Notas iniciais
Notas iniciais do capítulo Olha quem está aqui... demorei porque ainda estava anestesiada de toda experiencia que tive em São Paulo. Sou uma garota do interior perdida na cidade grande.... Infelizmente dona Bex não apareceu por lá... e eu fiquei deveras chateada, mas vida que segue... Espero que gostem do capítulo foi feito com muito carinho...

Narrado pela Autora

Regina segurava fortemente a vontade de rolar os olhos pela milésima vez naquela manhã para as piadas sem graça que seu futuro sogro contava aos diretores da empresa alemã que fechariam um contrato de prestação de serviços jurídicos com a Mills E Gold. Sendo esse o terceiro dia de intermináveis reuniões a morena estava no seu limite.

Seus planos de procurar o The New York Times nas primeiras horas da manhã de segunda tinham ido por água abaixo quando sua mãe lhe comunicou do negócio e exigiu sua presença durante toda transação.

Seus dedos começaram a tamborilar impacientemente em cima da mesa de mogno enquanto olhava os ponteiros do seu relógio de pulso passando em uma velocidade que ela julgava ser acima do normal. Quando o homem loiro alto dos olhos azuis despediu-se de todos agradecendo, Regina pegou sua bolsa e saiu pela porta grande de madeira sem nem ao menos dar atenção ao que sua mãe lhe dizia.

Se ela corresse e infringisse algumas leis de trânsito conseguiria chegar a tempo no jornal, mas para isso precisava dar a volta no seu motorista também. De todas as exigências e implicações de Cora o que mais desagradava Regina era não poder dirigir. A morena amava sentar ao volante e dar vida ao automóvel. Poder apertar o acelerador com vontade e estar ao controle do carro. Se sentir no controle de algo em sua vida. Mas até isso lhe era vedado. Ela devia andar com seu motorista.

—Para onde vamos Dona Regina? – O sorriso que havia brotado no rosto da morena ao constatar que o homem não estava por ali morreu instantaneamente ao ouvir sua voz saindo das profundezas de Deus sabe onde.

—O que você gostaria de receber para fingir que não me viu por aqui? – Perguntou sorrindo conspiradora.

—Eu gostara de manter meu emprego Senhorita. E eu tenho ordens expressas para leva-la a qualquer lugar que queira. Sem exceções. – O homem respondeu e os ombros da morena caíram. – E em segurança.

—Tudo bem. – Disse derrotada. – Eu preciso chegar no The New York Times antes das seis horas da tarde. – Entrou na porta que já estava aberta para ela.

—A senhorita chegará. – Respondeu solenemente sentando no banco do motorista dando partida no carro.

A selva de pedra passava diante dos olhos de Regina que encarava o cenário através do vidro fumê de sua Mercedes. As ruas estavam apinhadas de gente, principalmente turistas, que fotografavam os prédios e paravam no meio do caminho estressando os nova-iorquinos mais apressados.

A morena nunca entendeu muito bem a fascinação das pessoas por Nova York. A cidade não passava de um amontoado de prédios novos e velhos, muitos outdoors coloridos e brilhantes e uma porção de carros buzinando incessantemente. Tinha seus atrativos? Como qualquer outro lugar, mas na maior parte do tempo era angustiante. A sensação era que sua vida corria na mesma velocidade que corria a cidade que nunca dormia.

Quando o carro estacionou em uma calçada que a morena começou a se desesperar. O que ela estava fazendo ali? O que diria? O que queria? Seu coração retumbava em seu peito e seu olhar estava perdido na porta rotatória que a levaria ao saguão do prédio enquanto centenas de pessoas iam e vinham sem parar.

Cogitou seriamente voltar. Pedir ao seu motorista para fazer o contorno e dirigir diretamente para casa. Ela precisava desesperadamente de um banho relaxante e de sua cama. Suas mãos tremiam. Fechou seus olhos e suspirou profundamente. Ela não era mais essa Regina. Ela tinha que tomar posse de sua vida e de suas emoções e ela iria confrontar Emma Swan. Decidiu abrindo os olhos no mesmo instante que abriu a porta e escapuliu para a calçada.

Narrado por Regina

Eu não fazia ideia do andar que a Senhorita Swan trabalhava, mas eu iria descobrir. Quando passei pela porta rotatória eu não tinha mais certeza se eu conseguiria. Centenas de pessoas passavam ao mesmo tempo ao meu lado indo em direção as ruas. Caminhei entre elas indo direto a moça que atendia em um balcão em formato de ilha no meio do saguão.

—Boa tarde. – Cumprimentei com voz firme, mas educadamente para a mulher que sorriu para mim.

—Boa tarde. Em que posso ajudá-la? – Perguntou me fitando logo em seguida.

