Sonhos de uma noite de verão
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Capítulo 9
Narrado por Emma
Uma vez eu perguntei a minha mãe como eu saberia que uma pessoa era certa para mim, ela me respondeu que nossa alma e nosso coração nos diriam quando uma pessoa era a pessoa certa para nós. Saberia quando aquele beijo era “o” beijo e que todos que vieram antes dele não tiveram sentido algum. Naquele momento, naquele encontro, sua alma reconheceria.
Naquela época eu suspirei e fingi que concordei com Mary Margareth, mas eu não dei crédito algum, primeiro porque ela só viveu a sua própria história de amor a primeira vista com meu pai, e segundo porque eu estava apaixonada por uma amiguinha da sala e tinha acabado de dar um selinho nela e meu coração não disse nada para mim. Então eu deduzi por minha conta risco que a explicação de minha mãe não funcionava sempre. Mesmo ela me garantindo que não era todo mundo que sabia apreciar esse momento. Eu devia saber quando ela sempre insistiu que eu não era todo mundo.
Sentir os lábios de Regina nos meus, suas mãos macias e ao mesmo tempo firmes em meus cabelos e nuca, sua língua atrevida dançando um tango com a minha e sua respiração quente e ofegante batendo em minha pele fez eu instantaneamente perceber que Regina só poderia ter sido feita para mim e eu, consequentemente, para ela. Eu torcia para ser porque todo o meu ser gritava ensandecidamente que era esse beijo que eu queria para todo o sempre.
Eu queria rir e rodopiar com ela como nos filmes de comédia romântica e queria ouvir o som de sua gargalhada. E eu o fiz. Porém, obviamente, as coisas não saíram como eu magicamente havia planejado. Claro que não. A vida real não era uma boa comédia romântica água com açúcar que as pessoas negam veementemente que gostam de ver.
Juntei o corpo de Regina mais ao meu tirando seus pés do chão a pegando totalmente de surpresa em meio a mais um beijo ela riu e eu ri junto. Rodopiei com a morena em meus braços enquanto ainda a beijava ignorando as pessoas que passavam por nós que às vezes riam ou assoviavam e tudo seria um perfeito conto de fadas se eu não tivesse esquecido o quanto Regina havia bebido.
Quando apressadamente Regina se empurrou de mim colocando as mãos na boca e me dirigindo um olhar de puro pânico eu só tive tempo de agradecer aos céus por estarmos no corredor dos banheiros enquanto a empurrava para dentro. Com uma agilidade de quem fazia isso há séculos segurei seus cabelos lisos em uma mão e com a outra a segurava pela cintura enquanto Regina dentro daquele cubículo mal cheiroso colocava para fora todas as refeições do dia.
Narrado pela autora
O sol entrava zombeteiro pelos vidros quadriculados da imensa janela de madeira, sua intensidade ultrapassa as barreiras que a cortina colorida tentava impor sem muito sucesso. O movimento dentro do quarto começou cauteloso logo cedo, mas já tinha se tornado desesperado ao passo que a morena esparramada na cama não mostrava o menor indício de que iria acordar.
_Belle, eu estou ficando preocupada. – Emma sussurrou enquanto andava de um lado para o outro.
_Está ficando? – Belle disse zombando da amiga.
_Acha que devemos acordá-la? – Emma perguntou ignorando completamente o sarcasmo de Belle.
_Ela está bem Emma. Só está de ressaca. – Belle parou analisando Regina que roncava de boca aberta. – E uma ressaca das boas. – Riu.
_Eu não devia tê-la deixado beber Belle. Ela nunca bebeu na vida e em uma noite resolve tirar o atraso. – A loira olhava preocupada a menina que agora babava no travesseiro.
