Notas iniciais
Olá. Permitam-me situá-los: Este trecho da história faz parte do universo "Sonic Tales", se trata mais especificamente de um incidente numa etapa bem avançada da história, todavia, não é necessário saber de tudo para acompanhar esse trecho. Coisas para tomar como nota: Crystallius é o reino que está sob o comando do urso príncipe Swift Crystal no momento; Maya Hoshimoto é uma das protagonistas da história principal ao lado de Sonic; Shadow se encontra como aliado da resistência ao lado de Maria com o objetivo de impedirem os "Arquitetos do Universo". A razão da postagem e esta história em específico se dá pela razão de ontem, 23 de Setembro, ser aniversário de Amy Rose (por algum motivo acreditei que hoje era dia 23). Aproveitando esta ocasião, gostaria de compartilhar uma parte do arco em que nossa heroína Amy Rose tem mais destaque. Boa leitura!

— Um noivado?! — Swift quis ter certeza que não estava delirando.

— Exatamente, Vossa Alteza — confirmou ministro Harry.

— E como raios eu só fui informado disso hoje?! — Swift levantou da cadeira, como se seu corpo acompanhasse o tom de sua voz. — Para começar, que história é essa de providenciarem uma noivado sem o meu consentimento?

— Vossa Alteza, já passa muito do tempo de uma noiva ter sido anunciada — explicou.

— NÃO INTERESSA!!! — berrou Swift a plenos pulmões. — VOCÊS NÃO TINHAM O DIREITO DE FAZER ISSO SEM A MINHA PERMISSÃO!!! — acrescentou com a mesma intensidade, dando um murro na mesa com o punho.

O ministro não respondeu.

— Saia! — ordenou Swift, se voltando para a janela, na tentativa de conter sua vontade de esbofetear Harry.

— Vossa Alteza...

— SAIA! — gritou o príncipe, no tom mais imperativo que conseguiu, apontando para a porta.

Para o alívio do jovem monarca, o ministro acatou sua ordem.

— Parece que ninguém que trabalha nessa droga de palácio me respeita de verdade — resmungou Swift.

O urso azul tinha um caráter bastante calmo e era sensato, dificilmente fazia as coisas sem pensar, mas naquele momento, o ministro definitivamente conseguiu tirá-lo do sério.

Ele sabia. Sim, ele sabia a maldita razão que estavam fazendo aquilo com ele. Era por causa de Amy e seus amigos. Harry, em particular, odiava eles.

Odiava principalmente Amy.

Por um instante, Swift se culpou por aquilo. Passou as mãos pelos cabelos, pensando em como solucionaria aquela situação. Pensou em coisas sem sentido. Se perguntou mil e uma vezes o que sentia, os motivos exatos que um noivado súbito o irritava, se alguém havia notado seu sentimentos por...

— Sentimentos? — Swift exigiu saber para si mesmo. — Não é isso! Não é isso! — gritou diversas vezes, transtornado.

Amy, que estava sentada no parapeito da janela, descansando um bocado, após passar quase a noite toda em claro, e apreciando a paisagem que o estonteante jardim do palácio oferecia, sentiu uma pontada no peito.

A jovem olhou em volta, engolindo em seco e colocando a mão no peito, como se tentasse decifrar o significado daquela sensação.

Ela se levantou e saiu do recinto para o corredor, rumo ao escritório do príncipe. No caminho, ela passou pelo ministro, que parecia bastante irritado, e sua expressão ficou ainda pior quando ele a viu.

Cada dia que passava, Amy tinha mais certeza que Harry detestava ela.

Todavia, a rosada fez questão de ignorar a presença do lobo e passou reto por ele, até chegar no escritório.

Hesitou por um momento.

— S-Swift? — chamou Amy, ainda receosa.

O príncipe ergueu a cabeça. Era Amy. Ele não queria que ela o visse assim. Tratou, então, de se levantar, ajeitar o terno, colocar os cabelos em ordem e respirar fundo antes de se assentar na cadeira.

— Pode entrar — autorizou o príncipe.

Amy entrou no escritório.

— Amy, o que a trás aqui? — perguntou Swift, forçando o melhor sorriso possível.

— Na verdade, nada em particular — respondeu um pouco apreensiva.

