Sonhos Quebrados.

50 50- Decisão.


Notas iniciais
Olá minnasan!
Por favor me perdoem! Sei que nunca demorei tanto a postar e posso garantir que incomodou mais a mim do que a vocês, mas eu não estava tendo tempo de me dedicar as fic's e quando arranjava estava com muito sono para escrever algo decente, mas agora creio que tudo voltará ao normal!

Boa Leitura!!!

Uma estranha sensação de leveza tomou conta do corpo da Hyuuga que mantinha os olhos fechados sem conseguir abri-los; era como se ela estivesse flutuando ao sabor do vento semelhante á uma folha seca.

Como se a gravidade não exercesse mais influência sobre o seu corpo.

Com muito esforço conseguiu abrir uma fresta mínima por onde uma intensa luz branca entrava fazendo as pupilas dilatarem e arderem violentamente ao mínimo contato, como se estivessem sendo cravejados por pequenas agulhas invisíveis.

Mas nenhuma sensação lhe intrigava tanto quanto a da mão.

Havia uma sensação de preenchimento como se estivesse segurando algo muito importante que não poderia faltar ou se perder.

A garganta estava seca e os dedos insensíveis.

Tentou mover os lábios e músculos do corpo, mas a sensação de entorpecimento parecia ser mais forte que a vontade de descobrir o que estava de fato acontecendo.

“Será que eu morri e estou no paraíso?” pensava preocupada.

Mais uma vez tentou quebrar o estado inerte que havia tomado conta dos seus músculos e dessa vez conseguiu uma resposta maior, apesar de ser praticamente imperceptível ao olhar desatento.

Como se houvesse desencadeado uma reação em cadeia com o movimento, várias vozes puderam ser ouvidas ao seu redor.

_ Ela se mexeu!Eu senti!

_ Pare de falar besteiras! Já é a décima vez hoje que você fala a mesma coisa e sempre acaba descobrindo que está equivocado. Não dá para trocar o disco pelo menos por uma hora?- uma voz sonolenta resmungou.

_ Mas eu senti! Verdade!Tem que acreditar em mim, dessa vez eu tenho certeza de que foi verdade.

Passos foram ouvidos e em menos de dez segundos a morena sentiu como se estivesse sendo analisada por olhos de uma intensidade tão intensa e dinâmica que davam a ela a impressão de que pudesse se tornar transparente e dar uma maior enfoque para a pessoa.

Ouviu os barulhos das duas pessoas conversando.

Elas pareciam estar a milhas de distância tamanha o zumbido em seus ouvidos, mas com o passar do tempo o som foi ficando mais claro.

A consciência foi retornando aos poucos e levou alguns segundos angustiantes para que pudesse abrir os olhos ainda vislumbrando o teto desfocadamente e conseguisse compreender o que se passava a sua volta.

Olhou para o lado e se sentiu ser abraçada furiosamente por alguém que falou ao seu ouvido com a voz embargada, mas cheia de alegria e uma imensa sensação de conforto se apoderou do seu corpo com aquele toque terno, mas que era tão especial e que ela poderia reconhecer em qualquer ocasião devido ao cheiro familiar que a pessoa exalava.

O cheiro da pessoa amada.

_ Estou tão feliz que esteja bem Hina!- disse com a voz ondulada pela emoção, mas que soava como um sussurro como se estivesse cansada. – Não sabe como eu fiquei com medo de te perder. Eu não iria suportar viver sem você!

As lágrimas molhavam a camisola branca que a morena usava deixando-a ainda mais confusa com a situação. Não sabia o porquê daquele homem que ela amava tanto estar chorando e dizendo palavras tão aliviadas para ela, como se estivesse expurgando um peso da alma, mas algo dizia que não era um bom sinal.

Aos poucos a visão foi se tornando mais clara dando a ela a possibilidade de identificar que estava em um quarto e que a segunda pessoa que a olhava ternamente era a Haruno que tinha um semblante calmo e cansado.

