Notas iniciais
..hm... oi gente, hehe. Lembram de mim? To viva. Pois é... Ainda lembram dessa história também? Espero que sim o/ Sobrevivi ao TCC e agora sou praticamente uma pessoa formada e atuante na sociedade yey o/ Foi difícil, eu vi coisas, fiz coisas, que você não acreditaria, jovem padawan. Mas o importante é o que importa! E eu falei que não ia desistir de Sono Te, e cá estou eu! Passe a noite da virada do ano terminando de escrever esse capítulo, a Editora revisou ele agora há pouco e aqui está, primeira postagem do ano, e dessa vez, prometo tentar regularizar essas postagens (promessa de ano novo o/) Espero que ainda hajam leitores ^-^ e aos que ficaram e não me abandonaram, só tenho a agradecer~ Enfim, chega de explicações, boa leitura!

Tsunagatta sono ito

Às vezes as linhas

Motsureta koto mo atta

conectadas a nós se entrelaçam

Awatenai desu ne nai de hodokou wo

Não se desespere, vamos desemaranhar todos

[...]

On the way to go

No caminho a percorrer

Kono michi de moshi mayotte mo

Mesmo se você se perder

Daijoubu dareka to te wo tsunagou

está tudo bem, iremos dar as mãos com alguém

Fumi dasu ippo ga moshi fuan demo

Mesmo se você está preocupada em dar o primeiro passo

Tomatte iru yori mashisa

é melhor fazê-lo do que ficar parado




Capítulo 61



Os movimentos do seu corpo vinham naturalmente, ele não precisava pensar neles, enquanto executava cada um dos golpes que praticava há anos. Mesmo com todos os aparatos de proteção pesando em seu corpo e o capacete que apertava e esquentava sua cabeça, o florete era apenas uma extensão do seu braço, que movia-se com naturalidade. Esgrima era fácil. Previsível, automático. Até monótono, talvez.

Não, não era isso. Wolfram gostava de esgrima. Praticava desde que tinha tamanho suficiente para empunhar uma espada. Tanto que, logo que se mudaram, ele fez com que sua mãe desse um jeito de arrumar uma das salas do primeiro andar especialmente para as suas práticas, esvaziando um quarto que tivesse tamanho adequado, colocando o piso especial e as marcações no chão, com temperatura regulada, e espaço para guardar todos os seus equipamentos. Em dias mais agradáveis gostava de praticar com Conrad lá fora, mas aquele espaço, no qual agora ele treinava com o irmão, havia sido cuidadosamente projetado para que atendesse aos seus requisitos.

Wolfram tinha muitos hobbies. Não somente a esgrima, ele sempre havia tido oportunidade de experimentar diferentes coisas durante a sua vida, e revelava aptidão para a maior parte delas. Música, Artes, Literatura. Fosse um piano ou um cavalete, ele sempre podia contar com o apoio da sua família para tentar novas atividades. Isso sempre o manteve ocupado… Ou ao menos entretido, anteriormente.

Então por que parecia que somente isso já não era mais o bastante?

Talvez fosse por se encontrar em um ambiente diferente, que agora ele considerava o seu lar, mas que era essencialmente distinto do seu país de origem em tantos aspectos, e que trazia diferentes possibilidades para ele. Ou simplesmente porque ele já não era mais o mesmo. Seja qual fosse o motivo que o levava a ter dúvidas, as opções se encontravam ao alcance das suas mãos, e ele não podia fingir que não enxergava isso.

A conversa que havia tido com Shuuhei dois dias atrás ainda retornava aos seus pensamentos sempre que ele parava por um momento. O assunto do Festival também. Não sabia por qual motivo exatamente, mas esse evento havia chamado sua atenção, em especial depois de reparar no quanto todos naquela escola pareciam estar extremamente ansiosos para isso. Yuuri não parava de falar sobre os seus festivais anteriores, e a sala de aula ficou em polvorosa quando começaram a debater sobre qual tema deveriam escolher nesse ano. E apesar de demonstrarem tanta vontade de participar, ninguém havia se candidatado para se tornar membro do Comitê de Organização ainda.

Yuuri comentara que tinha muita admiração pelos organizadores. Eles eram quem, no fim, faziam o Festival tomar forma e acontecer, e garantiam que tudo desse certo até seu encerramento. Não era algo que qualquer um aceitaria fazer, afinal. Ele próprio garantiu que não achava que tivesse aptidão para esse tipo de responsabilidade. Coordenar um time de baseball com alguns garotos já era difícil o bastante — imagine então um acontecimento que envolvia a escola inteira. Quando Yuuri falou, Wolfram entendeu que ele falava sério sobre admirar pessoas que se esforçavam dessa forma. E isso também não saiu da sua cabeça.

A visão por trás da tela de proteção do capacete ficou confusa, e repentinamente ele não conseguiu reagir a tempo às investidas do seu oponente. A única certeza que teve foi de que, no instante seguinte, estava sentado no chão, com a ponta de um florete na direção do seu pescoço. Respirou ofegante. Não sabia explicar o que havia acontecido ali.

