Sonic Tales
4 Jogo de Sobrevivência
Notas iniciais
Sonic permaneceu completamente estático por algum tempo. Nenhuma parte racional de seu cérebro conseguia compreender o que era tudo aquilo. O autor da carta de dirigia diretamente a Sonic, em contrapartida, nessa mesma carta, o remetente se assinava como “você mesmo”.
— Ahahahaha! — Sonic soltou uma gargalhada, cético. — Isso deve ser alguma brincadeira. Até parece que eu escreveria desse jeito! E por que eu haveria de enviar uma carta para mim mesmo? — argumentou Sonic para si mesmo.
Apesar da sua incredulidade, não conseguia descartar a ideia de que havia algo muito bizarro naquilo. Seja quem fosse que estivesse pregando aquela peça, com que propósito faria isso? Quem era aquela pessoa? Com o que falhara? Como sabia que ele encontrara um relógio musical? Afinal, o que aquele relógio tinha de tão especial? Quem eram “eles”? E quem era Alice? Como sabia que ela nasceu? E o que isso tinha a ver com Sonic estar na Dimensão Especial?
A única coisa que Sonic sabia, é que ele queria muito descobrir.
Sonic deu uma segunda olhada na carta na tentativa de entender o que não compreendera. Eram tantas questões...
— Quanto tempo tem essa mensagem? — Sonic se perguntou virando o papel no avesso, mas aparentemente, não havia nada que indicasse a data.
O papel amarelado parecia bastante antigo, mas não poderia ser de antes de seu nascimento, certo? Ou será que podia? Afinal, a pessoa parecia saber que uma tal Alice nasceria, e sabia sobre o relógio, por que haveria de não saber sobre sua existência antes de seu nascimento?
Sentindo a atmosfera pesada, Sonic respirou fundo, com certa dificuldade, como se o ar tivesse ficado mais denso. Uma sensação estranha que habitava seu âmago, provavelmente um misto de sentimentos guiados principalmente por sua curiosidade.
Sua concentração foi dissipada assim que ouviu uma risadinha atrás dele. Num movimento veloz, Sonic se virou pronto para qualquer ataque.
Mas não havia ninguém.
— Ok, isso está ficando muito perturbador! — Sonic comentou consigo mesmo na esperança de se acalmar.
Uma fina camada de névoa começou a invadir o lugar. Certamente não significava algo bom para Sonic.
— O que é isso? — Sonic recuou para manter distância da misteriosa névoa. O ouriço recuou até acabar tombando contra algo atrás dele, mas antes que o objeto caísse, Sonic o segurou, percebendo que se tratava de um enorme espelho. — Engraçado, não lembro de ter visto isso aqui antes... — comentou.
Mas o que estava vendo no espelho era ainda mais estranho que o próprio espelho ter simplesmente surgido ali naquele momento. Sonic olhou com estranheza para o seu reflexo, parecia ser ele mesmo e se movia conforme ele se movia, no entanto havia uma enorme diferença entre seu reflexo e o próprio ouriço: seu reflexo estava usando um traje elegante e era mais alto.
Aquilo não parecia realmente seu reflexo, por mais que estivesse agindo como um. Sonic permaneceu alguns segundos em silêncio tentando entender o que era aquilo.
Sorrateiramente, um vulto parecia se aproveitar da distração do ouriço para atacá-lo pelas costas.
— Os espelhos desse lugar são tão bizarros — disse Sonic esticando a mão apenas para ver seu estranho reflexo fazer o mesmo. — Por que raios eu sou assim nos reflexos?
— Pensei ter te avisado para ser cauteloso — disse o reflexo repentinamente esticando seu braço ainda mais para frente até alcançar a mão de Sonic e puxá-la com força.
— Espera! Quê?! — Antes que Sonic pudesse reagir, sentiu ser absorvido pelo espelho enquanto via a criatura que estava espreitando atrás dele fazer uma tentativa de atacá-lo, porém, falhando miseravelmente no final.
Seu sorriso largo e silhueta completamente deformada foram as últimas imagens que Sonic se lembrava antes de perder a consciência.
— AAAH! — Sonic sentou sobressaltado assim que recobrou a consciência. — O que foi aquilo? — indagou Sonic ainda atordoado.
Notou que estava com o papel com a mensagem “dele” numa mão e o relógio de bolso na outra.
— O-o que acabou de acontecer? — se questionou estupefato. — O reflexo... Falou comigo? — Sonic levantou-se rapidamente e olhou para os lados. Não havia nada além de um longo corredor com o piso feito madeira e as parede forradas com um papel de parede esverdeado. — Ei! Apareça onde quer que esteja! Quem é você? Que aviso você me deu? — questionou Sonic.
Sonic ouviu um ruído peculiar vindo atrás dele, ao longe...
A situação parecia mais estranha a cada minuto que passava e o jovem ouriço estava começando a se arrepender de ter entrado naquela... Mansão... Ou Casarão... Aquilo não importava naquela altura.
Ouviu mais uma vez, aquela risadinha... Ela soava bastante ameaçadora para uma risadinha infantil.
Sonic engoliu em seco.
De repente sentiu o ar ficar ainda mais denso. Um odor intoxicante do que parecia carne podre fez Sonic contorcer o nariz sentindo o estômago revirar. Passos silenciosos, porém, nítidos podiam ser ouvidos se aproximando freneticamente.
