Sonhos Quebrados.
45 45- Conversa
Notas iniciais
Prometo que nos próximos capitulos eu farei um pouco mais de Sasusaku e Gaaino.
Boa Leitura!!!
Hinata acordou meio indisposta, como se estivesse pressentindo que algo muito chato iria acontecer á ela quando saísse da cama, mesmo assim levantou.
Constatou que ainda eram seis da manhã quando olhou para o relógio em cima do criado mudo, e resolveu tomar um banho para despertar. Ligou a banheira e deixou o corpo relaxar em contato com a água morna, havia anos que não experimentava a sensação deliciosa de se esparramar na banheira.
Havia se mudado para a casa do pai depois da conversa ( briga) com Naruto, não queria ficar sozinha ou correr o risco de ter que rever o loiro, e não havia lugar mais seguro do que o clã Hyuuga onde estaria cercado por ninjas mal humorados e conservadores, mas ele deu um jeito de descobrir o seu novo endereço e não parava de azucriná-la com flores, bombons e algumas tentativas falhas de serenata no meio da madrugada que acabavam pondo toda a vizinhança atrás da sua cabeça.
Ela não podia negar que estava de certa forma se divertindo com as investidas românticas dele, e que sentia certa alegria por vê-lo tão compenetrado em reconquistá-la, mas bastava lembrar-se das palavras duras que ele lhe lançou naquele dia e todo o encantamento sumia como em um passe de mágica.
Não bastasse toda a bagunça que ele arranjou na sua vida ainda foi cair na besteira de engravidar de novo, o que parecia deixá-lo ainda mais aflito com a situação. Ela entendia bem como era a dor de ter que se separar de quem se ama contra a própria vontade, mas não havia outra maneira de poupar os filhos das burradas dele e por mais que ele jurasse de pé junto que não voltaria a cometer os mesmos erros era difícil acreditar em alguém que quebrou a promessa tantas vezes.
Saiu do banho e colocou uma roupa mais folgada; não tinha intenções de sair de casa naquele dia. Sob o pano fino da blusa já era possível perceber certa protuberância em seu ventre o que a deixava meio desconfortável por não ter descoberto algo tão óbvio sozinha. Deveria ser realmente a mulher mais insensível do mundo para não descobrir que algo em seu corpo estava mudando, mas não havia sentido nenhum sintoma que pudesse indicar; nem enjôos ou indisposições alimentares, apenas o desmaio no hospital havia saído de sua rotina diária, fora isso continuava a se sentir normal.
Colocou a mão sobre a barriga tentando sentir algum movimento e depois de alguns minutos procurando se achou tola por tentar algo que só começaria a se manifestar com mais tempo de gestação. Mesmo assim estava ansiosa para que ele começasse a se mexer, assim poderia realmente acreditar que estava grávida.
Mas algo a incomodava muito.
Havia passado por uma situação semelhante com o primeiro filho e sabia bem o que o stress poderia causar no bebe e temia que o excesso de emoção durante a cirurgia de Koji pudesse trazer algum tipo de complicação futuro.
Essa possibilidade fazia o seu coração disparar.
Não sabia se teria forças o suficiente para encarar o mesmo problema duas vezes peregrinando de hospital em hospital em busca da cura.
Pensava tensa quando viu o filho que estava do outro lado do jardim, soltar a mão da irmã e correr em sua direção feliz. Sem pensar duas vezes ela espantou as preocupações com um suspiro e pegou ele no colo dando-lhe um beijo carinhoso na bochecha rechonchuda.
_ Bom dia mamãe!- disse feliz a encarando com um sorriso igual ao do pai.
Às vezes ele a assustava tamanha semelhança.
_ Bom dia meu amor! Posso saber o porquê dessa roupa?
Koji estava usando o traje de treinamento típico do clã Hyuuga, que consistia em um kimono branco com o símbolo do Yin e Yang gravado nas costas.
_ Gostou mamãe?!A tia Hanabi disse que vai me treinar para eu me tornar um grande ninja um dia!- disse feliz.
Hanabi se aproximou da irmã com um olhar sapeca.
_ O que achou aneuê? Não ficou irresistível?- deu um leve apertão a bochecha dele. – Você me deu um sobrinho muito lindo e gostoso. É praticamente irresistível ficar sem apertar essa coisa fofa.
Koji ria solto com os comentários.
_ Mas não ficou um pouco grande demais para ele não Hanabi? Essas mangas estão quase arrastando no chão e tem que dobrar essas calças senão ele vai acabar caindo. — disse atenta em ajeitar a roupa no filho do jeito que podia deixando ele um pouco torto no colo.
