Notas iniciais
Espero que gostem e me desculpem o tamanho do capítulo. As coisas estão caminhando e eu agradeço imensamente as vocês que tiraram um tempinho para mandar mensagem de força! Vocês não tem ideia do poder que elas têm. São como lanternas em meio a toda escuridão. Sei que estou sendo meio negligente com a história, mas eu prometo que as coisas vão voltar ao normal. Que a Maria vai voltar ao normal. Obrigada por tudo.

Narrado pela Autora

Regina sentou lentamente na poltrona que antes era ocupada pela mãe de Swan. Ela não sabia o que dizer, ela não esperava ser reconhecida, mas o garoto era mais esperto do que ela imaginara. Durante muito tempo a monotonia era rotina na vida da morena que raramente se surpreendia com as pessoas, pelo contrário ela já esperava por qualquer que fosse sua atitude.

Nunca, se quer imaginara, depois de passar em tantos tribunais e deixar, inclusive, juízes sem palavras que uma criança a colocaria em uma saia tão justa como essa. O dom da oratória lhe foi roubado por quem não tinha se quer saído do pré.

Ali, deitado naquela cama de hospital, aquela pequena criatura parecia muito mais maduro do que a idade que tinha, porque nesse momento ela se deu conta que ele só inventou algo que queria da lanchonete que ficava no outro extremo do hospital para que eles pudessem ficar sozinhos no quarto e pudesse interrogá-la. Ele seria um ótimo advogado.

Regina estava realmente impressionada.

—Você é a mulher da foto que a minha mãe guarda. – Ele afirmou novamente e Regina assentiu dando-lhe uma reposta muda a sua pergunta implícita. – Eu sabia aquele dia e soube quando entrou no quarto.

—Como me reconheceu? – Regina queria fazer muitas perguntas, mas deveria ser cautelosa, apesar de inteligente ele era apenas uma criança. E crianças costumam falar demais.

—Seus olhos. Aquela foto é muito bonita e quando minha mãe não vê eu fico olhando pra ela. E os olhos de vocês chamam muita atenção. – ele simplesmente disse – você tem os mesmos olhos, os cabelos mais curtos não conseguem mudá-los. – ela sorriu e ele completou — Mas agora eles são tristes. – O sorriso morreu nos lábios da morena instantaneamente. Ela não sabia o que dizer ou como se quer reagir.

Regina estava paralisada olhando o garotinho a sua frente. Reparando bem ele era ainda mais parecido com Emma do que ela havia percebido. Suas feições, seu olhar, seu jeito de mexer as mãos e acima de tudo sua perspicácia. Ele era tão observador quanto Emma. Aquela mesma pontada que sentiu quando Ariel lhe contou da condição de saúde do pequeno voltou a assolar seu peito. Aquele não era um lugar para ele.

—Você não gosta muito de conversar? Foi por isso que você e minha mãe brigaram? Ela fala pelos cotovelos, principalmente se for pra brigar comigo ou com tia Ruby. Vocês eram namoradas igual a tia Ruby e a tia Dot? – O garoto fazia as perguntas sem qualquer tipo de pausa ou filtro.

—Eu gosto de conversar Henry, estou apenas surpresa por essa sucessão de eventos. – Regina respondeu cautelosa. Ela definitivamente não responderia a última pergunta do garoto.

—O que é sucessão de eventos? – Ele perguntou curioso.

—É quando um evento vai acontecendo atrás do outro. Por exemplo – ela disse – Você me reconheceu e logo após começou a fazer perguntas. Isso é uma sucessão de eventos. – O garoto assentiu de leve deixando Regina na dúvida se o garoto tinha realmente entendido ou se estava deixando pra lá. Como tudo que ele queria saber ele perguntava, Regina optou por achar que o menino tinha entendido.

—Mas se você gosta de conversar, por que é que você e minha mãe brigaram? – Perguntou novamente.

—O que te faz pensar que nós brigamos? – Regina devolveu a pergunta do pequeno com outra, disposta a obter o máximo de informações que poderia sobre Swan. Se isso era o certo a se fazer, principalmente com uma criança, ela iria pensar em dilemas morais depois.

—Bom... – ele abaixou a cabeça coçando as mãos, parecia decidir se falaria algo ou não – você e minha mãe já fora amigas, certo? – ele olhou para Regina que assentiu. – então não é mais uma estranha, certo? – ela assentiu novamente sorrindo, e ela não se lembrava de ter sorrido tanto nos últimos seis anos – E eu posso confiar em você porque agora somos amigos, certo?

—Certo. – Regina respondeu prontamente e até se assustou com isso, porque bem mais do que saber da vida de Swan, ela realmente se viu interessada em ser amiga do pequeno Henry. O garoto balançou a cabeça como se dissesse para ele mesmo que estava tudo certo contar para Regina as coisas que ele sabia e sentia.

—Na foto que mamãe guarda vocês estão sorrindo muito. Minha mãe sorri bastante, mas sempre que olha essa foto fica triste. – Regina o observava atentamente – Ela não sabe que eu já vi ela olhando a imagem e até mesmo secando umas lágrimas. Eu acho que ela gostava muito de você, mas acho que você fez mal para ela, ou ela pode ter feito mal para você, porque você também ficou triste quando a viu, e muito surpresa. Ela ficou muito nervosa aquele dia. E tia Ruby brigou com ela outra vez.

