Sonhos Quebrados.

53 53- Recuperação.


Notas iniciais
Minna-san!!!
Doidos para me estrangular?Cortar em pedacinhos e enterrar? Sei que estão, mas irão perdoar a sua autora baka que faz de tudo para agradá-los!

Boa Leitura!!!

Tudo parecia tão estranho, era como se pudesse flutuar embalsamada pelo vento que corria janela adentro através das frestas. Mexeu os dedos o máximo que pode, recebendo uma pequena resposta, mas era uma sensação estranha como se os espasmos fossem involuntários e criados por outra entidade.

Como se o próprio corpo não lhe pertencesse.

Fitou o teto branco lutando contra o estado inerte em que seus músculos pareciam estar e a amnésia que encobria as últimas memórias apenas para vislumbrar duas pessoas que sorriam ao seu lado. A mente ainda estava com resquícios do torpor fazendo com que erguesse uma das sobrancelhas em uma tentativa clara de reconhecê-las.

A única coisa que sabia era que já havia se sentido dessa maneira antes e odiava estar presa em um “mundo paralelo”.

Aos poucos os sorrisos se tornaram mais claros e pelos sentimentos que estavam se amotinando em seu interior teve a certeza de que havia esperado por isso ansiosamente.

Sorrisos francos que demonstravam a pureza da alma.

Encantadores, capazes de despertar carinho e afeto no mais sisudo ser humano.

Sorrisos.... que traziam a esperança de um futuro melhor.

Os olhos perolados abriram aos poucos de surpresa e um sorriso aliviado tomou conta dos lábios ainda um pouco rachados pelo desuso e por um instante pareceu que havia anos que não presenciava tal cena.

_ Olá mamãe como está se sentindo?!- o pequeno sorriu carinhoso.

Ele estava no colo do pai, ao lado da cama e ambos sorriam animados para ela. As faixas cobriam o peito ocultas pelo largo pijama hospitalar que ele usava.

A consciência voltou instantaneamente e ela mal pode acreditar que Koji sorria para ela de maneira tão alegre. Passara por tanto medo de perdê-lo, horas de sofrimento e sentimentos inexplicáveis e agora o tinha tão perto de si, olhando-a de maneira carinhosa. Tinha medo de acordar e encontrar Naruto ao seu lado com o olhar triste para anunciar que a cirurgia não havia dado certo. Medo de que a sua mente cansada estivesse brincando com ela enquanto dormia.

Medo de acordar de um sonho.

Sentiu uma súbita necessidade de tocá-lo e constatar que estava de fato ali, e moveu os braços em sua direção arrancando-o do colo do pai em uma velocidade incrível.

Mesmo surpreso pela força que ela demonstrou depois de tanto tempo desacordada ele não protestou ao sentir seu colo vazio. Sabia que ela precisava tocá-lo como havia feito no dia em que pode reencontrá-lo, como se aquele simples ato fosse a certeza de que tudo ficaria bem, que sentia o mesmo medo de soltá-lo e descobrir que talvez fosse uma alucinação criada pela mente estafada de pais esperançosos. É um instinto natural que os pais possuem de querer suas crias sempre por perto, e ele era grato aquela mulher maravilhosa pelos presentes que havia lhe dado.

Ela recolheu o menino em um abraço apertado sem se preocupar com mais nada ao redor. Sentiu o calor que emanava de corpo frágil tão pequeno que sempre se encaixou perfeitamente ao seu, o cheiro do cabelo que ela segurava ternamente com uma das mãos agora misturado com o odor hospitalar, a respiração que soava entrecortada próxima ao seu ouvido, a roupa que estava folgada formando algumas dobras entre seus dedos Formava uma pequena prisão em seus braços como se estivesse com medo de que ele pudesse escorregar entre os vãos e desaparecer para sempre e sem perceber lágrimas pesarosas desceram.

Koji estava com saudade da mãe, mas o abraço dela estava sufocando-o e pressionando seus pontos. Agüentou o máximo possível sussurrando em voz fraca para a mãe que tudo estava bem, mas ela parecia não estar lhe dando ouvidos e apertava cada vez mais forte. Sem poder se conter mais ele resolveu voltar a atenção para o único que poderia lhe resgatar naquele momento.

_ Socorro papai!- pediu fraco tentando afrouxar o abraço maternal que apenas o prendia mais com as suas tentativas frustradas.

Como se acordasse de um torpor involuntário ele se levantou subitamente tentando segurar os braços dela da maneira mais delicada possível, mas quanto mais tentava mais ela parecia apertá-lo.

_ Calma Hinata desse jeito vai partir o menino em dois!- pedia pacientemente, porém preocupado.