— O que foi isso, Wolfram? — Retirando a máscara do rosto, Conrad o encarou de cima, intrigado. Wolfram retirou a lâmina da sua frente, batendo nela displicentemente com as costas das mãos, e se ergueu do chão. — Você nunca perderia por um golpe simples como esse. Estava distraído com algo?

Wolfram não respondeu. Removeu a máscara da sua cabeça de uma só vez, os cabelos loiros, antes comprimidos no pouco espaço, agora ainda mais enrolados do que o normal. Resmungou para si mesmo, passando os dedos nos cabelos e bagunçando-os um pouco mais, sentindo que estavam úmidos de suor.

— Eu preciso de um banho, só isso. — Ele se direcionou para a porta, sabendo que os olhos de Conrad ainda o seguiam. Ergueu a cabeça, e só então percebeu que não era somente Conrad que o observava.

Gwendal estava parado na porta da sala, e parecia estar ali há algum tempo. Wolfram não quis tentar entender a expressão que ele trazia no rosto, e largou seu capacete em um aparador próximo a onde estava, tirando também a jaqueta quente do seu corpo, e devolvendo o florete para o seu lugar na estante na qual várias outras espadas e sabres se encontravam penduradas.

— Wolf… — Conrad ainda tentou chamá-lo, mas ele partiu em direção à porta, decidido a não olhar para Gwendal, que ainda se encontrava no mesmo lugar.

No corredor iluminado, Wolfram apressou seu passo, mas seu irmão mais velho o acompanhou sem nenhuma dificuldade.

— Eu estava passando, resolvi assistir ao seu treino. — A voz grave e calma de sempre acendeu uma luz na mente de Wolfram. Ele não havia feito nada de errado para dever qualquer explicação, então do que estava fugindo mesmo? Diminuiu a velocidade da sua caminhada, e fitou Gwendal, que olhava para frente, como se fosse apenas uma coincidência que os dois estivessem atravessando o mesmo corredor ao mesmo tempo. — Conrad estava certo. Não é usual você cometer erros básicos dessa forma.

Wolfram franziu a testa. Desde quando Gwendal se preocupava com suas práticas? A calça branca que era seu uniforme de esgrima não era confortável, e os sapatos apertavam seus pés. Queria se ver livre deles o quanto antes, mas aquela questão levantada por ambos seus irmãos começou a incomodá-lo.

Gwendal entrou na sala iluminada ao final do corredor — um pequeno espaço que ele utilizava quase como um ateliê, para guardar sua coleção de animais tricotados, e o material para fazê-los. O garoto parou, no meio do corredor vazio, e ao invés de seguir para o caminho que pretendia em direção ao seu quarto, adentrou no mesmo local.

O pequeno estúdio era rodeado por estantes altas, todas muito bem organizadas como esperado, com novelos de linha separadas por cor e por espessura, ferramentas enfileiradas nas prateleira, e dezenas, talvez centenas, de bichinhos de tamanhos variados e formas duvidosas, que o encaravam com seus olhinhos de botões enquanto ele invadia o espaço pessoal do seu irmão sem pedir licença.

A janela na parede oposta estava completamente aberta, exibindo o céu estrelado sem uma única nuvem para cobrir a luz da lua. A brisa noturna era agradável, e balançava levemente as cortinas brancas que cobriam a parede da mesma cor. Wolfram viu Gwendal acomodar-se na sua poltrona, e esperou que ele se concentrasse no seu último trabalho inacabado, um emaranhado de linhas lentamente tomando a forma de um animalzinho não identificável, que esperava na mesinha de canto logo ao lado da poltrona, mas ele não o fez.

Ao invés disso, ofereceu o assento à frente do seu, fitando o loiro com aquela expressão impenetrável e que parecia austera a qualquer um que não o conhecesse o suficiente para saber que isso era apenas uma fachada equivocada. Então, Wolfram entendeu. Gwendal estava preocupado, e, apesar de não ter dito nada que sugerisse isso, queria conversar.

Hesitante, Wolfram sentou na poltrona confortável, e olhou ao redor, sem saber exatamente o que deveria dizer. Seu irmão parecia examiná-lo minuciosamente, atento a qualquer movimento que fazia, e ele não sabia dizer o que havia de errado com toda aquela situação. Gwendal não era como Conrad, que, ao notar qualquer problema com ele, não titubeava nem por um segundo em insistir até que Wolfram resolvesse falar (quase sempre aos gritos) o que o incomodava. Gwendal observava. Ele podia demorar dias, talvez semanas, remoendo algum assunto, até decidir chamar Wolfram para resolver o que quer que fosse, de uma só vez. E, nessas ocasiões, ele sempre acertava em cheio sobre o que afligia seu irmão mais novo, mesmo quando ele próprio demorava para entender ou não queria admitir.

Ou seja, Wolfram sabia o que estava por vir, e já preparava-se mentalmente para o embate.

— Wolfram… — Gwendal chamou, a voz baixa e comedida de um tom de conversa normal.