Com muito esforço ela conseguiu murmurar o nome dele fazendo-o se separar do abraço o suficiente para fitá-la com aqueles intensos olhos azuis que agora estavam marcados por profundos sulcos que ela logo interpretou como sendo provenientes da falta de sono e de noites mal dormidas.

_ Na...ru..to. onde eu estou?- perguntou com a voz ainda fraca pelo desuso.

_ No hospital meu amor. Eu pedi para que a Tsunade sama e a Sakura chan cuidassem de você. — sua voz soava como de um homem maduro.

A rosada lançou um olhar intrigado ao loiro.

_ Pedido?Você praticamente nos obrigou a isso com toda aquela gritaria. Mas mesmo se não o fizesse nós iríamos cuidar dela com todo o carinho que merece. — disse carinhosamente olhando para ela.

Eles ficaram em silêncio por alguns segundos apenas trocando olhares. Hinata sentia-se como uma expectadora que havia chegado em meio a um filme; sem saber o que se passou para ela estar em um hospital com Naruto velando o seu sono.

_ Hos...pital?Mas porque eu estou aqui? O... — silenciou-se ao ver o olhar triste que o loiro e sentiu de súbito várias recordações atingirem a sua mente, fazendo-a recordar da luta contra os ninjas no clã Hyuuga. Sentou-se com dificuldade e sentiu o coração apertar e os olhos lacrimejarem com a suspeita que veio em sua mente.

Como se houvesse montando um enorme e complexo quebra-cabeça com os flashs de memória que estavam tomando controle da sua mente ainda fragilizada ela se sentiu em estado de choque.

A dor que estava sentindo no ventre, o esforço aliado as tensões do campo de batalha, o desmaio súbito, as lágrimas pesarosa do loiro e o fato dela estar em um hospital tomando soro na veia só podia significar uma coisa.

Ela havia perdido o bebê que esperava.

Era algo que parecia estar estampado no rosto do loiro e da rosada que a fitavam como se tivessem pena de sua condição, escondendo a tristeza por trás de um sorriso fraco que eles não puderam manter diante da dúvida dela. As lágrimas vieram pesadas e ela sentiu uma imensa amargura tomar conta do coração, sem conseguir acreditar que havia “assassinado” indiretamente seu bebê.

Levou a mão ao ventre com receio de que estivesse certa e se desesperou ao perceber que não havia nenhum tipo de movimentação por parte da criança que deveria estar lá. Pousou uma das mãos trêmulas pelo pavor sobre os lábios como se tentasse acordar de um pesadelo, mas a dor que sentiu ao virar a cabeça bruscamente para o lado lhe fez crer que estava de fato acordada e que aquela era a dura realidade.

Mais lágrimas acompanhadas pelo desconforto na garganta como se um bolo de comida estivesse preso obstruindo a passagem do ar. Mas não era. Ela estava engasgando com a culpa de ter sido tão imprudente ao ignorar os avisos que o seu bebê havia enviado de que estava sendo oprimido pelas suas ações e emoções. A dor de ter sido tão insensível com uma criatura tão inocente que nunca iria poder ver o mundo, ou sentir o calor dos seus braços maternos era tamanha que não podia ser descrita com simples palavras.

O olhar triste de Naruto, apesar de não serem inquisidores, parecia ser a maior prova de que era a pior mãe do mundo e ela não pode conter a tristeza que a fez curvar o corpo para frente e esconder os olhos com a mão. Não tinha coragem de olhar nos olhos dele e ver a dor que eles transmitiam ou pedir perdão pelos erros que cometeu para com a sua família.

Ele a encarou triste e surpreso ao ver as lágrimas que tinham um aspecto tão sofrido e percorriam o rosto alvo da morena sem hesitação.

­_ Não chore minha Hime. – disse colhendo as lágrimas dela com os dedos carinhosamente enquanto aproximava seus rostos.

