Notas iniciais
Agora sim, depois daquela doidera de entrevista (shhh, nós não comentamos sobre isso u-u), voltamos à nossa programação normal~ Capítulo já estava prontinho e revisado pela excelentíssima editora (hohoohoho ela vai querer me matar) então, aproveitem o/

Totemo sekai wa ugoka nai

O mundo não se move.

Tanoshii koto bakari no mainichi ja nai desho dakedo

Os dias não são só divertidos mas

Soredemo egao de itai

Ainda assim quero sorrir.

Sonna jibun wo shinjita

Eu acreditei nesse eu.

Itsudatte omotteta IMEEJI ni todoka nai

Sempre pensei mas a imagem não chega

Ima datte GOSHIPPU nanka ni furi mawasarete

Ainda agora deixo as fofocas me atrapalharem.

Demo asa nante kurikaeshi yatte kuru wa

Mas amanhã vai se repetir.

Kore kurai no koto de shippo maku atashi ja nai

Se não aguentar isso, não é eu.

"Ai" wa ima koko ni aru no

O "amor" está aqui agora.

Hitori bocchi na wake ja nai

Não tenho como ficar só.

Itsumo ashita wo mite itai

Sempre irei ver o amanhã.



Capítulo 45

Yuri suspirou incontáveis vezes de forma bem exagerada naquele espaço de tempo, só para explanar seu desagrado. O dia parecia se arrastar lentamente, de propósito. Dois minutos haviam se passado desde que ele olhara no celular pela última vez. Dois minutos! Parecia uma eternidade. Ele batia os pés impacientemente, enquanto olhava para fora, com o queixo apoiado na mão, e um olhar fatalmente entediado. A carteira atrás de si estava vazia, e isso era, de fato, o motivo do seu estado atual.

Wolfram havia faltado à aula naquele dia. Claro que ele já sabia que ele não viria, pois recebera uma mensagem logo cedo. O tio dele, Valtrana, estava voltando para a Europa por uns tempos, e ele resolveu ficar com eles para se despedir. Não que ele tivesse mudado seu comportamento com o sobrinho desde aquele dia, continuava friamente ignorando-o. Porém, Wolfram era tão teimoso e obstinado quanto o próprio tio, e insistia em acompanhá-lo mesmo assim. Yuri ficou preocupado, mas ele garantiu que tudo ficaria bem. A família iria toda até o aeroporto vê-lo partir, mas Cheri gostava de passear, então provavelmente arrastaria Wolf para fazer compras com ela depois disso. Não era nada demais, ele garantiu. Mas Yuri sabia que o machucava ser tratado daquela forma.

Ele não gostava de Valtrana, por causa disso. Sabia que ele era como um pai para Wolfram, e o quanto ele o respeitava, mas tratá-lo assim estava além do que Yuri considerava justo. Ele aguentaria qualquer hostilidade daquele cara de boa vontade, desde que ele não fizesse isso com o seu namorado. Várias vezes durante aquelas semanas pensou em ir até lá e tirar satisfações com ele pessoalmente, mas Wolfram logo o dissuadia dessas ideias loucas. De certa forma, então, a viagem de Valtrana o deixava mais tranquilo, pois pelo menos, poderia voltar a visitar Wolfram na casa dele sempre que quisesse. Só poderia ser mais perfeito se ele levasse consigo aquela Elizabeth metida…

Apesar dessa situação incômoda com o tio de Wolf, a situação na escola havia melhorado consideravelmente. Os comentários pelos corredores quando eles passavam juntos gradualmente cessaram, e todos provavelmente haviam se acostumado a vê-los juntos. Era certo que não havia pessoa naquela escola, fosse veterano, calouro, professor ou funcionário, que não soubesse quem eles eram. Porém, já não era mais novidade, e não havia mais nada que pudesse ser dito sobre isso. Dessa maneira, ficaram conhecidos como sendo “O Casal”. Até mesmo Anissina veio parabenizá-los no meio do corredor certo dia, e Gunter parecia um tanto desconsolado por não ter tido possibilidade de fazer coisa alguma para ajudar os dois, além de mandar seus alunos ficarem calados sempre que ouvia qualquer coisa ofensiva. Yuri ficou feliz por poder contar com ao menos o apoio daqueles dois professores, já que todo o resto do corpo docente parecia seguir os pensamentos do seu Diretor.

