anata no hohoemi wa

Seu sorriso é o calor

mune wo tokasunu kumori

Que derrete meu peito

dokoka de mita

Isso parece, de alguma forma

amai yume no you

Um doce sonho que eu tive

shizumu yuuhi ni

Mesmo que o pôr do sol

ima wo kiritorarete mo

Ilumine o nosso momento

futari no kage wa kasanatteiku

Nossas sombras se sobrepõe

hateshinaku tooku

Sem fim e distantes

kagirinaku fukaku

Ilimitados e profundos

majiwatta unmei no you ni

Nossos destinos que se cruzaram

nandomo tsukande

Eu o seguro de novo e de novo

nandomo ushinatte

Eu o perco de novo e de novo

yatto meguri aeta koto

Mas nós sempre vamos voltar a nos encontrar



Capítulo 10



Yuri corria o máximo que suas pernas podiam aguentar. Mesmo que ele tivesse acostumado aos treinos puxados, e sua condição física fosse no geral favorável, ele não conseguia impelir-se a ir mais rápido. Sua respiração batia, descompassada e errada, mesmo que ele tentasse voltar a um ritmo aceitável, e seu coração parecia prestes a explodir, batendo em algum lugar ao lado das costelas.

Seguro em sua mão, estava o motivo de não conseguir correr com todas as suas forças. Wolfram se esforçava para acompanhá-lo e, se estivessem em campo aberto, era certo que conseguiria, mas como eles subiam e desciam escadas sem parar, a resistência do loiro havia caído para abaixo da média.

Era fim de tarde, e o sol manchava tudo o que seus raios tocassem de vermelho-sangue, deixando o banal cenário escolar ameaçador de alguma forma. Eles fugiam sem direito a um descanso, pelos corredores infindáveis da escola. As salas de aulas que se tornavam vazias passavam por eles, e alguns alunos ainda os encaravam com desconfiança ou surpresa, mas tudo o que Yuri conseguia visualizar eram borrões indistintos.

Yuri lembrava apenas remotamente do motivo pelo qual corria. Tinha algo a ver com Anissina e uma nova experiência que ela queria conduzir em sala de aula. Claro que Yuri, um dos seus alunos-cobaia favoritos atualmente, não queria ficar para ver.

Sendo assim, ele arrastara Wolfram junto com ele, e de forma absurdamente simples, o loiro o acompanhou sem dizer uma única palavra de objeção. Talvez entendesse a necessidade de fugir por sua vida. Ou estivesse apenas acompanhando Yuri e nada mais, era difícil compreender com perfeição as ações ambíguas do loiro.

Os dois subiram até o último andar, e sem mais escapatória, sentindo a presença aterrorizante da professora no seu encalço, Yuri rumou para o telhando, tentando abrir a porta com um chute. Mas é claro que ela estava trancada! Ele desviou, descendo as escadas aos pulos, enquanto trazia no seu encalço Wolfram. Jamais soltaria aquela mão.

Os dois correram de volta para o corredor deserto do quarto andar, onde as salas de aula do terceiro ano já estavam vazias, e se jogaram para dentro da mais próxima sem pensar duas vezes. Yuri trancou a porta imediatamente, e se agachou a tempo de ver os cabelos cor de fogo da professora passarem pela janela, em alta velocidade.

Jogou-se no chão, recuperando o fôlego em parcelas, até que sentisse seu pulmão parar de latejar. Não recordava de jamais ter corrido tanto em sua vida antes. Mas o alívio de estar finalmente a salvo era inteiramente recompensador.

Só então se lembrou de Wolfram. Ele devia estar furioso, depois de ser rebocado por toda a escola sem nenhuma consideração. Yuri desejou ter uma máquina automática de vendas por ali, para aplacar sua sede, e também para comprar um suco para Wolfram, e talvez assim ele o perdoasse. Era um plano simples, mas Yuri confiava na simplicidade.

— Ei, Wolf… Desculpa ter te arrastado para isso. – Ele riu sem graça, tendo apenas palavras, na ausência de um refresco, para se desculpar. – A Anissina-sensei é um perigo, você deve saber, então…

— Não precisa se desculpar. – Wolfram interrompeu, sentando logo ao seu lado enquanto fitava as cores do pôr-do-sol que atravessavam a janela com interesse. – Eu já estava cansado daquela aula mesmo.

