Notas iniciais
Hope u enjoy cute moments!

O dia havia amanhecido claro em Nova York e bem propício a uma tarde de piquenique, o que fez com que Swan quase se ajoelhasse em agradecimento. Se precisassem cancelar esse passeio por conta do tempo a mulher não saberia o que fazer uma vez que seu filho perturbava sua sanidade desde que falara com Regina. Henry que já não se aguentava de tanta ansiedade acumulada por toda a semana estava de pé antes mesmo das sete horas da manhã tendo acordado as outras duas habitantes da casa junto com ele. Um sábado nunca havia demorado tanto a chegar quanto aquele e o menino estava eufórico.

É claro que Emma havia precisado de todo seu autocontrole para não surtar com seu filho durante a maior parte dos dias, principalmente naqueles em que havia saído muito tarde do bar e estava morrendo de cansaço no dia seguinte a uma noite mal dormida. A loira não podia negar que grande parte do seu autocontrole vinha do fato que ela reservava para si uma grande quantidade de ansiedade também. A outra parte vinha da preocupação que vinha mantendo com Ruby. A mulher havia emagrecido consideravelmente e estava muito abatida nos últimos dias e tudo que a loira tentava fazer para animá-la parecia deixar a morena ainda mais triste. Em meio a ansiedade precisava descobrir como ajudar a amiga.

Naquele momento, Emma checava seu e-mail como vinha fazendo regularmente no último mês depois de responder a Henry pela milésima vez que o piquenique era ao final do dia, não no começo. As publicações para a página online do DailyMailNY começaram quando a loira viu na internet que o jornal estava procurando cronistas freelances para uma coluna online. Na primeira semana ela enviou apenas um texto, mas na última haviam publicado seus pequenos textos quase que por uma semana completa. O dinheiro extra era bem-vindo e havia conseguido pagar uma parte da sua dívida com Ruby. Bloqueava a tela de seu IPad quando notou a mesma parada a sua frente com cara de cachorro que caiu da mudança.

—Algum problema Rubs? – Perguntou a loira colocando o aparelho de lado e sinalizando para sua amiga sentar ao seu lado. A morena hesitou alguns segundos antes de se jogar ao lado de Swan com um suspiro profundo. – O que está acontecendo? – acolheu a outra em seu ombro enquanto afagava seus cabelos. Ruby levou algum tempo para começar a falar.

—Eu recebi uma proposta de emprego para ser âncora de um telejornal. – Disse após tomar fôlego como se aquela declaração tomasse todo seu ar.

—Ruby isso é fantástico. – Emma disse tocando o queixo da amiga para que esta olhasse em seus olhos – está realizando seu sonho. – O sorriso genuíno e brilhante diminuiu em seus lábios ao ver as lágrimas silenciosas descendo pelo rosto da outra. – Ei, ei. O que está acontecendo Ruby? Você está amuada assim há dias. Eu pensei que uma proposta dessas te faria sorrir de orelha a orelha e não derramar lágrimas, a não ser que fossem lágrimas de pura felicidade.

—A oferta de emprego é no Texas Emma. – Os olhos marejados de Ruby encontraram as íris verdes e cheias de expectativas de Swan.

—Oh! – Foi tudo que Emma conseguiu expressar. Ela estava feliz por Ruby, claro, mas isso significava que sua amiga precisaria viver a meio país dela. A morena iria casar e Dot era do Texas, e jogava para um time do Estado, viajava muito e conseguia ver a noiva poucas vezes e ainda assim conseguiam manter um relacionamento saudável. Essa era a oportunidade das duas conseguirem manter uma vida de casadas mais confortável, isso era inegável. A loira nunca havia pensado no que implicaria para sua própria vida sua melhor amiga casar. E finalmente havia entendido o humor de Ruby nos últimos dias. Elas não estavam acostumadas a ficar separadas, o máximo de tempo que ficaram foram as semanas do último verão antes da faculdade. Pelo visto, a morena começara a entender bem antes da loira o que se casar implicava.

