Hanasanai

Nunca vou deixar ir

Chikatta yakusoku wa mou

A promessa que fiz de volta então

Fure fure koyuki

Neve que cai, cai

Boku no sugata

Eu quero que me cubra

Tsukunde kakushiteite hoshii

E me esconda

Kimi no saru senaka o mitsumete

Vi suas costas indo para longe de mim

Namida kotaeta

E segurei minhas lágrimas

Kimi to sugoshita hibi

Os dias que passei com você

Meguri kawaru kisetsu

Através do fluxo de estações

Waraiaeta kioku

As memórias cheias de risos

Omokage wa hakanaku

Se transformaram em uma imagem transitória

Capítulo 31

O tempo passou tão rápido que Yuri nem sentiu. Logo depois dos incidentes com o sonho e os boatos que se espalhavam, veio o período de provas, e ele se concentrou nos seus estudos mais do que qualquer outra coisa. Era algo que não estava acostumado a fazer, e Wolfram se ofereceu para ajudá-lo, mas ele foi categórico ao afirmar que se Wolfram ficasse perto dele, ele pensaria em tudo, menos estudar. Dessa forma, o tempo dos dois juntos se tornou ainda mais escasso, ao menos durante esse período.

Quando as provas enfim tiveram fim, já era mais da metade de dezembro. O ano estava se encerrando, e Yuri mal podia acreditar em todas aquelas mudanças que viraram seu mundo de cabeça para baixo durante o decorrer daquele ano. Mais alguns poucos meses, e ele seria um veterano no terceiro ano, e ainda estava namorando! Porém, não era essa a maior preocupação dele neste exato momento, nem de longe. O fato era que ele e Wolfram completariam um mês de namoro dali a poucos dias, logo antes do natal, e ele estava perdido, sem saber o que fazer.

Era uma quinta-feira cinzenta e a neve caía lentamente no final da tarde, como pequenos fragmentos brancos, quase imperceptíveis, acumulando-se muito lentamente pela calçada. Yuri voltava para casa com Miyako, já que Wolfram ficara para trás, dizendo que queria voltar com Conrad hoje. Logo quando eles finalmente estavam livres das provas e poderiam ter algum tempo juntos…

— Você está pensando em alguma coisa, Onii-chan? – Miyako puxou assunto, com a voz abafada pelo cachecol enrolado ao redor da sua cabeça.

— Por que tá perguntando isso? – Yuri sobressaltou, acordando de repente. Estava naquele instante pensando se seria uma boa ideia levar Wolfram para um jogo de baseball mesmo, já que nenhuma ideia melhor vinha à sua cabeça.

— Sempre que o Onii-chan está pensando muito em alguma coisa, aparece uma ruguinha bem aqui. – Ela se ergueu na ponta dos pés, cutucando com o dedo o espaço entre as sobrancelhas de Yuri. – Então, estava pensando no Wolfram-kun? – Ela aumentou o sorriso, toda animada.

Yuri suspirou, recomeçando a andar. Não havia como disfarçar, não é? Miyako não desistiria até que ele admitisse, de qualquer maneira.

— Eu quero ir a um encontro com o Wolf. — Ele confessou, corando ligeiramente, e continuou a falar no mesmo instante, antes que Miyako tivesse chance de gritar ou dar algum ataque. – Mas não sei para onde levá-lo.

— Ah, ainda esse problema? Vocês já estão namorando há algum tempo… Por que não o leva para onde vocês costumam ir…?

— Nós… não saímos muito… Sempre nos vemos na escola, ou na minha casa… — Yuri percebeu lentamente, um tanto arrependido. – O que eu deveria fazer? Não consigo pensar em nada…

— Vocês ainda não tiveram um único encontro apropriado? Eu não acredito! Você ainda não sabe os interesses dele, Yuri-nii?

— Claro que sei! Mas nós nunca temos tempo… Quando não são as provas, são os treinos de baseball, ou o Wolf tem que fazer alguma coisa lá na casa dele… — Yuri chutou uma latinha vazia no chão, frustrado. Logo depois, sentiu-se culpado e juntou-a, colocando na lata de lixo próxima. – Eu só queria arrumar um lugar onde nós pudéssemos ficar juntos, e nos divertirmos um pouco… Mas eu não conheço nenhum lugar legal que ele vá gostar!

— Kyaa~ Yuri-nii é um namorado tão dedicado! Que fofo! – Miyako comemorou, provocando Yuri, e fazendo-o arrepender-se de ter dito qualquer coisa. – Mas você está com sorte, a Miya tem uma resposta para esse dilema! – Ela anunciou, pegando a mochila e remexendo nela, procurando por alguma coisa. De repente, retirou de lá um folder, e o brandiu no ar, triunfante. – Aqui está! Entregaram lá no café uns dias atrás, e agora, vai ser muito útil!