Yuri ia fazer algum comentário engraçado sobre matar aulas dentro de uma sala de aula, mas esqueceu de tudo ao desviar os olhos e dar de cara com Wolfram, com seus cabelos dourados refletindo a luz alaranjada, e aqueles olhos de esmeralda tão perfeitos. O moreno se pegou fitando o outro com atenção, notando o quanto seus cílios eram longos e bonitos, e em como o verde dos olhos dele parecia mudar de acordo com a luz externa. Ah, e aqueles cabelos… Eram tão macios quanto pareciam? Talvez… Se ele apenas tocasse por um momento, Wolfram não perceberia…

Hesitante, ele ergueu a mão no ar, e enfim alcançou seu objetivo. Sim, era macio… Muito mais do que ele supunha. E tinha um cheiro tão bom, que se espalhava pelo lugar à medida que Yuri inconscientemente se aproximava. Garotos definitivamente não deveriam cheirar dessa maneira! Era um cheiro agridoce, meio apimentado, parecido com canela… Combinava com Wolfram.

— Você quer tanto assim me tocar?

Aquelas palavras bruscas, ditas com tanta displicência, fizeram Yuri despertar, e recolher sua mão imediatamente.

— E-eu não… Eu não quis…

— Eu sei que não. – Wolfram desviou o olhar para o chão, interrompendo rapidamente o que seriam longas desculpas gaguejadas de Yuri. – No entanto, saiba que… Caso esse seja mesmo o seu desejo… Eu não me oporia…

— O quê?? – Yuri teria caído no chão, se já não estivesse sentado nele. Falando essas coisas, com aquele rosto corando… Se Yuri não soubesse que Wolfram era um garoto, até pensaria que ele estava…

— Não é nada disso que você está pensando, seu Fracote idiota! N-não é como se eu quisesse que você me t-tocasse ou qualquer coisa assim!! – Ele gritou, furioso. – Só estou dizendo que… que… se for você… — Sua voz foi murchando, até se tornar um sussurrar incoerente. – Se for você, eu não me i-importo… tanto assim…

— Tão tsundere… — Yuri riu, imaginando que Wolfram ignoraria o significado da palavra “tsundere”, o que era conveniente, pois ele ficaria possesso se descobrisse sobre algo assim. – Bom, nesse caso… A-acho que eu poderia…

Antes que tivesse alguma percepção de qualquer coisa que fosse, Yuri já estava inclinando-se na direção de Wolfram, e esticando a mão na direção dele. Não parecia estar fazendo qualquer coisa de errado, era apenas natural. Tocou primeiramente a mecha loira que se enrolava na direção do rosto. Wolfram arregalou os olhos, e tremeu levemente quando os dedos de Yuri roçaram em sua pele… Mas não demonstrou resistência.

A falta de oposição fez com que Yuri se impelisse a continuar indo em frente. Havia uma força estranha que o impedia de controlar seus movimentos, e fazia com que continuasse a chegar mais e mais perto de Wolfram. Seus olhos estavam tomados pela imagem do loiro, que mantinha os olhos firmes em frente, e não ousava encará-lo diretamente. Suas bochechas coloriram-se como morangos maduros, e Yuri de repente sentiu que queria prová-las, apenas para saber se o gosto era tão doce quanto parecia. Deslizou a mão para trás da cabeça dele, entrelaçando os dedos nos cachos macios.

— Ei, o que pensa que está fazendo? – Wolfram reclamou, com a voz trêmula não parecendo nem um pouco ríspida como pretendera. Virou-se para Yuri, notando que ele estava muito mais perto do que supunha. Ofegou, querendo bradar alguma ameaça ou ofensa, mas sua voz não queria sair. Seu rosto cada vez mais corado, só dava em Yuri ainda mais vontade de tocá-lo.

Yuri inclinou-se, trazendo o rosto de Wolfram para mais perto. O cheiro quente dele fez seu nariz formigar, de uma maneira deliciosa, e inebriando Yuri, que perdeu o que ainda restava da sua consciência. Fechou os olhos, segurando a cintura de Wolfram com a outra mão para impedir que fugisse, embora ele não desse nenhum sinal de que pretendia fazer isso.