_ Essa era a menor roupa que tínhamos, inclusive era a que você usava. O que posso fazer se ele é tão pequeno que nenhum traje caiba nele sem ficar arrastando no chão?- pôs a mão na cintura como se pensasse.
_ Eu não sou tão pequeno assim Tia Hanabi!- disse fazendo bico e cruzando os braços.
As duas riram um pouco da irritação dele.
_ Ora, ora! Parece que alguém puxou mais o lado Hyuuga do que eu imaginava! – Hanabi disse divertida. -Mas não fique bravo, eu não falei para te chatear, aliás, vou pedir para fazerem um novo para você ainda hoje tudo bem?!
Ele se animou com o comentário.
_ Sério tia Nabi? Só para mim?!
_ Claro! E vai ter o seu nome nas costas.
_ Oba!- fazia festa se entortando no colo da mãe e atacando o rosto de Hanabi com vários beijos.
_ Acho que está na hora de vocês treinarem. – colocou o filho no chão. – Só não exagere muito Hanabi, o Koji ainda não pode ficar fazendo muito esforço.
_ Não se preocupe aneuê, ta comigo ta com Deus! Vamos Koji temos muito que fazer!
Hinata esperou que os dois sumissem dentro do dojo antes de voltar para o quarto; precisava colocar os pensamentos em ordem e com certeza perambular pela casa e encontrar os curiosos interessados em perguntar o que se passava em sua cabeça e vida não era uma boa forma de aliviar as tensões que a estavam sufocando.
Qual foi a sua surpresa ao abrir a porta e se deparar com um loiro vestido com o uniforme ANBU, sentado em sua cama com um lindo buquê de flores nas mãos e um sorriso sapeca no rosto.
Hinata não podia evitar a atração que sempre sentia quando olhava para ele principalmente quando ele usava o uniforme ANBU e agia de maneira tão cavalheira.
Reunindo uma grande quantidade de boa vontade conseguiu fechar a expressão em desagrado.
_ Quantas vezes eu vou ter que te pedir para não fazer mais isso?
_ Não sei? Talvez o mesmo número de estrelas que há no céu. – disse alisando as pétalas das rosas. -Sabe que eu nunca vou desistir de reconquistar você.
_ Pois saiba que está jogando conversa fora, por que não há nada que me faça mudar de idéia. — deu as costas para ele indo em direção a penteadeira. Ela pode ver claramente pelo espelho o momento em que ele repousou o buquê na cama e caminhou em sua direção, mas não conseguia sair do lugar; como se algo a segurasse impedindo a sua movimentação.
_ Eu não acredito! Deve haver alguma coisa que ainda te agrade em mim. –Falou em seu ouvido segurando levemente em sua cintura.
Hinata sentiu um leve comichão subir com o toque dele, mas se desvencilhou antes de cair rendida a seus caprichos.
_ Não insista. – pediu começando a ficar nervosa.
Ele se sentiu triste ao vê-la se afastar e falar com tanta violência e sentindo que ela estava longe demais começou a ficar desolado.
_ Vamos Hinatinha, eu sei que não sou o homem perfeito que você tanto idealizou, mas todo mundo erra...
_ Você cometeu duas vezes o mesmo erro. – disse cruzando os braços fatigada.
_ Ta, existem algumas pessoas que erram mais do que outras e...
_ Muito mais.
_Que podem ser consideradas tolas...
_ E idiotas.
Ele parou para encará-la.
_ Daria para você parar de me esculachar um pouco, por favor? Isso magoa sabia?- fez um bico magoado que não a convenceu muito.
_ Só estou compartilhando o que penso.
Naruto bufou buscando paciência e inspiração para a conversa que precisava ter com ela. Tinha tomado a sua decisão e não voltaria atrás.
_ Tudo bem não vamos brigar, não foi por isso que eu vim aqui. — ponderou calmamente. -Sabe por que estou aqui hoje?
_ Porque você está me cercando todos os dias?- respondeu meio cínica, mas ele não se deixou abalar.
_ Também! Mas não é só por isso. Hoje é dia do aniversário do nosso namoro. Lembra quando você se declarou para mim durante a luta do Pein?
Ela o viu sorrir como uma criança e quase se perdeu novamente naquele gesto que conseguia despertar o seu lado mais amoroso. Ele havia lembrado do dia em que ela se declarara para ele o que indicava que talvez ela fosse mais importante para ele do que supunha, ou que estava usando as mais variadas artimanhas para fazê-la cair a seus pés novamente, o que ela tinha que admitir ser uma jogada de mestre.