Ele tomou um susto, dando um pequeno pulo na poltrona ao ser chamado, endireitando a coluna instintivamente, e juntando ambas as mãos acima dos joelhos, quase como um velho hábito. Não havia feito nada de errado — repetiu a si mesmo — mas era difícil esquecer de todas as vezes em que, quando criança, havia sido chamado daquela mesma maneira, depois de ter quebrado algum vaso antigo enquanto brincava com Liesel dentro do castelo, ou quando fugia das suas aulas da tarde para andar à cavalo sozinho nas campinas mais afastadas. Nessas ocasiões, Cheri ou Conrad não sabiam ser tão severos, e cabia à Gwendal o papel de sentenciador do castigo que ele receberia.

— Eu… Hm… — Wolfram hesitou, olhando ao redor com uma curiosidade que não sentia realmente. Estava evitando chegar a qualquer assunto, afinal, ele próprio não sabia o que queria estando ali. Seguiu Gwendal porque isso parecia ser adequado, mas na verdade estava tão perdido que não sabia nem por onde começar. — Está bem lotado aqui, não é? — Ele comentou, apontando discretamente para as estantes ao seu redor, nas quais não havia uma única prateleira que estivesse com lugares sobrando.

Gwendal observou, virando-se na mesma direção para a qual Wolfram olhava, e assentiu uma única vez, concordando. Ele andava com algum tempo livre, ultimamente, e isso resultava em mais chances de relaxar com outras atividades.

.— Você deveria vendê-los, talvez. — Wolfram sugeriu sem pensar, mas logo se arrependeu de ter pronunciado essas palavras, considerando o olhar indecifrável que Gwendal lançou a ele. Era difícil saber se ele estava verdadeiramente irritado agora, ou apenas intrigado, principalmente quando sua expressão usual jamais deixava aliviar o vinco na testa.

— Você não vende os quadros que pinta. — Gwendal argumentou de volta, e Wolfram pensou por alguns segundos. Nunca havia analisado essa questão por esse viés.

— Eles são muito… pessoais. — O loiro se remexeu na poltrona, ligeiramente desconfortável com o rumo que aquela conversa possivelmente poderia tomar a partir dali.

— Exato. — Wolfram notou que as feições de Gwendal pareceram suavizar-se por um breve instante, enquanto ele sentava para trás em sua poltrona, visivelmente mais acomodado. — É apenas uma atividade que alivia o estresse. Mas isso não siginifica que não seja importante.

— Eu… entendo. — Wolfram inclinou a cabeça involuntariamente, tentando entender aonde Gwendal pretendia chegar com aquelas palavras. Era o mesmo com suas pinturas. Não havia qualquer mérito em pintar o que quer que viesse à sua cabeça, mas era uma forma fácil de se expressar e deixar sua cabeça mais leve enquanto suas mãos trabalhavam. Desde muito tempo, essa era uma das suas poucas válvulas de escape, ainda mais quando tudo parecia querer desmoronar ao seu redor, e ele se encontrava perdido diante da possibilidade de perder aquilo que possuía de sólido em sua vida. Foi assim até o dia em que Yuuri entrou novamente em sua vida, sem pedir licença, derrubando todas as suas certezas e trazendo uma nova perspectiva para os seus dias.

— Você está preocupado com algo, não está? Algo que nem mesmo passar algum tempo praticando esgrima ou trabalhando em um quadro ajudam a distrair sua mente. — Não havia nem mesmo como ficar surpreso pelo palpite certeiro do irmão mais velho. Ele sempre acertava em cheio.

Wolfram relaxou um pouco os ombros que ele não havia percebido até então que estavam tão tensos. Adiantaria alguma coisa tentar esconder o que quer que fosse de alguém que o conhecia tão bem?

— Talvez… — Ele hesitou, ainda assim, tentando pensar em como poderia falar sobre algo que nem ele próprio conseguira entender até agora. Sentiu que Gwendal o fitava diretamente, e isso o fez ficar imediatamente consciente de si mesmo, pensando no que o irmão estaria observando sobre o seu comportamento.

— Wolfram… Você já pensou no que quer fazer daqui para frente?

A súbita mudança de assunto pegou Wolfram de surpresa. Ele encarou o irmão, tentando entender se não havia se distraído e perdido uma parte da conversa, mas, a julgar pelo olhar sério que Gwendal fixava nele, não parecia ser isso.

— Eu.. Ahn.. Como? — Ele se atrapalhou, na tentativa de encontrar uma resposta para aquela pergunta vinda do nada. Gwendal sorriu de leve da evidente confusão do irmão. Como esperado, ele ainda não havia pensado tão longe.

— Você já percebeu as inúmeras possibilidades que tem diante de si, meu irmão? — Gwendal inclinou-se ligeiramente, sem nunca perder o contato visual com o outro. — Não é mais um herdeiro. Não tem mais nenhuma obrigação o segurando, e todo um futuro para construir. Por isso, já pensou no que pretende fazer com a sua vida?

Aquelas palavras o acertaram como adagas, enquanto ele refletia sobre elas. É claro que Wolfram sabia que não poderia mais voltar ao seu país, e que, depois de ter passado sua vida inteira se preparando para algum dia assumir o poder e governar seu povo, esse direito havia sido arrancado de si sem mais nem menos. Tudo aquilo que ele era e o que sabia foi tirado das suas mãos, e ele ficou sem absolutamente nada.