Ela balançou a cabeça como se não conseguisse ouvir o loiro. Ainda tinha medo de acordar e vê-lo ao seu lado com o olhar tristonho. Se fosse um sonho iria aproveitar ao máximo.

_ Ma...mãe..- pediu com a voz fraca.

_ Hina ele ainda está se recuperando!Vai acabar rompendo os pontos dele com toda essa saudade violenta.

Um choque perpassou o corpo dela com a possibilidade e relutando ele foi abrindo os braços calmamente para liberar o menino que arfava aliviado. Afastou-o um pouco para olhar em seus olhos e afastando os cabelos desalinhados que caiam no rosto lhe deu um beijo demorado.

_ Será que estou sonhando Naruto?- perguntou atônita acarinhando o rosto.

Ele se sentou ao lado dos dois.

_ Se for nós estamos tendo o mesmo sonho. – sorriu encantadoramente.

_ Eu tenho medo de acordar e descobrir que...- não conseguiu terminar a frase com medo do pensamento.

_ Se duvida vá em frente e aperte ele o quanto quiser. — olhou nos olhos do garoto que sorria para ela. — Mas cuidado para não acabar arrancando um pedaço com essa fúria maternal.

Ela sorriu aliviada. Não podia ser um sonho.

_ Por favor, mamãe não arranque nenhum pedaço meu!- os inocentes olhos perolados estavam arregalados com a possibilidade. – Eu prometo que nunca mais irei desobedecê-la.

Eles riram juntos da inocência dele.

_ Eu não sei. — falou pensativa com a voz brincalhona. – Quem sabe.... você está parecendo tanto com o seu pai com esses cabelos desgrenhados que não sei se posso confiar nesse olhar pidão. Quem me garante que está apenas me engabelando?!Mas existe uma coisa que está me deixando confusa...

_ Diga.

_ Porque está com o seu pai aqui? Deveria estar no quarto descansando, afinal de contas a cirurgia levou mais de treze horas.

Naruto pôs a mão no bolso e olhou para o teto assobiando como se estivesse escondendo algo. Koji apenas riu e segurou as mãos dela.

_ Mamãe a senhora é muito preguiçosa, pareceu até o tio Shikamaru, ficou dormindo por quatro dias inteiros!

_ Quatro dias? Mas como? Seria impossível... — olhou para o loiro que ainda tentava disfarçar. – Naruto.

Ele olhou para ela apenas para se arrepender ao ver o olhar repreensivo que ela lhe lançava com uma das mãos apoiada na cintura.

_ O que mais eu podia fazer?Você desmaiou e ainda faltavam algumas horas para saber se o Koji estava bem, então achei melhor que continuasse dormindo...

_ E educadamente pediu para me drogarem?- ela o interrompeu. – Mas por quatro dias? Isso já é exagero não acha.

_ Isso foi culpa da Ba-chan! Eu não imaginei que ela ia aplicar tanto sonífero em você.

Ela ia protestar quando sentiu uma mãozinha pequena tocar o seu ventre volumoso.

_ Olá Akira-kun lembra de mim, o seu Aniki?! Sentiu saudades de mim?- perguntou infantilmente para logo depois colocar o ouvido sobre a barriga dela como se esperasse alguma resposta. Como de costume o bebê respondeu de imediato.

_ Akira-kun?- Naruto perguntou intrigado. Havia passado muito tempo fora e se sentia um desinformado acerca das novas manias da família que estava crescendo.

_ É o nome que o seu filho escolheu para o irmão.

_ Mas como sabem que é menino?Quer dizer, eu não sabia que tinha como saber do sexo antes do bebê nascer.

Hinata riu da confusão e Koji ainda debruçado sobre a barriga da mãe falava baixinho com o bebê que respondia com movimentos cada vez mais entusiasmados.

_ Apenas palpite de mãe. Ele chuta com muita força, duvido que uma menina seria tão bruta assim. A menos que puxe o pai.

_ Como assim? Está me chamando de ogro?- perguntou inconformado.

_ Apenas levantei uma hipótese...

_ Pois fique a senhora sabendo Hyuuga Hinata que a minha princesa Uzumaki vai ser a flor mais bela e delicada de todo o mundo ninja...

Ela riu da expressão de falso orgulho dele, mas sentiu o coração apertar de emoção ao ouvir o resto do pensamento.

_... assim como a mãe dela.

Os olhos brilharam de emoção e sem que percebesse as bocas foram trilhando um caminho reto. Ela amava o ninja hiperativo de tal maneira que o coração chegava a apertar dentro do peito de tanta emoção e os pensamentos ficavam turvos e confusos fazendo ambos esquecerem da realidade ao redor, como se existissem apenas os dois no mundo.

