Sonhos e Realidades

4 Capítulo 4 - Meu futuro, minha dor, minha esperança.


Notas iniciais
Olá pessoal, obrigada por lerem esta história :D Este capítulo será contado no ponto de vista do Cebola. Boa leitura.

Arrumei minhas malas e acho que não faltava mais nada. Meu quarto estava quase vazio. Maria Cebolinha entrou no meu quarto e logo as lágrimas surgiram em seus olhos pequeninos.

– Maninho... Você já tá indo embora? — Ela agarrou a barra da minha blusa.

– Sim Maria. Mas prometo que vou te ligar todos os dias. Você vai ficar bem sem mim, não vai? — Sorri para ela a fim de tentar alegrá-la um pouco.

Minha irmãzinha ficou puxando devagarinho a ponta da blusa, quando olhou em cima da minha escrivaninha.

– Maninho — Ela disse — E a Mônica? Você não vai levar ela? — Percebi que ela estava apontando para a foto que eu havia tirado da Mônica na noite do ano novo. Ela estava linda, com os cabelos caindo com os cachos nos ombros, o vestido branco na altura do joelho. Tinha o sorriso mais bonito que eu já vira na vida. Acho que foi por causa dos *dentões* dela que eu acabei me apaixonando, ou foram as pancadas.

Maria viu que eu não respondia e soltando a minha blusa foi direto para a escrivaninha pegando o porta-retrato e me entregando.

– Não se esqueça de levá-la. Se você a esquecesse, ela ficaria uma fera e te bateria com o Coelhinho. — Ela fez uma careta.

Peguei a foto e coloquei na minha bolsa. Ouvi minha mãe chamando minha irmã , ela me deu um beijo na testa e saiu saltitando para fora do quarto.

Olhei para a bolsa e um aperto no meu coração surgiu. Mônica.

Como eu queria abraçá-la. Senti-la nos meus braços, sentir o seu doce perfume... Mas nesse momento eu não poderia. Eu havia magoado seus sentimentos. Era uma cicatriz profunda que só o tempo curaria. Eu precisava fazer isso. Precisava protegê-la a qualquer custo.

Mas fazendo isso, eu sabia exatamente quem estaria lá pra ajudá-la: Do Contra. Acho que finalmente um dos meus Planos Infalíveis estava funcionando. Não como eu queria realmente, mas era necessário.

Recebi um SMS no celular e fui ver quem era.

`` Você está atrasado. Quero que venha parra cá imediatamente, Cebola.´´

Suspirei e guardei meu celular no bolso, peguei minhas malas e dei uma última olhada no meu quarto.

– Adeus.

Desci as escadas e estava todos lá : Maria Cebolinha, meus pais, Cascão e a Cascuda. Magali havia se despedido de mim na escola, assim como os outros. Mas uma pessoa ali me fazia mais falta, a garota com quem eu achava que eu pudesse ficar para sempre junto... Mas que por hora não havia como.

– Ei cara. — Era Cascão — Vê se não esquece dos amigos, Careca. Espero que esse teu intercâmbio na França não demore muito. — Ele me deu um leve tapa nas costas.

– 5 anos, Cascão. Vamos ficar tudo isso sem nos ver. Mas podemos nos falar via Web Cam, então não se preocupe, não vou esquecer. — Sorri para Maria Cascuda, que estava com os olhos marejados. Sabia também que meu amigo andava brigando muito com ela e parecia estar se afastando um pouco dela, mas parece que por hora isso já havia sido resolvido.

Meus pais me abraçaram e minha mãe chorou como se eu tivesse morrido. Me cortou o coração ver ela dessa maneira, mas sabia que ela estava suportaria.

– Filho, nos perdoe... Você não precisa... — Minha mãe começou mas eu a cortei.

– Tudo bem, tudo vai ficar bem, não se preocupem comigo. — Abracei-a

Senti Cascão me olhar desconfiado com essa conversa, mas ele não precisava saber, porque se descobrisse, ele e os outros tentariam querer nos ajudar, mas isso seria muito arriscado. Eu realmente não queria perder mais ninguém.

Abri a porta de entrada e a vi parada mexendo no celular.

– Penha. — Eu disse.

– Está prronto meu querrido? — Disse Penha com um sotaque francês forte.

– Sim, está tudo pronto. Podemos ir? — Olhei para um dos seguranças dela que vinha em minha direção para pegar minhas malas.

– Clarro que podemos, já não faltava tempo. — Ela se aproximou do meu ouvido — Fez o que eu mandei? — Havia um tom irônico na sua voz.

– Sim, está feito. — Meu corpo estava tenso quando ela tocou no meu braço.

Penha fez o seu papel. Deu tchau para a minha família e amigos e com o seu jeito falso sorriu para minha irmã que mostrou a língua para ela.

