Sono Te Hanasanaide
11 Capítulo XI
Notas iniciais
Sagashimono nara
Quanto ao que eu estou procurando,
Tokku ni mitsuketa kedo
Eu encontrei-o há muito tempo
Douka ima wa
Mas por alguma razão, agora
Kono mama de ite
Eu quero ficar assim
Nemuku naru jikan made
Até eu estar com sono
Ato sukoshi
Só mais um pouquinho…
Te to te o tsunaide kaerou
Vamos segurar as mãos e voltar
Issho ni ouchi e kaerou
Vamos voltar para casa juntos,
Itsu datte soko ni ite
Com aquele que está sempre lá
Mitsukete kureru anata to
Procurando comigo – você
Capítulo 11
Miyako seguia sorrateiramente o rastro do primo e de Wolfram, com os olhos pregados neles dois, e tentando deixar sua presença tão imperceptível quanto fosse possível, mesmo que a discrição não fosse a habilidade mais desenvolvida entre os Shibuya.
Ela estava se saindo razoavelmente bem, na medida do necessário, misturando-se aos passantes, mantendo-se a pelo menos três metros de distância e com os olhos bem pregados nos seus alvos, quando ouviu uma irritante voz cortando o ar de repente.
— Shibuya! Wolfram-san! Aqui, esperem por mim! – Era Murata quem chamava, correndo apressadamente por aquela direção.
Miyako arrepiou-se como um gato, ao sentir a ameaça, e correu a toda a velocidade na direção do garoto, parecendo repentinamente, maior do que realmente era. Empurrou-o como um jogador de futebol americano, forçando-o a entrar na loja mais próxima.
— Você ouviu alguma coisa, Wolfram? – Yuri olhou para trás, pensando ter ouvido um chamado ao longe.
— Não, nada.
— O q-quê? O que está acontecendo? – Murata pasmou, quando finalmente se deu conta de que havia parado dentro de algum lugar sem nem conseguir imaginar de que forma, e com uma garotinha agarrada ao seu peito. – Ei, você não é a prima do Shibuya? O que está fazendo? Você estava com eles…? Eu marquei de encontrar os dois na estação e…
Miyako era mais rápida, e enquanto Murata falava sem parar, ela tirava tranquilamente o celular do bolso da sua jaqueta e estava fazendo algo com ele. Havia mandado um e-mail no nome dele avisando Yuri de que não poderia encontrá-los mais.
— Por favor, não estrague. – Miyako o encarou, devolvendo o celular, sem que ele nem ao mesmo percebesse o que ela fez. Seu rosto estava sério e concentrado, e era impressionante o quanto ela ficava diferente quando o assunto em questão fosse do seu interesse.
— Estragar? Do que você está falando, eu não entendo…
Miyako respirou fundo, e o fitou diretamente. Seu olhar era ameaçador e misterioso, como um tigre faminto prestes a dar o bote, e Murata sentiu um calafrio ao mirá-la.
— Me acompanhe. E sem fazer escândalo, por favor. – Ela disse, com uma voz dura e imperativa, e Murata não via opção além de obedecer. – Nós vamos segui-los e ver como as coisas andam. Dependendo do desenvolvimento, talvez eu possa interferir em algo… — Ela falava mais consigo mesmo, como se fosse um comandante do exército montando estratégias de batalha.
— Você está falando do Shibuya e do Wolfram-san… Aah, acho que entendo… – Ele colocou a mão no queixo, balançando a cabeça afirmativamente. Olhou com mais atenção para a sacola de compras que Miya trazia consigo, e ao ver melhor o seu conteúdo, conseguiu compreender tudo perfeitamente de uma só vez. – Entendi! Você acha que eles estão daquele jeito…
— Eu não acho. Tenho certeza. – Miyako não titubeou ao responder. Em outra ocasião, teria ficado embaraçada, mas agora estava com o seu nível mais alto de fujoshi ativado, e não se abateria com facilidade. – Agora vamos, você já me fez perder tempo demais.