Yuri leu o folheto por alguns instantes, e então sorriu.

—Isso parece… muito bom! Você acha que Wolf vai gostar? – Ele indagou, com os olhos já brilhando de expectativa.

— Totalmente! Ben-kun disse que fazia isso quando estava de férias no país dele, então o Wolfram-kun certamente também devia fazer! – Miyako afirmou, seguramente. – Você tem que convidá-lo, Yuri-nii-chan! Vai ser o encontro perfeito!

— Você tem razão… Obrigado, Miya-chan! – Yuri se empolgou, e na sua animação, abraçou a prima com força, no meio da rua mesmo, chamando a atenção das poucas pessoas que passavam. Estava entusiasmado com a perspectiva de finalmente conseguir fazer alguma coisa certa, que deixaria Wolfram feliz também. Miya era mesmo um anjo…

~

— Wolf, nós devíamos ir a um encontro.

Mal chegou na aula, Yuri já correu para o seu lugar em frente à Wolfram, inclinando-se na direção da classe dele com o folheto de Miyako em mãos. Passara a noite anterior pensando no assunto, imaginando como seria, e pesquisando sobre os lugares. Agora, estava mais empolgado do que nunca — lembrava até a própria Miyako, e, da mesma forma que a prima, ninguém poderia segurá-lo quando estava nesse estado.

— O q-que é isso tão de repente? – Wolfram engasgou, sendo pego de surpresa pelo entusiasmo do outro. Olhou ao redor, apenas para ter certeza de que ninguém ouvira o que ele dissera. Yuri não tinha nenhuma ideia de como ser discreto, mesmo.

— Eu já pensei em tudo. Aqui, neste lugar, tem uma promoção de Natal! – Ele estendeu o papel, parecendo uma criancinha que mostra a lista de presentes de natal para os pais. – Vai ser perfeito! E depois nós podemos comer nesse restaurante que fica perto, e ver a árvore de Natal que está montada no centro comercial… Se tivermos sorte, pode até nevar!

Wolfram pegou o folheto em mãos e o leu cuidadosamente. Tratava-se de um ringue de patinação no gelo, e ele tinha que admitir, a ideia não era ruim. Sempre patinava nos lagos congelados do castelo durante o inverno em Shin Makoku, junto com Conrad. Era uma das poucas lembranças da infância que podia dizer terem sido realmente divertidas. Mas havia um pequeno empecilho.

— Yuri… Eu gosto da ideia, mas… leia aqui. – Ele apontou para um espaço menor no folheto, e Yuri se aproximou para olhar também. – A promoção de Natal é exclusiva para casais… Eu não acho que nós poderemos ir nesse dia. Deixe para outra ocasião, nós podemos ir apenas nesse restaurante que você falou…

— Mas… Nós somos um casal… — Yuri repetiu, sem entender.

— Shh, não fale alto! – Wolfram o repreendeu, olhando para os lados, porém aparentemente ninguém havia prestado atenção. – Eu sei disso, mas não podemos ir a um lugar dessa maneira e apenas dizer isso. E se alguém da escola estiver lá, como vai ser? Os rumores que andam se espalhando vão aumentar, e sua situação no time vai piorar, não é?

— Mas Wolf… Eu só… queria que você ficasse feliz… — Yuri murmurou, inseguro. Wolfram soltou o ar aos poucos, tentando não prestar tanta atenção na expressão adorável que Yuri fazia (e isso era covardia).

— Yuri, preste bem atenção, eu só vou dizer uma vez. Aproxime-se. – Ele encarou Yuri diretamente. Yuri não entendeu, mas chegou mais perto ainda assim. – Mais, fracote! – Wolfram segurou-o pela nuca, e Yuri pensou que fosse beijá-lo, mas ele apenas se inclinou para sussurrar em seu ouvido. – Não importa onde seja, você sempre consegue me fazer feliz. Pare de se preocupar com isso. Qualquer lugar que você quiser me levar está ótimo, desde… Desde que seja com você. Entendido? – Ele se afastou, fitando-o furiosamente, embora seu rosto estivesse corado até as orelhas. Yuri também estava com o rosto completamente ruborizado, e ainda meio anestesiado, sem reação. Wolfram não costumava ser tão direto, mas ultimamente ele estava se esforçando para agir de maneira mais honesta, e isso deixava Yuri desconcertado.

— Então… Você quer ir a um encontro comigo? – Ele balbuciou, baixando o rosto e erguendo os olhos negros e enormes.

— Claro, fracote. Com quem mais eu iria? – Wolfram rapidamente voltou ao seu eu usual, e Yuri riu, relaxando um pouco.