— Aconteceu alguma coisa? — quis saber Swift ao notar a postura da amiga. Apesar de estar com imensos problemas, era mais forte do que ele a preocupação que sentia por ela.

— Não! É que... — Amy ponderou um pouco antes de continuar: — Tive a sensação que alguma coisa estava errada.

— Sensação?

— Sim — respondeu Amy, antes de balançar a cabeça. — Esqueça. Acho que...

— Não, Amy, espere — interrompeu Swift, se levantando. — Tem algo que preciso contar.

O príncipe confiava em Amy. e ministro algum mudaria aquilo. Ele contaria sobre o absurdo em que foi submetido.

No jardim, a brisa suave matutina farfalhava as folhagens e flores, espalhando seu perfume pelo lugar.

Maya, sentada num dos bancos espalhados pelo jardim, esticou um dos braços para que um dos passarinhos que ali voavam, pudesse pousar.

— Bom dia, passarinho — saudou a menina, aproximando o pequenino para junto de si.

O pequeno pássaro piou para ela como resposta.

— Como vai o seu dia? — indagou, acariciando suas costas. — Acho que tem acontecido muitas coisas ultimamente.

Já fazia algum tempo desde a última vez que parou para apreciar um momento tranquilo. Não eram somente os dilemas que o reino estava passando, mas os imensos problemas que não conseguia parar de se preocupar, as ameaças que submeteram eles em situações bastante problemáticas.

E a mais recente, foi um sequestro que quase terminou em tragédia. Ainda não conseguiram descobrir a verdadeira natureza daquele incidente.

Naquele momento, ela queria que, pelo menos, para aquele instante, pudesse...

Uma flor cristalina foi estendida para Maya.

— Está um lindo dia hoje, não é? — comentou Sonic.

Maya balançou a cabeça positivamente.

— Pegue. — Sonic apalpou a mão da loira e colocou a flor em sua mão. — É para você.

— Obrigada, Sonic — Maya sorriu, tímida. Ainda era surpreendente para ela como Sonic percebia facilmente seu estado de espírito. Mais de uma vez se perguntou se ele já havia percebido absolutamente tudo.

— Disponha... — disse. Todavia, Maya percebeu que Sonic cortou a própria frase.

Se perguntou a razão.

Sonic, apesar de tudo, também parecia ter suas próprias preocupações. Especialmente desde o dia anterior, o ouriço parecia bem pensativo.

Maya não teve coragem de perguntar.

— Sua cabeça está melhor? — resolveu perguntar em vez daquilo.

— Ah, isso? — Sonic colocou a mão sobre a cabeça. — Não se preocupe. Não foi nada.

— Não diga isso. Foi por minha causa que aquilo aconteceu — argumentou Maya, preocupada.

— Não foi culpa sua. Não sabemos ainda o que exatamente está acontecendo. O importante é ficarmos juntos agora — replicou Sonic. Suspirou, então. — São muitas coisas acontecendo.

— Acho que ainda não me desculpei...

— Já disse que você não pre-

Maya sacudiu a cabeça.

— Eu entendi o que você quis dizer — explicou. — Estou falando sobre o presente que você me deu em Camelot...

— Ah... — Sonic balançou a cabeça. — Era algo importante para você, não é?

Maya fez que sim com a cabeça. Sonic tinha certeza que Maya se desfaria em lágrimas a qualquer instante se não dissesse nada.

Não sabia o que dizer.

Resolveu, então, acariciar as madeixas louras da menina.

Se fez alguns instantes de silêncio. Um silêncio apaziguador...

— Não se preocupe — Sonic enfim resolveu tomar a palavra. — Vamos pensar no que fazer a respeito disso.

Maya fez que sim com a cabeça novamente, recuperando o ritmo normal de sua respiração.

— Obrigada — ela disse, apenas

Apesar de tudo, Sonic não conseguia compreender exatamente o porquê daquele enfeite de cabelo significar tanto. Ele, porém, estava disposto a dedicar uma parcela do tempo que sobraria para reparar o presente feito em estilhaços após aquele incidente do sequestro.

Para o seu desgosto, não seria tão cedo. Haviam assuntos urgentes que deviam ser tratados antes...

Um movimento que sacudiu as folhas do jardim, chamou a atenção de ambos.

Parecia um dos guardas. Mas algo em particular fez Sonic franzir a testa.