Agora, era intervalo entre os períodos. Normalmente, Yuri viraria para trás para conversar, ou simplesmente para ficar brincando com os dedos de Wolfram, com a cabeça deitada na mesa dele, enquanto ele o xingava pela sua preguiça, mas agora, não havia nada para fazer. O dia sem Wolfram era chato demais! Ele quase não conseguia aguentar tanto tédio.

Mas havia algo além disso, que tomava seus pensamentos há dias, algo que ele não conseguia de maneira alguma resolver, por mais que tentasse. Não sabia a quem recorrer — as pessoas que poderiam ajudar, na realidade, só fariam escândalo sobre isso. Estava completamente perdido…

— E-eu não, fala você!

— Você que teve a ideia, fala você…!

— Então vamos nós todas…

— C-com licença, S-shibuya-kun?

Yuri levantou os olhos, surpreso, ao notar que a movimentação próxima era direcionada a ele. Quanto tempo fazia desde que algum colega de sala falou com ele mesmo?

— S-sim? — ele respondeu, sem saber ao certo se era mesmo a ele que se referiam. Eram três garotas da sua turma, das quais ele não recordava bem o nome, mas lembrava de já tê-las visto animadas atrás de Wolfram em mais de uma ocasião. Certamente era mais fácil numerar as garotas que não corriam atrás de Wolf, já que eram raras, mas Yuri lembrou dessas três por que elas eram as mais discretas, então não o desagradavam tanto assim. Uma delas vinha mais a frente, e tinha cabelo escuro amarrado em dois rabos baixos. A segunda tinha cabelos mais claros, e a franja presa com uma presilha de bolinhas vermelhas. E a terceira era baixinha, com o cabelo bem curto e franja cobrindo os olhos.

— N-nós queríamos falar com você… — a de cabelos castanho-claro resolveu vir para a frente, sorrindo constrangida — M-mas o Wolfram-sama… -s-san… ele sempre nos olha com tanta irritação que nós não ousamos…

— Mas hoje ele não veio! — a mais baixa completou — Então…

— E o que vocês querem dizer para mim? — Yuri já não gostou do rumo daquela conversa. Provavelmente, elas eram outras das fãs malucas que o culpavam por “seduzir” Wolfram, e queriam ameaçá-lo e obrigá-lo a se afastar dele. — Olha… se vocês querem arrumar briga, saibam que eu…

— Não, não, Shibuya-kun, não é isso! — a de cabelos pretos interviu — Nós queríamos dizer, que sempre admiramos muito o Wolfram-san… e mesmo ficando chocadas com a descoberta… b-bem, nós não somos contra isso.

— Queremos expressar nosso apoio! Nós estamos muito orgulhosas de conhecer você e o Wolfram-san, que foram tão corajosos em assumir seus sentimentos na frente de todos, e.. e…

— Shibuya-kun é o único que poderia ficar ao lado do Wolfram-san! Vocês se completam perfeitamente!

— I-isso é… puxa, é inesperado! — Yuri bagunçou os cabelos, repentinamente sem saber como agir. Riu tolamente, constrangido com os elogios. — Eu acho que… Obrigado?

As três sorriram entre si, curvando-se respeitosamente por um instante.

— Se precisar de algo, qualquer coisa, nós estamos dispostas a ajudar.

A frase fez soar um estalo na cabeça de Yuri, que sorriu como se tivesse visto sinal de terra em meio ao mar onde estava perdido.

— Na verdade, tem uma coisa…

~

— Nii-chan… o que está fazendo? — A voz conhecida vinha da parte de baixo do lance de escadas onde Yuri havia sentado durante o intervalo, e quando ele levantou os olhos do que lia, viu Miyako parada na sua frente, com o obentou em mãos. Aquiesceu, sabendo que não havia como esconder nada dela, afinal.

— Senta aqui, eu vou te explicar — Ele foi mais para o lado na escada, dando espaço para ela, que se acomodou, toda curiosa — Sempre que eu perguntava pro Wolf quando era o aniversário dele, ele dizia “é na primavera…”, mas nunca dizia o dia! Falou que eu não precisava saber. Então eu tive que usar artilharia pesada!

— Woow, então era por isso que você andava resmungando pelos cantos todo preocupado! O aniversário do Wolfram-kun! O que você fez?