Yuri estava feliz com o que Wolfram dissera, e, como os momentos em que ele era tão sincero não eram lá muito abundantes, isso só o fazia ficar mais satisfeito ainda. Porém, alguma coisa ainda o incomodava. Ele sabia que Wolfram havia gostado da sua ideia, e não podia aceitar desistir disso somente por causa de um motivo sem importância, como a opinião dos outros. Não fazia parte da sua personalidade abandonar algo assim tão rápido. Ainda mais quando ele tinha certeza de que Wolfram não estava tão bem com isso da maneira que dizia.

~

O céu estava cheio de nuvens enormes e fofinhas, tingidas de azul, laranja e rosa, e se tornava gradualmente mais escuro na medida em que o final da tarde daquela véspera de Natal ia se aproximando. Yuri corria o mais rápido que podia nas ruas cheias de pessoas, na maior parte jovens casais comemorando juntos o feriado, e crianças querendo ver a decoração das lojas do centro, que estavam realmente esplêndidas. As luzes piscavam e brilhavam, cintilando nas árvores, guirlandas, bonecos de neve gigantes e Papais Noel a cada esquina.

A insistência de Miyako em escolher uma roupa para ele havia tomado mais tempo do que esperava, e ele, que havia planejado chegar pelo menos meia hora antes para não fazer Wolfram esperar, estava quase atrasado. Enquanto chegava mais perto do ponto de encontro, percebeu o namorado ao longe, e se apressou ainda mais querendo alcançá-lo o quanto antes. Ele estava lindo, usando roupas de boas marcas como sempre, e que pareciam novas também, e tinha um olhar desinteressado no rosto. Muitas garotas que passavam prestavam atenção nele, obviamente, mas Yuri nem se preocupou com esse detalhe. Só conseguia sorrir ao ver Wolfram, nada mais.

— Wolf! Desculpa pelo atraso, você ficou muito tempo esperando? – Ele indagou, preocupado. Wolfram pareceu sobressaltar quando ele finalmente chegou perto, e então seu rosto se contorceu em uma expressão indecifrável.

— Não, acabei de chegar. – Ele murmurou, variando entre a irritação por ter tido que esperar e a agitação no seu peito por ver Yuri, como sempre.

— Que bom… A Miyako não me deixava sair nunca, ela até arrumou meu cabelo, eu não sabia mais o que fazer para ela me deixar sair… Até que consegui fugir quando o celular dela tocou. – Yuri, como sempre quando estava nervoso, começou a tagarelar. Deveria, àquela altura, já ter se acostumado em namorar Wolfram, mas aquela era a primeira vez que eles saíam juntos, oficialmente, e o fato de ele estar tão bem arrumado agora não ajudava em nada. Ele se sentia apenas pior ainda ao pensar em se comparar com a beleza de Wolfram, pois sabia que nada nele se igualava.

Wolfram notou a inquietação de Yuri, e discretamente, segurou-o pelo pulso, aproximando-se para falar.

— Eu acho que você está ótimo assim. Muito lindo… Lembre-me de agradecer à Miyako depois. — Ele sussurrou, e Yuri não sabia se estava sendo provocado ou se isso era sério mesmo, mas ainda assim, corou.

— Wolfram… Você acha isso… de verdade? Porque eu sei que não me visto tão bem como você, e também nem sou bonito, mas…

— Eu acho você bonito. Sempre achei. Fim da questão. – Wolfram o cortou, deslizando a mão coberta por uma luva cor-de-creme para entrelaçar os dedos nos de Yuri. – Para que lado fica o restaurante?

— Ah, bem… Sim, certo… — Yuri parecia finalmente ter se dado conta de que ainda estavam no meio da rua, e a noite estava apenas no início. – Vamos por aqui… — Ainda segurando a mão de Wolfram firme na sua, os dois caminharam por mais algumas quadras. Aquele não era o caminho para o restaurante, mas Wolfram não sabia disso.

Quando enfim chegaram ao local, Wolfram arquejou, surpreso. Yuri sorriu para ele, parecendo satisfeito com a sua escolha, e tirou do bolso uns pedacinhos de papel azul-claro, mostrando-o para ele. Eles estavam em frente ao ringue de patinação da cidade, e Yuri tinha um ingresso para o evento de Natal em mãos.

— Yuri, eu disse a você…

— Você me disse que gostou da ideia, e eu só ouvi isso. Percebi que você queria realmente vir aqui, mas não admitiria, então, comprei os ingressos de qualquer maneira. E eu não me importo nada com o que pensam ou deixam de pensar naquele time de baseball. Vamos apenas nos divertir hoje, está bem? – Yuri abraçou Wolfram, esperando pela resposta positiva. O loiro pensou por alguns instantes, e então bufou, irritado.

— Está bem, nós já estamos aqui mesmo. Só não faça escândalo, está bem? Não precisamos chamar a atenção de ninguém. – Ele cedeu, suspirando. Afastou-se de Yuri, mas ele não deixou que soltasse sua mão, e os dois dirigiram-se à entrada. Yuri entregou os ingressos para a atendente, para que pudessem entrar.

