Sonic The Hedgehog: Outside N'Counter
40 Nuances de Mobius
Notas iniciais
As últimas horas em Mobius trouxeram consequências e decisões em todos os lugares. Sob esse mesmo efeito, até mesmo em outra dimensão, o Reino do Sol, defendido pela princesa Blaze, também sofre com os avanços do clã equidna Nocturnes.
Mas antes, vejamos o que ocorre em uma outra parte do tempo, mais precisamente em:
Mobius, no futuro...
Base secreta dos Guerreiros da Liberdade | noite
Após uma viagem longa de volta a base, os Guerreiros da Liberdade, que era formado pelos irmãos ouriço Ridge e Racer, Mera-li Equidna, Silver Ouriço e, como líder, Dust Híbrido, agora tinham uma nova membra no grupo: Sarah Acorn. A esquilo foi encontrada no meio da Floresta Fantasma de Knothole e resgatada por Silver após uma luta psicológica e psíquica contra a Névoa das Memórias Esquecidas. Vitorioso, isso fez com que o selamento que mantinha Sarah Acorn livre da influência psíquica da Névoa definitivamente, a mostrando a real situação que estava: Mobius estava desolada, diferente do que imaginava. O tempo que a esquilo ficou alí era desconhecido.
Reunidos a mesa de reuniões da base, Dust Híbrido, como sempre, não estava de bom humor.
— Nossos esforços novamente trouxeram a mais um fracasso... e isso me irrita profundamente.
— Pelo mesmos agora temos uma nova aliada – Disse Silver, sendo otimista.
— Acho que já deixei claro minha opinião sobre isso no caminho de volta... e também me irrita.
— Ok... Eu já sei que não temos tantos mantimentos, mas... Olhe só: agora o time tem mais membros. A quanto tempo vocês não conseguiam novos?
— Metal Sonic havia sido o último antes de você. Só que robôs não necessitam de alimentos.
Sarah Acorn, que estava arrumando seu cabelo, disse:
— Eu também não, esqueceu?
— Hm... É verdade... Que aspecto curioso...
Desta vez Mera-li tomou a palavra:
— Dust, o que faremos agora? O último lampejo que tínhamos era esse sinal de energia cósmica...
— O que sempre fizemos, Mera-li: rastrear. Como agora temos um “aparato altamente treinado” para cuidarmos, poderemos aumentar o nosso alcance de investigação.
A forma como Dust passou a informação deixou Silver incomodado:
— O que quer dizer com “aparato altamente treinado“? Você falando assim é como se não confiasse na gente!
— Estou sendo sarcástico, ouriço ignorante. Tínhamos uma linha de investigação fixa, onde nossos sensores buscaram a tal energia cósmica que tanto necessitamos para que enfim coloquemos nosso plano em ação e só conseguimos frustrações.
— Temos a Sarah no nosso time agora!
— Hm... Isso deveria ser a resposta dos nossos problemas? Com o devido respeito...
Só que a esquilo não gostou do que ouviu:
— Você é o líder...
— Sou sim... Mas o que quer com essa obviedade?
— Uma pessoa com sua função deveria saber lidar com seus amigos... e principalmente com novos membros de sua equipe!
— Senhorita... Eu não tenho absolutamente nada contra você. Entretanto, só temos mais uma mente para pensar e zero ideias para pôr em prática. A energia de nossos sistemas é racionada para que nos mantenhamos vivos e anônimos ao que “não pode ter o nome dito”.
— Hã?! Mas... O que ou quem é esse aí?
Silver, irritado, disse a Sarah:
— Ninguém sabe...
— O que? Vocês não sabem quem é o vilão?
— Desde que eu cheguei aqui no futuro, eu... – Ele foi interrompido por Dust.
E essa interrupção tinha um propósito, o qual o híbrido fez questão de dizer:
— Não esconda dela sua parte da culpa.
— Como é?! – Disse Sarah, olhando para Silver.
O ouriço prateado não demorou para dizer a esquilo sobre o fato. Não foi fácil, já que precisou escolher bem as palavras.
— Eu sou um viajante do tempo, Sarah.
— Viajante? Mas como isso é possível?
— Eu usei as Pedras do Tempo para voltar ao passado.
— Pedras do Tempo?!
— Sim... Meus antigos mestres, Edmond e Mogul, me ajudaram nisso... Só que eu fiz tanto isso que o futuro mudou para o que temos hoje.
— Espere... Tudo que aconteceu é porque você mexeu com o passado?
Dust deixou isso mais claro:
— Não só mexeu com o passado: o presente dele, que já era o futuro, também foi alterado, fazendo o que temos hoje. As ações totalmente irresponsáveis de Silver não só mudou o “seu presente/futuro” como modificou as linhas do tempo de toda a existência.
— O Silver... fez isso?! Não... Isso não pode ser verdade!
Todavia:
— O que ele disse é a verdade, Sarah.
— Silver...
— O que eu fiz acabou com tudo. Tudo que está acontecendo agora não tem como saber, mas o que causou tudo isso foi por minha culpa... e eu lamento por isso.
— Silver... – Disse, o abraçando – Não fique assim, calma...
Só que Dust Híbrido era muito implacável, então:
— Eu não sabia que você era uma pessoa tão complacente com falhas dos outros...
— O que você quer dizer com isso?
Racer deixou bem claro:
— Ele tá falando que você tá passando pano pras melecas que o prateado aí fez.
Com essa breve explicação, Sarah Acorn entendeu a mensagem. Só que Dust não havia terminado.
— Por isso, agradeça a Silver pela vida desagradável que todos nós temos.
