempo com Yuuri durante os intervalos da gravação, quando Wolfram não consegue mais desvencilhar do seu grupo quando os professores estão por perto.
Como Natsume já está ciente da verdadeira natureza de Sara, quando descobre que ele conseguiu se infiltrar na viagem, ela quer ajudar, mas ela não pode fazer nada estando longe dali. Ela tenta conseguir fazer isso através de Shuuhei, mas ele acaba atrapalhando mais do que ajudando, já que está no outro grupo.
Depois de voltar de viagem, eles checam o resultado das provas e tem a confirmação de que entraram na universidade de escolha de todos. Saem para comemorar juntos e tem uma noite tranquila, ao menos.
Após isso, Natsume resolve ir até Sara para tirar satisfações sobre o que ele estava fazendo durante a viagem da escola. Paralelamente a isso, Masaki resolve confrontá-lo e dizer tudo o que pensa. Durante a briga, ele pressiona Sara por todo o tempo que ele o usou, e quase o beija à força. Natsume chega nessa hora, e acaba impedindo, mas Masaki sai de cena deixando a entender que estava fora do negócio e não chegaria mais perto de Sara. Sara fica abalado, mas não por perder “um amigo”, e sim por Masaki tê-lo abandonado na última hora. Isso reforçaria a ideia dele de que relações são inúteis/frágeis, e o motivaria ainda mais a continuar agindo.
Natsume, bem no fim, acabaria não tirando as satisfações, por ter ficado um pouco abalada pelo que tinha presenciado. Repara no apartamento de Sara, antes dele mandá-la ir embora, e no quanto ele era vazio.
Yuuri e Wolfram, que não sabem sobre nada disso, acabariam brigando mais uma vez, dessa vez ainda mais sério, e acabam em uma situação de semi-término definitivo. Os dois ficam muito mal e nada do que os seus amigos dizem ajuda a melhorar essa situação. Dessa vez parece ser para valer.
Natsume procura Sara mais uma vez, dessa vez sem interrupções, e consegue dizer tudo o que pensa sobre o que ele faz, descrevendo o que vê da personalidade dele e o que acha que o motiva a fazer as coisas que faz. As palavras de Natsume são praticamente um “tapa na cara”, pois ela conseguiu perceber e jogar na cara dele coisas que nem mesmo ele havia percebido em si mesmo, e não hesitou em falar tudo o que pensava sobre isso. Ele se dá conta do que fazia, mas não totalmente – não o suficiente para se arrepender ou admitir que ela está certa.
É aí que Yuuri finalmente descobre a verdade, percebe o quanto foi manipulado esse tempo todo, e que não queria que nada daquilo estivesse acontecendo, e que, se não tivesse ouvido Sara, não teria cometido todos aqueles erros. Yuuri procura Wolfram, conta tudo a ele (na verdade, Wolfram já sabia que ele estava sendo manipulado e o avisou disso o tempo todo, então, faz questão de jogar isso na cara dele). Wolfram também não aguentava ficar separado, mas estava magoado por Yuuri ter escolhido acreditar em Sara ao invés dele.
Apesar disso, eles resolvem recomeçar aos poucos, e, se tudo isso serviu para alguma coisa, foi para mostrar que, apesar de tanto tempo, o relacionamento deles ainda era frágil e não estava maduro o suficiente, e eles foram capaz de enxergar essas falhas e ter tempo de corrigi-las antes que tudo fosse por água abaixo.
Depois de se acertar de vez com Wolfram, Yuuri vai atrás de Sara para conversar com ele e tirar tudo a limpo. Ele se irritaria como nunca antes acontecera, e diria algumas verdades para Sara, mas ele nem se incomodaria em defender o que fez. Ele já estava meio atordoado pelo que Natsume havia jogado na sua cara, e então passaria a, ao menos, tentar entender o ponto de vista de Yuuri, apesar de não se desculpar explicitamente. Yuuri está furioso, do jeito Yuuri de ser, mas ainda assim tirou algum aprendizado disso tudo, e espera que Sara faça o mesmo. Depois disso, Sara vai embora, deixando a gerência da confeitaria para outro funcionário e seguindo para continuar a trabalhar na sede da empresa dos seus pais em outro país.
Com Yuuri e Wolfram juntos de novo, prontos para começar uma nova vida na universidade onde vão estudar na mesma cidade, tudo volta à tranquilidade, e os dois estão perfeitamente bem, mais apaixonados do que nunca, e cheios de expectativas pelo que essa nova etapa das suas vidas irá reservar.
Fim. Ou quase.
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