Ela saiu da loja com a mesma rapidez com que a invadiu, deixando as vendedoras confusas. Murata não via outra opção além de segui-la.
— Ei, eu tenho que ir com você? – Ele indagou, ainda meio perdido nas ações estranhas da garota, que aparentemente, tinha dupla personalidade. Ela não dava a menor atenção à ele, tentando distinguir ao longe os cabelos dourados de Wolfram, que se destacavam visivelmente na multidão de cabelos negros.
— Hm… Você vem comigo. – Ela respondeu, sem olhá-lo. Seus olhos ainda estavam afiados, por trás dos óculos redondos, e o tom de voz que ela usava dava um pouco de medo. – Não quero que atrapalhe os dois, como eu sei que fará. Vou ficar de olho em você. – Ela disse, e agarrou Murata pelo pulso, andando rapidamente e desviando das pessoas que seguiam o fluxo contrário, abrindo caminho por entre a montanha de pessoas que se assomava à sua frente.
— Por que você se importa tanto? – Murata não parava de tagarelar, mesmo que a garota, ainda no modo concentrado, não parecesse muito disposta à conversas. – Eles são… só amigos. E mesmo se fossem, ahn… Algo a mais, o que você tem a ver com isso?
Miyako fuzilaria Murata com um olhar, caso tivesse essa capacidade. Soltou o pulso dele com rispidez, e então o olhou de cima a baixo, como se avaliasse se ele era mesmo digno das suas palavras.
— Você não entenderia. – Ela disse, virando o rosto, e então, olhou novamente para a frente. No entanto, os cabelos loiros que ela seguia com tanta atenção não estavam mais lá. – O q-que? Para onde eles foram? – Ela pareceu se desesperar, e seu rosto, antes rígido, se desmanchou em um beicinho, com o rosto corando e algumas lágrimas se formando na borda dos olhos. – E-eu… os perdi… E agora? O que eu vou dizer para a Oba-chan…?
— Ah, então a Miko-san está envolvida nisso também… — Murata acenou com a cabeça, notando o sentido das palavras. – M-mas, não fique assim, Miyako-chan! – Ele se apressou em dizer, vendo que a garota estava ficando cada vez mais perto de cair nas lágrimas. – O-olhe só! – Ele apontou, tentando reanimá-la, enquanto procurava os dois garotos com os olhos. – Eles acabaram de entrar naquele ônibus!
— Ônibus? – Ela ergueu o rosto rapidamente. – Corre, rápido!!! – Gritou, puxando Murata para o meio da rua subitamente, quase o derrubando. Por um breve momento, ele imaginou que ela pretendia correr à pé atrás do ônibus, que lentamente começava a sair do ponto, mas ela atacou um táxi que acabava de largar uma pessoa ali do lado, e mergulhou para dentro dele, trazendo Murata à reboque. – Rápido, siga aquele ônibus!! – Ela gritou, e então se virou para Murata, emocionada. – Eu sempre quis dizer isso!
Murata riu, coçando o queixo sem graça, enquanto imaginava como raios havia se metido em uma situação como aquela.
O táxi seguiu o ônibus facilmente, e parou quando viu os dois garotos saindo de dentro dele. Eles haviam parado em um parque bem normal, até sem graça, e Miyako não entendia o que raios eles haviam ido fazer ali. Saiu do carro rapidamente, seguindo-os, e deixando Murata para trás para pagar a corrida.