Ela sentiu suas mãos serem removidas defronte a face de maneira delicada, como se ele estivesse com medo de quebrá-la. Uma nova onda de culpa a atingiu ao perceber o quanto ele estava sendo gentil com ela e o olhar arroxeado em torno dos olhos dele dizia que provavelmente havia chorado tudo o que precisava e que agora estava a disposição para limpar as suas lágrimas e ajudá-la a encarar o momento juntos. Ela não resistiu e se lançou em seus braços, sendo acolhida carinhosamente enquanto escondia o seu rosto com medo de fitar seu olhar fatigado.

_ Me desculpe Naruto. — disse com a voz abafada e o apertando com força. – Eu não pude cuidar do nosso bebê e acabei colocando a vida dele em risco sem me preocupar com as conseqüências.

Ele a apertou mais contra o peito e passou a mão pelos seus cabelos lisos um pouco bagunçados pelo sono na cama de hospital, transmitindo o máximo possível de carinho.

_ Tudo bem meu amor, já passou!- pedia em voz baixa tentando fazê-la se acalmar. — Tudo vai ficar bem de agora em diante.

Ela afundou ainda mais o rosto e o seu corpo balançava devido aos soluços.

_ Como pode ficar bem depois do que aconteceu?- falou amargurada.

_ Ficará! Eu juro que não vou permitir que isso aconteça novamente. Mas agora se acalme porque não é bom ficar se alterando, você ainda precisa se recuperar.

_ Mas a culpa foi minha. – falou quase sussurrando. – Se eu estivesse mais alerta e tivesse sido mais responsável, nós não estaríamos passando por isso agora.

Ele a afastou o suficiente para olhar em seus olhos perolados e lhe dar um beijo terno e rápido nos lábios rosados.

_ Você não tem culpa de nada. Não quero que fique pensando nesse tipo de coisa ou remoendo o que já passou. Nós temos que ser fortes para o que vai acontecer de agora em diante. Também me sinto culpado por não estar com vocês no momento em que mais precisavam, mas não há como mudar o que já passou. Entende?

Ela balançou a cabeça afirmativamente e ele tomou seu rosto entre as suas mãos acariciando a pele macia que tanto amava. Ajudou a deitá-la novamente ainda segurando em sua mão. Sakura olhou com carinho para os dois e fez sinal de que iria chamar Tsunade deixando-os a sós se contemplado.

Hinata tinha certeza de que não amaria outro homem a não ser Naruto. A simples presença dele era confortadora e seu toque era macio e apaixonado; naquele momento prometeu jamais afastá-lo da sua vida novamente. Mas a notícia da perda do seu bebê ainda assolava o seu coração fazendo ele se contorcer de dor.

Não havia dor pior no mundo do que perder um filho.

Olhou para aqueles olhos azuis cansados e gentis do loiro e murmurou sem muita confiança. Precisava fazer essa pergunta ou seria atormentada pelo resto da vida pelo fantasma da dúvida.

_ Naruto?!- perguntou hesitante.

_ Sim minha flor. – respondeu carinhoso.

_ Você me... Odeia?- a voz saiu quase sussurrada.

_ Como? Não entendi a pergunta? Porque eu te odiaria Hina? Não foi culpa sua o que aconteceu.

Uma lágrima gorda escapou dos seus olhos. Ela sentia como se ele estivesse escondendo a dor dela, talvez para não parecer fraco.

_Não precisa mentir Naruto. Eu sei que sou responsável pelo que aconteceu, mesmo que indiretamente.

_ Hina, não há motivo para se desculpar de algo que não foi responsável.

Uma revolta tomou de súbito o coração da morena, fazendo toda a dor do momento vir à tona de maneira brutal.

_ Não tente me consolar Naruto! Eu não sou mais uma criança! Sei que foi por minha culpa que o nosso bebê morreu!- desabafou exasperada.

O loiro a encarou com o olhar de espanto por alguns segundos antes de começar a rir fazendo-a olhar as suas feições de alegria incrédula.

_ O que há de engraçado nisso?- perguntou chorando mais. – Por acaso eu acha que isso é algum tipo de piada? Ou não se importa de ter perdido um filho.

