Sonhos e Pesadelos...
2 Capítulo 02: Sob a verdade, uma ilusão.
Notas iniciais
Depois que aquela mulher disse aquelas palavras, simplesmente comecei a ficar zonzo, minha cabeça pesava e sentia todo o meu corpo pesar.
Ela me soltou, e sem que eu me aguentasse, deitei e fechei os olhos, mas não queria dormir, queria falar mais com a loira, saber quem é ela?! Saber mais coisas dela?! O que ela quis dizer?! Por que ela estava aqui?! Como iria me ajudar?! E se ela iria sumir depois que eu dormisse?!
Eu realmente não queria que ela fosse, seria estranho acordar e saber que ninguém estará aqui me esperando de novo, voltaria a ser solitário.
Abri com dificuldade os olhos e ela continuava em pé na minha frente.
— Você... vai embora? — perguntei já meio sonolento e ela se agachou na minha frente, mas não respondeu — Quando eu dormir... vai embora? — insisti.
— Não se preocupe, Natsu — acariciou os meus fios róseos — Mesmo que eu não esteja aqui quando acordar, eu vou voltar.
Com suas gentis palavras, fechei os olhos e apreciei os seu carinho até que enfim, tudo ficou negro.
[...]
Estranhamente, quando me dei conta, eu já estava em pé num pequeno palco.
Olhei em volta, varias pessoas estavam sentados a minha volta, todas elas estavam com o rosto apagado e eu não pude diferencia-los, olhei pra frente e tinha um homem em uma roupa branca com um livro grande em mãos, seu rosto também era impossível de se ver, mas eu sabia o que era ele, um juiz, e sabia bem que aquilo tudo se tratava de um casamento.
Mas era o meu casamento?!
Eu casaria com quem?!
Tentei falar algo, perguntar quem era a minha noiva, mas nada saia da minha boca, nem mesmo consegui abri-la, então esperei e deixei acontecer seja lá o que fosse acontecer.
Logo, começou a ser tocada a marcha nupcial, as pessoas se levantaram em respeito à noiva, e automaticamente, me virei para a passarela de tapete vermelho, foi involuntário, meu corpo não me obedecia, minha boca não se abria.
Bem ao fundo do salão, a porta esculpida e bem cuidada foi aberta e uma bela mulher em um vestido branco de calda longa bem rendada entrou.
Meus olhos se cravaram na moça que andava em minha direção, suas passadas suaves e repletas de graciosidade, ela parecia calma e era como se estivesse mais do que satisfeita com o casamento, todavia, ao contrário dela, a cada passo que ficávamos mais próximos, mais uma ansiedade e vontade de sair do lugar aumentava, eu me sentia estranho, eu queria dizer que não ia me casar, que não conhecia aquela mulher, mas minha boca não se mexia, eu estava parecido com uma marionete, onde eu estava sendo controlado por alguém desconhecido.
A moça parou na minha frente, eu também não consegui ver seu rosto, ela me encarava e sem dizer nada, esticou a mão pra mim, e a minha a pegou sem ao menos hesitar, coisa que eu não queria fazer.
O que estava acontecendo?!
Por que eu não podia fazer o que queria?
Quem era essa a qual eu teria que me casar?
Quem são todas essas pessoas?
Eu tinha tantas perguntas, mas não tinha nenhuma resposta, quando me dei conta, eu e ela estávamos ajoelhados na frente do juiz, mas eu não sentia como se realmente eu estivesse com os joelhos prostrados, na verdade, eu não sentia nada, era mais como se eu não estivesse ali.
O juiz fez um gesto com as mãos e nós nos levantamos.
— Lisanna Strauss — começou o juiz, então ela se chamava Lisanna — Você recebe, Natsu Dragneel, como seu legítimo marido e promete ser fiel, amar e respeitar, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias das vossas vidas, até que a morte os separe? — perguntou o homem.
— Sim, aceito — confirmou ela sem nem ao menos pensar, o homem se virou pra mim.
— E você, Natsu Dragneel, recebe, Lisanna Strauss, como sua legítima esposa e promete ser fiel, amar e respeitar, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias das vossas vidas, até que a morte os separe?
Não respondi na hora, era como se meu corpo estivesse pensando.
— Eu... — [— Não, não aceito.] — ...Aceito.
— Se há alguém aqui que é contra esse casamente, que se pronuncie agora — ele perguntou, mas ninguém se pronunciou.