Ela viu Yuri conduzindo Wolfram para algum lugar, enquanto mostrava os arredores, e a sua mente afiada não se demorou em levantar milhares de hipóteses, uma mais absurda e indecente que a outra, para o que eles estavam planejando fazer ali. Mas eles seguiram reto, até um tipo de quadra coberta por grades, pintados de verde, do outro lado do parque. Ah, claro. Miyako sentiu algo desinflar dentro de si, e desanimada, viu que Murata se aproximava de onde ela estava escondida, atrás de um arbusto. Era uma quadra de baseball, e Yuri com certeza deveria ter levado Wolfram ali para assistirem a um jogo, que desanimador…
Miyako nem tinha mais vontade de assistir, enquanto via Yuri empolgado com o tal jogo – que nem mesmo era profissional – e Wolfram prestes a dormir a qualquer momento. Murata tentou se livrar daquela perseguição forçada, mas é claro que a garota havia mantido os olhos nele o tempo todo, impedindo qualquer chance de fuga. Depois do que pareceram horas e horas maçantes, mas que na verdade não passaram de pouco mais de 40 minutos, os dois finalmente saíram dali, andando lado a lado para o lado oposto. Miya voltou a se mover, agora não tão empolgada quando antes, furtivamente os observando. Murata não fazia ideia das expectativas da garota, e no que ela poderia estar decepcionada. Até agora, ele não havia visto nada demais.
Wolfram e Yuri pararam para comprar algo para comer. Só então Miyako reparou que sua barriga também roncava, e corou furiosamente ao notar o olhar de piedade que Murata lançava à ela. Porém, ela se manteve firme em sua missão, e não se deixou abalar por aqueles crepes que os garotos comiam, por mais deliciosos que estivessem parecendo. Ela se esforçava em ouvir a conversa entre eles, mas não estava obtendo sucesso.
— Nee, o que você acha que eles estão conversando…? – Miyako indagou de repente, voltando ao seu tom de voz normal, brando e suave. Murata não estranhou a mudança dessa vez, e tentou captar algo da conversa também. Não é que ele estivesse curioso, mas o entusiasmo de Miyako havia o contagiado.
— Pelo que eu consigo entender… — Ele tentou captar qualquer coisa no ar, ou então ler o movimento dos lábios. – Acho que estão falando sobre esportes. Wolfram está explicando sobre esgrima ao Shibuya…
— Awwnn… — Miyako desanimou completamente, sentando derrotada no chão. – Não foi o que eu esperava… — Ela se preparou para voltar para casa, assim que viu Yuri dando as costas e saindo com Wolfram.
— Hoy, espere, Miyako-chan! – Murata pediu, correndo até onde ela tinha se afastado. – Aqui, para você… — Ele estendeu um esplêndido crepe de chocolate para a garota, sorrindo gentilmente. – É uma recompensa por se esforçar tanto! ... Embora eu não entenda o motivo de tanto esforço…
— Ah… O-obrigada… — Ela gaguejou, com o rosto em chamas. Havia voltado ao normal, completamente, e parecia completamente desnorteada, sem saber o que fazer. Aceitou o doce, e começou a comê-lo sem demora.
— Você não vai continuar a observá-los? – Ele apontou para o lugar ao longe onde era possível notar os dois garotos indo em direção à rua.
— Certo… — Miyako concordou, deixando-se levar por Murata dessa vez. Eles correram até chegar perto, embora Miyako não fosse habilidosa o suficiente para correr e comer ao mesmo tempo, e viram os seus alvos caminhando juntos pela rua.
Eles já haviam terminado de comer e agora conversavam, nada demais. As garotas que passavam viravam o pescoço ao ver Wolfram, e algumas paqueravam ele descaradamente, mas Yuri não pareceu ligar nem um pouco para isso, coisa que irritou Miyako. Mas Wolfram também não dava a mínima para elas, e isso deixava-a com alguma esperança
Murata e Miya finalmente chegaram próximos o suficiente para ouvi-los com clareza. Os dois garotos sentaram em um banco de concreto, e os dois observadores de óculos se colocaram atrás da esquina, atentamente.
— Hey… Wolfram, você gostou do jogo? Aquele é o time da escola Seiho, eles vão participar da competição de verão contra nós, sabia? — Yuri começou, animadamente.
— Foi uma porcaria! – Wolfram cortou, rispidamente. – Não entendo esse jogo, baseball, e nunca vou entender. A luta com espadas é muito mais inspiradora do que esse jogo sem sentido com bastões…
— Não sei como você consegue enxergar algo mais entre esses dois. – Murata comentou, sussurrando, para Miyako logo ao seu lado. – Wolfram só falta agredir Shibuya fisicamente!