— Eu vou agradecer sim, mas não por causa disso!
— O que quer dizer?
— Eu não sei os motivos que o levaram a fazer o que fez. Minha tia uma vez me disse que você não pode mudar o passado porque já virou história. Então você tem que saber lidar com o que tem pra não destruir o futuro que espera.
— Sábias palavras, mas que Silver não teve quem a dissesse antes de destruir as linhas do tempo.
— Serve sim! Serve muito pra ele e todos aqui seguirem agora!
— O que?
Nesse espírito, Ridge, que era o mais calado da trupe, ousou em jogar isso contra o ceticismo de Dust.
— Tu ouviu a Sarah, líder... Mais transparente que isso só se tirar uma radiografia!
— O que quer, Ridge? Não me diga que está no lado do Silver?
— Lado? Você deve estar brincando... Aqui não tem lado. Só tem pessoas tentando fazer alguma coisa pra achar uma solução. A meleca já foi feita, não dá pra apagar. Então vamos focar num plano com o que temos AGORA!
O grito do ouriço agiu como uma provocação ao híbrido, que o olhava com irritação. Mas Ridge não parou:
— Temos que bolar um plano pra achar essa fonte de energia que tanto diz! Suponhamos que Silver tenha falhado na missão... – Ele olhou para Silver em seguida – Quantas vezes você voltou ao futuro nas tentativas de mudar o passado?
— Ah... Bem... Acho que umas três vezes. Mas porque?
— Calma... Vamos devagar... Me diga: sempre que você voltou, Mogul tinha as Pedras do Tempo?
— Sim... E eu também. Carregava uma delas para enfim voltar, mas porque está me fazendo essas perguntas.
Mera-li entendeu o que Ridge estava fazendo.
— Investigação se começa por entrevista. Você foi o único, além do Metalzin, que viajou pelo tempo. O seu futuro sempre se manteve o mesmo até chegar aqui nesse...
— Exato... – Disse Ridge, concluindo – Então você sempre retornou segundos após voltar do passado. O que você fez por lá nessas tentativas frustradas não alterou nada! Com certeza o que houve na última vez trouxeram mudanças.
— Mas eu não fiz mudanças. Na última vez eu estava junto a Sonic e seus amigos para achar o suposto traidor! E a princesa Sally era um robô que o Sonic tentava trazer de volta. Após a nossa luta contra Eggman e ela, eu retornei num piscar de olhos, mas...
— Mas? Diga logo! – Desta vez era Dust, impaciente.
— Uma luz misteriosa... Ela brilhou momentos antes... Eu não sei o que significa, já que nunca havia acontecido antes. Após isso, acordei em Neo Mobotrópolis...
— Resumindo: nada a acrescentar. Vê, Sarah Acorn? Isso é tudo que ele tem a oferecer... Mas o agradeço por tê-la salvado... apesar de que provavelmente você estava onde estava por culpa de Silver.
A esquilo não gostou de como Dust colocou as palavras. Mas ela estava convicta demais para cair na falácia do líder dos Guerreiros da Liberdade.
— Eu não conheço Silver o suficiente e nem sei o que aconteceu nisso tudo, mas tenho certeza de que ele teve a melhor as intenções...
— O que é insuficiente...
— Mas quero que saiba disso: eu devo a ele minha vida por ter me livrado daquela maldição. O mundo que estou agora em nada lembra o que eu idealizei, mas me sentir viva e acordada a realidade não tem preço. Se você está tentando jogar toda a culpa nele, então pode parar!
— Como Racer disse: “passar pano” para o que o ouriço fez tem novos adeptos.
Parecia uma nova provocação a Silver, como antes. Só que antes dele pensar em responder a altura, Mera-li o fez primeiro:
— Sim, Dust... Pode dizer isso de passar pano. Só que não se esqueça que Silver só está aqui por sacrifício de outros. Mogul, o que pensávamos ser o inimigo, doou suas últimas forças para proteger Silver e o Metalzin! E Edmond esperou por Silver... Ele era sua única família no futuro dele que não está mais caminhando nessa terra! Quer passar pano para as perdas dele também? Vai descer assim tão fundo?
Ridge concluiu:
— Dust, não vamos te repreender nem julgar sua posição de líder. Só que não tem como a gente admitir injustiças. Sei que você tá frustrado por termos falhado em conseguir a fonte de energia cósmica que tanto precisamos, mas pega leve. Todo mundo está no limite! Todos aqui teve perdas, até o Silver... e ele está segurando essa barra sozinho!
Dust olhou para sua equipe, os originais. O confronto de egos que tinha com Silver estava quase o fazendo perder o foco, dado sua irritação pelo que o ouriço desencadeou. Mas mesmo sua arrogância e imediatismo ainda não o cegou, o fazendo ser racional como sempre foi.
— Acho que lições foram aprendidas aqui. Entretanto... eu não irei pedir desculpas. Vocês podem cobrar de mim uma palavra mais concreta e honesta, o que eu apóio, mas não se esqueçam de que eu também tive perdas em detrimento das circunstâncias. Então não pensem que eu perdi a razão e me entreguei a emoção: vamos voltar ao nosso objetivo e esquecermos esses assuntos. São coisas pequenas perto do que precisamos fazer.
Uma atitude de líder, literalmente. Não demonstrou fraqueza, ao mesmo tempo que se mostrou compreensivo. Mas foi satisfatório, para com todos de forma integral, principalmente de Silver.