Koji levantou a cabeça e percebeu os olhares apaixonados que os pais trocavam, chegando a rir um pouco da expressão abobada que enfeitava seus rostos, como se fossem completos estranhos á um passo de descobrir o verdadeiro amor. Estava feliz pelos dois, e por ser muito esperto resolveu ficar em silêncio para não quebrar o clima.

Quando as bocas estavam bem próximas a morena sentiu uma dor lancinante que a fez por a mão sobre a barriga

_ AI! – Disse com uma careta de dor.

_ O que foi?- o loiro perguntou assustado pondo a mão na barriga dela. – A bolsa estourou?

_ Não, eu ainda estou de seis meses como a bolsa poderia ter estourado?- disse alisando a barriga. – Ele virou e acabou chutando as minhas costelas, isso dói. Por acaso está se vingando por que eu te acordei?- falou com a barriga, os hormônios a deixavam muito nervosa e havia tempo que sentia o caçula brigar dentro sua barriga.

Naruto riu divertido ao ver Hinata com o olhar desgostoso.

_ Qual a graça?- A Hyuuga perguntou nervosa. Aquilo doía muito.

_ Nada. – tentou disfarçar. –Naruto Júnior, pare de chutar a sua mãe, isso é muito feio. – imitou uma pessoa brigando com o dedo apontado para a barriga dela.

_ Ai minha nossa que nome terrível para uma criança, de jeito nenhum o meu filho vai se chamar assim.

_ Qual o problema com o meu nome?- Naruto perguntou contrariado.

_ O problema é que ele é seu, e é muito fora de moda nomear as crianças de Júnior.

_ O filho da Kurenai sensei é Azuma, e eu não acho feio.

_ Mas ninguém o chama de “Júnior” e sim de Azuma. Já pensou eu chamando os dois para jantar. – pôs as mãos em forma de cone na frente da boca. — “Koji, Júnior o jantar está servido”, nossa é capaz de se tornar uma pessoa depressiva. Ou já imaginou se eles o chamarem de Narutinho, pior, Narutinho Júnior?

_ Então qual nome você sugere?- perguntou emburrado.

_ Quem sabe Sasuke. -disse brincando.

_ Eu vou fingir que nem ouvi isso. – disse virando o olhar. – Coitado do meu filho se tiver que ter o mesmo nome daquele teme.

_ E qual o problema papai? Eu acho o nome do tio Sasuke bonito. – Koji entrou no meio da discussão.

_É melhor não arriscar meu filho, vai que esse nome carrega algum estigma e esse menino acabe nascendo com a personalidade dele.

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_ Aqui está doutora Haruno.

A jovem atendente pousou a xícara de café cuidadosamente sobre a mesa com um sorriso gentil.

_ Obrigada. – respondeu com a voz arrastada.

Estava chegando ao seu limite. Não precisava se olhar no espelho para saber que provavelmente estava com olheiras terríveis debaixo dos olhos. O fato é que não tinha uma noite decente de sono há dias e sentia o corpo pesar a cada minuto que se mantinha em pé, como se fizesse uma greve silenciosa e perversa.

Não era para estar tão cansada, seu plantão havia acabado há dois dias, mas não se sentia a vontade de ir para casa sem antes ter certeza de que Koji estava bem, apesar de saber da melhora que estava tendo, surpreendendo até os médicos mais veteranos. Havia feito uma promessa a Hinata e só descansaria no dia em que tivesse certeza de que ele não corria mais nenhum tipo de perigo.

Bebericou um pouco do café enquanto olhava a movimentação nas ruas de Konoha, esse era um ponto positivo do restaurante do hospital ficar na parte inferior do prédio, podia se perder olhando as pessoas indo e vindo e esquecer por alguns minutos a correria que a sua vida de médica-nin lhe oferecia.

_ Posso me sentar ao seu lado doutora Haruno? – uma voz rouca soou no pé de seu ouvido assustando-a. Estava tão distraída que não o sentiu se aproximar.

_ Só se for bem juntinho senhor Uchiha. – respondeu com um sorriso cansado.

Sem muita cerimônia ele se jogou na cadeira ao lado, sentando de mal jeito e fazendo a rosada rir com a sua postura desleixada.

_ Pelo que vejo, não sou a única “morta-viva” aqui.

Ele se inclinou e pôs os cotovelos sobre a mesa para apoiar as mãos abaixo da cabeça e fitá-la profundamente.

_ Nunca verá um Uchiha cansado. – disse enfatizando o sobrenome. – Em compensação se for ao corredor treze encontrará vários Hyuugas de olhos semicerrados e olheiras tenebrosas.

_ E quanto ao Uzumaki?- bebericou mais um pouco.