– Pirrralha. — Ela sussurrou. — Vamos, Chérie. — Penha estendeu o braço para mim e eu a peguei.

Entramos no carro e o motorista começou a andar. Quando ele virou a esquina, vi uma figura correndo.

Era Mônica. Estava com lágrima nos olhos, sua expressão estava se alguém tivesse morrido.

Por um segundo, nossos olhares se cruzaram. Por um segundo, tive vontade de gritar seu nome, e eu queria me jogar em seus braços e acabar com tudo.

Mas não o fiz, virei meu rosto e respirei fundo. Ouvi Mônica gritar meu nome e tenho certeza que Penha ouviu também, pois vi ela esboçar um sorriso.

Queria pegar uma faca e cortar essa boca maldita e depois enfiaria essa faca no meu coração, para acabar com esse sofrimento.

Depois de alguns minutos já havíamos saído da cidade, e então eu podia deixar tudo para trás e recomeçar de novo.

Sem a Mônica.

Uma lágrima traiçoeira escorreu no canto do meu olho. Pensei nos últimos momentos que tive com ela. Não queria que tivesse que ter sido daquele jeito. Penha queria que dissesse pra Mônica que eu não a amava mais, mas não podia chegar a esse ponto, não sabia o que ela poderia fazer. Estou com uma dívida enorme com o DC. Espero que ele possa continuar ajudando a Mô.

Chegamos ao Aeroporto internacional do Limoeiro e já fomos fazer o check-in para viajarmos. Depois de algum tempo finalmente íamos embarcar. Foram 12 horas de viagem. Pegamos o voo direto. Nesse tempo não consegui pregar o olho e passei a viagem inteira pensando nas coisas que eu teria de fazer para *sobreviver* a isso. Estava na hora um novo Plano Infalível.

Depois que saímos do aeroporto fomos para a Mansão da Penha, onde seria a minha nova casa.

– Chegamos lindo. Seja bem vindo à minha bela casa, fique à vontade. — Penha deu um sorrisinho e me deixou, indo direto para seu quarto.

Que merda. Ficarei 5 anos tendo de aturar essa mulherzinha. Acho que isso é o meu castigo por ter me metido na vida dela quando éramos crianças. Naquela época, eu estava fugindo de um ataque de fúria da Mônica, quando me esbarrei na garota francesa e para não apanhar da Mônica disse a ela que estávamos namorando e que Mônica não podia me bater, na frente da minha namorada. Depois que a poeira baixou, percebi que a garota francesa era muito chata e mandona, então eu dei um fora nela, mas acho que isso a deixou traumatizada. Depois disso, penha voltou pra França mas antes de ir, me disse que eu pagaria por te-la feito sofrer. Nunca imaginaria que aquela garotinha fosse levar a sério. Eu realmente não tenho sorte.

Um dos mordomos de Penha e sua família veio me mostrar onde seria meu quarto. Ele me acompanhou e me mostrou a porta.

– Fique a vontade, meu senhorr. A senhorrita me disse para lhe obedecer. E as crriadas também. Qualquerr coisa é só nos chamarr. Com a sua licença. — Vi o mordomo desaparecer no corredor. Abri a porta e entrei no quarto. Era imenso, mas diferente do que eu pensava, era um quarto moderno, bem moderno pro meu gosto. Tinha computadores e tudo quanto tecnologia no quarto. Ela havia pensado em tudo. Cada vez mais que eu penso, eu fico irritado. Essa garota era um demônio.

As horas passaram muito devagar. Tive que participar de coisas irritantes o dia todo. Tive que ouvir Penha e sua família toda hora. Tive que fingir sorrisos e palavras gentis. Os pais de Penha não sabiam o que a filha *Querrida* deles estava fazendo. Não sabiam que ela era uma manipuladora, mentirosa e ainda por cima chantagista. Se ela tinha mais *qualidades* eu ainda não sabia. Mas eu tinha que ficar esperto, porque ela ainda estava tramando alguma coisa.

A noite chegou e voltei exausto ao meu quarto. Tomei um banho rápido e fui me deitar, desde a hora que saímos do Limoeiro e viajamos, eu não havia dormido se quer uma hora. Peguei minha bolsa que estava na cama e abri, pegando o porta-retrato da Mônica. Me deitei na cama e fiquei olhando para a foto. Passei os dedos na imagem. Queria que toda essa situação fosse mentira. Queria estar em casa com minha família. Queria estar com meus amigos.

Eu queria a Mônica.

Notas finais
Oláaa pessoal! Espero de grande coração que vocês tenham gostado desse capítulo :B Penha, Penha... Menina má, o que anda aprontando, hein? Até a próxima pessoal e muito obrigada. Sayonará!