— Perguntei para o Conrad! E adivinha? É daqui duas semanas! Eu não tenho tempo suficiente!

— Aaah…. Então, essas revistas todas… — Miya apontou para o colo do primo, onde estavam várias revistas femininas com temas do tipo “aniversário” e “dicas de presentes”. Yuri confirmou.

— Sim, é pesquisa! Algumas garotas da minha sala me emprestaram, e eu estou vendo o que posso aproveitar. — Miya nem reparou sobre que garotas seriam essas, porque ela se concentrava no que era importante. — É o único dia que o Wolf não veio, ele não pode saber disso, certo?

— E você já tem alguma ideia? — Os olhinhos brilharam por trás dos óculos, e Yuri tinha certeza que na cabeça dela, já havia surgido várias ideias em um só segundo, mas nada que pudesse ser aproveitado na certa.

— Wolfram não é a pessoa mais fácil pra agradar, nee… e a maior parte das coisas que diz nessas revistas é bem cara… eu não tenho dinheiro!

— Você sabe que o Wolfram-kun não se importa com isso, não é? — Miya encolheu as pernas, abraçando-as, e inclinou o rosto para o lado de Yuri, sorrindo calmamente — Desde que seja do Onii-chan, ele aceitaria qualquer coisa. Ele pode reclamar, e fingir que não gosta, mas ele está feliz só em poder ficar ao lado do Onii-chan. Então não se preocupe com o valor do presente, isso não importa…

— Mas Miya-chan… eu… eu queria tanto dar alguma coisa legal pra ele! Sabe, pra variar… Eu sei que ele já tem tudo, mas eu quero dar algo para ele. Eu sei que dinheiro não é importante… mas ainda quero ser capaz de pelo menos agradar ele, e poder fazer ele sorrir com um presente meu…

— Nesse caso… Nii-chan já pensou em conseguir um emprego? — Ela sugeriu, naturalmente, sentando direito para repousar o seu obentou nas pernas e começando a comer.

Yuri olhou para Miya como se ela fosse um ser de outro planeta, que de repente havia aparecido ali do seu lado com a resposta divina de todos os seus problemas. Ela apenas sorriu, comendo feliz suas salsichas em forma de polvo.

— Shibuya Miyako, você é um gênio! — Ele exclamou, admirado. Miyako deu de ombros. Impressionante era o fato de Yuri não ter pensado nisso sozinho antes. — Vou até comprar um presente pra você também!

— Aaha, não precisa Nii-chan! — Ela riu contidamente. — Mas se quiser comprar, tem um vestido na loja que fica na frente do café que a Miya gostou muito. O tamanho é P. E a Miya gostou do preto. Mas agora.. Aah, não vai comer o seu almoço?? A Miya tem que correr pra ir trocar de roupa, pra educação física! — ela começou a comer bem rápido, enquanto Yuri distraidamente dava mordidas no seu almoço (que era igual ao dela), voltando a olhar para as revistas, cheias de modelos sorridentes com seus presentes caros, semblantes satisfeitos e surpresos. Imaginou como Wolfram ficaria, com aquelas roupas e acessórios todos… Qual seria o presente perfeito para ele, afinal?

~

— Façam duplas! — O professor de educação física gritou no meio da quadra, chamando a atenção dos alunos, logo após o aquecimento. Miyako suspirou, no canto onde estava, procurando com os olhos por um lugar onde pudesse ficar durante a aula inteira sem ser percebida.

Como sempre nessas ocasiões, ela acabava um tanto perdida por não ter com quem fazer dupla, e a saída era sempre se esquivar antes que o professor a notasse, e acabasse expondo sua situação para toda a turma da forma mais constrangedora — “Shibuya-san está sozinha, quem pode ficar com ela no grupo”. Ah, ela odiava isso, e como se não bastasse a vergonha, Mariko ainda ria o mais alto que podia, fazendo algum comentário pouco inteligente.

Ela já estava quase saindo para tomar água, e então se acomodaria em qualquer canto dali, quando sentiu alguém vindo para perto dela. Recuou instintivamente, mas percebeu que era somente uma das suas novas colegas de classe, que sorria e vinha naquela direção. Olhou ao redor, para ver se havia mais alguém ali, mas aparentemente, ela realmente estava vindo na sua direção.