Depois de reencontrar Yuuri, ele também reencontrou a si mesmo, ou pelo menos, a parte perdida da sua infância que ele acreditava não existir mais, e isso o fez repensar toda a sua vida. E agora, a questão lançada por Gwendal parecia fazer todo o sentido para ele. Antes, ele não tinha escolha, e agora, não tinha opções. O que ele faria da sua vida, tendo a liberdade para escolher absolutamente… qualquer coisa?

— Eu não tinha pensado sobre isso ainda… — Wolfram admitiu, relutante. Ele estava acostumado a seguir qualquer coisa que outras pessoas tivessem programado para ele, durante todos os dias. Depois de vir para o Japão, apenas seguia o fluxo dos acontecimentos que o rodeavam. Pela primeira vez, havia sido desafiado a pensar de verdade sobre o que faria, por si só. Isso era algo relativamente novo para ele.

— Pense sobre isso com cuidado. — Gwendal observou, sua voz chegando a um tom calmo que visava deixar Wolfram mais confortável. — Não é algo imediato, mas ainda assim, é importante. Foi por isso que nossa mãe decidiu colocá-lo em uma escola, aqui no Japão.

— Foi? — Aquela era a primeira vez que Wolfram ouvia algo desse tipo. Não era para que ele “fizesse amigos e socializasse”?

— Bem, foi um dos motivos. Ela queria que você abrisse seus horizontes, e percebesse que poderia fazer qualquer coisa que tentasse. — Gwendal sorriu, e Wolfram sentiu que ele também acreditava naquilo que dizia. — Veja bem, não há nenhuma disciplina ou atividade na escola que desperte seu interesse? Nenhum assunto em especial?

Wolfram negou, primeiramente, mas depois disso hesitou, pensativo. Ele realmente não possuía nenhum interesse acadêmico específico por nenhuma das matérias que estudava — simplesmente ia bem em todas. Mesmo os clubes esportivos ou culturais não pareciam exatamente atraentes para ele. Sinceramente, ele havia cogitado, brevemente, a possibilidade de participar de alguma atividade extra-curricular, como o clube de kendô ou de artes, por exemplo, mas ambas se referiam à coisas que ele fazia para passar seu tempo livre. Não sabia se iria querer se dedicar ainda mais a qualquer uma das coisas, tendo que participar de torneios ou exposições, e abrir mão do seu tempo para treinar, como Yuuri estava sempre fazendo. Simplesmente não tinha interesse nisso.

Porém, como Gwendal citara atividades no geral, a primeira coisa que pulou nos pensamentos de Wolfram assim que ele começou a analisar sua situação foi o Festival Cultural. Ele não queria admitir mas aquela atmosfera havia realmente o afetado, e ele estava constantemente pensando sobre isso desde o dia em que foi citado durante a aula. Não parecia ser como nada que ele já tivesse feito anteriormente. Ele estava… intrigado.

Gwendal havia voltado ao silêncio, percebendo que a falta de respostas por parte do seu irmão mais novo significava que ele estava sinceramente cogitando todas as possibilidades que ele sugeriu. Subitamente, no entanto, Wolfram se ergueu, com uma nova luz iluminando seus olhos, e Gwendal não pôde evitar outro sorriso que ameaçou surgir. Era aquele tipo de motivação que ele desejava ver.

— Eu entendi o que você quis dizer. — Ele pronunciou, e Gwendal pôde observar que ele já parecia estar mais leve, na sua maneira de falar e agir. Provavelmente, havia conseguido se dar conta por si só de uma solução para o problema que o afligia. — Gwendal… Obrigado.

Wolfram sorriu sinceramente, e Gwendal apenas balançou sua cabeça.

— Eu não fiz nada, mesmo. — Ele disse, simplesmente. Wolfram assentiu apenas uma vez em resposta, e virou-se para sair do cômodo, com sua energia renovada subitamente. — Ah, Wolfram. Antes de ir, diga-me uma coisa…

Parando no meio do caminho em direção à porta, Wolfram virou-se para trás novamente, com ar de sutil curiosidade. Não era comum Gwendal pedir coisas.

— Sim?

— Suas colegas de escola, quando elas virão visitá-lo novamente? A menina de cabelo azul, e a prima de Yuuri, eu digo.

Wolfram duvidou dos seus ouvidos por um breve segundo, mas como Gwendal continuava a encará-lo com nenhuma alteração na sua expressão fechada, ele percebeu que havia uma chance de que ele estivesse realmente falando sério.

— Você está falando da Miyako e da Natsume? — Ele perguntou, por via das dúvidas. Precisava da confirmação. Gwendal assentiu com um meneio da cabeça, e esperou pela resposta. — Eu não sei? Quer dizer, por que você está me perguntando isso?

— Você poderia chamá-las para tomar chá e passar a tarde aqui qualquer dia. — Gwendal continuava a falar e Wolfram franziu os olhos em evidente confusão. — São boas meninas, elas.