—Eu gostaria de falar com a Senhorita Swan. – Respondi e senti meu coração batendo ferozmente dentro do meu peito. Ela checou uma tela de led na sua frente colocando “Swan” diversas vezes no setor de busca e não encontrando.

—Você saberia dizer em qual setor ela trabalha? – Me perguntou tentando mais uma vez – É “S W A N” mesmo?

—Sim. – respondi sentindo minha confiança começando a escorrer por minhas pernas. – E eu não sei o setor em que ela se encontra. – disse – Quer dizer, ela fez uma entrevista minha em uma festa beneficente sábado.

—Algo relacionado à política ou esporte?

—Não. Questões pessoais mesmo.

—Provavelmente ela é do setor de entretenimento. Dirija-se ao terceiro andar do bloco IV que fica naquela direção – apontou – que achará a recepção do setor de entretenimento e lá eles talvez possam te ajudar mais do que eu.

—Muito obrigada. – Disse assentindo a mulher que era bem prestativa me sentindo um pouco melhor por pelo menos ter sido bem atendida.

A recepção do setor de entretenimento possuía tanta confusão quanto o hall de entrada. Pessoas iam e vinham, sejam apressadas ou conversando animadamente. O elevador diferente do que eu vim abria e fechava constantemente. Dirigi-me ao balcão que ficava em um canto para conseguir a informação que eu queria.

—Boa tarde. – Disse para a secretária que sorriu para mim pedindo um momento com o dedo enquanto terminava a ligação em seu headphone e eu me perguntava se todos aqui faziam curso de simpatia em algum lugar. Estava precisando de um, ainda mais para aprender a encarar um final de expediente.

—Pois não? – Ela me olhou sorrindo poucos segundos depois. Eu geralmente tenho aversão a pessoas simpáticas demais, mas meu estado de nervos atual não me permitia prestar muita atenção em qualquer outra coisa que não fosse meu coração acelerado.

—Eu gostaria de falar com a senhorita Swan. – Falei um pouco mais alto por conta do barulho e sorri para ela que me olhou confusa. – Ela trabalha nesse setor? – Completei.

—Sim... – respondeu e minha respiração travou em minha garganta — quer dizer, a Emma trabalhava aqui, mas saiu na segunda feira. — A secretária me disse ao mesmo tempo em que sinto alguém pegar no meu braço me puxando para uma porta perto dali.

—Mas o que é isso? – soltei a mão do meu braço assim que escutei a porta bater. – Quem você pens... – parei de falar assim que vi quem era que tinha me puxado. Ruby Luccas amiga e provavelmente namorada de Emma Swan.

—Eu sou Ruby Luccas e eu não me importo com quem você é ou deixa de ser nesse jornal ou com quanto dinheiro vocês compram as pessoas – sua voz continha um nojo que me atingiu em cheio – eu só vou te dizer uma coisa, deixa a Emma em paz. Não tem mais nada que você possa fazer para desgraçar a vida dela. Você já conseguiu fazer todo o possível. – ela me dizia com um ódio tão fervoroso que eu realmente achei que ela fosse avançar para cima de mim – se você veio até aqui checar se sua ordem foi cumprida eu te digo que ela foi e com maestria.

—Eu não sei do que você está falando senhorita Luccas. E eu não sei o que você pensa para sair me puxando assim. Você não sabe do que eu sou capaz. – Retomei minha voz. Eu não ia deixar essa mulher me destratar dessa maneira.

—Faça-se de sonsa o quanto quiser, isso pode ter funcionado com Emma uma vez, mas não funciona comigo. Escreva o que eu estou te dizendo, aproxime-se dela de novo, apenas cogite essa possibilidade e você vai saber do que eu sou capaz de fazer para proteger a minha família. — Ruby saiu da sala batendo a porta e só quando eu não podia mais ouvir seu passo pesado que eu deixei o ar sair dos meus pulmões. O que diabos estava acontecendo?

Saí daquela sala e encontrei a recepcionista arrumando suas coisas para ir embora. Cogitei a possibilidade de lhe perguntar o que estava acontecendo, mas desisti da ideia. Com certeza esse ataque de Ruby era apensa ciúmes de sua namoradinha. Arrumei a alça da bolsa no meu ombro e rumei para fora daquela loucura disposta a esquecer Emma Swan de uma vez por todas.

Narrado pela autora

—Eu não acredito que você veio aqui. – Ariel disse para uma morena que adentrava aquele recipiente branco com cheiro de esterilizado com certa urgência em seu caminhar.

—É somente assim que se consegue falar com você. – Disse da maneira rude com a qual a ruiva já estava pra lá de acostumada. – Você vive nesse hospital agora.