[— Eu tenho.] pensei comigo mesmo [— Eu não conheço essa mulher e não quero me casar.] gritei em meus pensamentos, na esperança de que saísse, mas nada aconteceu, nem mesmo o menor som saía de meus lábios.
E como ninguém havia se pronunciado, o juiz pegou uma almofada branca com duas alianças e estendeu para nós.
A albina cuja o nome era Lisanna, pegou uma das alianças — a maior — e pegou a minha mão.
— Natsu — disse meu nome, ela sorria largamente, parecia um sonho se realizando pra ela, acho que ela me amava, me senti com um pouco de remorso, eu não sentia nada por ela, a não ser por um estranho sentimento de carinho, acho que se fosse pra descrever, o meu corpo a considerava uma irmã mais nova.
[— Mas se eu acho ela minha irmã, por que estou me casando?] Me perguntei, de qualquer maneira, essa cerimônia ainda não fazia sentido.
— Natsu Dragneel, eu o desposo — disse e colocou a aliança em meu dedo.
Dessa vez, eu que peguei o anel, sem nem ao menos eu pegar a sua mão, ela já a tinha esticado em minha frente.
Internamente, eu contrariei aquele ato, eu não queria mesmo me casar, mas meu corpo ainda não me obedecia e pegou a mão da mulher.
— Lisanna Strauss — eu disse no automático e recebi um sorriso da albina, naquele segundo eu me senti um horror, eu e meu corpo não queríamos mesmo casar com ela, e estava enganando ela, por que?!
Quando eu cheguei a aliança perto dos dedos dela, a porta da igreja foi aberta em um forte baque e junto um grito para que parassem o casamento.
Tanto eu quanto meu corpo se assustou, deixei a aliança cair e ela saiu rolando pela escada e pelo tapete vermelho até parar no pé de alguém.
Quando levantei o olhar notei uma mulher loira ofegante.
No segundo que a vi — apenas sua fisionomia, porque seu rosto, assim como todos, estava escuro e sem forma — uma alegria e felicidade surgiu em mim, não só em mim mas em meu corpo também, ambos estávamos felizes.
Ela se abaixou e pegou a aliança com os seus dedos finos de forma delicada e voltou a me olhar.
— Natsu, você não pode se casar com ela — disse gentilmente mas ainda suplicante.
[— É, não posso mesmo, ainda bem que você sabe.] Respondi à ela em pensamento desejando que meu corpo fizesse o mesmo.
Quando meus lábios se abriram, uma coisa totalmente saiu por eles.
— E por que não...? — perguntei e internamente, juntei as sobrancelhas, irritado.
[— Como "por que"? Você sabe porque, você não ama essa tal de Lisanna desse modo.] Respondi indignado para o meu corpo, que como sempre, não me ouviu.
— Só não se case, você não ama a Lisanna, você sabe disso — ela tentou argumentar gesticulando com as mãos.
Eu sorri alegremente, por dentro, já que por fora, eu sorria sarcasticamente.
[— Ora essa corpo, o que esta acontecendo comigo...?!]
Caminhei até ficar de frente pra mulher loira e involuntariamente segurei pela cintura, chegando bem perto de seu rosto podendo sentir o aroma de seus cabelos.
— Lucy, querida, nós dois sabemos que eu não posso voltar agora — [— Espera, espera, Lucy, essa não é a mulher no coma, o que está acontecendo afinal...?] — E nada que você fizer vai me convencer.
[— Corpo estúpido, você não sabe que ela vai entrar em coma, né?] Desejei fortemente que meu corpo me ouvisse ao menos dessa vez, mas como eu já sabia, nada aconteceu.
A loira envolveu os seus braços finos pelo meu pescoço e me abraçou, e levou sua cabeça ate meu ombro descansando lá.
— Ah, Natsu, eu sinto muito — [— Sente pelo que?!] — Me perdoe, eu não estou mais com ele, então, por favor, volta pra mim — ela pedia clamante.
A minha vontade era de disser sim e sair correndo pela igreja com ela, mas definitivamente isso não iria acontecer, ou era o que eu pensava.
— Luce — eu disse gentilmente, acho que meu corpo estava me obedecendo, ou quase — Você sabe que não é tão fácil, não é — sussurrei pra ela e a mesma me abraçou mais no abraço.