_ Isso não me interessa mais. — disse falsamente ignorando os seus sentimentos e sentindo um pequeno bolo se formar em sua garganta tamanha mentira;
_ Como assim não interessa Hinata?- ele deixou as palavras morrerem na boca.
_ Não interessa mais o que passou eu tenho que pensar no futuro agora.
Ele fechou os olhos sentindo a mente girar confusa com as palavras dela.
_ Poxa Hinata deixe de ser tão cabeça dura! Pare de agir com a cabeça e comece a seguir o coração! Eu sei que você me ama tanto quanto eu amo você!
_ Seguir o coração? Naruto; a única coisa que fiz desde que me declarei para você naquele dia foi seguir o meu coração e olha no que deu?
_ Se arrepende de termos ficado juntos, dos nossos filhos?- perguntou desiludido, a dor estava se tornando algo insuportável.
_ Não me arrependo dos meus filhos, e sim do pai que arranjei para eles.
Ele se afastou com os olhos espantados pelas palavras dela.
_ Isso mágoa muito Hinata. Eu estou aqui tentando me reconciliar com você, passando pelas mais diversas frustrações, implorando e morrendo de saudades do meu filho que não posso ver há dias e tenho que ouvir palavras tão duras. Eu sei que não sou perfeito e admito que errei muitas vezes mas eu também sou humano, e por mais que possa parecer o contrário, tudo o que fiz desde que você voltou a vila foi tentar uma segunda chance. Até quando vou ter que sofrer!
Hinata sentiu as emoções se embolarem ao ver os olhos azuis dele encherem de lágrimas doídas quando ele sentou na cama pesadamente tentando controlar o choro, sem ter certeza se iria suportar ignorá-lo e tratá-lo mal por causa da sua decisão.
_ Naruto, por favor, desista de tentar me reconquistar você já teve as suas chances e não soube aproveitar. Eu não quero correr o risco novamente.
Ela viu os olhos azulados agora um pouco vermelhos pela maneira bruta com que foram enxugados com a manga da camisa lhe fitarem de uma maneira cansada e meio nervosa.
_ Dá um tempo Hinata! Você acha que está me pressionando demais não?! Tenta compreender o meu lado pelo menos uma vez! Eu estou sendo afastado dos meus filhos por causa das burradas que eu já cometi! Sei que não estou com a razão, mas me chateia ter que afastar deles por causa de coisas que já passaram! O que eu tenho que fazer para você me perdoar?! Eu já tentei de tudo, mas você nunca está satisfeita Datebayo!- desabafou exasperado balançando os braços freneticamente.
_ Você não precisa fazer nada Naruto, apenas nos deixar em paz! Vai viver a sua vida, aquela que levava feliz enquanto estávamos em Suna.
_ Feliz? Você ainda acha que eu era feliz, vivendo aquela vida de merda?
_ Pelo menos parecia quando eu fui embora da vila. — disse com desdém.
_ Hinata para de se lembrar do passado! Eu não posso voltar atrás e consertar os meus erros.
_ Como me esquecer, se toda vez que entro em um hospital eu sou obrigado a revivê-lo? Você teve a sua chance Naruto e não soube aproveitar. Eu não sou palhaça para ficar aceitando tudo o que você faz de errado! Se quiser nos ver feliz então nos deixe em paz.
_ Eu não posso. Não suportaria viver sem vocês, sem poder abraçá-los. Por favor, Hinata reconsidere, não vá embora novamente.
_ Eu tenho que ir Naruto é a nossa felicidade que está em jogo.
_ E a minha felicidade Droga! Onde que fica? E a felicidade do nosso filho? Ele já te disse que nós quer juntos novamente. Vai passar por cima do desejo dele só para satisfazer o seu?Está sendo tão egoísta como disse que eu estava sendo!
Koji entrou no quarto da mãe para perguntar-lhe algo e abriu um enorme sorriso ao ver Naruto parado em frete à porta, correu até ele com os braços abertos fazendo os cabelinhos pularem com a sua euforia.
_ PAPAI!- Disse abraçando-lhe as pernas. -Que bom papai eu sabia que você não tinha me esquecido!
Surpreendido pelo momento Naruto se apressou em acolhê-lo.