A risadinha estava ficando cada vez mais alta e clara.
— Nenhuma parte desse lugar é segura! Corra! — ordenou uma voz que parecia gritar dentro de sua cabeça.
Num ímpeto movimento, reflexo de um de seus mais primitivos instintos despertando de seu âmago, Sonic não fez nada além de sair em disparada para frente, na tentativa de se afastar do que quer que estivesse se aproximando, no entanto, o ar era tão difícil de respirar, que Sonic não tinha fôlego o suficiente para correr tão velozmente quanto costumava fazer, especialmente em situações de perigo.
— Nos entregue Alice! — gritou uma voz vinda de trás dele, muito provavelmente da criatura que estava o perseguindo, em tom agressivo.
— Eu não conheço nenhuma Alice! — Sonic retrucou apesar de saber que deveria poupar fôlego para correr.
As únicas vezes que viu aquele nome, foram no livro que Tails tinha pêgo emprestado de Cream e na mensagem que encontrou no outro cômodo daquele lugar, não deixaria que ninguém o acusasse... Por outro lado, aquele lugar não parecia nada além de um inferno, certamente se encontrasse alguém preso ali, com o nome de Alice ou não, tiraria esse alguém dali.
— NOS DEVOLVA ALICE!!! — gritou a voz vinda de trás dele em tom ainda mais agressivo e rouco quase se tornando impossível de se considerar a mesma voz.
Para o completo desgosto do ouriço, a presença maligna parecia conseguir encurtar a distância entre eles cada vez mais. Como se não bastasse, o fim daquele corredor cheio de portas parecia se aproximar, não restando mais lugar nenhum para correr. A única escapatória seria passar pela porta no final do corredor.
Sonic agarrou a maçaneta, empurrou a porta com força sem sucesso de abri-la e voltou-se para trás por um instante.
— NOS DEVOLVA A- — a voz gritou, mas estranhamente, parou abruptamente assim que Sonic olhou para a fonte da voz.
Estava lá uma boneca de porcelana de porte enorme, cabelo castanhos bagunçados vestido esfarrapado e figura perturbadora, tanto por possuir quatro braços, dois deles substituindo as pernas, quanto por sua expressão facial maléfica, apesar da ausência dos globos oculares, o sorriso largo e fileira de dentes afiados eram o bastante para intimidar qualquer ser infeliz que acabou por parar lá.
No entanto, o mais intrigante, era que essa boneca não se moveu um centímetro sequer após ter se calado repentinamente.
Sonic permaneceu estático por alguns segundos, completamente apavorado com aquela imagem, com medo de que ela traiçoeiramente avançasse em sua direção, que ela o matasse...
Sonic puxou devagar a porta pesada, conseguindo abri-la. Suspirou um pouco aliviado por ao menos aquele figura apavorante estar a bons 6 metros distante dele...
Mas bastou um piscar de olhos para a figura avançar 3 metros com uma expressão ainda pior no rosto, fazendo o coração do ouriço quase parar de susto.
— LICE!!! — emendou a criatura antes de parar abruptamente de novo.
Sonic engoliu em seco, arregalando os olhos para garantir que não piscaria novamente. Se compreendeu bem o padrão, assim que Sonic deixasse de olhar para ela, a mesma avançaria novamente. O ouriço tinha de ser muito rápido nos seus próximos movimentos. Uma fração de segundo, um outro piscar de olhos, era o suficiente para ser apanhado por ela.
O azulado respirou fundo e prendeu o fôlego antes de puxar a porta completamente e passar por ela, a fechando em seguida.
— NOS ENTREGUE ALICE!!! — gritou a criatura batendo contra a porta com violência ao ponto de sacudir a mesma, que estava sendo segurada com força por Sonic.
Sonic não se atreveu a responder daquela vez. Em vez disso pegou uma cadeira que estava por perto e prendeu debaixo da maçaneta, para garantir de que a porta não fosse aberta.
Olhando para frente, se deparou com um novo ambiente, se tratava de uma sala bastante refinada e estava tudo bem organizado se comparado ao outros cômodos, que estavam escuros e imundos. Uma luxuosa mesa no centro estava posta sobre um belo tapete cheio de estampas, ao lado da mesa, havia um sofá de couro de cor rubra com algumas almofadas decoradas com estampas chamativas em cima e do outro lado da mesa, um carrinho de chá com várias louças certamente muito caras. A impressão que dava para Sonic, é que alguém estava para tomar chá naquele lugar.
Mas não havia ninguém.
O ouriço deu alguma passos até chegar perto das louças. Para o espanto do jovem, não havia chá em nenhuma das xícaras. Sonic, curioso, abriu o buli de chá para verificar se ali havia algum líquido dentro. Em vez de encontrar chá, encontrou uma carta de baralho. Um às de espadas.
— Por que raios tem uma carta de baralho dentro de um buli de chá? — questionou Sonic, mas lembrou logo em seguida de que nada naquele lugar fazia sentido para ele.
De repente, Sonic sentiu um calafrio... Tinha a forte sensação de que estava sendo observado. Olhou de relance para a porta, apenas para ter certeza de que aquela boneca medonha não estava conseguindo entrar. O barulho das batidas havia cessado há algum tempo. Aparentemente, ela havia desistido de persegui-lo.