—Eu e Dot ainda não tínhamos pensado nessa questão de onde morar e tal porque você sabe que ela viaja muito e bem, eu tenho meu emprego bem aqui e estamos acostumadas a viver assim...

—Ruby...

—É o melhor emprego do mundo? Não, mas é meu emprego e ela respeita muito isso.

—Ruby..

—Eu não dei nenhuma resposta ainda, mas...

—Ruby! – Emma a cortou pela terceira vez dessa vez com mais firmeza.

—Oi?

—Você não está se justificando para mim está?

—Eu... eu não sei! Estou? – Sua voz tremia ligeiramente.

—Essa notícia me pegou de surpresa e não vou ser hipócrita de negar. Eu nunca tinha parado para pensar no que seu casamento implicaria para nós duas. Você é uma parte tão importante e necessária de mim que sim, achei que estaríamos juntas para sempre. Nós duas contra o mundo. – suas mãos estavam entrelaçadas e Emma afagava a pele da outra carinhosamente – Mas você está tendo a chance de voar passarinha e você mais do que qualquer outra pessoa que conheço merece isso.

— Nessa confusão de flores, vestidos e damas de honra eu não tinha parado para pensar no depois. Eu nunca pensei que eu me separaria de você minha patinha. Nem do monstrinho.

—E você queria nos levar para lua de mel por acaso? – Ambas riram e a loira passava o polegar enxugando as lágrimas da amiga. – Eu e o monstrinho vamos ficar bem. – Sua própria voz embargou – mortos de saudade com certeza, assistindo jornal do Texas talvez, mas ver você realizando seus sonhos me deixa muito orgulhosa. Você cuidou de mim quando eu mais precisei e ver você alçando voo é uma sensação indescritível para mim. Eu vou chorar no dia que tiver que ir, e te segurar apertadinha dentro do meu abraço, mas quero que saiba que eu estarei imensamente feliz por você. – Ruby abraçou Emma com força deixando os soluços tomarem conta enquanto a loira controlava as próprias emoções.

—Tia Ruby por que está chorando? – Henry que acabava de entrar na sala correu ao encontro da tia se jogando em suas pernas – Tá doendo algum lugar? Quer que eu dou um beijinho para sarar? – Ruby que havia soltado Emma puxou o menino para seu colo que a abraçou com seus bracinhos curtos – Por favor, não chore, se você chorar eu vou querer chorar também — mas a morena só pôde soluçar ainda mais abraçada ao menino – mamãe por que tia Ruby tá chorando? – Seus olhos amendoados estavam cobertos de lágrimas que ameaçavam escapar para suas bochechas.

—Tia Ruby precisa de um abraço coletivo bem gostoso assim. – Disse Emma apertando os dois em seus próprios braços. Ela precisava preparar Henry para a partida de sua tia. Ele não conhecia uma vida em que Ruby não estivesse sempre presente. – Ela está um pouco triste porque o casamento apesar de ser uma coisa muito boa, traz muitas mudanças.

—Que tipo de mudanças? – A voz da criança era abafada pelo corpo de Ruby ao qual se apertava.

—Às vezes quando a gente casa, nós saímos da casa de nossa família e vamos morar com a pessoa com quem nos casamos igual ao seu tio que saiu da casa da sua avó e foi morar com a titia, certo? – Emma dizia calmamente e Ruby a olhava em agradecimento. Henry parecia absorver o sentido do que sua mãe falava aos poucos.

—Tia Dot vem morar aqui mamãe?

—Não meu bem.

—Então a tia Ruby vai embora? – Sua voz não passava de um sussurro embargado.

—Vai sim meu querido.

—Eu não quero que tia Ruby vá embora. – A criança se apertou mais no colo da mulher que estava prestes a chorar de novo. – Quem vai cuidar dela quando tia Dot estiver viajando para jogar? – Emma e Ruby se entreolharam emocionadas.

—Tia Ruby vai ficar bem monstrinho. – A morena disse depois de um tempo enquanto fazia carinho nos cabelos lisos da criança. A cabeça do menino estava encostada em seu peito enquanto ele fungava levemente. – E prometo que vou vir muitas vezes para te ver.