Todavia, enquanto todos estavam se acalmando, Metal Sonic, que só acompanhava a discussão passada, disse:
— Sensores da base ativados. Coordenada 0998.9975.7764.433. Quadrante norte de Mobius. Resultado: possível fonte de energia cósmica.
— O que? – Dust foi imediatamente ao monitor.
Aliás, todos o acompanharam, surpresos com o achado. A tela, realmente foi mostrado que havia sido rastreado uma pulsão de força ainda não identificada.
— O sinal... Ele é forte o suficiente pra ser uma possível fonte de energia cósmica!
— O que estamos esperando? Vamos nos preparar! – Disse Mera-li.
De uma discussão sem necessidade agora todos estavam compenetrados em seguir as coordenadas. A vontade de tentarem resolver essa questão de mudar como a história seguiu até aquele momento os impulsionou para tanto.
Mas durante esse movimento, Sarah foi até Silver, dizendo:
— Eles eram especiais pra você, não é?
— Hã?! Sarah... Mas do...
— De seus amigos. Esse tal Mogul e o Edmond... São esses os nomes, não é?
— Ah... Sim. Edmond era um ancião que cuidava de mim e Mogul... Ele era meu mestre.
— Sinto muito, Silver... Eu não sabia...
— Não, tudo bem... Eu já superei...
Não era o que parecia. Essa conversa tocou numa ferida que Silver pensava estar cicatrizada. Ele quase caiu em lágrimas, mas Sarah apertou sua mão tão forte que até o fez esquecer disso. E ela, demonstrando carinho, disse:
— Vou fazer preces por você essa noite. Minha tia era uma sacerdotisa e me ensinou que compaixão e luto são atitudes que nos fazem chegar a felicidade. Uma porque precisamos ter empatia e a outra pra sabermos que nada é para sempre. “Por isso vamos viver cada dia como o último...” foi o que ela me disse.
E ele, com um sorriso franco no rosto, retribuiu com um abraço, dizendo:
— Muito obrigado, Sarah. Estava precisando disso desde que tudo isso aconteceu.
— Estarei sempre a seu lado... e no seu lado!
Uma aliança criada. Era isso que Sarah e Silver traçaram alí. A amizade novamente unindo forças.
Voltando ao presente, mais precisamente no...
Reino do Sol | Meio da tarde
Como vimos no último capítulo, a gata pirotécnica junto a sua pupila e nobre duquesa Moon, tentam a todo custo proteger a última Esmeralda do Sol de Prisma, ouriço púrpura com poderes elétricos diferenciados (eram condensados, ou seja, possuíam volume e peso, além de suas naturalidades) e, como recurso inesperado, absorver chamas para nutrir seu poder.
Dedicada a fazer o que for possível para manter a última Esmeralda do Sol longe das mãos de Prisma, Blaze convocou a Moon e pediu ajuda a V para enfim seguirem até Terrestra, continente que abrigava o Templo de Solaris, para reaver seus poderes mediante um pedido ao Cetro das Jóias, artefato místico que atende a desejos dos nobres e humildes. Blaze é a única em todo Reino do Sol que tem essa honraria máxima. Com seus poderes pirotécnicos de volta, ela terá mais habilidades para conter a invasão Nocturnes e combater Prisma, ainda que isso seja muito arriscado por causa do poder de absorção da ouriço púrpura com asas metálicas de morcego.
Dado isso, a fuga pelo oceano, embarcados ao Tornado do Mar, foi bem conturbada. Mas a inesperada ajuda dos Hooligans deu uma boa vantagem.
E dentro da cabine da capitã Marine, eis que uma conversa ocorria. Lá estavam ela, Blaze e o infame Nack Fuinha.
— Então as coisas em Mobius estão ruins como em nossa dimensão... – Disse Blaze, tomando chá.
— A relação daquela miserável ouriço púrpura com os Nocturnes com certeza tem a ver com as esmeraldas do caos e suas esmeraldas do sol... – Nack completou o raciocínio.
— E eu estou mesmo de olho no senhor, Nack! – Marine sendo irônica.
— Como é? O que você quer comigo, pirata pirada?
— Como você chegou até aqui?
— Sei lá... Um portal lá em Mobius durante a explosão da base daquela equidna maloqueira deve ser a resposta que você quer! E vocês já estão com muita vantagem de me ter como aliado, mesmo que contra a minha vontade!
— Sei... Aham... Eu acredito...
Blaze, aproveitando, perguntou ao fuinha:
— Sua cooperação será recompensada.
— Ah vá... Você acha que tá falando com um otário, não é? Mas última vez que me disseram isso, tentaram me “recompensar” com um convite pra fazer parte da patota dos Nocturnes em Mobius. Isso não paga minhas contas!
— E você insinua que eu sou como esses indivíduos baixos como os que se referiu... Irei lhe recompensar com bens monetários.
— GAH?! VOCÊ TÁ FALANDO SÉRIO?! – Nack chegou a arregalar os olhos.
— Aquele seu tiro... Acho que pelo ato e pela destreza, você já faz por merecer. Estou sem minhas chamas, limitada a minha velocidade... Eu não poderia fazer melhor. Sou justa para com os que fazem gestos altruístas...
— Pera lá, Blaz... Digo, com permissão, vossa excelência princesa Blaze... – Marine tomou a palavra – Esse desgovernado aí tá fazendo tudo isso pra salvar a própria pele! Ele não é o bonzinho nem aqui nem em Mobius!
— Mas se não fosse por sua ajuda, Moon poderia estar machucada. Seus poderes psíquicos ainda não foram devidamente desenvolvidos pois está em treinamento. Então...