Sem aviso prévio, Yuri enfim tocou com os lábios a face de Wolfram. Era sim, muito mais macia do que ele imaginara, e quente. Seu coração acelerou mais uma vez, parecendo prestes a explodir, mas dessa vez não era por conta da corrida. Sentia que o coração de Wolfram pulsava no mesmo ritmo, e isso o deixou satisfeito. O moreno passeou com os lábios entreabertos por toda a extensão da maçã do rosto do outro, provando do seu sabor adocicado. Aquela textura, aquele aroma… Ia muito além da sua imaginação parca. Porém, o fato de Wolfram não demonstrar o mínimo de reação ainda o incomodava.

Com o braço que rodeava o corpo do outro, Yuri o trouxe para ainda mais perto, com seu corpo pressionado inteiramente contra o dele. Um arrepio se espalhou por todo o seu corpo… E isso era bom. Sem ousar abrir os olhos, ele desceu ainda mais os lábios, até que chegasse a uma abertura, onde a respiração desregulada de Wolfram tocava seu rosto. Sorriu para si mesmo ao encontrar o que queria, e pressionou-se contra os lábios de Wolfram, arrancando um arfar indignado do loiro.

Por mais que continuasse a beijá-lo, Yuri não conseguia sentir aquilo da maneira que queria. O toque parecia cada vez mais tênue, e sua cabeça girava em milhões de direções diferentes. Repentinamente, a mão que segurava o rosto de Wolfram não parecia tocar em mais nada, e foi como se o loiro tivesse evaporado do nada. Yuri tateou com as mãos à procura do calor perdido, e tentou correr na direção do vazio, mas tudo o que eu conseguiu foi rolar pela beirada da cama e cair de cara no chão.

Sim, Yuri estava sonhando.

— Ara, bom dia, Yucchan! – A mãe exclamou alegremente, ao ver o filho mais novo cruzar o corredor até a cozinha. Terminou de servir as panquecas no prato e colocou no lugar vazio no exato momento em que o garoto sentava-se à mesa.

— Você tomou banho, Nii-chan? – Miyako indagou, com o rosto todo sujo de mel, ao reparar nos cabelos molhados do primo. Ele apenas resmungou algo em resposta, e ela estranhou a falta da animação de sempre, que era tão característico nele. Yuri também estava com espessas olheiras ao redor dos olhos, e a expressão não era muito convidativa. – Você passou bem a noite, Yuri Nii-chan…? — Ela tornou a indagar, com um tom de voz preocupado.

— Não. – Ele respondeu apenas, e desviou os olhos para o copo de leite recém-servido. Sua mãe apreciava a culinária ocidental, de forma que não era raro ter pão ao invés de arroz no café da manhã dos Shibuya.

Por mais que Miya insistisse em saber o motivo pelo qual Yuri não dormiu bem, ele não pareceu motivado a responder. Apenas comeu as coisas que sua mãe empurrava, pois sabia que ela não o deixaria sair dali enquanto não tivesse comido tudo, e se apressou em terminar de se arrumar o mais rápido que podia, despedindo-se superficialmente antes de sair para a escola, sem nem esperar por Miyako.

— Oba-san… Ele está estranho… — Miyako murmurou, encarando a cadeira vazia do primo como se nela estivesse a resposta para aquele comportamento alterado.

— Aah… — Miko suspirou. Ao contrário da sobrinha, não estava nem um pouco preocupada. Isso por causa dos seus afiados olhos de mãe, que captariam qualquer coisa no ar. – Meu garotinho finalmente está crescendo…

— Do que está falando, Oba-san?

— Você não percebe, Miya-tan? – Ela sorriu enigmaticamente, intrigando a garota. – Yu-chan está apaixonado!

~

Uma semana se passou desde aquele sonho terrivelmente real e potencialmente perigoso de Yuri. Sonho este que se repetira incessantemente nas últimas noites, embora Yuri sempre despertasse – suado, e em um estado mental deplorável – antes que o ato se consumasse de fato. Ele sempre acordava sentindo-se desapontado por não ter conseguido chegar até o fim, e isso o deixava ainda mais chocado.

Ele decidiu fingir que nada havia acontecido, agir naturalmente e esquecer-se de tudo… mas atuação estava longe de ficar na lista de “Habilidades Especiais” de Shibuya Yuri. A discrição, também.