—É minha residência Regina. Morar aqui faz parte. – Disse sorrindo para a morena que apenas deu de ombros. – Ainda mais agora que consegui entrar para a área de oncologia infantil como sempre quis. – a animação da ruiva era evidente em sua voz e pela primeira vez em muito tempo Regina sorriu genuinamente feliz.

—Parabéns Ariel. Você merece. – Disse colocando a mão no ombro direito da outra e apertando levemente.

—Vamos à cantina, tomamos um café e você me diz o que te trouxe aqui. – falou já encaminhando a outra pelo corredor. Regina tomou um café preto enquanto a outra comeu um sanduíche de peito de peru. Ariel estava quase no final de um turno de 36 horas e estava faminta. Saboreava seu lanche como se fosse um manjar dos deuses enquanto ouvia atentamente o relato da outra.

—Uma petulância Ariel. Ela falava comigo como seu tivesse feito alguma coisa para Swan e não ao contrário. — a morena gesticulava indignada enquanto falava. Já era sábado, mas aquela história não desentalava de sua garganta. O plano de esquecer Emma de uma vez por todas estava indo por água abaixo – Você acha que elas teriam combinado com a secretária para dizer que Swan não trabalhava mais ali?

—Pra todo mundo? Isso seria estranho. Ela faz entrevistas ela precisa de feedback, ela não faria isso. E você não disse seu nome a ela, então acho que ela não está mais lá.

—Não faz sentido não é? – As mãos de Regina se aquietaram em seu colo – Então Swan não trabalha mais no jornal? – A pergunta não foi para Ariel e a ruiva agradeceu que a morena tinha entrado em seu mundo novamente porque assim ela não precisava responder. Ela sabia exatamente o que tinha acontecido; Cora.

E de repente o lanche quis voltar por sua garganta. Quando aquilo iria parar?

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O garotinho de cabelos castanhos andava depois de um longo tempo tendo permanecido naquela cama de hospital. Ele já estava acostumado com aquele corredor e seguia entre sua mãe sua avó que conversavam animadamente sobre a sua alta e sobre outras coisas que ele não conseguia entender, mas que sabia que estavam deixando sua mãe triste.

Algumas enfermeiras o cumprimentavam pelo caminho e ele acenava animado de volta. Henry gostava de todas elas e elas eram apaixonadas pelo menino que adorava contar histórias.

Estava quase na recepção quando passaram perto do refeitório e ele viu uma médica ruiva conversar com uma mulher morena e para aquele garotinho seria algo muito comum se ele não tivesse reconhecido o rosto da mulher morena. Ele a reconhecia, ele sabia que a conhecia, só não conseguia lembrar-se de onde. Henry começou a caminhar a passos lentos em direção à mulher que estava sentada sem nem se dar conta que se afastava de sua mãe e sua avó.

Narrado Por Emma Swan

—Eu acho que você está se precipitando Emma. – Minha mãe dizia enquanto lhe contava a proposta de Bex. – Sei que Rebbeca está te oferecendo com a melhor das intenções e que você vai adorar estar com ela, mas não foi para isso que estudou minha filha. Você está segurada por uns meses e eu e seu pai não deixaremos faltar nada para você e Henry.

—Eu sei mãe. Mas eu não posso aceitar isso. Se eu ficar parada esperando vou ficar louca você sabe disso. Alem do mais Henry é minha responsabilidade.

—Ele é meu neto e você minha filha. Jamais deixarei que lhes falte algo. Aceite isso. – Disse-me de forma severa como raramente faz.

—Mas vocês estão brigando a essa hora? – Ruby chamou nossa atenção sorrindo – ué cadê meu monstrinho favorito? – Perguntou confusa.

—Como cadê? Ele está aqui... – A voz morreu em minha garganta quando me virei e constatei que Henry não estava com a gente. Senti minhas pernas ficarem bambas e minha respiração falhar miseravelmente. Meus olhos nublaram no mesmo instante e só fiquei de pé porque Ruby me segurou. – mãe... ele.. ele estava aqui. – deixei o choro compulsivo tomar conta de mim.

—Minha filha, todo mundo aqui conhece Henry. Ele não pode estar longe... vamos voltar por onde viemos para procurá-lo. – Antes que minha mãe terminasse de falar eu já estava correndo.

Narrado por Regina

Eu vi aquele garotinho se aproximar lentamente da nossa mesa. Olhei ao redor e não vi nenhum adulto perto dele. Pensei em ignorar completamente, mas ele olhava para mim fixamente como se já me conhecesse. Eu não conheço crianças, elas geralmente tem medo de mim.

Voltei a falar com Ariel sem me importar, mas ele chegava mais e mais perto, mesmo que lentamente, ou parando, incerto sobre prosseguir ou não. Varri o olho pelo salão novamente procurando por um responsável, mas aparentemente ninguém acompanhava a criança. Levantei-me no intuito de pergunta-lo se estava perdido ou precisando de ajuda e ao ver que eu me aproximava parou.