— Senhor, esse ingresso vale apenas para casais… — A atendente de aparência cansada entoou automaticamente, levantando os olhos para procurar pelo par de Yuri, e embora a visão de Wolfram tenha enchido seus olhos por um instante, ela voltou a encarar Yuri, como se esperasse que ele tivesse uma boa resposta para isso.

— Nós somos um casal. – Yuri ergueu a mão que mantinha entrelaçada na dele, para enfatizar o que dizia, com um grande sorriso no rosto. Wolfram pensou por um momento que ia enfartar ali mesmo. Yuri admitia com tanta naturalidade aquele fato que ele mal podia acompanhar. A mulher no guichê também pareceu um tanto desconcertada.

— Ah, bem…

— Você precisa de mais provas? – Yuri se apressou em dizer, diante da hesitação da mulher, que parecia envergonhada pelo engano que cometera. – Eu posso beijá-lo se você quiser… — Ele sugeriu, já erguendo o queixo de Wolfram com a outra mão.

— Yuri, o que pensa que…

— N-não é necessário, senhor, por favor! – A mulher interviu a tempo. – Podem entrar…

— Obrigado! – Yuri lançou mais um sorriso brilhante, e seguiu com Wolfram para a ala de patinação.

— O que foi isso? Por que você agiu daquela maneira em público, Yuri! Eu pensei que tínhamos concordado em manter tudo em segredo! – Wolfram não se demorou em ralhar com Yuri, sem nem esperar atravessarem o corredor de acesso. – Você deveria pensar antes de…

— Wolfram, eu só disse a verdade, você não deveria ficar bravo comigo por isso. Nós já estamos aqui, não estamos? E, além disso, nós nem conhecemos aquela mulher. Então não tem problema algum…

Antes que Wolfram pudesse replicar, eles chegaram enfim à beira da pista. Aquele lado do ringue que ficava ao ar livre funcionava apenas durante o inverno, e no momento estava rodeado de decorações natalinas e árvores ornamentadas. Casais deslizavam de um lado para o outro, muitos abraçados para evitar cair, outros ensaiando passos de dança a dois, e todos eles pareciam estar se divertindo muito. Depois de conseguir patins para cada um, eles enfim resolveram se arriscar.

Naquele tapete branco e gelado, as pessoas iam e vinham, parecendo dançar em meio às decorações de pinheiros e azevinhos, com enfeites verdes, vermelhos e dourados. As luzinhas piscavam alegremente, e das caixas de som saiam músicas natalinas. A maior parte do público se resumia em casais realmente, e eles não pareciam estar prestando atenção em nada além de um ao outro, de forma que a situação constrangedora que Wolfram previu não estava se provando verdadeira.

Wolfram foi à frente, deslizando com habilidade há muito adquirida, pelo gelo. A sensação era familiar, e ele logo se lembrou das tardes de inverno em Shin Makoku, quando seu irmão o ensinou a patinar, anos atrás, e suas pernas se moveram praticamente sozinhas. Só depois de ter avançado foi que percebeu que Yuri não o seguira, e ao olhar para trás, viu que ele se segurava com força nas barras laterais, com as pernas resvalando, impedindo que ele conseguisse ficar de pé por si só. Suspirando, Wolfram voltou para onde ele estava.

— Se não sabia patinar, por que quis vir até aqui, fracote? – Wolfram resmungou, pegando Yuri pelo braço e ajudando-o a se erguer.

— Porque eu sabia que você ia gostar! Viu, você parecia bem feliz quando chegamos aqui… — Wolfram pensou em negar aquela verdade óbvia, mas o sorriso de Yuri ofuscava até mesmo os pensamentos indispostos dele. — E, além disso, eu pensei que você pudesse me ensinar… — Ele riu, esfregando a nuca com uma mão enquanto tentava se firmar em Wolfram com a outra. Wolfram revirou os olhos, como se não tivesse outra opção, mas ainda assim voltou-se para Yuri.

— Certo, então. Primeiro, fique de pé! Você joga baseball, não é possível que tenha um equilíbrio assim tão precário. – Ele começou, ajeitando os ombros de Yuri e o obrigando a ficar de pé por conta própria. Ele balançou um pouco de início, mas logo conseguiu firmar as pernas. Sorriu mais uma vez para Wolfram, parecendo uma criancinha que acabara de aprender a andar, e Wolfram não teve saída a não ser retribuir em parte ao sorriso brilhante dele.

Depois disso, ele segurou a mão de Yuri, e o conduziu para frente, instruindo-o a deslizar um pé depois do outro. Yuri podia ser desajeitado, mas aprendia rápido, e logo já conseguia patinar – ainda que de forma desengonçada – sem precisar da ajuda de Wolfram. Mas não o fez, porque gostava de ficar segurando a mão dele.