— Que estranho, não lembro do rosto daquele cara.

— Eu também não. — Maya balançou a cabeça. — Amy uma vez me disse que eles revezam eventualmente.

— Acho que ela acabou aprendendo muito mais do que nós sobre o palácio — comentou Sonic.

— É um assunto que interessou bastante ela. Especialmente desde o último incidente.

— Se bobearmos, vamos acabar ficando para trás — brincou.

— Nada que os registros da biblioteca do palácio Crystal não ajudem.

— Quer ir lá? — Sonic olhou para Maya.

— Acho que não dá para esperar algo diferente de mim, não é?

— Ora, o que é isso? Você diz como se fosse algo ruim. — Sonic puxou a amiga pela mão. — Se importa de eu acompanhar a senhorita? — brincou outra vez.

— Oh, eu ficaria honrada — Maya fez uma reverência, deixando escapar uma risadinha.

Eles adentraram o castelo e seguiram pelo corredor, rumo à biblioteca. Todavia, a passagem de um dos soldados, fazendo a vistoria, fez Maya parar de súbito.

— O que foi? — perguntou Sonic.

— Bem, é que... — a jovem parecia receosa em responder.

Nem precisava. Assim que o soldado diminuiu a velocidade de seus passos, a fim de poder observá-los por mais tempo, Sonic entendeu o que a amiga quis dizer, largando a mão dela imediatamente.

Mesmo assim, o soldado havia lançado um olhar preconceituoso em direção a eles. O que mais ressentiu o jovem era que o olhar não foi para ele.

Foi para Maya.

Engoliu em seco, sentindo o estômago embrulhar, esperando o soldado terminar de passar. Outro rosto que Sonic não reconheceu.

— Mas que cara intrometido — resmungou o azulado entre os dentes, enquanto aguardava o soldado desaparecer.

Se não estivesse se esforçando para evitar gerar novas intrigas no palácio, Sonic teria provavelmente perdido as rédeas naquele instante...

O príncipe andava de um lado para o outro. Era evidente em seu semblante sua apreensão.

— Eu sabia que um dia eles fariam isso — afirmou Swift. — São um desgraçados mesmo. Como ousam providenciar algo em meu nome?

— Swift, eu sei que é difícil manter a calma — disse Amy, observando o urso andando já há algumas horas, mais especificamente desde que ele contou o absurdo ocorrido —, mas não acho que vá resolver em algo ficar assim.

Amy estava com um real medo de que o príncipe fosse ter um treco ali mesmo.

— Então o que você acha que eu devo fazer? — questionou Swift, parando diante de Amy, claramente estressado com aquela situação. — Estamos a algumas horas dessa maldita cerimônia.

— Não posso te afirmar que tenho uma solução agora... — Amy foi sincera com sua resposta, embora seu tom sinalizasse hesitação.

— Amy, já não sei mais o que fazer! — exclamou Swift agarrando Amy pelos ombros, sacolejando a jovem. — Por favor, me ajude a pensar em algo! Eu não quero entrar nesse maldito noivado por causa de uma aliança! Eles estão fazendo chantagem!

— Swift! Fique calmo! — Amy segurou o príncipe pelos braços com firmeza, afim de fazê-lo parar.

— Oh, eu sinto muito, Amy — disse Swift, tentando recuperar o máximo que podia e sua compostura. Ele era o príncipe, afinal. — Você não te nada a ver com os meus problemas. Na verdade, você já fez muito mais do que eu poderia pedir.

— Não diga isso, Swift — pediu Amy, triste pela situação um tanto complicada que seu amigo se encontrava. — Vamos pensar em alguma coisa.

A garota entendia o monarca, apesar de tudo. Não podia culpá-lo de seu desespero. Ele havia confiado mais de uma vez em Amy para auxiliá-lo a solucionar os dilemas do reino. Ela queria fazer algo por ele daquela vez também.

— Amy? — Sonic chamou pela jovem ao notar sua expressão quando cruzou seu caminho com ela num dos corredores do palácio. — Amy, o que foi?

— Estou preocupada — respondeu Amy, parando ao lado de Sonic e aproveitando para contemplar a belíssima paisagem que a vista das imensas janelas do corredor proporcionavam.

— Isso eu já percebi — afirmou Sonic, observando o sol poente banhar o ambiente com seus diversos tons dourados. — Eu poderia saber o motivo?