Sonic então se dirigiu para uma cômoda que estava posicionada no canto da sala. Em cima dela havia apenas um candelabro com as velas acesas, um vaso de flores com rosas vermelhas plantadas e, aparentemente, bem cuidadas e em cima de uma toalha pálida, havia uma outra carta de baralho. Um 9 de copas. Esta carta não parecia estar lá de qualquer forma, ela estava perfeitamente alinhada verticalmente, não no centro da toalha, mas ligeiramente para a esquerda, mas ainda deixando um espaço a sua esquerda e o dobro daquele espaço a direita.
Sonic franziu a testa um pouco pensativo. Tudo naquele lugar era estranho, no entanto, de alguma forma, sentia que nada daquilo era aleatório. Havia alguma razão para haver um às de espadas com ele e um 9 de copas posto sobre aquela toalha? Será que havia mais cartas de baralho perdidas por aquele lugar?
Sua curiosidade era grande, mas a sua pressa para sair parecia maior. Não queria se deparar com alguma outra boneca medonha novamente. O ouriço olhou em volta, haviam quadros pendurados nas paredes, uma lareira acesa, um espelho luxuoso acima da lareira, uma outra porta, que era prateada...
— Uma outra porta! Como não reparei nela antes! — Sonic correu até ela e tentou empurrar a porta, mas esta não abriu. Pensando que pudesse ser como a última porta pela qual passou, tentou empurrá-la, mas não adiantou. — Droga, está trancada! — Sonic olhou em volta. — Já sei! Vou arrombá-la! — disse Sonic para si mesmo. Era uma boa forma de se sentir menos sozinho naquele momento.
O ouriço subiu na mesa de centro e encarou a porta por alguns segundos.
— O dono desse lugar vai ter de me desculpar, mas vou ter que quebrar algumas coisas — disse antes de se enrolar numa bola e se atirar com força contra a porta.
Repentinamente, Sonic sentiu seu corpo ser repelido de volta, não causando um arranhão sequer na porta. Sonic manobrou para o lado a tempo de se desviar do carrinho de chá, pois queria evitar fazer qualquer barulho desnecessário e chamar a atenção.
— Tá brincando comigo? — Sonic olhou para a porta. — Que tipo de porta é essa? —questionou incrédulo, embora não o admirasse tanto, visto que a porta nem de madeira era.
Passando-se algum tempo, Sonic se encontrava sentado ao lado da cômoda com o pedaço de papel misterioso nas mãos em expressão desanimada.
— O que será isso? — perguntou Sonic relendo a mensagem pela décima segunda vez. — A Alice dessa mensagem seria a mesma Alice que aquele monstro mencionou?
Olhando daquela forma, o “Você mesmo” do final da mensagem faria bem mais sentido, levando em conta que aquela criatura estava atrás dele quando exigiu que ele devolvesse Alice, mas estava relutante em acreditar naquela possibilidade.
— E que coisas sobre esse relógio você queria me contar? — perguntou Sonic tentando esquecer da questão anterior, abrindo o relógio de bolso. Os ponteiros ainda giravam loucamente no sentido anti-horário e a mesma melodia tocava.
Sonic então, notou algo branco caído no chão debaixo do canto do tapete. Ele foi engatinhando até lá e ergueu o tapete, era outra carta de baralho, um às de ouros.
De repente a porta com a cadeira levou uma pancada brutal, fazendo Sonic dar um pulo de susto.
— ONDE VOCÊ ESCONDEU ALICE?! — exigiram saber as inúmeras vozes que, muito provavelmente, agora não era uma só criatura, e sim, várias criaturas horrendas, batendo na porta repetidas vozes.
Sonic fechou o relógio, recolheu a carta, levantou silenciosamente, pegou um lenço de cima do carrinho de chá e esperou alguns segundos...
Repentinamente as batidas cessaram.
Sonic aproveitou a oportunidade para colocar o lenço sobre a maçaneta afim de bloquear a visão pela fechadura.
Mas como dizia na mensagem, ele teria de ser rápido, pois corria sério perigo. Certamente aquela cadeira não aguentaria segurar a porta por muito tempo e não sabia quando aquelas criaturas voltariam.
Sonic voltou para a cômoda e foi vasculhar as gavetas, uma a uma.
Na gaveta do topo, havia um frasco cheio com um líquido azulado. Havia uma etiqueta presa à boca do frasco onde estava escrito “beba-me” em letras graúdas.
— Nem ferrando vou beber isso aqui — retrucou Sonic para a mensagem do frasco. — Na certa deve ser um veneno para acabar comigo de vez — concluiu antes de fechar a gaveta e abrir a gaveta de baixo. Como não havia nada, fechou a gaveta e abriu a gaveta seguinte, onde havia uma caixinha de luxo. — Que tipo de rico moraria num lugar como esse? — se perguntou Sonic enquanto examinava a caixa.
Aparentava ser uma caixa de joias de madeira escura e bordas adornadas douradas, certamente feitas de ouro. Sonic tentou abri-la, mas parecia trancada e em vez de conter uma fechadura convencional, parecia estar selada por uma senha de quatro dígitos. O ouriço girou um dos dígitos revelando números de 0 a 9.
— Engraçado... Isso está me lembrando aqueles jogos de puzzle... — comentou Sonic, embora a comparação fosse um tanto boba, observar isso, o deixava menos tenso.
Sonic então, ergueu a caixa até o topo da cômoda, mas notou que lá estava a toalha com o 9 de copas.