Cada vez que via Wolfram, Yuri se surpreendia fitando os lábios dele, ou os seus olhos, ou prestando atenção na maneira como seu cabelo se movia ao vento. E isso era sempre um gatilho para desencadear a memória do sonho proibido. Wolfram percebeu que Yuri estava agindo de maneira estranha, mas considerando a personalidade exagerada que ele sabia que o amigo tinha, resolveu que isso deveria ser por algum motivo muito idiota e indigno da sua atenção.

As noites mal dormidas deixavam sinais visíveis, e o irmão mais velho de Yuri perguntou mais de uma vez se ele não estava fugindo durante a noite para uma festa ou algo assim. De todo modo, Yuri aguentou firmemente, e disfarçou bem todas as inquisições de sua mãe, de Miyako, ou do seu irmão, fingindo que estava tudo bem, quando obviamente não estava, e escondendo aquele maldito devaneio bem no fundo da sua mente. Pelo menos, até a próxima noite, quando o sonho voltava para visitá-lo e perturbá-lo até o amanhecer de um novo dia.

E assim, turbulenta e cansativa, a semana passou, e o sábado finalmente deu as caras para os pobres estudantes necessitados reporem suas energias. Yuri havia marcado de fazer algo com Murata e Wolfram, para mostrar à cidade ao estrangeiro (embora ele já estivesse morando ali há mais de um mês). O clima de verão começava a se dissipar, dando lugar a um frio outono, e sua mãe indicou que ele deveria levar mais um casaco.

— Yuri Nii-chan!! A Miya quer ir junto!! — Sua prima se precipitou pelo corredor, terminando de vestir as meias ¾ nas pernas, enquanto pulava num pé só até a entrada. – Tem coisas que eu tenho que comprar…!

— Ah, certo… — Ele respondeu apenas, pensando que quanto mais pessoas estivessem com ele e Wolfram, menos ele se sentiria estranho.

Os dois Shibuya foram de trem até o lugar onde encontrariam Wolfram. Ele estava bem na frente da estação, assim que desembarcaram, batendo o pé impacientemente e olhando para o relógio a cada segundo.

— Oi, Wolfram! – Yuri cumprimentou amplamente, enquanto eles se aproximavam. – Esperou muito?!

— O que você está pensando? Estou aqui há quase meia hora! – Wolfram reclamou, ao ver o moreno e a garota se aproximarem.

— Kyaha~ — Miyako deixou escapar uma risada estranha. – Esse diálogo… quase parece um encontro… te~hee… — Ela escondeu o rosto com as mãos, e por pouco, os garotos não ouviram seu comentário.

— Você não tinha algo que queria comprar? – Yuri indagou para a garota, acordando-a das suas fantasias.

— Eu tinha? E-eu tinha… — Ela se perdeu entre a realidade e a imaginação, de modo que acabou apenas fitando os dois garotos com os óculos embaçando.

— Nós ainda temos um tempo até o Murata vir, ele ainda está trabalhando, podemos te acompanhar. – Yuri propôs, ansioso. Estava aflito com a possibilidade de ficar sozinho com Wolfram. O loiro não esboçou reação quanto à proposta, e nem parecia ligar para a presença da garotinha.

— N-não… Eu não quero atrapalhar… — Miya respondeu rapidamente. Na verdade, seu plano era seguir os dois garotos ao longe, para ver o que eles faziam quando estavam sozinhos.

Desde que sua tia insinuara que Yuri poderia estar apaixonado, essa possibilidade não saia da sua cabeça. Ela notara o quanto o primo estava distante, pensativo, e suspirando pelos cantos, e isso com certeza não era o seu normal. Era tão inconcebível quanto Shibuya Miko se tornar uma mãe discreta e normal, ou Shori-nii-sama parar de jogar DatingsSims.

E, para Miyako, era um fato óbvio que a fonte de perturbação do garoto era aquele lindo loiro estrangeiro, que agora cruzava os braços fazendo pouco caso dela. Ela estava tão empolgada com isso que mal podia se conter.

— Você não atrapalha em nada, Miya-chan! – Yuri se apressou em dizer, muito mais amistoso do que costumava ser com a garota. – Vamos, apresse-se e nos mostre onde fica a sua loja favorita! – Ele começou a empurrá-la na direção oposta, e Wolfram não teve outra opção além de segui-los.