Amy ponderou um pouco. Sonic sempre foi um amigo em quem Amy depositava toda a sua confiança. Ele podia ser inconsequente vez ou outra, todavia, ele estava amadurecendo bastante, especialmente depois da viagem que a Resistência se viu obrigada a iniciar há alguns anos. Além disso, Sonic jamais faria algo que comprometesse a segurança de outra pessoa.

— O Swift está com problemas — resolveu dizer.

— Em relação a cerimônia desta noite? — indagou Sonic.

— Sim. Como você sabe?

— Eu vi aqueles desgraçados ontem no palácio e meio que resolvi dar uma espiada.

Amy sorriu, embora ainda estivesse desanimada. Não era a primeira vez que o “Sexto Sentido” de Sonic o alertava de pessoas mal intencionadas. Ele geralmente era a primeira pessoa a notar aquelas coisas. Ainda lembrava claramente das vez que Sonic não simpatizou com o irmão de Elliot e de como aquilo não livrou eles, principalmente Maya, de um imenso problema dentro da própria fortaleza.

— Fez bem. — Amy olhou para Sonic.

— Tem alguma ideia do que fazer sobre isso?

— Não. Como exatamente intervir em uma cerimônia de noivado? E se eu causar uma guerra?

— Seja o que for fazer, tome cuidado — pediu Sonic. — Você é inteligente e sei que vai pensar em algo, mas qualquer coisa, não se incomode em pedir ajuda para os seu amigos.

— Eu sei — Amy sorriu ainda mais, desta vez, realmente feliz pelas palavras do amigo

— E apesar do que dizem por aí, eu também me importo — emendou Sonic.

— Eu sei. Nunca duvidei disso.

Sonic deu dois tapinhas camaradas no ombro de Amy antes de seguir seu caminho pelo corredor.

— Eles querem comprometer a posição do Swift com aquele maldito acordo — refletiu a jovem consigo mesma, enquanto se dirigia para a biblioteca. — São uns hipócritas.

Assim que Amy deu a volta no corredor, acabou cruzando seu caminho com o ministro Harry.

Seus olhares se cruzaram. Era como se cargas elétricas faiscassem entre eles. Segundos pareciam minutos.

— Esse é um dos traíras do Swift? — se perguntou a rosada, mentalmente.

— Essa aí vai ser um problema — comentou o ministro, em pensamentos.

Ambos seguiram seu caminho, cada um para sua direção.

Assim que Amy chegou na biblioteca, se deparou com Maya, sentada a uma das mesas, lendo um dos livros de sua pilha alta. Não era novidade para Amy que, de todos os lugares que a amiga fosse estar, esse lugar seria onde estivessem livros. Estava feliz pelo fato de Swift não se incomodar em ceder a biblioteca para eles, uma decisão que contrariou a vontade de muitos...

Amy pensou um pouco antes de adentrar mais a biblioteca. Não queria incomodar a garota, que parecia bastante concentrada. Era uma menina muito sensitiva.

— Oh, Amy, boa tarde! — cumprimentou Maya assim que a avistou.

— Na verdade, já anoiteceu — esclareceu Amy, se aproximando. — Boa noite.

— Oh, o quê? — Maya olhou pelas pequenas janelas que cercavam parte da biblioteca, notando o tom lilás invadindo o ambiente. — Acho que perdi a noção do tempo.

— Sobre o que está lendo? — indagou Amy.

— Estava lendo mais sobre o palácio — respondeu Maya, animada. Naquele momento, nem parecia que ela havia passado por uma situação terrível recentemente. — Sabia que o castelo tem diversas passagens secretas? Mas como já faz muito tempo desde a Revolução de Crystallius, acabaram caindo em desuso.

— É mesmo? — Amy olhou para as páginas do livro que Maya deslizou em sua direção.

Maya fez que sim com a cabeça.

— Dizem que tem muitos segredos e armadilhas também.

— Interessante. Posso ficar com esse livro?

— Pode sim! Apenas, não deixe ninguém saber que você está com ele. — Maya abaixou o tom de voz e se aproximou de Amy. — Este livro faz parte da coleção de documentos secretos do palácio.

— Pode deixar. Vou ter cuidado.

Se fez alguns instantes de silêncio.