— Hunf. – Miyako bufou, desdenhando da humilde opinião do garoto. – Você não entende nada mesmo, não é? Isso é o fator tsundere! Tenha mais atenção! Você tem que passar tudo o que o Wolfram-kun diz pelo filtro tsuntsun, e transformar em deredere!
— Ahn… E isso quer dizer que… — Murata franziu os olhos, tentando decifrar a estranha maneira que a garota pensava.
— Tudo o que o Wolfram-kun diz é o oposto do que ele quer dizer. – Miyako continuou, muito entendida desse assunto. – Dessa maneira, quando ele diz “foi uma porcaria” ele quer dizer “eu estou feliz com a sua companhia”… ou algo assim… — Ela imitou de modo quase perfeito o tom de voz de Wolfram, deixando Murata surpreso. – Quando ele diz “Yuri, seu idiota!” ele quer dizer “Yuri… você sempre me surpreende…”. E, quando ele disser… — Ela deixou escapar uma risada estranha, empolgando-se rapidamente com a conversa. – “Ah, não, Yuri, n-não toque aí… m-me solte, seu fracote...!” ele vai estar querendo dizer “Isso, Yuri, continue…"
— Chega, eu já entendi! – Murata interrompeu, pelo bem da sua sanidade mental. – Veja, eles estão falando algo... – Ele desviou a atenção de Miyako, antes que ela se entusiasmasse em excesso.
— … Então, Wolfram, o que você acha? – Yuri parecia alegre, enquanto falava.
— Hm... – Wolfram desviou o olhar para o chão, incomodado. – Eu nunca tinha recebido um pedido desses… Preciso pensar…
— O que ele pediu, OMG, o que ele pediu?? – Miyako se agitou, dando murros em Murata para conter sua ansiedade.
— Se você não gritar vai dar para ouvir… Hei, não suba em mim!
— Não tem problema nenhum, a minha mãe já falou com a sua. — Yuri continuou. — Foi ideia dela, aliás. Ela disse que você tem problemas com relacionamento entre as pessoas, e…
— Pare de falar essas coisas, não é verdade! – Wolfram inflou-se, irritado. – Eu sou completamente sociável, não vê?
— Ah, claro… — Yuri riu sem graça. – De qualquer forma, minha mãe convidou você para dormir lá em casa, é só isso…
— Kyaaaaaaaaaaaa!!!!! – Miyako gritou, mas foi parada por Murata bem a tempo. Ele tapou a boca dela no momento em que Yuri e Wolfram viraram-se pra trás, assustados com o grito. Segurou-a no ombro, como um saco de batatas, e saiu correndo a toda a velocidade, antes que fosse flagrado espionando seus amigos ao lado de uma fujoshi maluca. – Eu quero ver a resposta do Wolfraam!!! – Miyako se debatia, tentando descer. – Nyaha~ o Yuri Nii-chan e ele vão dormir juntos… Hehehehehee…
— Pare de distorcer as conversas das pessoas, Miyako-chan! – Murata rebateu, aparentemente carregando-a com facilidade. Ela era pequena, afinal. Ele suspirou, já acostumado com a personalidade estranha da garota, mas nem por isso aceitando tudo. – Pelo visto vai ser uma noite longa, essa… Bom, de todo jeito, é melhor irmos para casa…
— Nee, você não vai me pôr no chão…? – Ela já estava sentindo-se desconfortável assim tão perto de um garoto, e ainda mais por estar de cabeça para baixo.
— Para você voltar lá e fazer um escândalo? Não mesmo. Eu te levo para casa. – Murata replicou, com uma firmeza surpreendente.
— Aah… — Miyako lamentou como um cachorrinho, mas logo esqueceu disso, e começou a fantasiar sobre as coisas que Wolfram e Yuri iriam fazer sozinhos em um quarto. Ela mal podia esperar para isso!
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