Nack, que estava sorrindo, disse:
— Tomou, papuda? Chora mais aí!
— Como é que é? Tu tá falando com a capitã desse navio! Quer andar na prancha, mandrião lazarento?
— Você ouviu a moça! Então abaixa o tacho e para de chorar!
Nack era o típico mercenário que faria tudo pra se safar das suas. Seus escrúpulos tinham o limite de até onde lhe pagavam, já que algumas coisas que eram pessoais ele fazia absolutamente de graça. Blaze não teve um vislumbre em acreditar que de fato tudo havia mudado e por isso colocou os pingos nos is: ela se aproximou de Nack e, o olhando com fúria nos olhos, disse:
— Algo devo dizer a você, Nack Fuinha: eu sou uma princesa e tenho súditos a proteger e um nome a zelar. Tudo que eu disse a você será cumprido contanto que faça exatamente o que eu disser. Mas esteja certo que se de alguma forma, seja ela grande, média, pequena ou insignificante, você recuar, fugir, trair ou machucar qualquer um de meus aliados, pode ter certeza de que terão muito trabalho para encontrarem seus pedaços... Você entendeu?
Ele estava amedrontado, chegando a engolir seco. Marine, com um sorriso sarcástico, não pode perder a oportunidade:
— Ouviu, papudo?
— Ora, cale-se!
— Vacila só um tiquinho pra você ver... Vai virar quebra cabeça!
No fim, Blaze queria garantir que nada iria atrapalhar sua viagem. E ela, enquanto tomava o chá e observando os dois discutirem, pensou:
— *Em breve terei minha força recuperada totalmente. Prisma é poderosíssima e precisa ser parada o quanto antes. Ah... Eu realmente queria ter meios de entrar em contato com Sonic. Mais do que nunca precisamos novamente unir nossas forças. O inimigo é forte, ouriço... Esteja onde estiver, tome cuidado...*
A união passada entre os dois ainda mantinham um elo. Mesmo distantes, Blaze tinha muito respeito a Sonic. Entretanto, só ema no momento sabia das duas fases do clã equidna Nocturnes. Prisma era uma ameaça tanto quanto Shade.
A história estava apenas começando.
Voltando aos assuntos de Mobius...
Todos sabem que os Lutadores da Liberdade, assim como os Secretos, retornaram com muita dificuldade a Nova Mobotrópolis. Sally foi hospitalizada após mais um de seus surtos mentais que tanto a atormentam desde que retornou da robotização, Sonic partiu em uma missão de reconhecimento e obtenção de informações, Knuckles e Lien-Da entravam em acordo... Bem, ninguém estava parado.
Elias Acorn, rei de Nova Mobotrópolis, após quase desabar em perdição por ter deixado Vicent e Geoffrey para trás, foi encorajado pelas palavras francas e honestas de Nicole. Ele então decidiu reagrupar os Lutadores da Liberdade Secretos para retornarem em breve para Soumerca, continente ao sul de Mobius, para enfim os encontrarem. Sem perder as esperanças, Elias decidiu tudo no mesmo momento e, para manter a discrição, talhou a todos que mantivessem seus ritos diários para não chamar atenção e, principalmente, não dizerem o que houve aos dois.
Entretanto, a Sra Betina entrou preocupada no QG dos Lutadores da Liberdade, dizendo:
— O Vicent não voltou pra casa ontem! Eu... Eu estou preocupada! Por favor, me ajudem!
E assim, nesse cenário incerto, começamos os eventos em Mobius.
QG dos Lutadores da Liberdade | Manhã
— Nossa! Sra Betina... Acalme-se!
Amy Rose, que estava arrumando a base junto com Cream, tratou de tranquilizar a Sra Coelho. Sentada em uma poltrona, rapidamente Cream a serviu com chá.
— Sra Betina... Tome. Vai ajudá-la a ficar mais calma.
— Obrigada, pequena...
— Quando foi a última vez que teve contato com o Vicent, senhora? – Perguntou Amy.
— Ontem de tarde. Ele disse que iria treinar com o Sr Amadeus Prower.
— Ué... Mas a senhora foi até ele?
— Sim, ontem mesmo... Mas a Sra Prower disse que ele havia saído.
— E será que o Vicent não está com ele então?
— Ela disse que não... já que o Sr Prower saiu sem estar acompanhado.
Isso meio que ligou um sinal de alerta na mente de Amy, que tentava achar uma ligação.
— Vicent que que iria treinar com Amadeus... Aí ele some ao mesmo tempo que o pai do Tails saiu de Nova Mobotrópolis... Tá, pra onde ele foi, a senhora sabe?
— A Sra Prower disse que seu marido foi para as montanhas ao norte. “Averiguação de área“ ela disse...
— Hum... O Vicent não foi visto mais depois disso... Estranho...
— O que está pensando, senhorita?
— *Está mesmo estranho essa situação... E eu estou sentindo uma vibe carregada disso tudo. É como se algo me dissesse que o Vicent está em perigo...*
— Senhorita Amy Rose?
— Ah... Oi, Sra Betina...
— Você ficou calada. Está até me assustando... O que houve?
— Ah... Nada, nada não... É que... Bem... AH LEMBREI!
Amy teve um raciocínio rápido para remediar a situação.
— Nicole, está me ouvindo?
Instantaneamente a lince holográfica apareceu a sua frente, dizendo:
— Sim, Amy. O que... – Ela subitamente olhou para quem estava alí e se surpreendeu.