— Amy — chamou a loira.

— Sim?

— Você parece triste — disse, pegando na mão de Amy. — Tem alguma coisa que eu possa fazer por você?

Um silêncio absoluto se instalou sobre a biblioteca por mais alguns instantes.

— Eu estou bem — Amy balançou a cabeça, dizendo por fim. — Acho que é Swift quem está com problemas.

— Problemas?

— Bem... Não sei se tenho o direito de...

Maya balançou a cabeça com força.

— Não! Está tudo bem! — disse, balançando as mãos.

— Não sei exatamente do que se trata, mas quero que se lembre que, aconteça o que acontecer, de alguma forma tudo vai ficar bem — disse Maya. — E depois, você tem seus amigos para te ajudarem

Amy riu.

— O que foi? — Maya franziu a testa, mas sorriu em sinal de felicidade por sua amiga já não parecer mais tão triste.

— Você e Sonic são mesmo muito parecidos — explicou —, ele tinha me dito a mesma coisa.

— Então! — Maya se levantou, balançando as mãos ainda mais, agitadamente. — Qualquer coisa que você precisar, não duvide em contar conosco!

— É claro!

Amy considerava Maya realmente uma grande amiga. Ela sempre foi muito, solícita e sempre procurou se ater à sua palavra. Às vezes, Amy se preocupava com sua inconsequência, especialmente depois de certa vez a menina ter arriscado sua vida para salvar a dela.

Amy observou a amiga empilhando os livros que leria.

Ela cresceu bastante. Algo que nunca mudou foi seu amor pelos livros. Todavia, desde que começaram aquela viagem, tem notado uma mudança em relação a seus sentimentos que temia com todas as forças que poderia fazê-las ficarem em lados opostos. Não estava preocupada que isso fosse colocar Maya contra ela... a jovem já havia provado o contrário em mais de uma oportunidade.

Amy tinha medo que ela mesma pudesse se tornar um imenso problema algum dia.

Amy passou a compreender como Maya se sentia quando duvidava de seu próprio caráter.

— Não! Eu não vou deixar isso acontecer — pensou Amy, sacudindo a cabeça. — Por um lado... Apesar de tudo... Eu acho não seria algo ruim se no final a...

— Amy? — chamou Maya, estranhando aquele repentino movimento.

— O quê? — Amy olhou para Maya, se dando conta de que deixou transparecer um bocado de suas reflexões. — Ah, não se preocupe! Eu só estava aqui “pensando com os meus botões”, como você diria.

— É claro. — Maya sorriu, um pouco sem graça com a expressão. Era algo que ela diria certamente. — Bem, tenho a sua permissão para deixá-la a sós com seus botões?

— É claro que sim! — respondeu Amy, rindo. — Não precisa da minha autorização para isso — emendou, com um sorriso dócil.

— Obrigada — Maya abaixou a cabeça em sinal de agradecimento, pegou os livros escolhidos e seguiu para fora da biblioteca.

Amy observou a menina sair. Ela tinha o hábito de pedir permissão para fazer as coisas. Até mesmo quando absolutamente não era necessário. Certamente ela faria isso quando descobrisse aquilo que era mais importante... Amy tinha que preparar uma resposta para quando aquele momento chegasse.

Maya passou pelo corredor, observando a lua que iluminava aquele início de noite.

— Me pergunto como têm andado as pessoas dos outros planetas — refletiu a menina. — Já passou algum tempo desde que empacamos aqui. Não conseguimos até agora um cálculo exato da passagem de tempo entre uma dimensão e outra e eles foram dados como desaparecidos. Será que isso é uma coisa boa?

Maya estava preocupada com aquilo desde o último embate que tiveram contra os autoproclamados “Arquitetos do Universo”.

— Como saber quantos deles são... — Subitamente, Maya teve seus pensamentos interrompidos ao sentir os livros sendo empurrados e, junto dela, caírem no chão.

Maya se virou rapidamente, preocupada com o estado dos livros. Para sua sorte, nenhum foi danificado.

— Ai... Me desculpe, eu só estava... — Maya tentou se explicar, até que viu quem estava a ajudando a recolher os livros. — Shadow?

— Você parece distraída — afirmou o ouriço negro.

— Me desculpe — Maya pediu pela segunda vez.