Ele parou de rir e segurou as mãos dela encarando com carinho os olhos perolados recheados de indignação e lágrimas.

_ É isso que está te preocupando?- o sorriso de canto de boca persistia- Hina, não aconteceu nada com o nosso bebê, ele está bem!

Os olhos dela se arregalaram.

_ Mentira. – disse incrédula. – Eu vi você com o olhar triste e olheiras....

_ Claro que iria ficar! Você ficou desacordada por três dias seguidos. Eu não conseguia pregar o olho de preocupação.

Os olhos dela encheram de lágrimas novamente como se as palavras dele não fizessem sentido algum.

_ Mas eu não o sinto se mexer. –olhava para a barriga um pouco saliente escondida pelo lençol branco como se tivesse medo de tocá-la e perceber que o loiro estava equivocado.

_ Deve estar dormindo. — pegou a mão dela e guiou ao ventre colocando a dele por cima. Emitiu um pouco de chakra e Hinata pode sentir uma pequena movimentação que foi se intensificando com o tempo. — Viu? Foi a Sakura que me ensinou a fazer isso, é só emitir um pouco de chakra que a criança responde. — olhava divertido para o rosto dela. -É um milagre que não tenha acordado antes com esse “bendito” pulando aí dentro. Pode ficar tranqüila que a vovó garantiu que ele está perfeitamente bem.

Agora ela chorava de alegria e alívio enquanto via o loiro sorrir para ela como fazia quando era criança passando a mão sobre a sua barriga. Não podia haver momento mais mágico e encantador do que ver duas pessoas amadas se comunicando de forma tão doce e carinhosa.

A porta da sala foi aberta e Tsunade entrou sendo seguida por Shizune.

_ Estou muito feliz de saber que está bem Hinata!- disse checando o pulso e olhando-a ternamente. – Pelo que vejo o pequeno também acordou. – apontou com a cabeça para a barriga da morena que não parava de mexer.

_ Tsunade no ba-chan, acredita que a Hinata achou que havia perdido o bebê.- Naruto olhou sapeca e a morena riu de canto de boca.

_ Entendo a sua preocupação Hinata, mas já devia saber que ele não iria morrer por tão pouca coisa.

_ Claro que não! Afinal é o meu filho. – o loiro apontou o dedo para o peito orgulhoso.

_ Esses Uzumakis parecem até invulneráveis! Ó raça resistente. Talvez sejam parentes próximos das baratas — Tsunade resmungou.

_ Ba-chan!- Naruto olhou com cara de bravo- Eu ainda estou aqui e essas palavras magoam. Não pode falar assim dos seus bisnetos.

A loira enviou um olhar fulminante para o loiro que não parava de sorrir e no momento em que ia aplicar um dos seus famosos “castigos carinhosos” foi impedida pela assistente que pedia calma pelo estado de Hinata.

Gaara estava no telhado do hospital aguardando a chegada do ninja mensageiro que enviara a Suna em busca de informações. Sua mente trabalhava a mil por hora e a todo o momento voltava o olhar para trás para se certificar de que estava a sós.

Estava passando por um dilema como Kazekage. Sabia que alguém dentro do círculo de poder da vila estava fazendo as informações vazarem e isso representava um perigo para os habitantes e seus subordinados. Iria descobrir, caçar e matar o infeliz capaz de traí-lo, mas dessa vez não teria a ajuda de Hinata que havia deixado claro que abandonara esse posto.

_ Kazekage-sama. — ele se virou e reconheceu o ANBU que o saudou com uma reverência respeitosa.

_ Espero que traga boas novas corvo. – disse sério.

_ Creio que as noticias serão do seu agrado senhor. Muitos ninjas estão trabalhando para descobrir o responsável pelo vazamento de informações acerca da Fênix e a seção pela qual ela era responsável se disponibilizou a “cuidar” dos responsáveis.

_ Isso realmente vem a calhar no momento. — disse divagando com a mão sob o queixo. – Volte a Suna e diga a Kankurou para liderar as investigações acerca do vazamento de informações. – mandou sem hesitar.

