Sonhos Mortais
24 Capítulo 24 - Promessas Quebradas!
Notas iniciais
Não acredito que estava usando meus poucos dias por ano que posso ficar na terra cuidando de uma pirralha. Somente 7 dias por ano eu podia abandonar aquele inferno para voltar a terra e 5 já foram desperdiçadas. Sinceramente deveria ter terminado o serviço que Andrew começara deveria ter torcido o pescoço dela. Mas fui fraco. Ela ficava trancada dentro de um quarto, podia ouvir ela chorando até pegar no sono e quando acordava golpeava a porta xingando. Me aproximei da porta para jogar um prato de café da manhã por um pequeno vão que existia entre a porta e o chão, eu sabia que ela não estava comendo. Eu ouvi ela chorar e a gemer cada vez mais alto e então, um lado humano que a muito tempo não se pronunciava praticamente gritou para eu abrir a porta e consola-la, ampara-la. Antes mesmo que eu pudesse bloquear esse pensamento, por impulso eu abri a porta. E lá estava ela encolhida chorando em um canto do cômodo, quando ela me viu gritou:
_Quem é você? O que está acontecendo?
Eu fechei a porta atrás de mim e me aproximei dela, ela se esquivou.
_ Calma, não vou te machucar, Demon.
_ Porque você está fazendo isso?
_ É para seu bem, se algo acontecer com você ai sim Mary me mata, se é que isso é possível, já estou morto.
_ Que?
_ Nada, Olha tudo o que estou fazendo é para seu bem, você foi condenada a morte, princesa.
_ A Morte?_ seus olhos se encheram de lágrimas e ela desabou.
_ Calma, por favor não chore._ Eu passei de leve minha mão pelo seu rosto.
_ Não chorar? Eu vou morrer e você não quer que eu chore?
Eu a puxei do colchão no chão onde nos encontrávamos para meu colo, ela me lançou um olhar de um desespero tão profundo que me comoveu. Eu fiz com que ela se aninhasse em meu colo e então eu fiz leves caricias em seu rosto até que ela se acalmasse um pouco depois do choque daquela informação. Ela parou de soluçar, mas lágrimas ainda escorriam de seus rosto.
_Shhhh, Hey eu não vou deixar nada de acontecer.
Ela se revirou para me encarar e disse:
_ Promete?
Prometer… uma lembrança antiga pairou em minha mente. Há 247 anos atrás... eu estava caminhando ao lado dela Isabel como normalmente sempre fizemos, foi quando uma grande tempestade caiu e nos corremos para de baixo de uma arvore para nos protegermos. Nos rimos, nos divertíamos, fizemos uma guerra de lama, que na época não era uma atitude costumeira, a gente era diferente era rebelde, quebrávamos todas as regras, nossas famílias falavam que nós éramos uma desgraça, uma vergonha. Não éramos aceitos na sociedade em que vivíamos, estávamos planejando fugir, sem rumo, só nós dois. Foi naquele dia que eu dei o beijo mais intenso e prazeroso da minha vida, quando eu ainda sentia o toque, seus lábios roçaram nos meus, quentes, nossa paixão era ardente, eu a amava. Ela, Isabel, era linda, cabelos negros, olhos cor de mel, lábios tão convidativos e pele macia. A tempestade se tornou mais intensa, estava, estávamos exaustos, ela se aconchegou em meus braços e ela adormeceu, eu a observei dormir até que também adormeci. Foi ai que minha vida virou um inferno, eu entrei no jogo, matei muita gente sem dó nem piedade, mas com o único objetivo de reencontra-la o mais breve possível. Como não ganhei eu nunca a vi de novo, nunca mais pude toca-la, nunca mais pude sentir seu cheiro, ouvir sua voz. Ela provavelmente foi obrigada a casar com algum cara depois envelheceu e morreu, sofreu por mim o único homem que realmente a entendeu. Eternamente separados por uma maldição lançada por um demônio vingativo. E eu me lembro do nosso último diálogo “Você promete ficar comigo para sempre” ela sussurrou em meu ouvido e eu disse “Eu prometo”. Prometo... essa palavra ecoava na minha cabeça, uma lágrima se formou em meus olhos.
_ Hey você ta bem?
Eu dei um sorriso falso bem convincente para Demon que ainda estava aninhada em meu colo e disse:
_ Você está sentenciada a morte e você pergunta se eu to bem?_ dei uma risada forçada _ Eu te prometo, prometo que não vou deixar nada de acontecer.
Ela sorriu para mim de uma forma esperançosa, esperanças falsas Davena nunca deixaria isso passa... mas eu prometi a mim mesmo desde que não pude cumprir a promessa de ficar junto com a única mulher que amei que jamais quebraria mais nenhuma outra promessa novamente. Demon passou a mão por de trás do meu pescoço ela brincou durante alguns segundos com os meus cabelos, até que ela me puxou para perto, até que nossos lábios se tocaram em um beijo doce e inocente que não passou de um toque. Quando nos afastamos ela ainda estava olhando com um lindo sorriso no rosto, seus cabelos negros me lembravam tanto Isabel.
_ Quando você vai me contar o que está realmente acontecendo?
_ Durma amanhã falamos disso, já tivemos bastante verdades para uma noite.
_ Você vai me deixar aqui?
Eu sorri, um dos poucos sorrisos de verdade que dera depois de ser amaldiçoado e disse:
_ Eu vou ficar aqui com você, até você pegar no sono.
Ela se aninhou mais em meu colo eu fiz carícias em seu rosto até que suas pálpebras se fecharam e ela finalmente dormiu.
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