— Está tudo bem. Afinal, não fui eu quem levou um tombo.

Maya sorriu, sem graça.

Shadow tinha uma figura e presença bastante imponentes, diferente de Sonic, que transmitia um ar mais amistoso e modesto. Algo nele a fazia se sentir um tanto boba e destrambelhada de vez em quando. Seria sua voz, mais grave que a de Sr. Oz? Ou sua fama como “Ultimate Life Form”? Maya se perguntava sobre isso frequentemente.

Shadow devolveu os livros para Maya.

— Obrigada — Maya agachou a cabeça como agradecimento.

Mas Maya sabia do bom coração que residia naquele peito, embora não o compreendesse completamente ainda. Maria havia comentado certa vez com ela que, Shadow sempre passava aquela impressão para as pessoas ao seu redor, Shadow, porém, não possuía uma essência ruim.

Apesar de quase já ter sido morta pelo ouriço por conta de um dilema do passado, Maya não o culpava. No final, ela confiava na palavra de Maria. Ela era a única que conseguia atravessar aquela barreira.

Alguns já disseram que sua capacidade de perdoar soava mais como burrice...

— Algum problema? — perguntou Shadow, após perceber que Maya estava o encarando há algum tempo.

— Não! Nenhum! Me desculpe — Maya se desculpou pela terceira vez, agachando a cabeça novamente. — Boa noite.

— Boa noite — cumprimentou Shadow de volta, observando a menina sumir pelo corredor. Não era à toa o que o ouriço azul dizia sobre o hábito de Maya em pedir desculpas o tempo todo.

Apesar de todos aqueles anos convivendo, ainda era surpreendente para Shadow a semelhança entre sua melhor amiga e aquela menina...

O ouriço olhou pela janela em direção ao jardim ao perceber um movimento ali. Permaneceu, então, observando por alguns minutos, a espera de outro movimento.

Nada aconteceu.

Shadow suspirou, antes de continuar seu trajeto pelo corredor.

Maya colocou os livros sobre a escrivaninha se seu recinto. Estava feliz que o príncipe considerava todos amigos importantes para ele. Fez questão de providenciar um quarto para cada um e reforçar a segurança de todos os aposentos após o episódio do sequestro, que aconteceu num dos quartos.

Duas leves batidas em sua porta chamou sua atenção.

— Está aberto.

Sonic abriu a porta.

— É um bom momento?

— É claro. Entre, por favor — Maya se levantou da cadeira e olhou para Sonic. Ficou preocupada ao notar o semblante do amigo. — O que foi?

— É sobre os ministros — disse Sonic, mexendo as mãos de forma apreensiva. Seu rosto pálido entregava a gravidade do assunto.

— Os ministros? — repetiu Maya alto, engolindo em seco.

— Shhh! — Sonic puxou Maya e tampou sua boca. — Eles podem nos escutando.

— O que aconteceu?

— A cerimônia desta noite — disse Sonic. Ele parecia tão nervoso, que não conseguia organizar as palavras apropriadamente.

— O que vai acontecer?

Sonic se aproximou ainda mais de Maya.

— Eles querem matar o príncipe — alegou, em tom quase inaudível.

— O QU- — Maya quase exclamou, tendo sua boca novamente tampada.

— Shhhhh! Se souberem que mais alguém sabe disso, estamos fritos!.

Maya, ainda chocada, apenas fez que sim com a cabeça.

— Essa cerimônia que providenciaram. Tudo isso é uma armadilha.

Notas finais
É isso. Quaisquer críticas construtivas ou observações, o campo de comentários está a disposição de vocês. Seria um imenso prazer tomar conhecimento de segundas opiniões. Se ficaram com alguma dúvida, podem perguntar. No próximo capítulo: Enquanto Swift tenta lidar com a situação com o auxílio de Amy, Maya e Sonic têm uma decisão importante para tomar diante de um grave problema: Um atentado contra a vida do príncipe está prestes a acontecer e o tempo parece não estar a favor deles. Caso queiram acompanhar a história desse universo desde esse início, segue o link para a história aqui: https://fanfiction.com.br/historia/472625/Sonic_Tales/ E no Spirit Fanfics, onde ela está sendo atualizada regularmente: https://www.spiritfanfiction.com/historia/sonic-tales--saga-estopim-19885844 Até a próxima!