— Ahn… Certo? — Desde quando seu irmão era tão amigável ele não saberia dizer, mas podia apostar que tinha qualquer coisa a ver com o fato daquela garota conseguir identificar os animais que ele tricotava como ninguém mais se arriscava a tentar.

— Foi bom você ter feito amigos como esses por aqui. — Dessa vez foi fácil identificar o sorriso no rosto do irmão mais velho, ainda que fosse mais discreto e sutil do que um sorriso deveria ser, e Wolfram decididamente não sabia lidar com isso.

— Elas não… Elas, ahn, não são… — Wolfram engasgou nas próprias palavras, sem conseguir terminar aquela frase. Já não tinha certeza do que estava prestes a pronunciar, e parecia errado negar aquilo, mesmo para ele. Olhou para o chão e voltou a fitar o irmão, abrindo a boca para retorquir mais uma vez, e fechando-a novamente, sem sucesso.

Saiu daquela sala sem olhar para trás, marchando a passos duros pelo corredor em direção à escadaria. Podia ter jurado ouvir um riso abafado ao longe, mas só poderia ser produto da sua imaginação. Gwendal não dava risadas.



~



O garoto puxou o celular do bolso e desbloqueou a tela com um movimento único e automático do polegar, abrindo o aplicativo de mensagens quase imediatamente. Continuava exatamente igual às últimas cinco vezes que ele verificou nos últimos 10 minutos.

— Eu não vou para a agência.

— Não tenho nenhum ensaio marcado para este final de semana.

Então a gente podia ir para algum lugar no sábado

?

Última visualização às 15:37h

Masaki desligou a tela do celular e o colocou de volta no bolso do uniforme, soltando um grunhido de frustração. Precisou de tanta coragem para mandar uma pergunta tão simples, e ele havia passado tanto tempo reformulando a mesma frase de novo e de novo, para que ela parecesse casual o suficiente, sem a menor demonstração de qualquer coisa além do necessário. Sabia muito bem que Sara era perceptivo, mais do que o normal, e jamais, em hipótese alguma, queria parecer patético na frente dele — embora desconfiasse que já cumpria esse papel há muito tempo, sem qualquer esforço.

Sinceramente, o que ele estava pensando quando decidiu que era uma boa ideia mandar aquela mensagem? Sara não respondera, e, a cada minuto que passava, Masaki se sentia afundando ainda mais em auto-depreciação pelo erro cometido. Será que ainda havia tempo de apagar a mensagem sem que ele visualizasse?

Se não tinha uma sessão de fotos agendada, não haveria motivos para demorar a responder a mensagem, certo? Masaki sabia muito bem que Sara estava sempre com o celular por perto. A não ser que… O garoto soltou um longo suspiro cansado, deixando os ombros caírem. Sara andava sempre enfiado naquela confeitaria nos últimos tempos. Fazendo exatamente o quê, Masaki não sabia dizer, já que aquele garoto Shibuya nem trabalhava mais lá, felizmente. Mas tinha seus motivos para desconfiar que nada disso seria sem razão aparente.

Sua cabeça estava começando a doer. Havia muito barulho ao redor, e isso só piorava a situação, mas não havia como fugir. Era hora do almoço, e estava chovendo forte do lado de fora, o que significava que todos os estudantes acabavam enclausurados no interior do prédio. O barulho de conversas paralelas nos corredores, vozes altas todas falando ao mesmo tempo, era insuportável. Masaki havia procurado refúgio no último andar, sentado nos degraus mais baixos da escada que levava ao terraço, mas mesmo ali havia grupos de pessoas aqui e ali que não paravam de falar.

Um grupo de vozes femininas particularmente estridentes parecia estar se aproximando, subindo a escada que levava ao andar inferior. Masaki reconheceu a voz mais alta, e fechou os olhos com força, pedindo aos céus e ao universo para que ela não o notasse ali.

— Masaki! — A voz aguda que ele ouvia todos os dias há mais de 15 anos o chamou, estendendo a última sílaba do seu nome daquele jeito irritante que ela sempre fazia. Os céus e o universo não deviam gostar muito dele. Ou apenas apreciavam sinceramente o seu sofrimento sem fim.

— O que você quer? — Nem mesmo essa recepção calorosa abalou a motivação da garota, que se separava do seu grupo de seguidoras genéricas para vir na sua direção com um grande sorriso no rosto sempre maquiado demais, na sua opinião profissional. Ele podia apostar quanto quisessem que ela estava vindo pedir alguma coisa para ele.

— Meu Deus, a raiz do seu cabelo tá enorme! — Ela comentou, parando diante do irmão e passando a mão na cabeça dele sem cerimônia. — Você não vai pintar o cabelo de novo? Tá deixando ele natural? — As unhas compridas machucavam, e ele afastou a mão dela com um tapa. — Ai! — Ela recuou a mão, franzindo os olhos e projetando o lábio em um beicinho que tinha a intenção de parecer fofo. — Eu só fiquei curiosa… E você quase não para em casa, eu só posso conversar com você na escola mesmo!