_ Eu jamais me esqueceria de você. – disse abaixando e depositando um beijo em sua testa pra logo depois abraçá-lo. Havia muito tempo que não podia estar tão próximo assim dele e sentiu a raiva da discussão ser substituída pela alegria do momento.
Hinata olhou para os dois sem saber qual a melhor atitude a tomar naquele momento, mas sabia que precisava terminar a conversa com Naruto e fazê-lo entender de uma vez por todas que não haveria terceiras ou quartas chances, mesmo que doesse o coração tomar essa atitude.
_ Koji, vá com a sua tia para o quarto e espere lá que eu e o seu pai estamos tendo uma conversa.
Koji que estava esfregando alegremente a bochecha com a do pai em meio ao abraço não pode evitar olhá-la confuso.
_ Mas mãe, tem tanto tempo que eu não vejo ele, porque tenho que ir agora?- perguntou insatisfeito.
_ Não é o momento para isso, nós estamos conversando sobre coisas sérias que você não entenderia.
Ela viu as sobrancelhas dele arquearem para baixo em sinal de raiva e desaprovação e sentiu o coração apertar com o gesto. Não queria ser a carrasca da história, estava fazendo aquilo para poupá-lo de constrangimentos futuros.
Hanabi tentou intervir pedindo a irmã que deixasse afinal ele não estava pedindo nada demais, mas ao ver o olhar de desagrado que ela atirava a situação resolveu ajudá-la, mesmo não achando a melhor atitude a ser tomada no momento. Caminhou até eles e pegou uma das mãos do sobrinho com carinho.
_ Vamos Ko-chan! Eles querem conversar a sós. — pediu suave.
_ Eu não vou!- puxou a mão com força mostrando que estava determinado. – Eu quero ficar com o meu pai!
Hinata deixou de lado a tristeza que estava sentindo. Precisaria ser mais enérgica com o filho ou a sua conversa não renderia nenhum fruto.
_ Koji vá para o quarto agora com a sua tia!- mandou sem titubear.
Mesmo sentindo certo frio na barriga pelo tom de voz que a mãe usou não iria retroceder e cerrando ainda mais a expressão e o aperto que dava na roupa de Naruto respondeu mal criado.
_ Eu não quero mãe, eu vou ficar aqui!EU QUERO FICAR AQUI COM O MEU PAI!- Era mais saudade do que pirraça que o fazia gritar.
Hinata se levantou sobressaltada com os gritos dele e se aproximou vagarosamente cerrando os punhos. Estava enfrentando um período muito estressante da sua vida e a pirraça de Koji não ajudava em nada o seu humor. Era perceptível que ela estava tremendo por causa da raiva e temendo que ela passasse mal por causa da gravidez, Naruto resolveu levantar e acabar com a discussão dos dois.
_ Tudo bem, se o problema é a minha visita então eu já vou indo. – disse entregando Koji para Hanabi contra a sua vontade, afinal queria poder ficar mais tempo perto dele.
_ Não pai não vai agora não!- viu o filho se jogar para o seu lado pedindo mais tempo com os olhos lacrimejando.
_ Sinto muito filho, eu não quero que a sua mãe passe mal por minha causa, eu já causei problemas demais a ela. – depositou um rápido beijo de despedida na testa dele se desvencilhando dos bracinhos que fugiam no ar na tentativa de pegá-lo.
_ Não pai!- chorava muito enquanto o chamava agoniado.
Foi muito difícil para o loiro dar as costas ao filho que estava chorando compulsivamente enquanto chamava por ele, mas ele tinha que fazê-lo.
Resistindo a imensa vontade de voltar e pegá-lo de novo para limpar as lágrimas dele e lhe fazer carinhos ele colocou a máscara ANBU e saiu do clã em meio á uma nuvem de fumaça.
Koji lançou um olhar de ódio mortal a mãe e disse com desprezo em meio as lágrimas que faziam a sua voz falhar e o seu corpo balançar por causa dos soluços compulsivos.
_ Você mandou ele embora de novo! EU ODEIO VOCÊ!- Saiu correndo para o quarto sendo seguida por Hanabi que olhou estática para a irmã e segui-lo para ter certeza de que não tentaria nada estúpido como fugir.
Hinata sentiu as lágrimas descerem pesadas pelo rosto. Nunca havia experimentado uma dor tão intensa como a de ouvir palavras tão ásperas ditas pelo próprio filho para quem guardava apenas o mais puro amor. Sabia que não deveria ter saído da cama naquela manhã.
Notas finais
Abraços!!!
YueChan.
Fale com o autor