— E essas cartas? Para que será que servem? — Sonic olhou para o às de espadas. — Será que elas fazem parte do mesmo conjunto? — Ele colocou a carta sobre a toalha. — E por que um às de espadas e um 9 de copas?
Vendo que não conseguiria uma resposta, Sonic voltou sua atenção para a caixa de joias, procurando um lugar conveniente para colocá-la. Por fim decidiu colocar a caixa na mesa de centro.
— Talvez eu deva vasculhar toda a sala, quem sabe eu não encontro a senha — disse Sonic olhando ao seu redor na tentativa de se decidir por onde começaria. Um pouco indeciso, revirou toda a sala onde presumiu encontrar um pedaço de papel ou algo assim, mas não teve sucesso. Por fim, seu olhar parou nos quadros muito peculiares que estavam ali pendurados.
Sonic foi até uma cadeira e a ergueu cautelosamente, levando-a até debaixo dos quadros, subiu na cadeira, por fim, os alcançando.
— Por favor, que tenha alguma pista aqui — disse tentando manter suas esperanças vivas, pois do contrário, provavelmente seus problemas não teriam solução.
Começou olhando o quadro a esquerda, havia uma silhueta negra em pé no canto da imagem única parte que não era negra, era seu par de pequenos e redondos olhos brancos, lembrava muito aquela silhueta no espelho do sonho que Sonic teve na oficina de Tails. Ao lado da silhueta no quadro, havia uma poltrona vermelha cheia de estampas douradas e quem estava sentado nela, era um homem vestindo um traje preto elegante, porém o que o destacava, era sua cabeça de corvo. Ele segurava algo muito familiar para Sonic numa das mãos.
— Esse frasco... — Sonic olhou para o frasco com a etiqueta “beba-me” que estava com consigo. Os frascos eram idênticos. — Será que esse cabeça de corvo morava aqui? — Apesar desse simples questionamento que não teria uma resposta naquele momento, Sonic tinha muitas perguntas. Por que ele tinha uma cabeça de corvo? Por que a pessoa ao seu lado não era nada além de uma silhueta negra? Que franco era aquele, afinal?
Resolvendo deixar essas perguntas de lado naquele momento, o ouriço removeu o quadro da parede, mas para seu desgosto, não havia nada, então o pendurou de volta na parede.
Voltou sua atenção para o quadro abaixo, era um quadro um tanto simples, o mais simples dentre todos aqueles quadros. O fundo era branco e haviam 7 manchas se tinta lado a lado. Azul, verde, vermelho, roxo, amarelo, ciano e rosa. Sonic franziu a testa estranhando a simplicidade do quadro, removendo-o da parede. Não havia nada de especial na parede também. Mas antes de devolver o quadro na parede, o azulado notou um dos cantos do papel do quadro escapando da moldura. Curioso, puxou o papel, revelando uma camada de baixo. Havia um par de palavras em amarelo numa face preta.
“Vamos brincar”
— Eu hein... — Sonic permaneceu alguns segundos olhando para aquele pedido, sentindo um calafrio de súbito. Por fim, devolveu o quadro na parede, ocultando aquelas palavras com a camada de cima e avançou para o terceiro quadro, que estava mais a esquerda.
Sonic olhou para o terceiro quadro, nele haviam 4 símbolos bastante complexos lado a lado. Quando retirou aquele quadro, notou um desenho na parede: um naipe de espadas, um naipe de copas, um naipe de ouros e um naipe de paus.
— Esta seria a ordem das cartas? Até que foi fácil... — comentou Sonic colocando o quadro de volta na parede e por fim, pegou o quarto quadro.
Este último, lhe chamou a atenção mais que os outros.
Era a pintura de um jardim. Um jardim cheio de dentes-de-leão especialmente no centro formando um círculo e uma variedade de outras flores no espaço restante. Aquela pintura o fazia sentir uma nostalgia estranha, fazendo seu peito apertar.
Assim que Sonic se deu conta de sua distração, ele sacudiu a cabeça e examinou o quadro até que encontrou uma carta, era um 9 de paus preso na parte de trás do quadro.
— Isso! Agora tenho todas! — festejou por ao menos ter obtido algum progresso.
Sonic colocou o quadro de volta, pulou da cadeira, correu até a cômoda e colocou as cartas conforme a ordem do desenho na parede. A sequência era: um às de espadas, um 9 de copas, um 9 de paus e um às de ouros. Seria esta a senha? Sonic teria que tentar. O ouriço foi rapidamente até a mesa de centro, pegou a caixa e começou a girar os números até formar 1991. A caixa foi destrancada e Sonic pôde finalmente abrir a caixinha de joias.
Dentro, havia uma caixinha ainda menor feita de vidro, mas Sonic não conseguia abri-la naquele momento, pois era ela pequena demais para de ver a tranca.
— Acho que não é isso que vai me ajudar a sair daqui... — Sonic concluiu frustrado. Então olhou em volta, ele precisaria pensar ainda mais.
O que seriam pistas?
Sonic voltou sua atenção para os quadros, o com as cores e aquele com símbolos. Ambos tinham que ser pistas que o levariam para algum lugar. Logo em seguida, voltou seus olhos para a estante de livros. Haviam muitos livros lá... Mas 8 desses livros se destacavam por não possuírem um título na lombada e sim, desenhos que pareciam incompletos.