—E por algum acaso você é a mãe dela? – O tom de Belle subiu uma oitava para indagar a amiga que colocou o dedo indicador nos lábios para que ela falasse mais baixo. – Ela bebeu porque quis. – Sussurrou. – E você a ajudou desde então, relaxa. Aliás, você saiu para beijar uma morena gostosa e voltou com uma morena bêbada. O que aconteceu nesse meio tempo? – Os olhos inquisidores de Belle fitavam a loira a sua frente que corava intensamente na medida em que tentava bolar uma desculpa para explicar para Belle que ela beijou uma morena pra lá de gostosa, mas não era a mesma morena que ela estava pensando. Mas Emma não teve oportunidade de falar porque Regina começou a se mexer lentamente abrindo os olhos devagar, mas imediatamente fechou levando o braço sobre os mesmos gemendo.
_Por que vocês estão fazendo tanto barulho? – Sua voz rouca saía com dificuldade como se alguém estivesse apertando sua garganta. Emma e Belle se entreolharam.
_Não estamos Regina. – Foi a loira quem sussurrou preocupada.
_Shii, fala baixo que está dando eco em meu cérebro. – Reclamou a morena com as mãos sobre os olhos. – O que aconteceu? Eu estou doente? Peguei um vírus?
_Haaa, claro. – Belle respondeu revirando os olhos. – É o vírus da ressaca, conhece? – Disse de forma sarcástica fazendo a morena se levantar de supetão o que foi a pior ideia que teve em toda a sua vida, pois seu estômago foi parar em sua garganta e ela teve que lutar para fazer ele voltar para o lugar. Sem contar sua cabeça, há, sua cabeça. Para que você precisa da cabeça mesmo? — Você costuma pegar ele quando resolve que lagoa azul é água mineral.
_Lagoa azul? – Seus olhos piscavam várias vezes se acostumando com a claridade. Seus cabelos desgrenhados caíam por todo seu rosto. – Aquela coisa azul bonitinha e gostosa dentro daquela taça com guarda-chuva colorido é responsável por isso? – Regina perguntou vendo o acenar das outras duas a sua frente. – Eu... eu fiz alguma coisa da qual eu vou me martirizar por toda eternidade? – Perguntou mordendo o lábio inferior fazendo Emma prender a respiração.
_Era o que Emma iria me contar antes de você acordar. – Belle olhou para a amiga a tirando do transe momentâneo causado pela mordida no lábio da morena. – Ela foi pegar a morena gostosa e voltou com você praticamente desmaiada.
_Você não se lembra de nada Regina? – Emma perguntou receosa, ela não podia esquecer aquele beijo nem por um segundo que fosse desde que separou seus lábios dos de Regina e pensar que a morena possa ter esquecido faz seu próprio organismo entrar em ressaca instantânea. Regina parecia corresponder aos seus sentimentos enquanto a beijava. Parecia tão certo, elas se encaixavam tão bem, não parecia coisa só de momento. Emma sabia que ela poderia estar mil vezes bêbada e jamais se esqueceria da sensação de ter a morena em seus braços.
_Não. – Respondeu baixinho. Um lampejo de decepção passou pelos olhos de Emma que não foi despercebido por Regina, que, aliás, sentia os orbes verdes lhe escrutinando a alma como se a avaliasse e a morena se sentiu completamente nua na presença da loira fazendo com que abaixasse a cabeça envergonhada. – Eu só me lembro de quase cair da bancada e sair dali para ir ao banheiro e mais nada. – sua voz não passava de um sussurro e ela levantou a cabeça outra vez a tempo de ver Emma negando quase que imperceptivelmente.
_Então Emma? – Belle perguntou. – O que aconteceu? – A garota trouxe a loira de volta a realidade, pois a mesma travava uma batalha com seus pensamentos que estavam divididos entre acreditar na palavra de Regina e achar que ela estava mentindo só para Emma não tocar no assunto do beijo. Se fosse uma queda de braço a segunda opção estava mais forte no momento.