— Oi… Como é o seu nome mesmo? — ela indagou, naturalmente. Miyako levou alguns segundos para processar a ideia de que ela estava mesmo falando consigo.

— O m-meu? Meu nome… M-miya...k-ko… Sh-shibuya Miyako. — ela disse, com a voz um tanto falha pela falta de uso. Mariko passava seus dias a inventar boatos absurdos sobre Miya pela sala, e por isso, ninguém ousava se aproximar dela. Mas aquela aluna, se não falhava sua memória, era nova na escola. Nunca teria ouvido nenhuma das mentiras inventadas por Mariko. Lembrava-se de tê-la visto na cerimônia de abertura. E ela também chegou atrasada na sala de aula naquele primeiro dia, correndo para dentro da sala e dizendo que a culpa do seu atraso era do “Shuu-chan ” ou algo assim. Miyako lembraria, porque ela parecia muito alguém que seria uma protagonista em uma série ou algo assim.

Por ela se destacar tanto, ou talvez fosse porque ela não parecia ligar muito para nada, Mariko havia destinado a ela o tratamento que, no seu parco e medíocre julgamento, seria o pior. Ignorá-la. Miyako daria tudo por uma benção como essa na sua vida.

— Bem — A garota de cabelos azulados, amarrados em um longo e espesso rabo de cavalo, e com uma bola de vôlei verde, branca e vermelha equilibrada debaixo do braço, ainda sorria — Eu sou Sunohara Natsume, acho que já devo ter tropeçado em você algumas vezes. Entrei nessa escola esse ano, sabe? E parece que todos já têm duplas formadas, você se incomodaria de praticar comigo? Ah, a não ser que… — Ela reduziu o tom de voz a um sussurro de quem compartilha um segredo — Você planejava escapar da aula? Nesse caso, vá em frente, não quero te atrapalhar… melhor ir agora que ele não tá olhando! — a garota parecia em pânico, fazendo gestos com a mão para ela se apressar, enquanto cuidava com o canto dos olhos os movimentos do professor ao longe.

Miyako riu. Ela nem lembrava a última vez que rira durante uma aula, mas não conseguia se conter. De onde é que essa garota havia surgido mesmo?

— T-tudo bem, eu não vou fugir! E… eu adoraria praticar com você. — Ela respondeu, corando ligeiramente. A outra pareceu se acalmar.

— Mesmo? Ah, ótimo! — Ela já foi preparando a bola nas mãos com habilidade, enquanto se encaminhava de costas para mais perto da quadra, e Miyako fez o mesmo. — Por que sabe? Essas garotas dessa sala conseguem ser insuportáveis sem nem tentar muito… mas você não parece ser como elas… — Ela observou, com a bola já pronta para jogar, mas ainda sem se mover. Não parecia se importar que qualquer um a ouvisse, embora a maior parte das duplas formadas estivesse mais para o meio da quadra, enquanto elas continuavam na beirada. Miyako não sabia como lidar com tanta sinceridade repentina, mas de certa forma, aquela garota lembrava Yuri… Então ela se sentiu um tanto mais confortável. Até sorriu. Natsume encarou isso como encorajamento para continuar a falar. — Pra falar a verdade, eu já queria falar com você há algum tempo… — E dizendo isso, ela jogou a bola. Miyako, surpresa com o que ouvira, nem se mexeu do lugar.

— Desculpa, eu não… não entendi direito? — Ela correu para pegar a bola que se afastava, enquanto se atrapalhava com uma das tranças longas que veio em seu rosto e atrapalhou a visão. Natsume não pareceu reparar na evidente falta de ação de Miyako, que se preparava de alguma forma para jogar a bola.

— Eu vi você lendo um mangá no intervalo outro dia, lá embaixo, e era um mangá que eu acompanho também! — Ela comentou. Miyako jogou a bola meio errado, e ela conseguiu segurá-la no ar — Sabe, um sobre vôlei! — Ela agitou a bola no ar, como se estivesse referenciando a coincidência.

Os olhos de Miyako brilharam, e a língua dela coçou para começar a falar, mas ela se refreou a tempo. Geralmente, quando começava a falar de mangás, se empolgava tanto que as pessoas ficavam tontas, e então percebiam o quanto ela era estranha, e aí se afastavam.