Sonic pegou os livros que estavam espalhados pelas prateleiras e os examinou por dentro, estavam num idioma desconhecido e apesar das letras serem familiares, não era capaz de lê-las. Frustrado, agrupou os livros na prateleira onde estavam a maioria deles.
Até que escutou um barulho de mecanismos atrás da estante.
— Ué... Parece que isso não é uma estante qualquer — comentou observando um pouco mais aqueles livros.
Dois deles pareciam formar um par, pois os desenhos se completavam... um símbolo um tanto familiar. Sonic olhou para o quadro com os símbolos e notou que o terceiro símbolo, era exatamente aquele nas lombadas dos livros.
— É isso! — Sonic rapidamente se voltou para os livros e começou a procurar os pares restantes que formariam os outros três símbolos. Achando todos eles os colocou lado a lado na terceira prateleira debaixo para cima. — Ótimo, mas e agora...?
De repente, mais sons de mecanismos soaram atrás da estante antes do móvel inteiro se mover para a esquerda, revelando uma passagem para outra sala.
Parecia uma biblioteca secreta.
Sonic suspirou, pois do jeito que as coisas estavam indo, teria que vasculhar a biblioteca toda a procura de mais pistas para sair dali.
Repentinamente, as luzes piscaram.
— É melhor eu me apressar — disse para si mesmo, apreensivo.
.
Havia uma escrivaninha no fundo do cômodo, um tapete com estampas no chão, as paredes cheias de prateleiras e muitos livros. Por onde começaria?
Para começar, Sonic foi até a janela, que estava coberta pelas cortinas rubras e verificou o que havia ali. Aparentemente estava tudo escuro, não havia paisagem alguma para ver.
Até que surge uma sombra com um par de olhos brancos bem na sua frente gritando.
Sonic dá um pulo para trás de tamanho susto tombando contra a escrivaninha e derrubando o que havia em cima.
A criatura desapareceu da vista de Sonic, não deixando pista de para onde foi.
— Caramba, que susto! — Sonic se queixou colocando sua mão sobre o peito para ter certeza de que não teve uma parada cardíaca.
Ao se virar para poder se levantar novamente, ele se deparou com um livro azul caído no chão, na lombada havia um novo símbolo no topo acompanhado de um título em carácteres desconhecidos. Sonic abriu o livro e examinou as páginas, mas nada que chamasse sua atenção... Até chegar na última página, onde havia uma nota.
— “Vamos brincar de caça ao tesouro?” — Sonic leu em voz alta. — Ah, não obrigado...
Um som estrondoso irrompeu no ar e as luzes piscaram como resposta.
— Ok! Ok! Eu estendi! — Sonic disse imediatamente.
Sonic olhou as outras prateleiras e achou um livro idêntico ao azul, porém este está vermelho e havia um símbolo diferente no topo da lombada.
— Quantos será que são? — Sonic se perguntou.
Como a resposta não viria voluntariamente, ele teria de encontrar o resto do conjunto. Não demorou muito até encontrar mais 4 livros, um laranja um roxo, um amarelo com um rosa e um verde. Nenhum continha uma nota dentro.
— Será que é só isso? — Sonic olhou em volta. — E para que será que servem?
Sonic olhou para um quadro completamente empoeirado que decorava uma das paredes. Curioso, passou a mão na face do quadro para ver o que estava escondido, mas para o seu desgosto, outro barulho e piscar de luzes assustaram-no, o fazendo derrubar o quadro.
Por baixo daquele quadro, estava um cofre. O sistema para destrancar o cofre era o mesmo da caixa de joias. Sonic girou cada um dos dígitos, revelando 8 símbolos diferentes. Os mesmos símbolos que estavam nas lombadas dos livros.
— Qual seria a ordem dos símbolos dos livros? — Sonic ordenou os livros de várias formas. — Tenho 6, deve estar faltando um livro... Onde eu não procurei?
Dando mais uma volta, procurando pela biblioteca, Sonic procurou até nos lugares mais inusitados, como em vasos de plantas. E sua busca foi recompensada em forma de chave.
Não pensou duas vezes e foi até a escrivaninha tentar abrir a única gaveta que não conseguiu abrir até aquele momento.
Lá estava um livro ciano. Pegou o livro e o levou para junto dos outros.
Então notou um detalhe...
— Essas cores... É isso! — Sonic saiu correndo até a primeira sala e olhou para o quadro com as cores. — Por favor, que seja isso, que seja isso! — torceu decorando a ordem.
De repente um vento soprou um vento atrás de Sonic, sacudindo seus espinhos cor de cobalto.
Sonic voltou-se rapidamente para trás, avistando apenas um vulto. Engoliu em seco.
Não parecia haver ninguém por lá.
Caminhou para perto da lareira para ficar perto da luz e olhou para o espelho, encarando sua face angustiada.
Subitamente, como num flash negro, seu reflexo ficou escuro antes de voltar ao normal e se fez uma ruptura na face do espelho.
— Por Chaos! Que foi isso? — Sonic quase tropeçou na mesa de centro antes de voltar correndo para a biblioteca secreta. Ali, ordenou os livros na seguinte ordem: Azul, verde, vermelho, roxo, amarelo, ciano e rosa. — Eu tenho que sair daqui.
Engoliu em seco antes de fazer o teste no cofre.
Para a sua felicidade, funcionou e o cofre foi destrancado. Dentro, havia uma chave de prata, cuja cor era a mesma que a porta que Sonic queria tanto abrir. Seria a chave para a saída daquele lugar? Era o que Sonic esperava.