—Por que sua tia brigaria com ela? – Regina perguntou rapidamente prendendo a respiração.

—Eu não sei. Elas não me contam. Dizem que não é da minha conta. Mas uma vez, eu era bem menor- Regina riu internamente, como se ele fosse muito grande agora — elas brigaram feio por conta daquela foto. E tia Ruby ameaçou ir embora se mamãe não aquecesse essa história tudo de uma vez. O que é aquecer uma história Regina? – a morena ainda estava batalhando com as palavras em seu interior. O que aquilo significava? Ela sabia que não era aquecer que Ruby havia dito, e sim esquecer. Ao ver que o menino ainda esperava uma resposta ela simplesmente acenou como se não soubesse. Ela não poderia dizer nada coerente no momento.– Mamãe chorou a noite inteira nesse dia, ela não sabe que eu sei disso, ela não me deixa ver ela triste. – suspirou — Mas de manhã quando eu fui em seu quarto tia Ruby a abraçava e pedia desculpas. Elas se amam sabe. – Regina sentiu um peso no estômago. – Elas vieram de pais diferentes, mas se amam como irmãs. Mamãe disse que não precisa ser do mesmo sangue para amar. E que nem sempre a gente ama o outro que não é seu sangue como namorado ou namorada. Por exemplo, eu não sou sangue da tia Ruby, mas ela me ama como seu “ombrinho”. – ele abriu um sorriso como se tivesse descoberto a cura do câncer. E talvez, para ele, de fato fosse.

—Sobrinho. – Regina o corrigiu sorrindo.

—Isso mesmo.

—Então sua mãe nunca namorou Ruby? – perguntou cautelosa e o menino arqueou as sobrancelhas confuso.

—Não. – disse isso como se o que Regina propôs fosse o maior dos absurdos – Tia Ruby sempre namorou tia Dot. Elas vão se casar. E eu vou entrar com as alianças. – A morena sentia todo seu corpo retumbar as batidas de seu coração. – Ela está esperando eu melhorar primeiro. – Ele disse e seu semblante rapidamente assumiu um tom triste.

—Você vai melhorar Henry. – A morena disse mais confiante do que realmente se sentia. – Logo, logo. Você vai ver.

—Todo mundo me diz isso Regina. Inclusive minha mãe. Mas eu sei que quando ela sai desse quarto ela chora. Eu não gosto de fazer minha mãe chorar. – Os olhos do garotinho se encheram de lágrimas e a morena aprendeu ali, naquele dia, com uma pequena criança o que era empatia. Apesar de todo sofrimento, do tratamento agressivo e invasivo aquele menino não gostava de fazer a mãe sofrer. – Eu também faço a minha mãe sofrer e eu só quero que ela seja feliz.

—Eu tenho certeza que você faz sua mãe muito feliz Henry. – Regina disse com a voz embargada. – E se ela fica triste é porque ela não quer ver você sofrer. Tenho certeza que se ela pudesse trocaria de lugar com você. Mas você precisa ser forte e corajoso.

—Eu sei. – sua voz não passava de um sussurro. – Sabe por que eu me chamo Henry, Regina? – Ele perguntou depois de alguns segundos de silêncio. – Por que me chamo Henry David Swan? – A morena negou com um aceno de cabeça incapaz se quer de respirar o que dirá abrir a boca e sair algo coerente. Ela estava dividida em acreditar que Emma colocara o nome de seu pai em seu filho por conta de uma promessa. – Um dia eu fiquei com muito medo da injeção Regina, e gritei e briguei com o médico porque não queria que ele enfiasse aquilo nas minhas costas. – ele parou e respirou – minha mãe pediu que todo mundo saísse do quarto, sentou em minha cama, segurou minhas mãos e disse que eu me chamava Henry David porque ela tinha me dado o nome de duas pessoas, uma que foi e outra que até hoje é, forte e corajosa. Eu não conheço o Henry, não sei nem que é, mas eu sabia que meu vovô é o homem mais corajoso que conheço e quando o médico voltou mamãe segurou minhas mãos e eu tomei a injeção como Henry e Vovô teriam feito. – Regina sentia todo seu corpo entrar em colapso – Foi a única vez que minha mãe me deixou ver ela chorar.

A morena não sabia o que pensar. Tudo que ela acreditava que tivesse acontecido estava sendo desmentido por um garotinho de cinco anos. A sensibilidade que Emma tinha, e o carinho com que usara o nome do pai de Regina destoava totalmente da imagem traiçoeira que tinha da loira lhe enganando, lhe usando e jogando fora o seu amor.

—Minha avó está chegando Regina. Esse é o nosso segredo. – ele esticou o dedo mindinho.

—O que é isso – A mais velha perguntou.

—É a promessa de dedinho. Ela nunca pode ser quebrada. – Disse com seriedade lhe esticando novamente o dedo.

—Então esse é o nosso segredo. – Regina entrelaçou seu dedo ao pequeno dedinho da criança e depois de muito tempo seu coração finalmente palpitou com amor.

...

Notas finais
E preparem-se, lágrimas irão rolar!