Como inteligência artificial extremamente avançada, praticamente sendo um ser vivo de verdade, Nicole já imaginou o pior:
— *A Sra Betina com certeza está preocupada com o Vicent! O que vou fazer?*
— Nicole, você poderia rastrear o Vicent na cidade? A Sra Betina disse que ele não dormiu em casa...
— A-agora mesmo, Amy....
Não havia muito o que fazer, já que ela sabia de toda a história. Porém ela precisava ganhar tempo para Elias e os outros, então:
— Não o encontrei, Amy.
— Como é?!
— Ele não está na cidade... Mas recebi uma mensagem ontem antes de perdermos a comunicação na cidade...
— Ora... – A Sra Betina tomou a palavra – E o que ele disse?
E a tela, Nicole mostrou a mensagem:
“Reporte extraordinário
Averiguação da floresta
Equipe presente:
Amadeus Prower (Eu) e Vicent Pierre
Objetivo:
treinamento e reconhecimento.
Equipamentos utilizados:
barraca de camping (2)
martelo (1)
cordas (4)”
Isso trouxe um pouco de alívio a coelha, mas:
— Então eles saíram... Mas não há como se comunicar com eles pra saber como estão, Nicole?
— Infelizmente não, Sra Betina. Mas fique tranquila pelo menos até que eles retornem.
— Mas todos nós sentimos o tremor de terra e aquele clarão! Eles podem estar em apuros!
Enquanto a conversa entre as duas ocorria, ao fundo Amy, junto com Cream, achava a situação fora do normal.
— Hm... Porque Amadeus levaria Vicent pra fora de Nova Mobotrópolis para treinar?
— Talvez o Sr Prower quisesse mostrar como é fora da cidade, senhorita Rose.
— Talvez, Cream... Talvez. O que não faz sentido é que saímos em missão e ele deixou a cidade no exato momento que se mais precisava de pessoas como ele pra proteger aqui.
A estranheza ficou no ar por parte da ouriço rosa, como também deixou Nicole numa situação crítica, já que estava mentindo em prol de um bem maior. Mas ela, por ser uma IA, tinha um peso absurdo em fazer isso.
— *Me perdoem, por favor... Por mais que eu não goste de mentir, desta vez é para proteger todo mundo!*
As coisas só se tornavam mais complicadas. Não só na cidade de Mobotrópolis, pois...
Enquanto isso...
Continente de Soumerca
País Maravilhoso | Meio da manhã
Como vimos no último capítulo, Geoffrey e Vicent haviam sido capturados pelo povo felino chamado Felidae. Após se salvarem da morte certa na Mystic Ruins, pelo visto estavam muito longe de estarem seguros.
Pois bem, eles estavam presos pelos braços, estando de joelhos. E nessa posição nada agradável, lá estava Hathor, a rainha dos Felidae. Todos estavam no antro mais nobre da aldeia: sala do trono. E com a rainha sentada a ele, ela logo Indagou:
— Porque invadiram nossas terras? RESPONDAM!
Como esperado, quem respondeu foi Geoffrey.
— Estávamos procurando minha lente de contato. Só isso.
— O que?! OUSA TRIPUDIAR DE MIM, INVASOR?
— Tá... Como se você fosse acreditar na verdade...
— TRATE DE RESPONDER A PERGUNTA!
— Ok, rainha... Não invadimos sua terra! Só estamos aqui por acidente. Eu e o overlander aparecemos na floresta de Soumerca logo depois da gente se salvar!
— MENTIRAS INFUNDADAS!
— Viu só? Você não estava preparada para ouvir a verdade...
— BASTA! – Disse, olhando para os dois com repugnância – Dois trastes invasores como vocês não merecem misericórdia... por dizerem mentiras!
— E o que a “vossa realeza” imagina que seja?
— Como todos os invasores que ousam pisar em nossas terras... VOCÊS NUNCA TERÃO UM MÍSERO GRÃO DE AREIA!
— Eu concordo com você. Solte a gente e prometo nunca mais pisar aqui! Estamos conversados?
— CALE-SE, USUPADOR! Vocês vieram de longe... Não existe porquê virem até aqui, invadirem País Maravilhoso por uma simples casualidade! Deverão pagar por essa ofensa ao meu povo! – Ela então olhou para sua embaixadora, dizendo – Tragam os guerreiros com suas lanças. Hora de extinguir a vida dos invasores!
Não havia muito o que dialogar com Hathor. Ela era xenofóbica demais para dar ouvidos a estrangeiros, seja eles quem são. Talvez Sonic ou a princesa Sally teriam ao menos alguns minutos para se explicarem, mas por eventos passados eles “conquistaram” essa confiança da rainha dos Felidae. Tão certo disso, Geoffrey disse:
— Danou-se, Vicent... Acho que cair na lava seria um fim mais agradável.
— Como é que você diz um negócio desses?!
— Essa rainha aí tem a empatia de uma pedra. Ou seja, ela é dura por todos os lados... Hora boa pra você explodir em fúria e dar uma de herói outra vez, sabia?
— Eu não tenho energia pra ativar o poder da pedra. Dr Quack disse que se eu usar além dos 0% eu posso morrer...
— Ah legal... Então isso é um game over daqueles.
— Como é? Não... Nem pensa em dizer isso! – Vicent , irritado, gritou – Aí... UM MOMENTO!
Se a rainha já era empática o suficiente, ela então ficou furiosa com a forma que fora tratada com esse grito.
— SILÊNCIO, INVASOR! Pior que esse jaratataca ousar pisar em nossas terras, overlanders são ainda mais odiosos!
— Muito bem... Peço humildemente desculpas para como a tratei, Vossa Majestade Rainha Hathor. Sei de minha posição e situação no momento...
