Notas iniciais
Oi gente, esse é um capítulo "interlúdio" do que irá ser postado amanhã. O capítulo 15 estará cheio de emoções!

Eu não sabia o que pensar. Não conseguia me mexer.

Era como se eu tivesse virado estátua e a única coisa viva dentro de mim fosse meu cérebro há mil por hora processando aquela informação e todas as lembranças que existem anteriormente à ela. Os pensamentos aleatórios começavam a dar vasão à consciência da realidade, e no mesmo instante em que dei um passo para frente, para segui-lo, levantei a cabeça e percebi que ele já não estava mais lá. Sua presença desaparecera com a mesma rapidez daquelas últimas palavras. E então eu me dei conta.

Minhas pernas desvaneceram e fui parar no chão, não sabia de onde tirar forças para levantar. Abaixei a cabeça e então veio. O choro, a agonia incontrolável e o coração martelando, que era a única coisa que eu sentia naquele instante.

De repente senti alguém puxando meu braço, e mais outra pessoa me pedindo para levantar, mas eu não conseguia identificar os rostos. Só conseguia ouvir “Lua, você está bem!? Levanta! Onde está o Naten!? Lua! O que aconteceu filha!?” e mais e mais perguntas repetidas por cada vez mais vozes diferentes, mas eu não conseguia encontrar minha voz e o choro abafava tudo.

Então começaram a aparecer várias luzes, flashs e quando dei por mim estava sendo puxada pelos braços por minha mãe e por Amanda.

Me lembro de ter sentado em algum lugar, acho que era o assento do avião, e logo depois ter tomado algo doce e azedo ao mesmo tempo, e em segundos, eu apaguei.

Acordei meio grogue, olhei para o lado e percebi minha mãe cochilando no assento do avião. Levou um tempo para eu processar tudo o que havia vivenciado nas últimas horas, mas eu lembrei. O calmante ainda fazia efeito mas não foi capaz de apagar a minha revolta. Eu estava acordada, meu coração doía, minha cabeça doía, eu não conseguia pensar direito, mas eu queria respostas. E queria logo.

— Mãe, mãe... – Comecei a chamá-la e no momento em que cutuquei seu braço, ela dei um salto.

— Oh! O que? Oi? – Balbuciou enquanto ficava me tocando e me alisando. – Você está bem?

— Estou bem, estou bem, para com isso mãe! – Cochichei para ela para de me alisar, e aí comecei a falar tudo que eu não consegui antes. – O que aconteceu? Porque eu estou aqui porque nós viemos? Mãe eu devia ter voltado! Não era para eu estar aqui! Porque você me colocou aqui? — Comecei a perceber que estava tagarelando frases incompletas, então respirei fundo, não queria começar a chorar novamente.

— Querida, calma, eu vou explicar porque estamos indo para João Pessoa. – Fiz menção para ela começar. – Eu não sei bem o que aconteceu, mas Amanda recebeu uma ligação do Naten no momento em que vimos você caída lá no aeroporto. Ele disse algo para ela, e desligou o telefone. No momento em que nos viramos para saber porque ele estava ligando se estava bem do seu lado, percebemos a sua situação.

— Então porque diabos estamos aqui!? – Percebi que havia falado alto demais, e acordei Amanda, que estava no assento à frente.

— Ali, você está bem? – Perguntou Amanda.

— Amanda, porque eu não voltei para os EUA? Porque você não me disse nada?

— O Naten... – No momento em que ela pronunciara o nome dele, sua voz ficou mais fria. – Não sei porque mas Naten me procurou momentos antes de irmos ao aeroporto e pediu que mudasse a passagem dele, me fez prometer que não te contaria e que iria resolver algumas coisas. Eu pensei que estava preparando algo do álbum novo dele, e que havia conversado com você... Momentos antes de embarcamos, ele me ligou e disse que apesar de tudo, que você deveria ir ver suas amigas. Quando virei, vi você no chão e só conseguir pensar em controlar a situação antes que se tornasse grande demais Ali... Me desculpe.

Enquanto ela falava, eu estava tentando digerir toda a informação. Quanto mais ela falava menos as coisas faziam sentido para mim.

— O que aconteceu querida? Porque você agiu daquela forma? Você nunca se comportou assim. – Perguntou minha mãe enquanto ela e Amanda esperavam impacientes por uma resposta.

Tomei fôlego e soltei:

— Naten disse que eu não precisava mais dele, e foi embora. Ele terminou comigo.

— O QUE!? — O grito que elas deram em surpresa provavelmente, foi escutado até pelos pássaros que também voavam no céu.

Minha mãe começou a discutir e perguntar várias coisas que eu não sabia a resposta. Amanda começou a ligar para Naten mas o celular dele dava sempre desligado.

— Isso nunca aconteceu! – Falava minha mãe. – Nunca! É praticamente impossível! Lua, em nenhuma geração, um casal terminou dessa forma. – Falou ela mais baixo. – Não há razão nenhuma para isso. – Falava com expressão desnorteada.

— Nunca aconteceu? – Perguntei.

— Claro que não! – Respondeu prontamente. – A sua alma gêmea, vocês, nunca devem brigar. Foram feitos para serem completamente compatíveis e representar a união que deve ser um exemplo. Imagina TERMINAR dessa forma!? Isso não tem lógica, depois de tudo ...

A última frase dela era o que circulava na minha cabeça desde a hora em que ele virou e foi embora. “Isso não tem lógica, depois de tudo...”. Passar por tudo o que passamos, para terminar assim? Então valeu de que? Ele estava apaixonado por outra pessoa? Impossível, o comportamento dele não era esse. Ele não gostava mais de mim? Então porque ele ficava sempre cuidando, prestando atenção se eu estava bem e... E neurótico! Foi aí que eu percebi. Havia algo errado. Havia algo muito errado. E eu não iria ficar de braços cruzados.

— Mãe, acho que eu preciso mesmo conversar com as meninas. – Falei olhando para o relógio para saber quanto tempo faltava para chegar na minha cidade natal.

O coração batia mais forte agora.