Sonhos Infantis
1 Fechar os olhos e sonhar é sempre melhor
Notas iniciais
Toques devassos. Lábios com sabor da perdição. Os corpos colados é o caminho a luxúria eterna. Como e quando eu deixei que os limites fossem ultrapassados? Relembrar dos fatos que me levaram a deitar-me com meu demônio de nada vai mudar o que agora acontece. Seus dedos tocando habilmente cada mínimo pedaço de pele branca, até então imaculada. Os arrepios e novas sensações tomando conta, nublando a mente de qualquer trabalho que não seja o de sentir prazer. Os gemidos esganiçados saindo por entre os dentes cerrados, em um tolo pensamento que isso vai fazer com que minha voz não seja escutada.
A vergonha e o pudor ao meu ego e orgulho já foram descartadas, abrindo livre arbítrio para que todos os pecados sexuais se apoderem de mim. O vermelho rosado dos olhos do outro remetem ao tom de minhas maçãs, meu corpo desnudo não é mais novidade para ele, porém nunca nos encontramos antes em tal situação. Meu corpo virgem reage ao seu mínimo estimulo, sentindo-se excitado até com o deslizar sensual de sua língua em seus lábios, não descartando o olhar sexy e predador avaliando minhas reações.
Sua boca em minha coxa, rumando ao norte... Sinto a estranha sensação de anseio por seu toque. Partes especificas pedem enlouquecidamente por eles. Um deles me é concedido, com seus lábios se movendo com maestria sobre mim dopando-me a consciência. Despenco sem para quedas no abismo que é a perdição, perdendo-me mais e mais a cada vez que tomo noção da realidade. Desaprovando nossa atual condição, mas ainda assim me entregando completamente a ele.
O ar de vitória está em seus olhos, talvez seus anseios por meu corpo não sejam de hoje, e nem ontem. Talvez não só minha alma fosse seu alvo de cobiça.
Recebo seus dedos em minha boca, sendo por poucos minutos abafados meus sons estridentes e guturais, para só então eu gemer por sua invasão de falanges em mim. O deslizar pouco facilitado pela minha saliva, o entra e saí ritmado tocando excepcionalmente os pontos de deleite. Sou calado mais uma vez por seus lábios, um beijo de fogo, absorvendo o resto de minha sanidade já totalmente debilitada. Agarrando em suas costas minhas pernas são afastadas, seu corpo intruso começa rasgando-me, de fora para dentro, abrindo espaço para se acomodar por completo e para satisfazer-se. Choramingo, sentindo a quentura das lágrimas em meu rosto e seu sal em nossa lasciva troca de salivas. Sem tempo de espera se retira e volta com força. A dor se espalha pelo resto de meu cérebro, o ar me falta. Os olhos arregalados pela surpresa do prazer ali presente.
A incoerência é minha amiga enquanto me mantenho perdido nessa caverna, sentindo os sentidos implorantes por mais e mais de tudo isso junto. Busco palavras nos dicionários que aos poucos vão se deletando da mente e a única palavra conhecida por mim é: “mais”. Sou prontamente atendido, recebendo mais daquilo que me é novo. Sou inexperiente, mas pretendo me torna profissional nessa arte que em tão pouco tempo me desestabilizou por completo.
Sua carne na minha, indo e vindo, descarregando em meu ouvido palavras que não fazem parte de uma língua culta. Meus joelhos sobre a cama, minha traseira empinada como de uma vadia. O que nada mais é do que o que me sinto agora. E o recebo novamente, sem dó, piedade ou aviso. Investindo com fúria, complementos em tapas, estes estalados e doloridos. Mas prazerosos. A erupção, a heterogenia de sentimentos faz com que a dor seja prazer, e o prazer seja apenas ele mesmo, arrebatando-me.
Estou em completa submissão, se ele quiser, pedir, minha alma agora eu a entrego, estou extasiado. Completamente entorpecido por tudo que me foi dito e feito. Coisas que jamais me passaram na cabeça serem assim.
A explosão de um turbilhão de sentimentos me faz melar o lençol bege de seda e a mão do moreno. Seus dedos deslizam em minha pele, escorregando novamente em minha boca, para então a sua própria se colar a minha, experimentando do sabor de meu prazer expelido. Arrasto-me ainda em deleite, os braços fracos e finos jogados sobre o colchão, o rosto suados e corado apoiado no macio travesseiro, mas meus quadris se mantém erguido firme, sendo apertado nas mãos e unhas negras do outro, que ainda mantém seu ritmo frenético.
Permito-me gemer junto a ele quando sinto seu liquido quente me preencher o interior, um gemido oco e rouco se faz ouvir de trás e sou solto. Afundo em cansaço e regozijo, apesar de tudo. O outro lado da cama se inclina e o vejo deitado ao meu lado. Sorrindo fraco, um sorriso que não vejo no nosso dia a dia. Toco-lhe o rosto, assim como o meu é tocado e os fios azuis e úmidos de suor de meus cabelos são retirados dele.
Sinto um riso involuntário invadir meus lábios, se não fosse meu lado criança pedindo para adormecer, e eu ainda que tentando resistir para não lhe ceder o pedido assim... Tão rápido... Imergindo em sonhos... Onde demônios amam seus mestres... Onde... Demônios... Amam...
Fale com o autor