—Não vai ser a mesma coisa.

—Não vai, eu sei. Mas prometo que toda vez que vier farei Milk-shake de morango para você.

Pinky swear?

Pinky swear! – Ruby entrelaçou seu dedo mindinho com o do pequeno que se acomodou mais ainda em seu colo, mas de uma forma que pudesse ver a TV e permaneceu assim por horas enquanto eram observados por Emma que tentava sufocar no fundo do coração a falta que sentiria de sua melhor amiga.

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Pelo horário da tarde Henry estava mais animado e já havia desistido de tentar convencer Ruby de ir ao piquenique com eles com a promessa de que fariam outro programa em breve. Lá pela hora de sair a loira ainda não tinha visto seu pequeno animado como esteve durante toda semana e estava torcendo para que a presença de Regina levantasse um pouco seu astral.

Não foi surpresa para Emma ver seu celular exibir uma notificação exatamente às quatro horas da tarde. Regina era sempre pontual. Quer dizer, quase sempre. Menos surpresa ainda ficou ao constatar o descompasso do seu coração olhando para a tela que ainda brilhava com a mensagem de Regina de apenas sete letras, cheguei.

Tudo que dizia respeito à Regina deixava Emma assim. Sem fôlego, as pernas bambas e coração descompassado. Fosse uma ligação sussurrada à meia noite, ou uma mensagem de bom dia, ter a morena presente fazia o mundo da loira melhor. A mulher riu ainda olhando para a tela do celular balançando levemente a cabeça.

—Mamãe?

—Pois não Henry? – respondeu saindo do seu pequeno transe.

—É a Regina?

—Sim querido.

—Ela já está aqui?

—Sim.

—Então o que estamos esperando? Vamos logo!

—Vamos. – Respondeu simplesmente ignorando o fato de que estava esperando suas pernas obedecerem aos seus comandos. Henry correu para a porta e Emma riu de seu filho somente acenando negativamente com sua cabeça. Sua mochila pendia de um lado do seu ombro e continha suas preciosidades, ou seja, os brinquedos que mais gostava e a loira pegou em cima da bancada a sacola com as guloseimas que prepararam.

É claro que não era somente Swan que estava nervosa ou eufórica, dentro do carro uma Regina batia freneticamente no volante enquanto esperava. A morena já havia checado mais de dez vezes a cadeirinha que havia colocado no carro para Henry, se estava bem presa ou se corria o risco de sair com uma frenagem brusca. Mas tudo estava normal. Seus olhos se dirigiam para a entrada do prédio e voltavam para frente só para dez segundos depois fazerem o mesmo caminho. Regina balançou a cabeça rindo de sua própria bobagem.

Quando levantou sua cabeça novamente sentiu seu coração errar uma pequena batida de uma forma que fez seu peito doer. Céus. Emma e Henry saíram da portaria e vinham caminhando em sua direção. O menino sorriu e apertou o passo quando a viu mesmo sob os protestos de sua mãe que o pedia para não correr. E logo atrás dele, ela. Seus longos cachos dourados estavam soltos caídos em seus ombros. A calça jeans justa se moldando ao corpo e a bota até os joelhos. A blusa creme de mangas curtas estava por fora da calça. Seus braços traziam uma sacola e seu sorriso, ah, seu sorriso, Regina queria se perder nele.

—Oi Gina. – Uma massa de cabelos e olhos castanhos apareceram na porta do carona fazendo Regina desviar seu olhar de Emma por um instante. – Você veio.

—Eu prometi ao Henry, não prometi? – A morena respondeu sorrindo. – Então eu vim.

—Vamos entrando mocinho, depois você bate papo. – Disse Emma chegando até o carro – Oi Regina. – Disse enquanto colocava a sacola no chão e abria a porta traseira colocando a criança que ainda tentava conversar com a morena para dentro.