— Até que foi fácil todo esse puzzle — comentou pegando a chave.
Voltou para a primeira sala, evitando passar em frente ao espelho. De repente, a porta que estava presa pela cadeira, começou a sacudir violentamente.
— Ai, caramba! — Sonic tropeçou levando um susto e acabou por deixar a chave escapar de suas mãos. — Droga, não!
As luzes começaram a oscilar, o que dificultava demais a tarefa de encontrar a chave caída em algum lugar no tapete.
Por um momento ficou tudo escuro, logo em seguida a luz voltou e o novo cenário deixou Sonic ainda mais horrorizado do que já estava: Se tratava do mesmo cômodo, mas todos os móveis se encontravam em péssimo estado, tudo estava empoeirado e o papel de parede descascando com diversas palavras escritas em vermelho por todas as paredes.
“Vamos brincar?”, “Eu posso te ver”, “A culpa é sua”, “Maldito!” eram algumas das coisas que Sonic conseguiu ler.
Para a sorte de Sonic, ele conseguiu recuperar a chave.
O ambiente se tornou tão podre, que a porta não resistiu e foi arrombada pela boneca de quatro braços que agora estava acompanhada de outras bonecas tão medonhas, que até torciam as cabeças.
— Por todas as Esmeraldas do Caos! — Sonic gritou correndo em direção a porta, enfiando a chave na fechadura desesperadamente.
Tão desesperadamente, que teve dificuldades em abrir a porta.
Assim que conseguiu, Sonic não pensou duas vezes, fechou a porta e a trancou do lado de fora a tempo das criaturas não conseguirem alcançá-lo.
— Tenho que sair daqui — disse para si mesmo mais uma vez antes de sair em disparada.
A medida que corria, as velas nas paredes do corredor iam se acendendo. No final do corredor parecia haver uma porta larga. Sonic esperava que fosse a saída. A saída não somente daquele lugar, mas a saída daquela dimensão.
— NÃO!!! — gritou uma voz tão distorcida, que quase não era possível compreender o que ela dizia. — Você não pode ir! Eu ainda não terminei de brincar com você!
— É aquela coisa de novo? — Sonic se perguntou correndo o mais rápido que podia.
A porta estava tão perto.
— VOCÊ NÃO VAI SAIR DAQUI!!! — gritou a voz com toda força.
A visão de Sonic começou a ficar distorcida, a medida que se aproximava do final do corredor, a medida que os segundos passavam, as formas se deformavam cada vez mais, até tudo se tornar uma coisa só...
— NÃO! — gritou uma voz. — DEVO INTERFERIR!
E ficar tudo escuro...
— Ah! — Sonic despertou novamente caído no chão. — Eu apaguei de novo? — indagou olhando em volta na tentativa de se orientar. — Onde é que eu estou agora? — Ele não se encontrava mais no mesmo corredor, agora ele estava em um enorme salão cheio de portas e no centro havia um belo pedestal onde havia uma chave flutuando acima dele. Tudo parecia um tanto distorcido naquele lugar, como se houvesse um conflito entre cores, materiais e atmosferas.
Sonic permaneceu parado por alguns segundos se perguntando se aquilo era uma armadilha.
Nada aconteceu.
O ouriço se pôs em pé e caminhou devagar até a porta mais próxima dele e tentou abri-la. Estava trancada, mas aquilo já não espantava Sonic, principalmente porque havia um novo quebra-cabeça na porta. Se ele solucionasse aquilo, seria capaz de abrir a porta?
Havia cubos encaixados dentro da porta, os corredores onde os cubos podiam ser arrastados formava um H e havia 3 símbolos de cada lado dos corredores, Sonic presumiu que cada cubo que tinha um determinado símbolo, precisava estar em cima do símbolo correspondente.
Sonic suspirou, sabendo que teria sua paciência testada com aquilo... Após algum tempo tentando, finalmente conseguiu posicionar os cubos da forma correta.
A porta se abriu.
Sonic engoliu em seco, com medo do que poderia estar atrás daquela escuridão.
Uma pequena sala.
Numa das paredes havia uma sequência de desenhos: na primeira fileira, gema retangular, diamante e gema retangular. Na segunda fileira, diamante, gema retangular e diamante. Na terceira, novamente gema retangular, diamante e gema retangular.
Sonic achou muito estranho uma pista estar tão evidente, mas não tinha tempo a perder, tinha que seguir em frente.
Na outra parede havia uma pintura, se tratava do retrato de alguém encapuzado.
— Uh, só de olhar já me dá arrepios... — comentou sentindo um calafrio. Tinha a sensação de que a pessoa por baixo do capuz estava o olhando. Exceto o destaque do retrato, havia um cenário familiar como fundo e quatro símbolos dourados enfeitando as cortinas rubras.
A sua frente, havia uma escrivaninha.
Não havia nada além de um retângulo com cubos com uma linha gravada em cada um deles, ora vertical, ora horizontal, havendo apenas um único espaço, permitindo alterar a posição dos cubos.
Sonic, despretensiosamente, não sabendo o que fazer, começou a mudá-los de posição. Após alguns minutos, notou que os cubos se conectavam através das linhas e que havia um círculo de cada lado da caixa, que parecia ser a origem das linhas. Mexendo um pouco mais aqueles cubos, Sonic conseguiu posicioná-los de forma que as linhas começaram a brilhar da cor celeste.