— Mariko, nós nunca “conversamos” em todos esses anos de convivência. Nunca. — Ele enfatizou, ceticamente. — Só diga logo o que você quer e nós acabamos logo com isso, ok?

— Awn, você é chato. Certo… — A aproximação mudou instantaneamente, quando ela parou de forçar sua voz para soar “agradável” e mudou o peso de uma perna para a outra, cruzando os braços e voltando a exibir uma expressão de arrogância e leve irritação. — Você tem planos para o final de semana?

— Quê? — Masaki ergueu uma das sobrancelhas, duvidando dos próprios ouvidos.

— Olha, eu estou tentando me recuperar de um coração partido, sabe? — Ela colocou a mão sobre o peito, dramaticamente, e Masaki não se conteve em revirar os olhos diante daquela cena. Mariko pareceu não se importar. — Eu e minhas amigas vamos a um goukon no final de semana. E eu tenho uma amiga que está a fim de você. Eu não posso questionar o gosto dela, quer dizer, eu disse “O meu irmão?? Tem certeza?” e ela disse “É, totalmente, eu adoro o cabelo dele”, e eu disse...

— Eu não vou. Não adianta insistir. Agora, pode ir. — Masaki interrompeu o que prometia ser uma história emocionante, e apontou para o outro lado do corredor, puxando novamente o celular, em um gesto automático, mas que podia muito bem ajudar a ilustrar sua recusa.

— Mas, Masaki! Eu nunca te pedi nada! Qual é, é só um encontro, a gente sai, você conversa com ela, nada demais. Se você se sair bem, até consegue alguma coisa, hm, o que me diz? Tipo, ela é minha amiga, então você pode ter certeza de que a aparência dela não é menos do que aceitável. Eu só quero ajudar, sabe? Vocês dois vão sair ganhando disso tudo.

— Eu não quero. — Masaki soltou o ar e voltou a erguer os olhos. — E você acha que eu não te conheço? Você nunca faz nada que não seja em benefício próprio. Aposto como essa sua amiga é bem mais bonita e possivelmente mais interessante do que você, e você está com medo que ela roube toda a atenção, então quer me usar como isca para distraí-la enquanto você fica com seus holofotes. Minha resposta continua sendo não.

— Argh, fala sério! — Ela bateu o pé, da mesma maneira que ele estava acostumado a ver todas a vezes em que Mariko não ganhava presentes o suficiente no Natal, quando as pessoas não prestavam tanta atenção quanto ela achava que merecia no seu aniversário, ou quando ela descobriu que seu báculo de garota mágica não fazia sua roupa se transformar instantaneamente quando tinha cinco anos. — Você não pode se mexer pra fazer nada por mim? Você é tão egoísta. É por isso que as pessoas ficam comentando coisas sobre você. — Ela bufou, desdenhosa. Masaki ergueu o olhar, capturado pela mudança de teor das palavras da irmã.

— Comentando? O quê? — Ele deixou escapar, amaldiçoando-se logo em seguida. Não devia ter demonstrado qualquer interesse no que Mariko falava, ele já sabia. Ela tomaria qualquer mudança de nuance no seu comportamento como uma fraqueza, e usaria contra ele em todas as oportunidades possíveis. Ele podia ver isso claramente estampado no sorriso que lentamente se espalhava no rosto dela.

— Ah, você sabe. Você vive rodeado de modelos, mas nunca é visto saindo com nenhuma delas. E a sua aparência é, bem, sabe, okay. Você é meu irmão, não é nada além da sua obrigação ser bonito, afinal. Mas você rejeita todas as meninas que tentam se aproximar de você, e nunca demonstrou interesse em nenhuma. As pessoas notam essas coisas. Gostam de comentar. Ainda mais depois do escândalo que Shibuya e o Príncipe causaram aqui na escola… — Mariko fitava as próprias unhas, como se tivesse acabado de lixá-las. Falava com desinteresse, mas Masaki sentia o peso de cada uma das palavras que ela pronunciava cuidadosamente. — Seria uma vergonha total se nosso pai ouvisse qualquer coisa nesse sentido, você não acha? Ele iria no mínimo expulsar você de casa. Você lembra o que ele falou quando eu contei sobre o Príncipe, não lembra?

Masaki fechou os olhos, tentando não lembrar, mas as palavras que ouviu naquela noite, na mesa de jantar, pareciam marcadas a ferro na sua memória. Ele não ousaria repetir aquele discurso inflamado e cheio de ódio que ouviu do seu próprio pai, porém, mesmo que não fossem dirigidas a ele diretamente, aquelas palavras feriam. Sua mãe também não era diferente, e tinha muito comentários mordazes a fazer sobre o assunto. Desde o ocorrido, estava muito empenhada a arrumar uma forma de pressionar a escola a punir severamente os alunos pelos comportamentos inapropriados que andavam protagonizando.

— Chega. — Ele se levantou de súbito, enfiando o celular de volta no bolso, aproximando-se da garota. Sua presença pareceu tão ameaçadora por um segundo que Mariko precisou recuar um passo. — Quando?