_Bem, eu estava indo ficar com a morena gostosa e tive que desviar de um bando de idiotas que estava no caminho, quando fiz o desvio vi Regina passando mal no corredor do banheiro e a ajudei chegar lá. – Emma disse como se tivesse treinado essa fala por horas e obteve sucesso quase total no convencimento, quase porque Regina acreditou sem problemas, mas Belle não. Ela sentia que a loira escondia algo.
_E depois? – Quis saber Regina.
_Depois...- Belle iria começar o sermão pelo trabalho que a garota deu a Emma, mas foi cortada pela loira sem qualquer cerimônia.
_Depois nós viemos embora e te trouxemos, o Killian na verdade que te trouxe até o quarto. Belle te ajudou com o banho, como não quis mexer nas suas coisas eu peguei umas roupas minhas e ela te vestiu te colocando na cama e te dando remédio para enjoo. – A francesa olhava para Emma chocada porque cada uma daquelas coisas quem havia feito fora ela. Tirando o momento que Killian carregou a garota nos braços. Mas fora Emma quem gentilmente segurou o cabelo dela enquanto ela se abraçava ao vaso, mesmo não tendo mais nada para vomitar, fora ela que a colocou debaixo do chuveiro e acabou tomando um banho junto porque a morena estava incontrolável e arrastava a loira para debaixo do chuveiro.
Ao mesmo instante que Emma falava seu discurso e Belle a encarava sem entender nada Regina baixou seu olhar para seu corpo e pode notar a camisa cinza grande com um Mickey Mouse quase desbotando que estava vestindo, mas que mal cobria suas pernas e deixava aparecer a calcinha estilo cueca que estava usando e por mais apavorada que estivesse não pode conter o sorriso que se instalou em seu rosto por estar vestida com as roupas da loira que eram tão confortáveis que por um pequeno instante a fez esquecer a dor de cabeça infernal que estava sentindo e discretamente se aconchegou mais a elas inalando o cheiro da loira na peça.
Regina voltou a olhar para a loira e percebeu o olhar que Belle lançava a ela e percebeu que Emma amenizara, e muito, o que quer que tenha acontecido e ela quis morrer mais uma vez de vergonha. Hoje ela sabia o que era uma ressaca moral porque ela visivelmente estava passando por uma. O olhar sem expressão da morena fez Belle suspirar e levantar de sua cama balançando a cabeça enquanto Emma lhe dirigiu um sorriso sem desgrudar um lábio do outro. Um sorriso quase sentido. Frustrada, Regina deixou o corpo cair na cama outra vez suprimindo um grito de raiva no fundo do seu âmago. Forçou seus olhos a ficarem fechados pela dor excruciante que o movimento brusco causou em sua cabeça e isso só entrou na lista de coisas idiotas feitas por Regina Mills nas últimas vinte e quatro horas.
Narrado por Emma Swan
O ar havia mudado sutilmente durante a tarde. Meu pai me ensinou há muito tempo observar as mudanças do tempo e dos ventos e a brisa que mexia meus cabelos os alvoroçando ainda mais era um prelúdio de que a chuva estava chegando por aí. Pensar em chuva me fez sentir uma saudade imensa de Ruby, de quando nos amontoamos na varanda com a claraboia de vidro e ficamos assistindo as gostas que as vezes eram pequenas e as vezes eram quase um balde de água inteiro. O acampamento chuvoso sem Ruby não seria a mesma coisa. Porque aquela morena de mechas ruivas é sol em meio a qualquer tempestade e eu tenho certeza que ela me faria esquecer os pensamentos ruins que passaram por minha cabeça.
As ondas batem suavemente nas rochas abaixo de mim e o som me acalma de uma maneira que eu não sei explicar. Relaxo contra as pedras e tento controlar meus sentimentos confusos. Belle e as outras meninas não acreditaram em minha história e me obrigaram a contar a verdade dos fatos, ou seja, me obrigaram a contar do beijo que eu e Regina trocamos.
