Sonhos Roubados
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Isso. Eu consegui. Livre.
Parada em uma ruela, recuperando o folego por ter corrido tanto, os últimos acontecimentos rodeavam meus pensamentos sem parar. A única dor era de deixar meus pais infelizes, porém eles tinham que entender o meu ponto de vista em relação a me casar.
Olhei em volta em busca de um lugar para me esconder, para descansar e poder pensar sobre o que eu fazer de agora em diante. A barra de meu vestido estava sujo, meu cabelo alvoroçado, eu precisava urgentemente de um banho. Sentei e pus a cabeça entre os joelhos para raciocinar melhor. E agora...?
–Criança, está perdida? – me levantei assustada com a voz vinda de uma parte escura da rua.
–Nã-não – gaguejei. – E não sou criança.
–Ora, me perdoe, não quis ofendê-la – A senhora que falava se aproximou e pude perceber o quanto era bela. – Meu nome é Desiré. – seu sorriso me acalmava.
–Annabel.
–Está precisando de ajuda?
–Não, estou bem, obrigada. – falei. – Só preciso de um lugar para passar a noite.
–Se quiser pode ficar comigo e minhas irmãs, na nossa casa sempre cabe mais uma. – e riu, sorri também e balancei a cabeça em concordância. – Venha comigo, te arranjarei roupas limpas. – Desiré começou a andar e fui atrás dela. Sei que parece perigoso ir com alguém que nem conheço, mas é melhor do que ficar vagando pela rua sozinha e escurecendo.
Enquanto íamos em direção à sua casa reparei em suas fisionomias ; ela tinha um grande e ondulado cabelo ruivo, sua pele era branca com sardas pelo rosto, olhos castanhos escuros, lábios finos, usava um vestido lilás, sempre sorria quando olhava para mim.
Paramos na frente de um casarão.
–Pronto, chegamos. Seja bem vinda! – Desiré sorriu animada e me puxou pelo braço. – Vou te apresentar ao pessoal.
Quando entramos prendi a respiração. A sala era linda e bem espaçosa. Havia um piano e alguém estava tocando.
–Virgínia, venha conhecer Annabel! – o som que vinha do piano parou e a moça cujo nome era Virgínia se levantou. Era esbelta, cabelos curtos e loiro, meio antiquado para a época, seus olhos azuis estavam envoltos por uma camada de lápis preto, seu vestido era preto com uma faixa branca na cintura.
– Olá Annabel. – sua voz era rouca e me deixava na defensiva.
–Olá. Descul-
–Pare de se desculpar Annabel, não precisa dizer isso. Eu que a convidei. – Desiré me interrompeu. – Gina, as outras meninas estão em casa?-
–Sim. Laura está na estufa com Abigail.
–Então vamos. Você vai adorar elas! – Desiré me puxou apressada, antes de sair da sala me virei para Virgínia, meu coração deu um pulo quando olhei e vi que seus olhos estavam escuros como a noite.
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Após vestir o vestido rosa claro, sorri lembrando das novas amigas que eu tinha feito, Desiré, Abigail, Laura e...Virgínia.
Desci as escadas para jantar e dei de cara com ela.
–Ah, desculpe Virgínia. – ela estava com um ar de cansaço, diferente de quando a conheci mais cedo.
–Pode me chamar de Gina, Annabel.
–Então chame-me de Anna. – Gina sorriu e eu também. – Olha, eu só vou ficar esta noite aqui, amanhã de manhã vou me ir, eu sei que você não gostou da minha presença...
–Não me julgue antes de me conhecer Annabel, você não sabe do que sou capaz de fazer. – percebi que seus olhos estavam escurecendo novamente.
–Por que...por que seus olhos estão de outra cor? Eles não eram azuis? – questionei Gina, eu precisava saber, a curiosidade sempre fala mais alto.
–Isso não é da sua conta.
–Meninas? Vamos logo comer, a comida vai esfriar. – Laura nos chamou, olhando desconfiada.
–Claro, já estou indo. – me retirei rapidamente da frente da Gina. Laura se aproximou dela e falou algo em seu ouvido, e acho que não foi nada bom, pois sua cara não era boa.
Bem, só mais uma noite, e depois vou ter que virar. Minha mãe, meu pai e minha irmãzinha, o será que devem estar pensando de mim agora? Só me resta esperar...
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