De repente Sonic ouviu um estalo vindo da escrivaninha, acompanhado de um odor de madeira antiga e pura. Sonic ergueu a parte superior da escrivaninha, revelando um compartimento.
Dentro havia um bico-de-pena jogado lá e uma chave de dar corda um tanto grande. Quando Sonic a virou, escutou um outro estalo que veio do pedestal.
Parte do escudo que estava lá se desfez.
— Será que é para acessar todas as portas antes de pegar essa chave? — se perguntou Sonic pegando o bico-de-pena para o caso de precisar, embora parecesse bastante inútil.
— Sr. Sonic, quando vamos sair? — indagou uma voz fina e doce.
Sonic sentiu um calafrio antes de se virar para a direção da voz.
Não havia ninguém.
— O que foi isso? — Sonic se perguntou. Não sentiu aquela sensação de perigo que sentia desde que fora parar naquele lugar... Era nostálgico.
— Sr. Sonic? Onde está? — perguntou a voz.
— Como sabe meu nome? — Sonic quis saber.
Não houve resposta.
Sonic se dirigiu para outra porta e como o esperado, ela estava trancada e havia outro quebra-cabeça para decifrar.
Eram quatro espaços preenchidos de símbolos, conforme Sonic girava esses espaços, viu quatro opções para cada um. Qual seria a ordem?
— Onde é que eu vi esses símbolos? — Sonic se perguntou pensando um pouco. — Lembrei!
Sonic foi correndo para o primeiro cômodo, procurando o quadro.
Lá estavam os quatro símbolos, desenhados nas cortinas.
Os decorou e voltou rapidamente para a porta, os colocando em ordem e desbloqueando a segunda porta.
— Até que está sendo fácil! — comentou consigo mesmo.
Acabou se recordando que ouvira de algumas pessoas da vizinhança no passado frases como: “Esse menino só pensa em correr por aí! Será que ele vai ter algum futuro?” ou “Aquele moleque pensa mais com os pés do que com o cérebro!”.
Sonic sorriu, mesmo que não pudesse provar para ninguém que conseguia sim parar para pensar um pouco mais, como qualquer um poderia.
Isso o fez pensar nos amigos.
— Vou descobrir o que aconteceu! — pensou antes de voltar a se concentrar no que estava fazendo.
Entrou no cômodo e se deparou com uma estante de livros.
— Mais uma dessas? — Sonic estranhou.
Foi até os livros e começou a examinar um a um. Aparentemente não havia nada de especial em nenhum dos livros. Apenas para ter certeza, deu uma segunda olhada.
— Qual é a desses livros? — Sonic bufou um pouco frustrado.
Olhou em volta.
Havia um outro quadro, a estante... No fundo do móvel, Sonic notou dois olhos raspados na superfície da madeira.
Sonic tentou pensar no que aquilo poderia significar, mas nada lhe passou pela cabeça. Decidiu devolver os livros na estante com certa pressa antes de sair dali.
Mas ao passar pelo quadro, notou uma enorme e grotesca criatura negra semelhante a um dragão retratada nela... Com seu imponentes olhos.
Sonic, sem muita esperança esticou sua mão até os olhos da criatura e pressionou com cuidado.
Se tratavam de um par de botões.
Num estalo, o quadro deslizou para o lado, revelando um vão, onde estava a segunda chave de dar corda.
— Que loucura! — exclamou espantado.
Então Sonic girou a chave e novamente num estalo, desfez outra parte do escudo que protegia a chave.
— Sr. Sonic? — chamou a voz.
Aquela voz passou tão perto de Sonic, que o ouriço deu um pulo de susto.
Definitivamente não havia ninguém na sua frente.
Rumou rapidamente para a próxima porta.
Havia cubos a serem posicionados novamente... Mas desta vez haviam 5 lentes marcadas num dos cantos da moldura dourada com números romanos por cima dos cubos que estavam lá.
— Provavelmente o símbolo que estiver embaixo da lente, é o que vai valer — disse Sonic raciocinando consigo mesmo. Estava começando a se acostumar com a lógica das coisas que estavam acontecendo com ele naquelas últimas horas. — Deve haver alguma pista que deixei passar despercebida.
Sonic voltou nos cômodos anteriores em busca de algo que remetesse aos símbolos da porta. Após procurar um pouco, sabendo que tinha que se atentar aos detalhes, encontrou a pista no quadro do dragão negro.
Decorou a ordem dos símbolos e foi até a porta. Enquanto tentava solucionar o quebra-cabeça, refletia sobre a situação.
— Se tem alguém querendo acabar comigo tanto assim, então porque existem pistas espalhadas por toda parte? — se perguntou mentalmente, apenas para ter certeza de que não seria ouvido. — Seria a tal “brincadeira”? E qual é o propósito de tudo isso?
A porta foi desbloqueada.
O ouriço entrou no cômodo. Ali, havia apenas um telefone colocado sobre uma mesinha. Parecia um telefone bastante antigo.
Sonic franziu a testa.
De súbito, o telefone começou a tocar, fazendo Sonic dar um pulo de susto.
Com certo receio, Sonic se aproximou do aparelho.
— Eu deveria atender? Quem estaria do outro lado da linha? — se questionou Sonic.
Movido pela insaciável sede por respostas, pegou o telefone e o levou para junto do ouvido sem dizer uma única palavra.