— Sei — ela disse um pouco relutante — Mas não me importo, só... vamos correr — propôs e eu sorri.
— Sim, vamos — eu disse, e era exatamente o que queria dizer — Se prepare pra correr muito.
Eu soltei ela e peguei sua mão sorrindo largamente assim como ela, quando começamos a correr, ouvi alguns gritos raivosos e Lisanna gritar em um pedido para que eu ficasse, talvez ela estivesse chorando, mas naquele momento, eu não me importei. Apenas continuei correndo ao lado de Lucy.
Em um momento em meio a corrida, eu simplesmente fechei os olhos e quando tornei a abri-los, eu já não estava mais correndo.
Estava sozinho em meio ao escuro deitado na cama, tentei me mexer mas não conseguia, comecei a me desesperar e fechei os olhos com força, tentei me acalmar e ao abri os olhos de novo, eu estava no meio quarto de hospital todo iluminado.
Olhei em volta e vi o velhote do meu médico, fazendo a minha bateria de exames como todo dia e quando notou que eu tinha acordado, sorriu pra mim.
— Oh, bom dia, Natsu, dormiu bem? — perguntou sem me olhar.
— Não — respondi baixinho, mas Gildarts não me escutou.
Ele terminou o que tinha pra fazer, conversou sobre algumas coisas banais as quais não tive a menor vontade de levar adiante.
Um pouco depois, ele saiu e me deixou sozinho de novo.
Eu perguntei pra ele sobre a tal Lucy, e como eu já sabia, ela continuava do mesmo jeito, imóvel, sem sinais de que estava acordando.
Quando a noite voltou, a mesma loira misteriosa de ontem voltou a me visitar, assim como ela havia prometido.
Me sentei na cama, sorrindo.
— Você voltou — disse animado em vê-la — Achei que não viria.
— Que isso, Natsu, eu disse que voltaria — sorriu pra mim e se sentou na beira da cama, ao meu lado.
Ficamos em silencio um pouco de tempo, eu queria perguntar pra ela sobre o sonho, sobre o que era tudo aquilo, o que tinha acontecido, queria todas as respostas que ninguém me dizia, mas tinha medo de ela virar as costa pra mim e não dizer nada, me ignorar como todos que estravam no meu quarto, mas fiquei com mais medo em pensar que ela poderia desistir de me ver.
Meio como se pudesse saber exatamente o que me preocupava, ela pôs uma mão de cada lado do meu rosto e juntou nossas testas.
— Eu sei sobre o que você esta pensando, mas não tenha medo — me consolou espantando alguns de meus medos — Não precisa perguntar, esta bem... eu vou responder tudo, mas... — fez uma pequena pausa e nos separou.
— Continua... — pedi.
— Eu posso te ajudar a entender, mas não posso te consolar — mexeu os dedos nevosamente em seu colo — Pode ser que você lembre de coisas que o você do ontem nunca queria lembrar, ver coisa que o você do agora não queria ver e passa por coisas que o você do amanhã não queria passar.
Olhei meio assustado pra ela, aquilo parecia assustador, fazia parecer ficar sem memoria uma otina opção, mas eu sabia que aquela era a minha oportunidade e que eu nunca teria outra parecida, e eu queria lembrar de tudo, principalmente de Lucy, ela era a que eu mais queria recordar.
— Eu... quero tentar — disse decidido — Por favor, me mostre tudo.
Ela sorriu e balançou a cabeça.
— Eu preferiria que você não lembrasse, mas se é isso que quer, Natsu, eu vou te mostrar tudo — ela esticou a mão e tocou meu rosto — Feche os olhos e apenas... confie em mim — assim como ela pediu, eu fechei os olhos — Será muitas coisas, não vou mostrar tudo de uma vez, então, primeiro, vou te mostrar todo o seu passado, antes da sua mudança.
E assim que ela disse isso, quando abri os olhos estávamos lá fora, no meio de um parte, em um dia de neve, com crianças e até adultos brincando e sorrindo.
Olhei pra loira e ela sorria também.
— Esse é o seu passado, Natsu.
[Próximo capitulo]
Capítulo 03: Lembranças passadas.
[— Pode parecer confuso agora, mas acredite que tudo vai melhorar e clarear, eu estou aqui justamente pra isso, e não se preocupe se não conseguiu entender agora o que você fez, tudo vai ser mais fácil de entender quando você descobrir tudo.]
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