Ele caiu várias vezes, é claro, e provavelmente teria hematomas pelo corpo no dia seguinte. Wolfram também resvalou e quase caiu uma ou duas vezes, e, nessas ocasiões, Yuri sempre ria alto, e logo depois o ajudava a levantar com carinho. Eles giravam e pareciam dançar no ritmo de uma música qualquer. Realmente estavam se divertindo, agindo como o casal apaixonado que certamente eram, e o fato de ninguém ali parecer ligar para isso deixava Wolfram confortável, da maneira que ele se sentia na sua terra natal. Ali, com Yuri, ele tinha a plena sensação de pertencer a algum lugar, de ser familiar, de estar com a pessoa que amava.

~

Não muito longe dali, duas pessoas disfarçadas com uma touca e barba de Papai Noel, e com uma máscara de Rudolph, a Rena do Nariz Vermelho, observavam o casal de pombinhos com atenção, do lado oposto da pista de patinação. A Rena tinha as pernas trêmulas sobre os patins, e, se não soltasse a barra de proteção da lateral, cairia no mesmo segundo. O Papai Noel tentava ajudá-la, e quando ela foi ao chão mais uma vez, levantou-a com cuidado e fez com que ela segurasse em seu braço, mesmo contra a vontade.

— Desculpe ter feito você vir todo esse caminho apenas para me ajudar a… — Ela pensou na palavra espionar, mas não parecia adequado no momento. – Observar… eles dois.

— Está tudo bem… Aqui é divertido também, com você e tudo mais, então não tem problema. — O Papai Noel baixou a barba branca no queixo, revelando um rosto claro e sardento, e os olhos azuis-céu brilharam ao fitar a rena logo abaixo de si.

— Mas você está perdendo seu Natal comigo… — A Rena pareceu lamentar sua decisão. Retirou uma parte da máscara de nariz brilhante, deixando-a como uma touca na cabeça, e de algum jeito conseguiu virar-se de costas para não ser reconhecida, ainda segurando a manga do casaco de Benjamin.

— Eu… estava pensando em convidar você para vir aqui de qualquer maneira… — Ele confessou, olhando para as luzinhas piscantes logo acima da sua cabeça, e então sorriu, sem jeito. Miyako achava o sorriso dele, os olhos refletindo a luz perfeitamente, e aquela mecha de cabelo ruivo que escapava da touca vermelha… Tudo muito lindo, quase surreal. E estava tão distraída olhando para isso que demorou a entender as palavras de Ben.

— C-como? – Ela indagou, exasperada, soltando-o de repente. Com o choque, quase caiu mais uma vez, mas ele a segurou a tempo dessa vez, içando-a pela cintura.

— Eu queria te convidar para sair no Natal… É uma ideia tão ruim assim? Pensei que nós pudéssemos comer um bolo de natal juntos, um que não fosse o da loja, só pra variar… E ver a decoração das lojas do centro comercial, talvez… M-mas, se você não gosta disso, não precisa ir comigo, claro que não! Eu só pensei que… seria legal…

— Ben-kun… E-eu… Eu não consigo acreditar nisso… Você quer mesmo passar tempo comigo? Quero dizer, eu sei que arrastei você para cá sem pensar, e eu realmente queria ver se o Onii-chan e o Wolfram-kun estavam se dando bem, porque o Onii-chan costuma meter os pés pelas mãos às vezes… M-mas eu não pensei nisso, b-bem, não s-seria ruim de maneira alguma, eu só… não entendo…

— Eu gosto de passar o tempo com você, Miya-chii. Você é fofa, e divertida… Desajeitada, é verdade, mas eu só acho que isso complementa seu charme. Gosto da maneira como você cuida de todo mundo que é precioso para você, o tempo inteiro… Mas é meio preocupante o fato de que você acaba se esquecendo de si mesma no processo. Eu só queria lembrá-la de que você é especial…

Miyako estava sem saber como agir. Essas palavras, que ela sempre lia nos shoujos, e que nunca acreditou de verdade que algum dia pudessem ser direcionadas a ela, estavam deixando-a sem reação alguma. Como se essa não fosse sua realidade, ou estivesse no meio de um sonho. Naqueles onde nada faz sentido, mas tudo faz sentido ao mesmo tempo… E ela pensou, por um breve momento, que seria nesse momento que Benjamin se declararia, e, apesar de nunca ter se permitido pensar profundamente nisso, para não se iludir, ela queria, intimamente, que fosse assim. Ela queria que ele tivesse sentimentos por ela, e queria aceitá-los. Ela gostava dele, sabia disso há muito tempo. E seu coração despreparado praticamente gritava isso de dentro do peito, querendo desesperadamente ser ouvido.