— T-tudo bem... — Miya lamentou ao ver seu plano indo por água abaixo, mas também não ia reclamar de passar o dia com dois garotos lindos dessa forma… Ela tinha sorte… – É por aqui...

Eles andaram algumas poucas quadras na rua comercial apinhada de gente, até chegarem a uma livraria de médio porte. Havia alguns cartazes e pôsteres promocionais de jogos e de mangás na porta, e vários corredores separados por estantes cheias de livros de cima a baixo.

Além de livraria, o lugar também era uma cafeteria. No corredor oposto, havia um balcão de madeira com bancos altos, e muitas mesas espalhadas onde as pessoas podiam ler calmamente. Miyako foi assaltada por uma espécie de transe ao pisar no recinto, e começou a saltitar para dentro da loja, com um sorriso bobo no rosto corado. Os dois garotos ficaram mais para trás, vendo algumas das revistas colocadas logo na frente da banca.

— Ah! Miyako-chii! – Alguém bradou do lado de dentro do balcão onde eram comprados os livros. Era um garoto alto e magro, com alegres olhos azuis, cabelos ruivos e bagunçados, que contornavam o rosto cheio de sardas. Usava o avental azul-marinho da loja, com grandes fones de ouvido pendurados no pescoço, e aparentava ter a mesma idade dos outros garotos. Yuri franziu os olhos, desconfiado, ao ver a prima corar andando lentamente até o balcão. – Meu tio disse que você viria. Adivinha só o que eu guardei para você!

— Waaa~ o que? – Ela deu um meio pulinho empolgado, apoiando as duas mãos na beirada do balcão. O ruivo sorriu para ela e tirou uma caixa fechada de baixo do armário. Abriu-a, e os olhos de Miyako brilharam. – Aaaaah!!! Você conseguiu o volume 2 daquele mangá que estreou!!! Aaah, sugooii!!!! – Ela gritou entusiasmada, chamando a atenção de todas as pessoas que frequentavam o lugar.

— O que você está comprando? – Wolfram indagou, com a curiosidade de saber o motivo dos gritos vencendo o orgulho. O atendente ruivo se afastou, indo atender outro cliente enquanto eles conversavam. Wolfram aproximou-se do local, antes que Yuri pudesse sequer impedi-lo, afinal, ele sabia bem o tipo de coisa que deixava a prima empolgada, e não queria que ninguém visse aquilo.

— Heheheeh…. – Miya deu aquela risada perigosa mais uma vez, antes de responder. – É uma história nova que eu estou acompanhando… É sobre um garoto que cai em uma privada e vai parar em outro mundo, onde acaba virando rei…

— Ah, que idiota nee? – Yuri riu sem graça, não querendo que ela falasse nada de comprometedor.

— Que história estúpida! É só isso? – Wolfram desdenhou, pegando um dos volumes que estavam mais acima e o foleando rapidamente.

— Não! – Miya disse, e Yuri bateu na própria testa, derrotado. Claro que não era só isso, nunca era. Mas não havia nada que ele pudesse fazer… Era sua prima, afinal. – Ele comete um deslize e acaba se tornando noivo do garoto mais lindo de toooodo o reino! Eles até… dormiram na mesma cama… Aaah, eu espero que o romance eles se desenvolva rapidamente!

— Dois garotos? – Wolfram replicou, ligeiramente surpreso. Yuri soltou outra daquelas risadas tolas e forçadas, pensando em alguma maneira de consertar o ato impensado da prima. Não queria que Wolfram pensasse mal da sua família… mas não havia muito que podia fazer agora. – Hmm… suponho que garotas gostem de romance, não é?

— Você não vê nada de errado nisso? – Miyako perguntou, esperançosa, de maneira calculada. De alguma forma, havia verbalizado os pensamentos de Yuri, que estava prestes a dizer a mesma coisa.

— Por que? Eu deveria? – Ele se espantou. – No meu país, esse tipo de coisa não é tão estranho… — Ele comentou naturalmente, como quem fala do tempo.

— Kyaaaa~ que perfeito!! – Miyako exclamou, colocando as mãos nas bochechas ruborizadas. Estava imaginando o paraíso.