_ Sim senhor! Mas antes de partir eu devo lhe entregar a mensagem da primeira dama.

Gaara virou os olhos pressentindo o que estava por vir.

_ A senhorita Sabaku pediu para que eu transmitisse as palavras dela de maneira fiel, então peço perdão antecipadamente para o que estou prestes a fazer. – respirou fundo e fechou os olhos antes de responder. – “Se não quiser dormir na sala por semanas a fio, é melhor que volte antes do término do mês, Caso contrário não vou pensar duas vezes antes de lhe aplicar um pé na bunda Com carinho, sua terna esposa.”

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Quando estava se dirigindo ao quarto de Hinata em companhia de Shizune e Tsunade, Sakura foi interpelada por uma enfermeira que a chamou para uma emergência fazendo a rosada se despedir e tomar outro caminho.

Passou alguns minutos em consulta, ao olhar no relógio constatou que já estava na hora do almoço e o estômago roncando deixou claro que ela precisava se alimentar.

Pegou a bolsa e sem retirar o jaleco branco que cobria a roupa médica que usava partiu para o restaurante do hospital.

Qual foi a sua surpresa ao encontrar Sasuke com Koji no colo em uma das mesas. O moreno estava concentrado em dar comida na boca do menino que com os braços apoiados na mesa olhava desanimado para a colher que o moreno oferecia com alegria.

_ Vamos Koji, você tem que comer algo, se não vai acabar ficando fraco. — fazia aviãozinho que era negado pelo menino com um leve balançar de cabeça.

_ Não quero, eu não estou com fome tio Sasuke. – disse resoluto resistindo a mais uma colherada.

_ Mas tem que comer algo. Há dias que não se alimenta direito. Desse jeito vai acabar dando mais trabalho a pobre da sua mãe que está internada. – ameaçou a colherada mais uma vez.

Sakura se aproximou de maneira soturna para não ser rapidamente percebida.

_ Aí está uma cena que você não vê todo dia. – disse sorrindo atrás do moreno fazendo-o fitá-la com um olhar irritado.

_ Tsk! Veio para me amolar Sakura. – fez um bico irritado.

_ Eu?! Não querido, apenas não pude deixar de notar que o insensível Uchiha também tem um lado paternal.

Ele fingiu que não ouviu a afirmação e continuou seu trabalho concentrado.

_Parece que ele puxou o pai no quesito teimosia. – Sakura disse ainda sorrindo. Sentou-se à mesa olhando cardápio.

_ Tem razão. — O moreno concordou depois de mais uma tentativa falha.

Sasuke pousou a colher sobre o prato tentando parecer o mais frio possível e olhou para Koji que tinha o rosto enterrado entre os braços. Os cabelos loiros desciam carinhosamente tapando melancolicamente parte dos olhos.

_ Acho melhor deixar que o seu padrinho faça esse serviço.- concluiu sério.

_ Então é você quem está cuidando do pequeno Uzumaki enquanto a Hinata está internada? — perguntou curiosa.

_ Não. Ele está com o Gaara que pediu para que eu cuidasse dele enquanto resolvia alguns problemas.

_ Que bom! Fiquei preocupada de não ter ninguém para ficar com ele.

_ Está brincando?!- ele olhou incrédulo- O que não falta para são pretendentes a “babá”. Neji, Tentem, Eu, Kiba, Lee, Tsunade, Kakashi sensei e mais um monte de gente, até as vizinhas da Hinata se ofereceram para cuidar dele, mas no final quem ganhou foi o padrinho que veio correndo na velocidade do “som” quando soube da situação.

_ Pelo visto ele é muito amado.

_ Nem imagina o quanto.

Sakura olhava ternamente para Koji.

O menino continuou sem esboçar reação e deu um suspiro cansado. Sakura olhou para ele sentindo o coração encher de carinho; era uma criança muito bonita, mesmo com o semblante triste e preocupado.

_ Está preocupado com a sua mãe?- perguntou afagando os cabelos dele, retirando alguns fios da testa.