Geoffrey também percebeu que essa atitude de Vicent, de adruptamente ser cortês com a felina, a fez mudar seu semblante. Ele, cochichando, perguntou:
— Vicent, o que você está fazendo?
— Tentando salvar a gente...
— Salvar? Se você confrontar ela mais, pode ter certeza de que vai desejar ter sido morto pela lança. Você vai piorar a situação!
— Tem uma ideia melhor? Você já estava desistindo...
— Eu sou um agente secreto. Ia pensar em uma forma nada ortodoxa mas que poderia nos salvar. Eu nunca desistiria até minhas forças se esgotarem de vez! É a vida da minha esposa que está em jogo!
— Então guarda para o plano B, porque eu já estou com o plano A... o que vai livrar a frente de um fim trágico.
— Que plano? Eu não posso arriscar tudo assim! Tenho muito em jogo, Vicent!
— Tudo bem... Então confia em mim. Faz essa aposta!
— Você vai jogar essa pra cima de mim agora?
— Geoffrey... Eu sei o que estou fazendo.
— Tudo bem então. Faça o que você acha que deve fazer... e boa sorte.
Hathor então se levantou de seu trono, indo em direção aos dois. E ela, olhando para o garoto, disse:
— Overlander, responda: o que vieram fazer em País Maravilhoso?
— Vossa Majestade, fomos trazidos aqui. Com o devido respeito.
— Está desafiando minha inteligência, é isso?
— *Não fiz bem em ter falado assim. Tenho que mudar a postura...* — Vicent precisou intervir – Digo, Vossa Majestade... Involuntariamente fomos conduzidos até seu respeitável pais. Não há interesses por nossa parte de nenhuma de suas riquezas ou qualquer posse que a ti pertença ou a seu povo.
— Hm... Você sabe argumentar. Continue.
— Como dizia meu instrutor e amigo, Vossa Majestade, só estávamos vagando pela floresta para fugir do templo aqui perto...
— Mystic Ruins. Creio que suas descobertas trouxeram males pelo nosso solo. Os tremores agora cedo foram sentidos naquela direção...
— Precisamente, Vossa Majestade.
— O que de fato ocorreu? Foram os causadores da ira de Onyx, acreditamos todos os Felidae...
Hathor estava fazendo perguntas mais pontuais, ao contrário de como falava com Geoffrey. E isso trouxe preocupação ao ex agente secreto do reino Acorn:
— *Você ficou louco, Vicent? Está dando a ela tudo que quer assim...*
E a conversa continuou. Vicent respondeu:
— Vossa Majestade, fomos até lá para investigarmos. Estávamos atrás de respostas do paradeiro da esposa do meu instrutor. Mas esse é um dos problemas pois há um maior...
— Um problema maior? Do que se refere? Continue!
— Os Nocturnes, Vossa Majestade.
Geoffrey quase surtou:
— VOCÊ PERDEU O JUÍZO, VICENT?
Esse grito não ficou de graça: a própria rainha se apossou de uma das lanças de seus guerreiros, a apontando para Geoffrey. Ela, irritada, disse:
— Qualquer outra interrupção sua e eu mesma darei um fim a sua estadia nessa terra... Entendeu? – E ela não recolheu a lança, olhando para Vicent em seguida – Continue, overlander.
— Os Nocturnes são um clã equidna que tem pretensões bem nefastas, Vossa Majestade. Toda a minha equipe sofreu em suas mãos e recebemos ajuda até de inimigos para enfim fugirmos.
Tudo que Vicent dizia era a mais pura verdade e isso irritava Geoffrey mais e mais.
— *Ele está entregando tudo de mão beijada para essa ridícula! O que está passando na sua cabeça oca, Vicent?! O ruim que nem posso falar nada senão ela vai mesmo me matar!*
Hathor, para alívio do jaratataca, abaixou sua lança, a devolvendo ao seu súdito. Pelo que parece, antes ela tinha somente atenção ao que Vicent disse. Agora tem sua curiosidade. E ele, esperançoso e confiante, concluiu:
— Uma forte explosão ocorreu, quase deu fim a todos por lá. Se estamos aqui agora é por um milagre. Então, Vossa Majestade... Só estamos perdidos nessa floresta tentando voltar para onde viemos.
— Hm... – Ela voltou a se sentar em seu trono – Vocês lutaram bravamente por lá, presumo.
— Devidamente, Vossa Majestade. E estamos correndo contra o tempo para impedir os Nocturnes. Todos nós estamos correndo perigo.
— Exclua os Felidae dessa sua sentença. Somos maiores que qualquer povo em Mobius, mas se existe mesmo essa iminência por embates, preciso demasiadamente de comprovações.
— Eu compreendo, Vossa Majestade. Pelo pouco que vi, seu povo é auto suficiente.
— Exatamente, invasor... E acho que sei como podemos chegar a um consenso.
A movimentação na sala do trono deu uma ideia de que a rainha mudou de opinião quanto aos dois. Mas não antes ser mais formal:
— Diga-me seu nome, invasor.
— Vicent Pierre, Marquês do Reino Acorn.
— Marquês... Então tem um título real. Curioso... – Ela desta vez se dirigiu a Geoffrey – E você, pobre infeliz?
— Geoffrey St. John, ex agente secreto do reino Acorn e atualmente só sou um Zé ninguém... Não é um título pomposo, mas consigo estadia de graça no Castelo Acorn, só pra constar.
— Você fala demais...
— Peço desculpas por isso, “Vossa Majestade” – O tom que Geoffrey usava era de sarcasmo.