De início, Sonic apenas conseguia identificar uma respiração ofegante.
— Por que as coisas chegaram nesse ponto? — perguntou uma voz... Embora a qualidade da transmissão estivesse ruim, Sonic conseguiu identificar uma voz fina.
Alguém que não parecia estar falando com ele.
— M-minha existência é um erro tão grave assim? — indagou a mesma voz em tom choroso.
Sonic sentiu seu peito pesar por alguma razão.
— Talvez... Eu deveria dar um fim nisso antes que o pior aconteça...
— Não espera! — Sonic gritou antes de sequer pensar.
Gritos tão altos sairiam do telefone, que Sonic teve que afastar o aparelho de seu ouvido para não danificar sua audição.
Assim que o som cessou, deixando apenas um ruído de estática, Sonic escutou outro som acompanhado de uma energia densa atrás dele.
Para não encerrar a ligação, Sonic colocou o telefone sobre a mesa e se virou de costas, se deparando com uma silhueta negra que era bastante amorfa para Sonic identificar.
— Ninguém precisa saber disso! — gritou uma voz vinda diretamente da silhueta antes da mesma avançar numa velocidade absurda mostrando seu sorriso mais macabro para Sonic.
— AAAAH!!! — Sonic gritou apavorado colocando os braços a sua frente na tentativa de se proteger.
O ser o atravessou com se fosse um fantasma desaparecendo logo em seguida.
Sonic caiu sentado no chão, ainda atônito com o que acabou de ver.
Seu coração estava a mil e sua mente um turbilhão de pensamento com uma sensação muito estranha engolfando seu âmago...
Quando o ouriço estava para pegar o relógio que escapou de sua mão, acabou notando algo diferente em uma parte do piso. Como se o piso fosse falso.
Com certo esforço, Sonic conseguiu remover o piso, revelando a terceira chave de dar corda. Deu corda na mesma, desfazendo mais uma parte do escudo.
— Esse lugar não tem o menor sentido... — comentou Sonic num murmúrio.
— NÃO!!! — gritou a voz angustiada.
Aquilo fez Sonic ter uma aguda dor de cabeça.
Inúmeras imagens amedrontadoras passaram a sua frente, em sua maioria, muito semelhantes com o último sonho que teve... Pessoas sem vida, fogo púrpura, explosões, gritos...
— Por qu- por que estou vendo tudo isso? — Sonic massageou a cabeça na tentativa de fazer a dor e tontura passarem.
Levou alguns minutos antes e se recuperar.
Acabou percebendo que havia uma nota ali também... “Qual é a semelhança entre um corvo e uma escrivaninha?” era a pergunta escrita no papel.
— Eu lá vou saber o que uma ave e um móvel tem de semelhante? — comentou Sonic antes de levantar e rumar para a penúltima porta.
Desta vez, eram nove espaços, em cada espaço havia um desenho de diamante. Sonic tocou em um dos desenhos, notando que era possível girá-los revelando um desenho de gema retangular do outro lado.
— Eu vi esses desenhos antes! — Sonic correu por todos os cômodos, até que encontrou o cartaz colado na parede do primeiro cômodo que desbloqueou.
Estava lá a sequência.
Sonic decorou e foi correndo para a porta para desbloqueá-la: na primeira fileira, gema retangular, diamante e gema retangular. Na segunda fileira, diamante, gema retangular e diamante. Na terceira, novamente gema retangular, diamante e gema retangular.
A porta não se abriu...
— O quê?! — Sonic tentou desfazer tudo e refazer.
Não funcionou.
— Mas como?! — Sonic tentou fazer a combinação em uma ordem diferente.
No entanto, foi inútil.
— Por que não funciona?! — Sonic socou a porta.
Pensou um pouco consigo mesmo.
De fato algo era estranho, pois o cartaz se encontrava em um lugar extremamente evidente e até aquele momento, nenhum dos enigmas tinham suas respostas descaradamente expostas. Aquilo tinha que ser um truque....
Olhou pensativo para a chave sobre o pedestal.
Tinha que obtê-la...
Seu brilho hipnótico fez Sonic buscá-la sem pensar.
Sonic lutou com o campo de energia entorno de chave para poder acessá-la.
Sentiu suas mãos arderem enquanto penetrava em direção ao centro do escudo.
De repente um tremor fez Sonic despertar de seu encanto.
O salão inteiro começou a tremer quando compartimentos se abriam e de lá começou a jorrar água copiosamente.
— Droga! Água?! —Sonic sentiu seu sangue gelar.
Não tinha muito tempo até o salão ficar submerso.
Sonic correu desesperado até a primeira sala tentando entender qual seria o truque por trás daquele enigma.
— Por quê? — questionou Sonic. — Por que isso está acontecendo? Por que comigo? — Sonic socou o cartaz na tentativa de descontar sua frustração em algum lugar enquanto a água submergia seu punho.
— Você só precisa ver as coisas por outra perspectiva — sussurrou uma voz, refletindo imponência e confiança.
— O quê? — Sonic deu um pulo de susto virando-se para olhar de relance para trás, contudo não estava ninguém ali.
O cartaz acabou rasgando, mas aquilo não importava mais para Sonic, pois ele não era útil. Antes de ir embora do local para poder se manter na superfície e pensar em algo, Sonic viu outra camada do cartaz debaixo daquele.
Fale com o autor