Por falar na morena, ela anda mais amuada do que nunca, a impressão que dá é que ela está vivendo em um constante estado de constrangimento o que só reforça a minha sensação de que ela se lembra do beijo sim, e se arrepende dele. Pelos últimos cinco dias eu quis falar com ela a respeito disso. Enchia meus pulmões com o ar, como se isso fosse me dar uma coragem que eu não tinha e me preparava para falar, mas era só o ar sair de meus pulmões que a coragem ia junto e eu deixava o momento passar.
Aquela ansiedade louca é mil vezes melhor que a certeza do final, dizem. Acho que tenho medo de ouvir de uma vez por todas que Regina não quer nada comigo e talvez eu prefira viver nessa duvida cruel, a saber, a verdade nua e crua. Ainda eram quatro horas da tarde e o céu escurecia gradativamente, uma boa chuva de verão viria por aí, comecei a descer das pedras quando vi que os banhistas que curtiam as areias brancas começavam a se retirar também.
Narrado por Regina
Todas as meninas estão esquisitas comigo e tudo que eu queria fazer é voltar naquela festa e recusar qualquer bebida azul linda e brilhante e gostosa. Nenhuma delas tocou mais no assunto da festa o que eu verdadeiramente aprecio, mas eu sinto que eu fiz algo muito ruim e elas estão agindo cautelosamente comigo, é como se eu tivesse perdido a confiança de todas elas e eu nem sei por quê.
Durante nossas caminhas matinais, Emma fica a maior parte do tempo em silêncio e parece que está doida para chegar logo no píer para pular logo na água e não ter que manter uma conversa comigo. E tem as vezes que eu percebo que ela quer falar alguma coisa, mas algo a impede de prosseguir com sua intenção. Cada vez que aquela loira faz isso eu sinto como se a perdesse um pouco mais.
Tenho tanta vergonha do que possa ter feito que venho me mantendo meio distante de todo mundo. O que quer que tenha acontecido não me fez ganhar pontos com Belle, tenho a sensação que ela vai voar no meu pescoço a qualquer momento e esse é um dos motivos que tenho andado afastada.
Ana voltava da água com Dot enquanto Elsa e Belle conversavam na areia animadamente e eu procurava conchinhas pela água rasa e transparente e pensava se falaria com Emma e perguntaria o que eu tinha feito e de quebra me declararia para ela. Sorri da minha própria estupidez. Emma deve estar me odiando no momento e só anda comigo ainda porque prometeu que faria e ela não me parece ser o tipo de pessoa que quebra sua palavra o que para mim vem a calhar já que perder a amizade da única pessoa que me enxergou por ser eu mesma estava fora da lista de coisas que eu poderia suportar.
De repente avistei uma pedra meio diferente, algumas conchas estavam grudadas nela e ela cabia na palma de minha mão, e seria uma pedra totalmente comum se não tivesse um formato de coração. Sorri bobamente para ela me perguntando se aquilo era um sinal para que eu seguisse meu próprio coração e acreditei que sim. Apertei aquela pedra na minha palma e olhei para o céu que agora estava escuro, agradecida. Para que não tivesse que dar qualquer tipo de explicação meio que corri até as meninas e disse que estava indo para o quarto porque estava cansada.
Eu ainda saltitava pela mata quando Belle agarrou meu braço praticamente me arrastando para o nosso chalé.
_O que você está fazendo? – Perguntei assustada apertando ainda mais a pedra em minha mão.
_Você e eu teremos uma conversinha. – Ela disse enquanto me jogava para dentro do quarto. – De mulher para mulher. – E com o pé bateu a porta atrás dela com violência.
Narrado pela autora
_O que você pensa que está fazendo? – Belle perguntou avançando em direção a morena que estava a sua frente atônita.
_Do que você está falando? – Perguntou Regina claramente não entendendo aonde a outra queria chegar.
_Não se faça de sonsa para mim Regina. Por que você saiu correndo da praia quando Emma estava chegando como se ela tivesse uma doença contagiosa? – Belle perguntou.