Ele balançou a cabeça afirmando e a encarou com os olhos perolados marejados.

_ Ela está doente e ainda não acordou.

_ Por isso não quer comer?

_ Eu não tenho fome. Quero ver a minha mãe moça! Porque ninguém me deixa ver ela?

A Haruno olhava surpresa para Koji que tinha uma capacidade de diálogo superior a muitas crianças da sua idade.

_ Você ainda é muito pequeno para entrar em algumas salas do hospital.

_ Mas eu tenho saudade da mamãe!E o papai está com ela lá dentro- as lagrimas desciam rápidas pelas bochechas trilhando um caminho triste.

_ O que é isso! Não precisa chorar vai ficar tudo bem...

Antes que Sakura concluísse o que estava falando ou fizesse algo para confortá-lo foi surpreendida pelo Uchiha que se levantou e pegando-o no colo. Abaixou o rosto dele em seu ombro e passando as mãos em seus cabelos tentava reconfortá-lo.

A Haruno não pode evitar o olhar terno que lançou a cena. Há cinco anos atrás seria impossível imaginar uma cena assim, mas agora ela surgia como um espetáculo diante de seus olhos.

Sasuke estava amadurecendo.

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_Tem certeza disso Naruto?- Hinata perguntou apreensiva. – Essa não será uma tarefa fácil, tenho medo que se machuque.

Ela beijou a mão dela suavemente.

_ Nunca estive tão certo de algo como estou agora Hinata. Eu não posso permitir que isso continue. Farei o que for preciso.

_ Mas Naruto!Provavelmente você vai ter que tirar a vida de alguém e a sua natureza é totalmente contra esse tipo de atitude.

_ A vida da minha família vale mais do que a minha natureza minha Hime. Eu farei o que for preciso para proteger a mulher que amo e meus filhos. – disse passando a mão sobre a barriga dela.

O bebê respondia ao carinho dele como se pudesse entendê-lo.

Ela pousou a mão sobre a dele chamando a atenção para os seus olhos perolados.

_ Naruto, tem certeza disso. Terá que agir como um assassino, isso significa esquecer as suas emoções e deixar todas as suas filosofias de vida de lado.

_ Não se preocupe com isso, deve descansar para garantir a sua saúde e do bebê.

_ Matar não é tão simples como pensa. Lembra da segunda vez que me viu fazer isso? Estava quase acreditando na conversa do ninja e a baixando a guarda como fez na última luta. Não vai poder deixar um só vivo e talvez seja preciso executar inocentes para alcançar o seu objetivo. Acha que tem estômago para isso?

O loiro não pode evitar as lembranças que invadiram a sua mente ao olhar os olhos perolados tão sérios.

Flashback on.

“Hinata tirou um pedaço de pano da bolsa e começou a limpar lentamente o sangue da kunai. Seu rosto estava manchado com o sangue que jorrou violentamente da garganta aberta do ninja desertor. Os olhos frios que miravam apenas a lâmina não demonstravam remorso pelo ato que acabara de cometer.

Naruto olhava incrédulo para a cena que se desenrolava a sua frente. Era difícil aceitar que a Hyuuga houvesse tomado a vida de alguém com tanta frieza. Depois de um tempo a sensação de que estava em um sonho começou a ceder lugar para a realidade amarga e um sentimento de raiva e revolta começou a se apoderar dele.

_ Porque você o matou? – tentava conter a voz.

_ Porque era o meu dever. – A Hyuuga respondeu fria enquanto guardava a kunai.

_ Não havia necessidade de matá-lo! Ele disse que queria uma nova oportunidade. – A voz começava a alterar. – Implorou por piedade!

Hinata se abaixou e pôs um selo nas costas do cadáver.

_ ME RESPONDE HINATA PORQUE MATAR ALGUÉM QUE IMPLORA POR PIEDADE.

_ Naruto. – Olhava indiferente para ele. – Ele estava mentindo.

_ Não Hinata! Ele não estava, eu o vi desesperado.