— Ben-kun…

— … Por isso, Miya-chan… — Ele afagou o rosto dela delicadamente, ajeitando os óculos que quase caíram por causa da máscara que ela usava antes. – Eu queria dizer que eu… Eu… — Ele engasgou, com o rosto muito vermelho, da cor do nariz de Rudolph. Parecia estar medindo as suas palavras. Miyako só queria que ele dissesse alguma coisa, qualquer coisa, e acabasse logo com toda aquela agonia. Ele recuou a mão, repentinamente, e evitou o olhar dela. As luzes douradas refletiam na lente dos óculos dela, de maneira adorável, e, nesse momento, ele não conseguia olhar diretamente para ela. Por outro lado, o mesmo efeito ocorria do ponto de vista de Miyako, e fazia Benjamin brilhar aos seus olhos.

— V-você q-queria dizer o quê? – Ela indagou com voz fraca, quase sem conseguir respirar. Tirou coragem sabe-se lá de onde para conseguir falar, e mal ouvia sua própria voz, sufocada pelas batidas do coração que martelavam em seu ouvido.

Benjamin ainda olhava para o lado de lá, e fechou os olhos de repente. Parecia estar segurando algo, com as palavras certas quase saindo espontaneamente. Quase.

— … Que você é uma ótima amiga. A melhor que já tive… Feliz Natal. – Ele espalmou a mão sobre a touca do Rudolph, num meio cafuné, e então preparou-se para sair patinando, recolocando a barba, sem ver a reação dela. – Vou comprar alguma coisa quente para você… Espere aqui… — A voz dele soou abafada, distante. Quando ele deu as costas e sumiu na multidão que patinava, Miyako sentiu enfim o ar deixar seus pulmões, e foi doloroso. Sua garganta ardia, e ela sentia que podia chorar.

Claro… que seria assim. O que ela estava esperando? Príncipes perfeitos só existem nos mangás, e, mesmo que existissem, eles não se apaixonam por garotas como ela, na realidade. Eles se apaixonam por garotas como Mariko, como Elizabeth. As Miyakos só ficam com os príncipes nos mangás. Então ela não devia se iludir, não se deixar levar pelas suas expectativas muito altas, não alimentar esperanças vãs. Ela repetia essas frases sem parar na sua mente, querendo convencer-se completamente daquilo, pelo menos até Benjamin retornar, e prometeu a si mesma que ele não a veria naquele estado. Quando ele voltou, ela sorria. Era o maior e mais brilhante sorriso que ela já havia mostrado a ele, e tudo parecia bem. Mas também era o mais difícil sorriso da sua vida.

~

— Idiota, se você forçar seu pé assim, é claro que vai cair. — Wolfram reclamou, embora não parecesse estar assim tão bravo de verdade.

— É que esses patins machucam meus pés! – Yuri resmungou, segurando-se ainda no braço de Wolfram. – Você não quer comer alguma coisa na praça de alimentação?

— Espera mais um pouquinho… — Wolfram olhou para além, sorrindo de uma maneira que Yuri nunca havia visto. Parecia saudosista, melancólico, ainda que de alguma forma, realizado. Era estranho, complexo… Como uma fórmula matemática. Mas Yuri queria mais do que qualquer coisa entender e resolver essa equação.

— Você ainda sente falta do seu país, não é? – Yuri arriscou, depois de conseguir levantar e equiparar-se com o loiro para poder fitá-lo diretamente. Ele diminuiu o ritmo, para que ele acompanhasse.

— Um pouco. Eu costumava patinar lá, em um lago congelado perto do castelo. Foi Conrad quem me ensinou, e, todos os anos, no inverno, nós íamos até lá e passávamos a tarde. Ele fazia uma fogueira, e nós assávamos marshmallows…

— Parece divertido…

— E era. – Wolfram sorriu, suspirando. Segurou a mão de Yuri com força. – Nos feriados de inverno, quando era pequeno, eu podia deixar os estudos e os deveres de estado um pouco de lado, e brincava com Conrad… Acho que são as únicas lembranças que eu tenho de fazer algo como isso…

Yuri estava surpreso, não pelo que Wolfram dizia, mas pela expressão carregada que ele trazia no rosto. Parecia tão frágil quanto porcelana, os olhos brilhantes como duas bolas de árvore de natal. Era como o garotinho que ele conheceu no outono de anos atrás, no balanço de uma praça, completamente sozinho…Yuri queria abraçá-lo, e dizer que tudo ficaria bem.

E foi exatamente o que ele fez.

— Wolf…

— Yuri, o que... O que está fazendo? Por que fez isso?? – Wolfram protestou, abafado em meio ao abraço apertado do outro. Agora, algumas pessoas os observavam, curiosas (inclusive uma rena do nariz vermelho lá longe).

— Eu queria te abraçar, só isso. Queria dizer para você que eu estou aqui, e que eu nunca vou te deixar, e que eu te amo. Você não está sozinho… — Ele murmurou, atropelando as palavras com tanta coisa que queria dizer ao mesmo tempo. – Não quero que você fique triste.