— Vo-você acompanha também? — Ela conseguiu indagar apenas. Natsume jogou a bola no ar mais uma vez, e agora, ela conseguiu rebater mais ou menos reto. Enquanto continuava a passar a bola de volta de novo e de novo, adquirindo algum ritmo, ela voltou a falar.

— Sim, já faz um tempo. Eu adoooro! Eu estava no clube de vôlei, na cidade onde eu morava, então comecei a ler esse, e é incrível! — Ela ia falando, com pequenas pausas a cada vez que rebatia a bola. Depois de algumas vezes, Miyako perdeu o compasso, e elas recomeçaram.

— Eu… não sou muito boa em esportes… mas gosto muito de mangás com esse tema. — Ela respondeu, logo depois, tendo que voltar para pegar a bola que havia se afastado mais uma vez. Retornou, e começou novamente.

— E qual o seu personagem favorito?! — Natsume indagou, empolgada. Miyako nem sabia por onde começar a responder (amava todos), e enquanto pensava, ia mantendo a bola no ar da maneira que conseguia, pulando de um lado para o outro para compensar a falta de jeito.

— Hm.. acho que… — A frase ficou inacabada no ar. No momento em que Miyako havia jogado mais uma vez para a outra garota, outra bola veio cortando o ar velozmente, acertando em cheio no meio do seu rosto.

Ela foi jogada para trás com força, e sentiu sua cabeça girar e latejar quase que de imediato. Demorou para entender o que acontecia. A dor era grande, e ela não conseguia se situar no espaço. Estava sentada, ou deitada no chão.

— Own… — Tentou, mas não conseguiu falar. Quando enfim conseguiu abrir os olhos, percebeu que várias pessoas olhavam na sua direção, embora não conseguisse distingui-las de forma alguma, pois além de turva, sua visão ainda estava toda recortada em pedaços. Sua cabeça estava quente, e ela sentiu algo úmido no rosto. Passou a mão abaixo do nariz e viu o líquido vermelho.

— Seus óculos quebraram! Meu Deus, você está sangrando!! — Natsume, que estava mais perto do que os outros, agachou-se até a sua altura no chão; só então ela percebeu que estava sentada. — Você está bem, Miyako-chan? Consegue responder? Cadê o professor dessa budega, hein? — ela gritava indignada, sem saber o que fazer primeiro.

Miyako queria dizer que estava tudo bem, mas no momento, sua cabeça doía demais para tentar qualquer coisa. Ela tirou os óculos quebrados do rosto, e tentou se levantar, mas Natsume não deixou.

O professor veio abrindo caminho por entre os alunos curiosos, que já estavam todos comentando entre si o acontecido, alguns animados por ver sangue, outros falando que viram Miyako voar dois metros do chão.

— O que aconteceu aqui, Shibuya? Outro acidente? — O professor falou em tom de repreensão, como se Miyako fosse uma espécie perigosa de causadora de distúrbios na sua aula — Acho que vou ter que te levar para a enfermaria… — ele passou a mão nos cabelos, repentinamente cansado. — Vamos lá. Ok, Matsumoto, você organiza o time das garotas para jogar, os meninos, três voltas ao redor do ginásio! Eu volto já! — Ele pegou Miyako no colo com facilidade, e Natsume foi logo o acompanhando, sem nem esperar por um convite para ir junto.

— Claro, sensei. E mais cuidado da próxima, Miya-chan! Você nunca sabe o que pode cair do céu na sua cabeça… — A garota riu alto, acompanhada de mais três ou quatro pessoas. Natsume havia percebido ela antes. A loira mais alta que estava sempre com uma ou duas garotas nas suas costas, riu disfarçadamente, com ar triunfante, logo que Miyako caiu. Franziu o cenho, ligando rapidamente os pontos e as pistas que recebia sem querer. Algo ali estava muito errado…