_ Não seja tão ingênuo Naruto, ele estava apenas te enganando. Se estivesse no seu lugar não teria piedade.

_ Não posso acreditar que você se tornou esse tipo de pessoa fria Hinata.

_ Sou apenas uma ninja cumprindo a ordem que me foi confiada. Se não tem estomago ou coragem para fazer o que é necessário para cumprir a sua missão, sugiro que entregue esse hitaiate e pare de brincar de ninja.

Hinata levantou e fez alguns selos com a mão, em resposta o corpo do ninja desapareceu deixando apenas a poça de sangue no local onde estava.

_ O nosso mundo, não permite que sejamos fracos. Você não pode ficar bancando o herói para sempre. Quando não há outra saída, temos que tomar decisões que muitas vezes não nos agradam.

_ Porque você veio? Era para estar em Konoha com Koji.

_ Fui convocada pela Tsunade para completar a missão junto com vocês.

_ Mas se ela me mandou porque convocaria você?

_ Porque ela sabia que você não teria coragem de tirar a vida de alguém. Agora vamos, preciso chegar rápido em Konoha.

_ O que pretende ensinar ao nosso filho com essas atitudes frias?

_ Vou ensinar aquilo que você não pode. A encarar a realidade, sem esperar por heróis.

_ Acha que isso é certo? Ensinar á ele que deve alcançar os objetivos sem se importar com os meios?

_ É o mais sensato.

_ Me desculpe Hinata, mas não concordo que isso seja apropriado.

_ E o que pretende fazer? Tirá-lo de mim?

_ Se preciso for, eu o farei.

_ Apenas tente, eu te desafio a fazer isso.

_ Não duvide de mim Hinata.

_ Já estou duvidando. – Ela olhou provocativa.

Naruto suspirou longamente tentando manter a calma.

_ Eu não posso deixar que ele aprenda a ser indiferentes ao sofrimento alheio.

Hinata pousou a mão na cintura e começou a gargalhar cinicamente.

­_ Desculpa, acho que não ouvi direito. – o sorriso murchou dando lugar a irritação. — Não seja hipócrita Naruto! Por acaso já se esqueceu de tudo o que me fez passar, sem se importar com o meu sofrimento?!

_ Hinata será que você pode enterrar essa história de uma vez por todas? Sei que cometi muitos erros, e que não posso consertar o que já ficou no passado. Quero que entenda que quero o melhor para o nosso filho.

_ Se é isso que realmente deseja, pode começar se afastando dele.

_ O que? Porque isso agora? Eu não posso fazer isso.

_ Já se esqueceu da promessa que me fez? Eu cansei de tentar recomeçar de onde paramos. Cansei de sempre sair magoada por causa dos seus ciúmes, infidelidade ou egoísmo.

Ela recomeçou a andar, mas Naruto segurou em uma das suas mãos.

_ Hinata. – Os olhos estavam tensos. – Por favor, me de outra chance! Vamos tentar de novo pelo nosso filho. Eu prometo que nunca mais te farei sofrer.

Ela puxou a mão e olhou friamente nos olhos azuis dele.

_ Eu não acredito mais nas suas promessas. É pensando no bem do “meu” filho que eu não te dou outra chance. Não quero que venha a sofrer futuramente por causa do seu egoísmo.

Hinata voltou a caminhar sendo acompanhada pelo loiro que estava perdido em pensamentos tristes.

_ Quando chegarmos a Konoha eu voltarei para o meu clã.

Naruto parou subitamente sentindo a cabeça pesar.

­_ Como assim?

_ O meu pai me chamou de volta, se desculpou e pediu para que eu voltasse a assumir a minha posição como herdeira do clã.

_ E você aceitou?Depois de tudo o que aconteceu?

Hinata parou e olhou para ele.

_ Aceitei as desculpas dele, mas não sei se quero reassumir a minha antiga posição. Eu pretendo voltar para Suna depois que o Koji se recuperar.

_ Mas por quê? Porque não ficar em Konoha?