— Sábado de noite… — Ela respondeu. Não esperava conseguir uma reação tão rápido. — Nós vamos no karaokê primeiro e depois…

— Não interessa. Eu vou com você, distraio a sua amiga, voltamos para casa, e não falamos mais nisso. Entendeu?

O sorriso de Mariko se alargou, mas Masaki não ficou ali para ver isso, nem esperou por qualquer agradecimento — até porque ele sabia que não viria. Afastou-se dali, percebendo que o grupo de garotas que andava com sua irmã ainda estava ali, não perto o suficiente para ouvir a troca amistosa de palavra entre os dois, mas observavam a tudo atentamente, cochichando entre si. A tal amiga que ele deveria distrair durante o goukon deveria estar ali também. Masaki não se importou em olhar.

O celular vibrou, no seu bolso, e Masaki sentiu seu coração acelerar. Sua cabeça latejou, lembrando a ele o quanto o universo o detestava. E não havia nada que ele pudesse fazer quanto a isso.



~



Despistar Yuuri havia sido mais fácil do que Wolfram esperava.

Não que ele tivesse qualquer coisa a esconder, claro que não, mas ele não queria revelar seus planos tão cedo, antes de ter certeza absoluta sobre o que estava fazendo. A chuva que começou a cair no início da tarde frustrou seu planejamento de ir buscar informações quando a aula terminasse, e Yuuri fosse para o treino de baseball. Sem perspectivas do clima melhorar, e com a prática cancelada, Yuuri e Wolfram acabariam voltando para casa juntos mais tarde, possivelmente dividindo um guarda-chuva, já que Yuuri sempre esquecia de trazer o seu.

Nesse caso, Wolfram precisou improvisar, e, durante o almoço, aproveitou que Natsume e Miyako haviam resolvido aparecer para importunar… quer dizer, fazer uma visita. Mas ele não podia reclamar, já que isso deu a ele a oportunidade que precisava para escapar, e ninguém pareceu desconfiar quando ele se levantou para ir ao banheiro, durante um animado debate entre Yuuri e Natsume sobre jogos online obscuros que ele nunca havia ouvido falar.

Encontrar Gunter na escola foi um desafio à parte, já que ele não estava na sala dos professores e nem em nenhum outro lugar onde deveria estar, até que Wolfram desistiu de procurar a esmo e parou o primeiro grupo de garotas que pareciam mais ou menos confiáveis para pedir informações. Elas pareciam absolutamente extasiadas por ele estar falando diretamente com elas, mas Wolfram ignorou isso, e foi informado que Gunter deveria estar em alguma das salas de artes do terceiro andar, já que ele era coordenador de alguns dos clubes.

Como esperado, encontrou o professor em uma das salas empoeiradas e atulhadas de materiais e trabalhos em andamento, em meio à esculturas feitas por alunos. Wolfram entrou na sala, não sem antes dar uma discreta batida na porta aberta com os nós dos dedos, acordando o homem do estado de hipnose no qual ele parecia estar condicionado

— Oh? Oh! Wolfram von Bielefeld! — Assim que percebeu que estava acompanhado, Gunter pareceu inflar, e até seus cabelos pareciam mover-se, embora não houvesse qualquer brisa no local. Ele abriu os braços e um sorriso na direção de Wolfram, que, em resposta ao sinal automático de perigo, recuou de volta ao batente da porta. Gunter parou exatamente à sua frente, ainda sorrindo, juntando as mãos em um gesto de prece. — A que devo tão honrada visita? Finalmente decidiu atender ao chamado da arte, e vai se juntar ao nosso glorioso Clube de Artes?

— Não é isso. Eu só… queria falar com o senhor sobre um assunto. — Wolfram começou a falar, mas foi logo interrompido por outra interjeição de surpresa.

— Não me diga que está com algum problema?! — O rosto de Gunter se alongou em exagerada preocupação. — Está com dificuldades para se adaptar ao país? Ah, não, isso não pode ser, você já está aqui há quase um ano! Está com problemas amorosos? Gunter-sensei está aqui para ajudar no que for necessário! — Gunter mais uma vez não deixou Wolfram falar, e já foi logo puxando-o pelo braço, arrastando um dos bancos próximos às bancadas de trabalho, e, espanando a poeira de argila e massa plástica presente na sala inteira, colocou Wolfram sentado ali logo depois.

Finalmente, posicionou-se em pé na frente do seu aluno, com as mãos unidas em forma de triângulo e os dedos tamborilando, ansiosos, esperando que ele começasse a falar. Aparentemente, alunos buscarem sua ajuda era um acontecimento de importância sem precedentes.