~

Era mais uma vez intervalo entre as aulas, e mais uma vez Yuri estava entediado. Porém, dessa vez, pensava mais focadamente no problema atual do aniversário de Wolfram. A ideia de Miyako de conseguir um trabalho era ótima, mas tinha tantas brechas que ele só percebeu depois. Primeiro de tudo, e mais importante: como conseguir um emprego? Sendo que ele nunca trabalhou na vida, e não sabia nem mesmo onde é que se procurava por um. Ele podia tentar no café da Miya ou algo assim, mas eles provavelmente não precisavam de ninguém agora, e ainda havia o risco de Wolfram descobrir… O que era, aliás, sua segunda preocupação. Como esconder de Wolfram que estaria trabalhando? Se ele descobrisse, surtaria, e iria querer saber o motivo de tudo isso. Capaz até de inventar alguma teoria bem louca e achar que Yuri estaria tentando traí-lo ou algo assim. Já o terceiro problema, era o mais complicado de resolver… O que dar de presente para Wolfram? Miyako tinha razão quando dizia que ele não se importava tanto assim com o que fosse… Mas Yuri se importava! Teria que ser o presente perfeito…

— Oe… Shibuya….?

Caramba, como ele estava requisitado hoje! Estava se sentindo até como alguém popular.

— Oi?

Quem o chamara dessa vez não havia sido um grupo de garotas querendo encorajá-lo, mas um rapaz. Era bem alto, cabelos pintados de castanho-claro, na altura do queixo, todo rebelde e repicado. Tinha brincos nas orelhas, e um olhar sério, embora tentasse forçar um sorriso simpático que não convencia nada. Estava com as mãos nos bolsos, e olhava Yuri de cima.

— Eu não tinha intenção, mas ouvi sua conversa mais cedo com uma garota. Você precisa de emprego?

Se Yuri estava desconfiado da aproximação inesperada do colega de classe, toda sua suspeita sumiu num piscar de olhos. Ele era um anjo salvador! Seus olhos brilharam, enquanto ele se erguia, contendo-se por pouco em segurar as mãos do garoto para não deixá-lo escapar.

— Sim, sim, eu preciso! Você tem um para mim? — ele já estava empolgado, além de emocionado. As coisas estavam dando certo!

— Acho que tenho — O garoto já foi recuando, tentando se manter afastado de Yuri. Tirou um panfleto do bolso do gakuran, e entregou à ele. — Eu ia trabalhar meio período nesse lugar, mas não vou poder porque surgiu outro emprego, então você pode ficar no meu lugar. É uma loja de doces, que fica no centro. Se quiser, pode passar lá.

— Nossa, cara, valeu! — Yuri nem sabia como agradecer, de tão emocionado. Ainda havia pessoas boas nesse mundo , dispostas a ajudar o próximo — Eu vou ir sim! Muito obrigado… ahn…. Qual é o seu nome mesmo?

— Masaki. — Ele respondeu rapidamente, assentindo com um gesto de cabeça e voltou ao seu lugar sem dizer mais nada. Yuri já ia agradecer mais uma vez, quando ouviu seu nome sendo chamado da porta. Francamente, era só Wolfram se ausentar por um dia, que todos resolviam começar a falar com ele??

— Shibuya? — O garoto da porta parecia um calouro. Yuri foi até ele, curioso — Sua prima se machucou na educação física…

— De novo? — ultimamente, esses incidentes andavam acontecendo com frequência. Miyako vivia caindo durante as aulas, tropeçando nas escadas, perdendo seu material… E Yuri desconfiava que isso não tinha a ver somente com a natureza desajeitada dela, mas que havia muito por trás disso, embora ela nunca revelasse nada.

— Dessa vez foi mais sério, você precisa ligar para a sua mãe vir buscá-la — o garoto respondeu. Yuri preocupou-se, e foi seguindo o garoto pelo corredor até a enfermaria o mais rápido possível, com um raro semblante soturno no rosto. Já estava na hora de alguém parar com as loucuras dessa garota, Mariko, de uma vez por todas. Yuri já havia permitido que ela fosse longe demais.

Notas finais
Pois beeem, se vocês ainda não se cansaram de me ouvir (ler) falando, depois daquela entrevista louca, aqui estou novamente o/ espero que tenham gostado do capítulo~ Bem, se vocês gostaaaaram do capítulo especial, daqui há.... mais tempo, com certeza daqui a muitos capítulos, eu posso fazer uma segunda edição, mas aí quando chegar mais perto eu peço pelas perguntas, então já podem ir pensando em alguma coisa se quiserem XDD Entãaao, não vou me demorar muito aqui, espero pelos reviews o/ foi uma semana agitada pra mim, e não sei quando o próximo capítulo sai... mas espero que em breve!! Até mais ~