Ele olhou divertido.

_Aquilo por acaso cansa? Sinceramente quanto mais conheço aquela criatura, menos eu entendo.

Sakura não pode evitar rir do comentário, realmente Naruto era um indivíduo duro na queda.

_ Acho que tem toda a razão.

Ele passou a mão pelo rosto cansado da rosada vendo-a fechar os olhos com o contato.

_ Porque não vai para casa descansar um pouco?Daqui a pouco vai começar a trabalhar sonânbulando.

_ Não posso. Eu prometi a Hinata que só descansaria depois de entregar o filho dela são e salvo.

_ Pelo que vejo está mal informada. Ele já melhorou e inclusive está passeando com o pai pra tudo quanto é lado desse hospital.
_ Esse Naruto, não consegue se conter mesmo, se aquele menino piorar por causa dele eu vou socar aquela cabeça oca até enterrá-la nos ombros!

_Como se não conhecesse o Dobe. Você sabe que mesmo fazendo isso, ele vai voltar com a cabeça achatada para nos pentelhar.

Ela riu.

_ Que bom que ele voltou a ser como era antes, já não suportava aquela cara de cachorro sem dono. Se o Naruto hiperativo é chato, o chorão é mais ainda.

O moreno fez sinal para a garçonete e pediu uma bebida para acompanhar a rosada que esperou a moça sair para comentar.

_ Vai beber saquê a essa hora da manhã?

_ Sim, algo contra o meu gosto?

_ Não acha que é muito cedo para isso não?

_ Nunca é cedo para uma dose. Depois, eu tenho que encontrar o Dobe e o saquê vai servir como um “energético” para agüentar aquele chato.

_ Pelo que vejo os próximos Uchihas vão nascer cheirando a álcool.

_ Quem sabe não combina com os olhos roxos de insônia.

Sakura estava rindo do que disse sobre a próxima geração da família dele, quando foi surpreendida pela frase dele e parou subitamente corando de vergonha.

_ O que está querendo dizer com isso?- a voz agora estava nervosa, e as mãos suavam frio.

Ele deu aquele clássico sorriso de canto de boca e a encarou de maneira sedutora.

_ Exatamente o que está pensando. Eu não posso reerguer o meu clã sozinho e você demonstrou ter bastante disposição para trabalhar por essa causa, sem contar que eu estou louco para mais uma demonstração de produção.- olhava safado.

Se antes estava rosada de vergonha, agora tinha certeza de que estava igual á um pimentão. O coração batia tão rápido que por um instante ela chegou a acreditar que ia enfartar a qualquer instante. Não tinha coragem de olhar naqueles intensos olhos negros que tinha certeza que a estavam dissecando da cabeça aos pés.

Ele virou o copo e resolveu ir embora antes que a rosada acabasse ficando com torcicolo de tanto ficar com a cabeça baixa, havia lançado a isca, restava apenas ver se conseguiria fisgar algo.

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_ Até que enfim consegui encontrar vocês!- Shizune entrou com o olhar assustado, olhando para a porta como se a qualquer instante um monstro fosse surgir. – Tsunade-sama está louca atrás do Koji, e disse que se descobrir que foi você quem o tirou do quarto de novo vai dar um jeito de não ter mais herdeiros.

O loiro que estava brincando de Jan-Ken-po com o filho em cima da cama levantou os olhos assombrado com a possibilidade. Pelo que conhecia da Godaime ela com certeza faria cumprir a promessa. Só de imaginar o procedimento nada sutil que ela usaria para deixá-lo estéril sentia o suor escorrer frio pelo rosto. Ele precisava pensar rápido para defender a sua hereditariedade a todo custo e Hinata ainda estava no banheiro tomando banho.

Koji juntava as mãozinhas temeroso pelo destino incerto do pai, como se pudesse compreender os horrores que a situação proporcionava.

_ E agora otou-san? O que você vai fazer?- estava tão aflito quanto ele.

Naruto andou pelo quarto mais alguns segundos puxando levemente os fios de cabelos enquanto tentava se acalmar para pensar em alguma estratégia, foi quando o pouco raciocínio que havia conseguido juntar desapareceu com os gritos pavorantes que poderiam ser ouvidos a quilômetros de distância.

_ Dessa vez ele não me escapa!

Um frio percorreu sua espinha ao ouvir a voz de Tsunade e ele resolveu seguir a primeira idéia que lhe veio a mente. Pegou o filho no colo e pulou pela janela com ele, com um pouco de sorte poderia devolvê-lo ao seu quarto são e salvo.

Notas finais
Ainda em dúvida se devo fazer casamento, não sou boa com esse tipo de coisa.

Abraços!!!

YueChan.