— Bem, não é exatamente um problema, eu só estou com uma dúvida. — Ele respirou fundo, sentindo o cheiro de tinta daquele local, e já sentindo-se cansado antes mesmo de começar a falar. Gunter aguardava com expectativa. — Sobre o tal Festival Escolar, ou melhor, sobre o comitê de organização do festival…

— Wolfram! Você está interessado em entrar no comitê? — Güunter agarrou as mãos de Wolfram sem cerimônia, os olhos brilhando imediatamente com a perspectiva. — Oh, isso me deixaria tão alegre! Finalmente! Enfim, alguém compreendeu o mérito e a magnitude da paixão juvenil que move o Festival Escolar do Colégio Shin’ou e atendeu ao meu suplicante chamado! O posto de Presidente do comitê de organização já é seu! Não existe figura mais adequada para essa posição, sem sombra de dúvidas! Nós podemos iniciar imediatamente com…

— Não, espera! Eu não disse isso ainda. Eu só queria saber… como funciona. — Ele afirmou. Gunter parecia prestes a entrar em processo de combustão espontânea, tamanha sua empolgação. Wolfram já começava a duvidar se essa havia sido realmente uma boa ideia.

— Claro, claro! Que cabeça a minha, eu nem ofereci explicações! — Gunter olhou ao redor, como se buscasse por algo. — Primeiramente, precisamos de um… — Ele passou as mãos pelo seu terno, procurando por alguma coisa nos bolsos.

Agitou-se, andando de um lado para o outro, murmurando algo para si mesmo, até apontar para o outro lado da sala onde havia uma bolsa marrom em cima de uma mesa. Voou para ela como uma águia, abrindo-a e revirando seu interior até encontrar o que procurava, erguendo no ar uma pasta de documentos com um grito triunfante. Voltou para Wolfram em um instante, afobado e extremamente extasiado.

— Aqui! — Ele abriu a pasta com uma das mãos, enquanto retirava alguns papéis e entregava-os para Wolfram. — O formulário de inscrição, e aqui, algumas instruções. — Ele apontou para os itens com os dedos longos, mal contendo sua euforia. — Não há urgência em me entregá-los, mas,quanto antes fizer, mais rápido poderemos dar continuidade ao planejamento. E, ah, há muito o que planejar! Sim, sim, os alunos estão bem desorganizados, e, mesmo que ainda haja um período razoável de tempo disponível, nunca é cedo para começar. Mas não quero assustá-lo, não, absolutamente não! — Gunter balançou as mãos e soltou uma risada contida. Era óbvio que se a intenção era não assustar o estudante, ele havia perdido no primeiro segundo de interação.

— Eu vou… levar isso e preencher. — Wolfram respondeu, erguendo-se da banqueta e já avançando em direção à porta, antes que Gunter o arrastasse para outra espiral de loucura. Ele ainda não estava conseguindo processar o que havia acabado de acontecer, inclusive. — E os outros integrantes do comitê, alguém já se inscreveu, ou os professores vão indicar?

Gunter soltou uma risada, daquele jeito que as pessoas riem quando não querem dar uma notícia devastadora. Wolfram temeu sinceramente pelo seu futuro. Sentia que estava segurando nas mãos um contrato que vendia sua alma.

— Sobre isso, veja bem, Wolfram-kun… Você foi o primeiro a se inscrever, de fato! — Gunter ergueu as mãos em comemoração, como se estivesse dizendo a Wolfram que ele havia ganhado um prêmio. — O que faz de você, automaticamente, o Presidente do comitê, é claro. Ou seja…

— Ou seja?

— A responsabilidade sobre novos integrantes para o comitê é sua, agora. — Ele ainda sorria, e Wolfram não entendeu por que ele parecia tão apreensivo. Até que as palavras, aos poucos, fizeram sentido, e ele percebeu a implicação que elas traziam. — Você terá que recrutar pessoas, Wolfram, para trabalhar com você. Pode escolher quem quiser! Se forem seus amigos é ainda mais fácil, não é? Tenho certeza de que você conseguirá membros suficientes rapidamente, é só chamar colegas com quem você tenha um relacionamento mais próximo.

Ah, claro, isso seria ótimo. Muito fácil. Se Wolfram de fato se “relacionasse” com alguém naquela escola.

O loiro tentou formular uma resposta, mas só conseguiu gaguejar algumas sílabas sem sentido. Como faria para explicar a Gunter que ele preferia fazer toda a organização do Festival sozinho a ter que chamar pessoas aleatórias para dividir as tarefas com ele? Provavelmente isso renderia mais discursos sobre “valor da amizade”, “juventude”, e outros exageros como esses, os quais Wolfram não estava com a menor vontade de ficar ali para ouvir.

Ele concordou com um menear de cabeça, apenas, sem qualquer solução para aquele aparente problema. Gunter sorria como se já não tivesse preocupações no mundo; mas as de Wolfram estavam só começando.

Notas finais
Bem... é isso pessoas o/ Espero que tenham gostado do capítulo e estejam ansiosos pelo que está por vir~ Eu amo muito essa fanfic e ela é uma parte muito importante da minha vida (inclusive, ela está presente, de certa forma, até no meu tcc...) e eu realmente não gostei de ter que ficar tanto tempo sem escrever, mas foi necessário. Senti tanta falta de escrever que vocês não tem noção.. MAS agora to de volta, e é pra valer o// Cheia de projetos pra um futuro próximo (espero) Apenas aguardem ;) Espero que entendam o motivo pela demora, e aguardem pelas próximas atualizações, porque elas virão! Dessa vez é sério XDD Muito obrigada, e até a próxima ♥