Yuri engasgou com aquela informação repentina. Então… Wolfram não achava esse tipo de coisa estranho… Não que ele estivesse preocupado com algo assim, afinal, não tinha nada a ver com ele! A opinião dele não fazia o sonho proibido de Yuri parecer menos bizarro ou menos errado! Mas… Por algum motivo, ouvir aquilo fez Yuri sentir-se um pouco mais aliviado.

— Então… Você vai comprar? – O atendente indagou, com um sorriso alegre para Miyako. Ela estava perdida demais nos seus devaneios para responder, então Yuri fez o favor de pagar pelo produto, apenas dessa vez.

Enquanto esperavam pela nota, Wolfram focalizou os olhos no crachá do garoto ruivo. Ele também era estrangeiro, apesar de falar japonês fluentemente, e segundo a plaquinha, seu nome era Benjamin Gurrier. Gurrier… Esse nome não era estranho à Wolfram.

— Por acaso… Você conhece alguém chamado Yozak Gurrier, de Shin Makoku? – Wolfram se viu perguntando, antes mesmo de perceber. O garoto, que entregava a mercadoria à sonhadora Miyako, se surpreendeu com a pergunta.

— Sim. Ele é meu tio, e dono deste lugar. – O garoto chamado Benjamin respondeu, sorrindo cordialmente de volta. – Você o conhece?

— Mais ou menos. Ele era um amigo do meu irmão mais velho.

— Ah! Será que seu irmão se chama Conrad? – Benjamin replicou, surpreso.

— Exato.

— Que coincidência! Meu tio vive falando deste amigo! Eles não se falam há muito tempo. É uma pena que ele esteja fora agora… mas se você voltar outro dia, e talvez trazer seu irmão aqui, ele iria gostar muito!

— Eu verei o que posso fazer. – Wolfram respondeu, indiferente.

— Waaaa~ que mundo pequeno, não é? – Yuri riu, bagunçando os cabelos da nuca.

— Sim, muito pequeno… Vossa alteza… — Benjamin respondeu, com um pequeno trejeito de cabeça, sobressaltando Wolfram. Então, ele havia o reconhecido…

— Vamos logo, Yuri. Temos que encontrar aquele garoto de óculos cujo nome eu esqueci. – Ele disse altivamente, dando as costas para o ruivo.

— Certo. Você vem, Miya… Ah, esquece… — Ele viu a prima já surtando enquanto lia um ou outro mangá, e preparava-se para comprar muitos mais além daquele que ele pagara.

Assim que os dois garotos se afastaram, Miyako se preparou para sair também. Iria prosseguir com seu plano de espiá-los ao longe.

— Miyako-chii – Benjamin chamou, quando viu a garota se precipitar para a saída.

— Sim, Benjamin-san? – Ela retornou, ansiosa por ir logo atrás dos dois.

— Eu já disse que pode me chamar de Ben. – Ele sorriu brilhantemente para ela, piscando um olho. A garota corou até a raiz dos cabelos. – Na verdade, nós estamos precisando de atendentes de meio-período no café. Meu tio disse que preferia ter alguém conhecido trabalhando, e você é uma cliente regular… Além de ser uma ótima companhia. – A garota sentiu seu rosto quase entrar em combustão – Será que você não se interessaria?

— Ah… Eu não sei, tenho que falar com a Oba-chan… — Miyako hesitou.

— Eu já mencionei que funcionários ganham desconto em todos os produtos? – Ele disse, e pelo semblante interessado de Miyako, ele já sabia que havia conquistado seu objetivo. – E também… Eu acho que você ficaria muito fofa com o nosso uniforme… — Ele sorriu de canto, e Miyako quase teve um sangramento nasal.

— E-eu vou querer!

— Então venha até aqui amanhã, e nós conversamos melhor. – Ele sorriu mais uma vez. – Aqui, para você. – Estendeu um bombom, que Miyako aceitou prontamente, saindo correndo logo depois. Não conseguia mais encarar o garoto, que era estonteante demais para sua mente despreparada. Além do mais… Ela teria que se apressar se desejava seguir Wolfram e Yuri de perto no encontro deles.

Notas finais
Yoo~ esperam que tenham gostaado do capítulo n_n Aaah, aqui vai uma imagem de referência para quem quiser saber como é o Ben, sobrinho do Yozak: http://www.zerochan.net/804871 Espero que tenham gostado de tudo n_n Kisuu~ Shiroyuki [Revisado]