— Mas eu não estou triste, fracote… — Ele balbuciou, empurrando Yuri, mas ele não o soltou. – Eu estou… Estou feliz, na verdade…

— Está?

— Estou. – Ele bufou, virando o rosto para o lado. Seus braços ainda rodeavam o corpo de Yuri, e provavelmente era ele quem equilibrava os dois, ou então já teriam ido ao chão. – Eu sinto saudades da minha casa em Shin Makoku, não posso negar. Mas é aqui que eu vivo agora… E é aqui que você está.

— Wolf! – Yuri exclamou, surpreso e satisfeito, abraçando o loiro com ainda mais força. Nem sabia o que dizer, de tão feliz que estava, e essa felicidade parecia preencher todo o seu corpo com uma luz e um calor agradáveis, como a chama de uma vela, ou as luzinhas de uma árvore de natal. – Aqui… Eu ia esperar até a meia-noite, mas não consigo mais… — Ele tirou de repente um pequeno pacotinho verde, amarrado com fita dourada, e estendeu à Wolfram. Era um presente, e decididamente, Wolfram não esperava por isso. Yuri sempre conseguia, em todas as vezes, pegá-lo de surpresa.

Ele abriu a caixinha sem esperar nem um segundo, e dentro dela havia uma pequena esfera de vidro. Tirou-a de lá com cuidado, e notou que era um globo de neve que, quando chacoalhado, tinha floquinhos brancos que se agitavam e caíam lentamente. Olhando mais de perto, Wolfram notou que havia a miniatura de uma construção muito familiar. Lendo a legenda, ele teve a confirmação. “Blood Pledge”.

— Yuri, esta é…

— Eu encontrei na internet! – Yuri começou a explicar, sorrindo apenas em ver o semblante de Wolfram, que parecia muito mais uma criança, abrindo o presente de Natal. – É uma réplica do castelo em Shin Makoku, o que você morava… Achei que fosse gostar de ter um pedacinho da sua casa, ainda que dessa maneira, para matar as saudades… E também, assim, você não precisaria pensar em voltar para lá tão cedo…

— Você não precisava fazer isso… — Wolfram sussurrou, chegando mais perto, ainda que inconscientemente. – De uma maneira ou de outra, eu já não pensava mais em voltar para lá…

— Não? Mas… é a sua casa, sabe? – Yuri argumentou, ainda sem entender. – E, naquela vez que você fugiu, parecia tão determinado, também... Pensei que você não tinha desistido dessa ideia.

— Eu vou contar só para você saber, e parar de pensar em besteiras. – Wolfram parou, escorando-se na beirada do ringue de patinação, e Yuri segurou-se na barra de segurança ao lado dele, prestando atenção. – Quando eu quis voltar para Shin Makoku daquela vez, não era só porque eu não gostava do Japão. Naquela vez, eu ainda não tinha reconhecido você, e eu queria estar em Shin Makoku para… Para o caso do garoto que eu conheci naquela época acabasse procurando por mim lá… Ou algo assim… — Ele sussurrou, envergonhado. – Além disso, eu quis cumprir minha promessa de ser um bom rei... Mas, estando exilado, não haveria maneira de fazer isso, eu… Eu não sabia bem o que queria fazer naquela época, mas agora não é mais necessário! Porque você está aqui, e nós finalmente… — Ele travou, percebendo o que estava quase dizendo, mas engoliu o orgulho e continuou, querendo ser suficientemente claro para que até um idiota como Yuri entendesse. – Nós finalmente estamos juntos, então eu não vou querer ir embora para lugar algum! Então não volte a pensar nisso!

— E-entendi… — Sem palavras para responder a isso, Yuri se limitou a sorrir. Segurou a mão de Wolfram, carinhosamente, afagando seus dedos gelados com as mãos enluvadas.

— Mas eu gostei do presente. Obrigado… — Ele murmurou, o rosto corando enquanto ele olhava para baixo.

— Mesmo? Que bom! – Yuri sorriu, afagando o rosto contra a bochecha de Wolfram, sem soltar a sua mão. – Eu fico feliz por isso!

— Eu também tenho um presente para você… — Wolfram disse em voz baixa, e Yuri quase não ouviu, por causa do volume das músicas natalinas ao redor.

— O quê?

— Eu pedi ajuda do Conrad para comprar, no outro dia… — Ele contou. – E-então… É melhor que você goste, fracote idiota. – Ele disse tudo de um só fôlego, e jogou o pacote retirado do lado interno do sobretudo no peito de Yuri, sem nem olhar para ver se ele havia pegado.