_Eu não vi Emma chegar eu simplesmente quis vir para o quarto e vim. Eu não saí porque ela chegou. – Rebateu Regina achando aquela conversa muito sem noção mostrando toa sua indignação em sua face, mas ela não convenceu Belle.
_Você é igual político acusado de corrupção sabia? – Debochou French – Você nunca vê nada, não se lembra de nada. Olha só que benção é ser Regina “eu não lembro e não vejo nada” Mills. Eu não sei se ensinam isso na sua escola metida de classe alta, mas as pessoas tem coração, sabia? E elas costumam usar ele. Mas fica difícil usar algo que é quebrado diariamente por alguém. Por que você faz isso com a Emma? Só por que ela é lésbica? O que tem de errado gostar de garotas? – Belle parecia aumentar sua voz a cada frase que dizia e seu rosto já assumia um tom quase vinho. Parecia uma mamãe ursa protegendo seu bebê urso.
_Belle. – Regina começou calmamente. – Eu não...
_Você está magoando a pessoa que acreditou em você no primeiro segundo que te viu a pessoa que te protegeu de todas nós aqui dentro. Não queríamos gente como você perto da gente e ela te defendeu com unhas e dentes. Eu sei o que sua família faz com as pessoas que entram em seu caminho. E eu alertei aquela loira idiota, mas sabe o que ela disse? Hem? – Belle esperou uma resposta de Regina que somente acenou que não – A Regina é diferente Belle, pare de ser chata. E olha como eu estava certa. Você magoou uma das pessoas mais importantes da minha vida só porque ela não tem a mesma opção sexual que você... – sua voz não passava de um sussurro.
_Eu nunca fiz nada disso Belle. Eu jamais destratei a Emma pela opção sexual dela. Eu não poderia fazer isso. – Rebateu Regina.
_Então porque desde que Mérida a beijou naquela festa você corre dela? – Regina se assustou com a pergunta da outra – Por que tem evitado-a?
_Eu estou com vergonha do trabalho que dei para vocês... – A voz de Regina aumentou duas oitavas em sua resposta deixando claro que não era só por isso.
_Mas por que então só foge dela? Por que foge da única pessoa que iria te ajudar de novo, de novo, e de novo, não importando quantas vezes você ficasse bêbada? – Belle começava a se alterar de novo enquanto o vento dava sinais de estar mais forte do lado de fora. – Por que você só foge da pessoa que segurou seus cabelos para vomitar, que te enfiou de baixo do chuveiro tendo um trabalho danado para te dar banho porque estava toda suja, que te medicou e velou seu sono boa parte da noite?
_Mas ela d... – Regina tentou argumentar que quem tinha feito isso era ela, mas Belle a cortou a deixando-a confusa.
_Regina você não me engana. – Belle disse balançando a cabeça decepcionada.
_Eu não quero enganar ninguém. – O desespero em Regina era notável. – Da mesma forma que eu não estou fugindo de Emma. Não pelos motivos que está falando. – Disse zangada se virando de costas para a outra.
_Não precisa se fazer de boba comigo, você quis experimentar, isso é normal. Eu disse a Emma que isso podia acontecer, mas ela foi se apaixonar né... – Regina quase perdeu o ar quando ouviu isso e virou rapidamente para a francesa – mas você poderia ter coragem de dizer isso na cara dela e não fugir como se ela tivesse uma doença contagiosa. Você poderia chegar e dizer; olha me desculpe eu quis experimentar, mas te beijar foi um erro... – Belle ia continuar seu sermão, mas foi interrompida pelo rompante de Regina que em meio passo estava a sua frente segurando firmemente seus ombros com uma força superior a necessária.
_O que você disse? – Perguntou com seu rosto quase colado ao de Belle.
_Que você está magoand...
_Não. O que eu fiz... – Disse com firmeza.
_Você beijou a Emma enquanto estava bêbada... – O sorriso que Regina abriu poderia mandar a tempestade que se formava do lado de fora embora.