Hathor levantou sua mão, pedindo para que sua embaixadora se aproximasse. Geoffrey e Vicent as observavam, enquanto a rainha comunicava algo mais privado ao ouvido. O jaratataca, ainda suspeitando, disse a Vicent:
— Eu não sei o que está acontecendo entre elas, mas com total certeza foi da forma que você falou com a rainha dos Felidae.
— “Trate uma rainha como ela deve ser tratada”... O meu professor de diplomacia estava mesmo certo.
— O que você disse?
— Hathor é uma rainha que não gosta de intrusos. O mínimo que devemos fazer na frente de chefe de estado assim é ter respeito. Como viu, eu a tratei como ela queria... e com isso conseguimos nos mantermos vivos.
— Ah tá... Aí você acordou, não é?
— Ué... Como assim? Nós iríamos morrer e ela mudou de ideia.
— Hathor. Mudar de ideia. Você colocou essa duas coisas na mesma frase.
— Porque está dizendo isso?
— Aguarde e desconfie... Só dê tempo ao tempo e terá sua resposta. Tem coisa aí, Vicent... E eu acho que as lanças em si não era um mal negócio...
Mas do que Geoffrey estava falando? Vicent ficou o tempo todo repetindo isso em sua mente...
Enquanto isso...
Cidade de Nova Mobotrópolis
Conselho Acorn | Final da manhã
— Ótimo... Então assim damos por finalizada o conselho. A todos um excelente dia.
Essa era a última palavra do presidente do Conselho Acorn, o ex rei Maximilian Acorn, ou Max como era chamado com carinho pelos conselheiros. Ao fim das atividades, todos eles recolheram suas pastas e papéis, seguindo para mais um dia na cidade. Entretanto, caminhando em dupla, lá estavam Elias e tio Chuck. O assunto? A expedição de resgate a Vicent e Geoffrey, por mais que eles não soubessem de fato como e onde estavam.
— Hora de voltarmos a Soumerca, Sir Charles... – Disse Elias, cochichando.
— Já deu a notícia a sua família?
— Meg está cuidando do meu filho e Max e minha mãe tem um jantar para participar entre os serviçais do Castelo. Temos um bom tempo para irmos para lá.
— Sem o X-Cruiser será praticamente impossível conseguirmos ir e voltar a tempo. Cedo ou tarde irão descobrir tudo. Nicole me disse que a Sra Betina foi até lá no QG dos Lutadores da Liberdade perguntando sobre Vicent. Ela está preocupada...
— Temos mesmo que acha-los. Se houverem vazamentos de informação sobre isso, tenho certeza de que o conselho pode sofrer com a falta de credibilidade, justamente por eu ser o rei e estar passando por sobre as regras.
— Muito bem, mas como ir até lá e voltar no mesmo dia?
— Who me disse que iria trabalhar em uma solução... mas ele também perguntou se você sabe onde deixou o X-Cruiser lá em Soumerca.
— Eu sei sim... Mas o que isso tem a ver?
Podem ter certeza de que teria muito a ver, de fato.
E longe dali...
Sul do Continente
Ilha Lonely | Início da tarde
Localizada a mais de 200 km da costa do continente da cidade de Nova Mobotrópolis, a Ilha Lonely era refúgio a muito tempo do domínio de Eggman. Fonte de poluição, por lá havia a:
Base Avançada de Eggman
Sonic patrulhava o local. Era enorme, com vários drones sobrevoando e canhões lasers a postos para qualquer invasão. O ouriço, se esgueirando com cuidado e usando de sua velocidade para não ser visto, estava fazendo exatamente o que havia tratado com Sally.
— *Mano... Até agora a base tá de boa. Só que tá meio calmo, o que não é normal... Deve ter acontecido aquilo que a galera conversou no QG: a queda de comunicação foi geral!*
Conseguindo adentrar a base, Sonic conseguiu ver o que imaginava que iria encontrar: um esquadrão marchante de soldados do clã Nocturnes. Não só eles, mas membros marauders também, aqueles que tanto deram trabalho em Soumerca.
— *Ok... Parece que a torcida organizada dos Nocs estão mesmo dispostos a largar o aço. E são muitos, camarada...*
Conseguindo ir um pouco mais a fundo a base, Sonic também conseguiu observar alguns dos responsáveis pela manobra do lugar. A conversa seguiu a pino:
— Comandante marauder... Pelotão da tarde se apresentando.
— Ótimo. Cubram os quatro cantos da base... para não haver zona cega.
— Entendido, senhor. Mas e a comunicação?
— Até agora estamos sem nenhuma. O pulso eletro magnético danificou nossa aparelhagem, mas em breve nossos engenheiros irão resolver isso...
Como Sonic previu.
— *É... Hoje não vai ter futebol na TV pra vocês também e nem novela das oito. Beleza... Pelo visto aqui tá todo mundo isolado. Só que essa base está perto de Nova Mobotrópolis... Eles chegariam lá com os eggmobile antes do entardecer se eles quisessem...*
O ouriço marcou então em uma folha de papel que levou a quantidade de soldados. Não só isso, também escreveu a situação de como estava a base... e ele tinha noção de que, por mais que tentasse fazer piada, a situação era mesmo crítica.