Yuri abriu o pacote no mesmo instante, emocionado por Wolfram ter pensado tanto assim nele, e, quando notou o que era, quase gritou de empolgação. Era uma luva de baseball, preta e grande. Não era uma luva comum, como as dos outros jogadores, mas uma mais reforçada e pesada, como deveria ser a do catcher, que era, exatamente, a nova posição que Conrad havia o colocado.

— Wolf‼ Isso é… Como você sabia que eu precisava de uma dessas? Quero dizer, você nem ouve quando eu falo sobre baseball…

— É claro que eu ouço! – Wolfram replicou, embora fosse verdade que a ajuda de Conrad havia sido imprescindível na hora de escolher, e que ele não saberia dizer a diferença entre as várias luvas que havia na loja de esportes por si mesmo. – De qualquer maneira, você vai ficar com isso ou não? Porque se não for, eu pego de volta e troco por uma proteção para esgrima sem nenhum problema…

— É claro que eu vou ficar! Eu adorei! Obrigado! – Ele se inclinou, depositando um carinhoso beijo no rosto de Wolfram, fazendo-o arquejar. – Ah, desculpa… Esqueci que você não gosta que eu faça essas coisas em público… — Ele lembrou e se afastou um pouco, mas, repentinamente, viu a mão de Wolfram segurando-o pela ponta do cachecol.

— Pode ficar perto. Só hoje… — Ele balbuciou, sem encarar Yuri diretamente. – Porque está frio, então… Só um pouquinho… Se for hoje, eu deixo…

— Wolf…

— Pare de repetir meu nome toda hora, idiota, eu já sei como me chamo. – Ele resmungou, sem soltar Yuri.

— Nee… Wolf… — Yuri chamou, ignorando completamente a reclamação anterior de Wolfram. – Olha para cima.

O loiro fez o que o outro pedia, e ergueu o rosto. Sentiu pontinhos gelados tocando sua pele, transformando-se em água ao chegar até ele, e percebeu que era neve começando a cair, em pequenos e delicados flocos desiguais, lentamente.

— A neve… — Wolfram murmurou, espanando os flocos que se acumulavam nos cabelos negros de Yuri.

— Não… — Ele sorriu, apertando Wolfram em seus braços. – Em cima da sua cabeça. Tem um visgo… — Ele apontou, e só então Wolfram olhou para o lado certo, e percebeu que ele falava sobre a decoração na base do telhado da construção. – Você sabe o que isso significa?

— Você acha que eu sou idiota? – Wolfram arqueou a sobrancelha, seriamente ofendido. — Em inglês o visgo é conhecido como mistletoe. Os Celtas acreditavam que o visgo era mágico com poderes de curar ferimentos e aumentar a fertilidade. Eles penduravam ramos de visgo nos telhados e batentes para afastar os maus espíritos e trazer sorte. Na Era Vitoriana, na época do Natal, os ingleses passaram a pendurar visgos nos batentes e se alguém fosse pego parado debaixo de um ramo de visgo, ele poderia ser beijado por qualquer pessoa que estivesse próximo, como uma forma de transgredir a rigidez moral desta época. No entanto, essa tradição persiste de forma…

Yuri nunca chegou a saber o que Wolfram diria naquela hora, e sinceramente, não estava ouvindo desde o início. Naquele exato instante, juntou seus lábios em um inesperado e certeiro beijo, como mandava a tradição. Serviu para fazer Wolfram calar-se, ao menos. Ele segurou o rosto do loiro e o fez retribuir ao beijo, até que enfim separaram-se, e ele parecia transtornado.

— Feliz Natal. — Yuri sorriu brilhantemente, fazendo Wolfram esquecer a bronca que pretendia dar sobre fazer aquelas coisas em público, e sem avisar, apesar do que havia permitido anteriormente. Desviou o olhar, com o rosto irremediavelmente corado. Antes que percebesse, ele sorria.

— Feliz Natal pra você também, fracote.

Notas finais
Yoo minna-san~~~ Jingle bells~Jingle bells~ Eu fiquei tão feliz por que consegui fazer o tempo na fic condizer pelo menos um pouco com agora ~ estou completamente natalina! *coloca touca de natal* Ainda é cedo... mas é dezembro, e dezembro é natal, então Merry Christmas!!! O capítulo ficou giganticamente enorme, eu sei, e ia ser maior ainda mas eu segurei meus dedinhos e deixei o resto pro próximo u-u Eu pensei em dividir em dois, mas resolvi ser boazinha pro papai noel me dar presente, então considerem esse como sendo um especial de Natal mesmo! Alguns casais felizes e nas nuvens, outros nem tanto~ ainda teremos a aparição de alguém muito esperado provavelmente antes do ano novo, mas eu não prometo nada. Minha promessa do ano novo passado era terminar minhas fics e olha só como eu to... não confiem em mim! Bem, eu tenho que me concentrar nas minhas provas finais essa semana, desejem sorte! E que a força do yaoi esteja com vocês o/ [Revisado]