_Eu – ela apontou para ela mesma – beijei a Emma? – Perguntou de novo.
_Vai me dizer que não... – Belle olhou bem para a expressão no rosto da morena e estava estampado bem ali, ela realmente não se lembrava de ter beijado Emma e isso parecia ser uma grande coisa para ela. Uma grande e boa coisa. – Sim, você beijou. – A risada que a garota soltou assustou French que só não saiu correndo porque a morena a abraçou apertado.
_Eu beijei a Emma. Eu beijei a Emma. Meu Deus como eu esqueci que eu beijei a Emma? – Regina voltara a segurar Belle pelos ombros a sacudindo e rindo – Eu preciso lembrar que eu beijei a Emma – soltou Belle e correu para a porta, antes, porém de finalmente sair jogou a pedrinha que Belle pegou no ar e completou – e eu sou gay Belle, muito gay e eu beijei a Emma que também é gay. E segura a minha pedra. – A gargalhada que Regina deixou para trás fez companhia por alguns segundos a uma atônita Belle French e a pedra de coração.
Regina correu o máximo que pode entre as arvores em direção à praia, o vento estava forte e bagunçava seus cabelos, mas ela só sabia sorrir. Passou como uma bala por Dot, Ana e Elsa que tentaram a alertar da tempestade que estava vindo em vão. Ela só queria chegar à praia e encontrar aquela loira idiota que ganhou seu coração e se possível beijá-la novamente.
A morena estava sem fôlego quando alcançou a areia branca que já não tinha mais nenhum campista a vista, inclusive Emma, a morena parou por uns segundos varrendo o lugar com os olhos até avistar ao longe um ponto saindo do deque que amavam.
Sem perder tempo Regina começou a correr novamente o máximo que suas pernas aguentavam, seus pés faziam a areia subir batendo em sua canela como pequenas agulhas, mas ela não se importava e ria como uma criança rodeada de presentes na manhã de natal.
Emma tinha ficado um pouco mais na praia depois que todo mundo saíra dizendo que queria apreciar o espetáculo da natureza, mas na verdade ela queria um tempo a mais para pensar sozinha depois que Regina fugiu dela mais uma vez. Ficara sentada no deque em que compartilharam tantas coisas boas em tão pouco tempo se perguntando como a morena tinha se tornado tão importante para ela como se tivessem se conhecido há anos e não há poucos dias.
Quando uma rajada de vento mais forte passou, a loira achou melhor voltar para o chalé antes que a tempestade realmente começasse. Parecia que dessa vez seria um temporal tropical daqueles de causar medo. Emma pegou seus chinelos na mão e não reparou na morena que corria desembestada na sua direção até que sentiu seus corpos baterem e ela cair na areia como uma boneca de pano e rolar com a morena por uns instantes parando por cima da mesma que ria sem parar.
_Regina. – Emma exclamou quando recuperou do susto. – O que aconteceu? – A loira tentou sair de cima da menina que continuava rindo com os olhos fechados, mas foi segurada por ela que finalmente abrira seus olhos fitando a loira com suas amêndoas tão claras como Emma nunca tinha visto.
_Por que não me disse? – Perguntou a morena encarando os olhos verdes acima de si.
_Não te disse o que Regina? – Emma perguntou não fazendo ideia do que estava passando pela cabeça da morena.
_Por que não me disse que eu já provei disso – passou seu dedo indicador pelos lábios da loira – e esqueci?
_Regina eu... – Emma sussurrou extasiada e assustada ao mesmo tempo.
_Me faça lembrar Emma. Por favor. – O olhar de Regina derreteu Emma, mas a loira não conseguia acreditar no que estava ouvindo.
_Regina não..
_Só me beija logo Swan. – Disse Regina autoritária, mas ao mesmo tempo tão terna fazendo Emma a olhar com as sobrancelhas arqueadas. Deu um sorriso sacana antes de descer seu corpo e selar seus lábios ao de Regina mais uma vez.
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