— *É, champs... Os Nocs estão organizados e se preparando... Mas o que será que essa turma do mal tá planejando? Nicole disse que eles conseguiram pegar as coordenadas de Nova Mobotrópolis... Cara, porque será que tô com a ligeira impressão que eles vão atacar nossa cidade assim que voltar o sistema deles? Bem, seguro morreu de velho, então...*
Sorrateiramente, o ouriço azul foi até o interior da base, procurando pela sala de comando. Não era longe de onde estava e ele conhecia bem o padrão do Eggman:
— *Câmeras... Luzes... E esperando por ação. Essa deve ser a sala. O doutor não muda esse padrão nem por decreto...*
Sonic iria agir, pois planejou arrombar a porta com seu homing attack. Entretanto, ele pensou bem no que prometeu:
— *Ih... Agora que eu lembrei... A Sally disse para não entrar em combate. Por um lado seria bom sabotar o sistema de comunicação sem ele estar funcionando. Teríamos uma vantagem. Só que com isso os Nocs poderiam começar um ataque... e talvez levando essa galera toda pra Nova Mobotrópolis mesmo sem comunicação nem nada... É, cara... Melhor vazar daqui...*
Usando a razão, talvez para evitar maiores problemas com o Conselho Acorn, Sonic escolheu seguir o combinado. Embora tivesse capacidades de destruir a base ou no mínimo atrasa-los de alguma forma, o ouriço já havia medido a potencialidade do plantel de ataque do clã Nocturnes. A preocupação não era o que ele podia fazer e sim a retaliação dos equidnas após o retorno da comunicação em Mobius.
— *Não é o melhor dos mundos deixar os Nocs sem alguma dor de cabeça, mas tô ligado no tamanho da encrenca depois. A Sally tava certa em dizer que deveríamos conhecer melhor os inimigos. A vontade era varrer o chão com esses caras, mas vamos que vamos... Tem outras bases para investigar...*
Só que, enquanto iria sair em disparada para fora da base e seguir sob o mar a fim de procurar mais bases, uma movimentando chamou a atenção de Sonic: haviam quatro membros do clã Nocturnes levando uma caixa sobre uma plataforma flutuante. Tomando cuidado para não ser visto, ele os acompanhou. Quando enfim eles entraram em um galpão subterrâneo, já que havia uma passagem para tal lugar, Sonic pôde ver uma estrutura metálica enorme, como se estivesse sofrendo manutenção. Mas não era um simples maquinário ou robô de Eggman e sim um...
— *... Sentinela Arsenal?! Cara, fazia tempo que não via um, mas... Espera aí, mano... Os Nocs... Eles...*
Desta vez o ouriço pôde ver com mais nitidez, já que as lâmpadas foram acesas: o sentinela na verdade era...
— *... um tanque gigante totalmente blindado?! Isso não seria novidade se não fosse aquilo...*
Uma ogiva nuclear, como nunca antes vista por Sonic, foi introduzida ao veículo, o ativando em seguida. E isso realmente despertou toda a curiosidade do Sonic:
— *Tá... Ok. Acho que essa é a hora de eu dar no pé pra ver o que eles estão fazendo nas outras bases o mais depressa possível! Cara... Tá ficando azedo o negócio... e se a gente não agilizar as coisas, vai ter muito caroço no nosso angu pra nenhum baiano curtir! Os Nocs estão reciclando os brinquedos do doutor e fazendo aprimoramentos! Mano, preciso mesmo ver as outras bases!*
Preocupado, o ouriço azul saiu dali com um sentimento de urgência maior do que de costume. Ele percebeu que tudo aquilo não era normal e era preciso pressa para investigar e espionar as demais bases.
Ele sabia que algo muito ruim estava prestes a acontecer.
E falando nisso, no continente de Soumerca...
País Maravilhoso | Meio da tarde
A aldeia dos Felidae parecia que estava prestes fazer um evento. Isso se deve a movimentação nas ruas, onde os habitantes seguiam em uma mesma direção. Gritos e palavras de ordem típicas e corriqueiras quando os Felidae festejaram eram ouvidas aos montes pelas vielas da cidade, onde até mesmo usavam vestimentas cerimoniais.
É, alguma coisa estava para acontecer... algo grande.
E não era para menos: os Felidae rumavam para o:
Arena Maravilhoso | Área central
Lá, a pequena arena o meio da cidade estava lotada de espectadores. O porquê? Bem, haviam dois fortíssimos Felidae usando lanças no corner contrário onde estavam Geoffrey e Vicent, que não entendia o que estava acontecendo.
— Geoffrey, o que é isso tudo?
— Temos três possibilidades. Primeira: vai distribuir doce. Dois: Festival da fruta dos Felidae. Três: vamos lutar pela nossa vida pra provar pra rainha que não estamos mentindo e somos fortes.
— Como é?!
— Logo logo vamos saber...
E não demorou muito, já que a rainha, sendo conduzida sobre seu trono por quatro outros serviçais, chegou ao lugar, dizendo:
— Os invasores irão comprovar suas ações lutando contra os dois mais fortes guerreiros de País Maravilhoso! O povo Felidae autentica a grandeza e a palavra de invasores como vós a base da prova de força... PALAVRAS SÓ SÃO PODEROSAS SE A PESSOA HONRAR SUA POTENCIALIDADE! Os Felidae só reconhecem... A BASE DA FORÇA!
Bem, com a palavra, Geoffrey:
— Ótimo... Está aí o “Mudar de idéia” da rainha que você tanto se vangloriou, Vicent! – Disse, serrando os punhos.
— Espera! Vamos ter mesmo que lutar?! Tipo, violência mesmo?!
— Carinho que não vai ser, garoto. Melhor se preparar!
E Hathor concluiu:
— QUE SE INICIE A LUTA! OS FELIDAE FARÃO AGORA O SEU JULGAMENTO! LUTEM!
Continua
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