—Henry Swan. – Ouvimos um grito e tanto eu como o garoto nos assustamos virando em direção à voz. Voz essa que eu conhecia muito bem. Alento em meus melhores sonhos e desgraça em meus pesadelos. Emma Swan vinha correndo na direção do menino e o abraçou apertando em seus braços. Seus olhos estavam fechados, mas seu rosto era puro alívio enquanto trazia o menino mais e mais para si. – O que deu em você Henry? – Soltou-se dele segurando em seus braços. Lágrimas desciam em suas bochechas – Como que você sai assim perto de mim e da sua avó? O que você acha que eu senti quando Ruby chegou perto de nós perguntando onde é que estava você? – ela dizia as palavras rapidamente. – Você nunca fez isso.

—Desculpe mamãe. Não chora, por favor. Desculpa. – o menino repetia as desculpas enquanto Emma o abraçava e eu não sabia como eu estava de pé. Emma tinha um filho. Como Emma tinha um filho? Filho? E seu filho se chamava Henry. Mil lembranças se apoderaram de minha mente.

—Por que fez isso? – Ela o perguntou novamente.

—A moça. – ele disse.

—Que moça Henry? – Perguntou confusa e eu sabia que o garotinho de alguma forma se referia a mim.

—A da foto. – Como a mãe o olhou confusa ele completou – Da foto da sua gaveta. — e olhou para mim fazendo Emma olhar na mesma direção que ele. Nossos olhares se encontraram de novo em menos de uma semana, mas ela rapidamente desviou e eu não tive nem tempo de ver o que estava refletido neles.

—Nunca mais faça isso, você me entendeu? – Ela disse severamente e o menino assentiu. Ela levantou e segurou em seu ombro.

—Não farei. Eu prometo. – Emma assentiu aliviada — Ela se parece com a menina da foto mamãe. Ela não é a garota sorridente da foto? – Perguntou.

—Eu não sei. – Emma respondeu com a voz tremendo ligeiramente. Ela sabia que eu ouvia a conversa. Sabia que nesse momento eu sabia que ela ainda guardava a nossa foto. O que ela não sabia e nem precisava saber é o quão confusa eu estava com essa informação.

—Ela é alguém má?

—É sim querido.

—Ela não parece ser má. – ele disse se justificando para a mãe.

—Nem sempre as pessoas são o que parecem ser meu filho. – ela o respondeu o pegando no colo e rumando para longe de mim sem me dirigir qualquer outro olhar. O garotinho olhou diretamente pra mim com o queixo apoiado no ombro da mãe e acenou discretamente. Eles não tinham dado nem dois passos a frente e eu vi Ruby aparecer correndo, e ao ver os dois, sorrir aliviada.

—Tia Ruby. – O menino disse pulando para o colo da morena.

—Monstrinho! – ela o abraçou — Como você faz isso com a gente? – Perguntou a criança que não respondeu a ela, mas gritou para outra pessoa que chegava perto deles.

—Tia, você veio. – Ele praticamente pulou do colo de Ruby para o da outra mulher que o pegou no ar e o rodopiou.

—Você acha que eu deixaria de vir ver meu monstrinho preferido. – encheu ele de beijos enquanto ele ria – encontrei sua avó desesperada dizendo que você tinha sumido. – Ele riu com as cócegas que a mulher fez nele – Oi Emma. – Abraçou a loira – Oi meu amor. – Ela disse beijando Ruby bem ali na minha frente e foi só aí que eu reparei que ambas possuíam uma aliança, que provavelmente era de noivado, no anelar direito. – Mas por que esse monstrinho sumiu? – perguntou e Emma tencionou os músculos e começou a andar, mas eu ainda ouvi o que disse.

—Ele viu uma pessoa que ele já viu em uma foto. – e discretamente apontou com a cabeça em minha direção. Dois pares de olhos olharam diretamente para mim que estava estática e sem reação. Um eu já conhecia e eles ficaram ferozes ao me ver e o outro, para minha total surpresa, eu também conhecia.

Dorothy. Ou Dot, como ela preferia.

Ensaiei um sorriso que morreu antes mesmo dele chegar aos meus lábios assim que vi o olhar de desprezo que a garota me lançou. As duas olharam para Emma que deu de ombros e me deram as costas. Dot abraçou a cintura de Ruby com um braço enquanto apoiava Henry em seu quadril com o outro.

E eu assisti mais uma vez estática Emma Swan ir embora, mas dessa vez, ao invés de raiva eu tinha dúvidas. Ao invés de acusações eu tinha perguntas. Ao invés de genuíno rancor, para meu total desespero, eu tinha esperanças.

Notas finais
Se der, comentem! Gosto de saber as opiniões de vocês.