Quando Emma finalmente entrou no carro Regina não sabia onde pôr as mãos. Todo seu corpo gritava para abraçar e beijar a loira, mas elas ainda não tinham contado ao Henry de seu relacionamento, pretendiam fazer naquele piquenique, então ambas as mulheres ficaram se encarando antes de Emma desviar o olhar e colocar o cinto de segurança. Regina apertou o volante por um segundo com insegurança desviando seu olhar da loira também como se um clima sem graça estivesse se instaurado.

—Todos prontos? – Perguntou tentando soar animada e teve que realmente rir quando ouviu de Henry um sonoro sim! Mas toda tensão saiu de seu corpo quando o carro ganhou movimento e a mão de Emma pousou em sua coxa acariciando lentamente, seus olhos se encontraram por alguns instantes e ambas sorriram secretamente como um código compartilhado somente por elas. Por Deus, Regina pensou, tudo estava muito bem.

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Quando elas puderam finalmente pisar na grama do grande parque a procura de um lugar tranquilo para poderem sentar Regina já sabia todos os brinquedos que Henry trazia consigo e a história magnífica por trás de cada um. Carregava Marlo, o dinossauro de pelúcia de baixo do braço, uma vez que ele já estava cansado de ficar dentro da mochila.

Escolheram um lugar de baixo de uma grande árvore e que ficava perto de um parquinho para crianças menores. Estenderam uma grande toalha no chão colocando as coisas em cima.

—Mamãe, mamãe, mamãe – Henry pedia a atenção da mãe que ainda arrumava as coisas em cima da toalha.

—O que foi Henry? Estou arrumando as coisas. – Respondeu sem olhar para o filho enquanto Regina observava os dois com um sorriso no canto dos lábios.

—Eu quero ir ali no parquinho é só um pouquinho. Deixa.

—Vai, mas não saia do nosso campo de visão.

—Uhuul. – o menino começou a correr, mas voltou – Regina cuida do Marlo para mim. – depois voltou a correr em direção ao parquinho.

—Eu disse para não dar confiança pra ele. – Emma disse sentando na toalha sinalizando para a morena fazer o mesmo.

—Eu virei babá de dinossauro. – A morena disse se sentando dramaticamente fazendo Swan gargalhar. A loira deu uma olhada rápida em direção aos brinquedos vendo o filho escorregar e já se preparar para subir de novo no escorrega. Sem qualquer aviso se aproximou de Regina e selou seus lábios com o a da outra mulher num beijo rápido, mas com uma leve puxada no lábio inferior carnudo pigmentado de vinho.

—Eu estava morrendo de vontade de fazer isso. – Disse no ouvido de Mills que sorria de olhos fechados. – Vamos contar pra ele logo, por favor?! – Regina riu e acertou a loira com o dinossauro de pelúcia. – Ei, ele falou para você cuidar dele, não me acertar com ele.

—Você é muito atrevida! – Regina se ajeitou em cima da toalha ainda segurando a pelúcia, como se não se importasse com a proximidade de Swan.

—Vai me dizer que não estava morrendo de vontade de fazer isso também? – o olhar que Regina lançou para Emma disse tudo e a loira deixou seu corpo cair na toalha gargalhando enquanto a outra mulher mordia o lábio inferior e abraçava um dinossauro de pelúcia e se preparava para retrucar.

—Mamãe, Regina – Henry gritou alongando o fim das duas palavras – Vocês não vão ficar aí né? – Uma criança quase sem fôlego chegou perto delas. – Vamos brincar!

Regina se levantou, mas o pequeno já corria pra longe. Deu sua mão para Emma a ajudando se levantar – Salva pelo gongo Miss S-wan – disse assim que a loira se colocou de pé.

—Querida estarei pronta para você me punir o quanto quiser mais tarde. – retrucou num tom rouco dando uma piscadela. Regina havia congelado no lugar com as pernas bambas – O que? Vai ficar parada aí? – Emma olhara para trás com um sorriso sacana e Regina balançou a cabeça em total deleite enquanto seguia para as duas pessoas que tornaram seu mundo um lugar maravilhoso de se viver.