_ Porque aquela vila consegue reviver as minhas mais tristes lembranças.

Eles ficaram parados por um tempo se encarando em silêncio.

Naruto abaixou a cabeça sentindo o coração pesar e esmurrou a parede que havia ao lado fazendo-a trincar e o sangue escorrer da mão machucada.

_ Porque quer tanto afastar o Koji de mim? Ele também é meu filho droga!

_ Foi você quem decidiu trilhar esse caminho, não me culpe pela sua falta de conduta.

Flashback off

_ Naruto está me ouvindo?- Hinata perguntou apreensiva.

Ele balançou a cabeça afirmativamente tentando afastar as lembranças. Não havia porque se preocupar, Hinata havia perdoado ele e já não havia mais risco de voltar a Suna.

_ Não vou voltar com a minha palavra Hina. Mesmo que eu tenha que abandonar as minhas emoções e me tornar uma pessoa fria e calculista, não vou permitir que aqueles que ameaçam a minha família saiam impunes.

Hinata o puxou para um abraço amoroso e disse em seu ouvido.

_ Por favor, não se transforme em um monstro por mim e volte vivo para a nossa família. — ainda estava insegura, mas sabia que era impossível detê-lo depois que ele tomava uma decisão, afinal era o jeito ninja dele.

De repente uma nuvem de fumaça surgiu em meio a sala surpreendendo os dois deixando em seu lugar três ANBU’s que apareceram repentinamente a sua frente.

O loiro olhou apreensivo, pronto para atacar os intrusos quando foi surpreendido pelo toque da mão da morena que o impediu de continuar.

Para a sua surpresa os homens ajoelharam em reverência e abaixaram as cabeças em um sinal respeitoso de reverência.

­ _Sentimos profundamente pelas dificuldades que passou em função do seu antigo exercício Fênix sensei. – uma voz grave ecoou pela sala.

Hinata pousou o olhar sobre eles seriamente.

_ Não sintam. Algo assim é de se esperar, afinal temos uma posição importante e o nosso dever nos obriga a fazer coisas que muitas vezes não é do nosso agrado. – falou séria.

_ Hi sensei. – os três concordaram ainda de cabeça baixa.

_ Como sempre as suas palavras são muito valiosas para a nossa instrução. – O terceiro com máscara de fuinha e que tinha a voz mais suave se fez ouvir.

_ Não são mais alunos fuinha, não há necessidade desse tratamento tão formal.

_ Sempre haverá sensei, foi a senhora quem guiou nossos passos e estudos e lhe somos eternamente gratos. Sem sua ajuda não seríamos o que somos hoje.

_ Não diga essas coisas Jabuti, apenas fiz o meu trabalho, mas quero que não se esqueçam do lado humano que temos que aprender a conservar para não nos tornarmos simples animais.

_ Hi. – continuavam na mesma posição.

Naruto observava atento; a conversa que fluía amistosa e natural.

Desviou o olhar para a morena e observando as suas feições pode perceber o quanto ela havia amadurecido. Já não era mais uma garotinha ingênua ou tímida, ela havia se transformado em uma linda mulher ciente das suas capacidades.

_ Naruto. – ela o chamou tirando-o de seu transe. –Gostaria que conhecesse a equipe “alfa”, eles agiam sob o meu comando em Suna e são os ninjas mais habilidosos em perseguição e eliminação de alvos. Se quiser ir atrás do mandante só concordarei se for com a ajuda deles.

Naruto olhou para os ANBUS e consentiu com o desejo da morena deixando-a mais aliviada. Iria levá-los; mas a honra de acabar com a raça do responsável pelos ataques a Hyuuga seria exclusivamente dele.

Notas finais
Preciso da ajuda de vocês!!!
Não me decidi sobre qual será o sexo do bebe da Hina e sou péssima em pensar em nomes legais, então por favor mandem sugestões!!!Eu estou desesperada!

Também estou em dúvida quanto a quantidade, devo colocar gêmeos?O que acham?

Abraços!!!

YueChan.