Sonhos E Delírios De Uma Mente Insana
3 Uma noite em Veneza
Notas iniciais
Era uma noite chuvosa de outono do ano de 1487. Os ventos assoviavam forte, balançando as árvores e derrubando as folhas mortas que já não resistiam em ficar nos galhos.
Tamily andava pelas ruas quase desertas de Veneza. Ela estava muito preocupada com a chegada de Victor. Ele era o mais velho de seu clã, um dos poucos sangue puro que restaram ao redor mundo, assassino sem qualquer piedade ou misericórdia, que impõe muito medo a todos que o rodeiam. Victor odeia os humanos, por alguma razão que Tamily desconhece, ele é um homem misterioso de passado obscuro que poucos se atrevem a questionar.
Ele mesmo a tinha transformado, e por alguma razão, simpatizara com ela, ao contrário de Caterina, que o seguia feito um cane rognoso, uma bajuladora sem escrúpulos. Victor a despreza.
Mesmo sabendo que era uma de suas favoritas, Tamily sabia que Victor viria mais cedo ou mais tarde, e que levaria bronca. O traidor era seu subordinado e a culpa era totalmente dela pois não soubera controlá-lo, agora ele estava preso em uma das masmorras de seu palazzo em Dorsoduro.
Já estava acostumada com o mau cheiro dos canais. Fazia algum tempo que morava ali, mas nunca fora notada pelos vizinhos, fazendo suas excursões apenas de noite. Quanto menos desconfiança houvesse sobre eles, que não saem de casa de dia, melhor. Victor fora bem claro sobre isso, nenhum humano deveria saber.
Aquela noite ela usava um vestido preto com rendas italianas caras. Uma moça direita não deveria andar sozinha de noite em Veneza, a cidade dos ladrões. Isso se ela fosse uma moça “direita”, pensou sorrindo. Seus pensamentos foram interrompidos quando ela foi pega de surpresa por alguém que corria em sua direção. Eles se trombaram e caíram no chão. Um ubriacone o seguia correndo, quase caindo e gritava:
– Devolva meu ouro, miserabili pezzi di merda!
Ao ouvir aquilo o homem se recobrou e se levantou oferendo a mão pra Tamily:
– Mil desculpas, signorina. Não havia lhe visto. – disse-lhe gentilmente.
Tamily não podia culpar o rapaz, adorava se vestir de preto e passar despercebida. Não gostava de ser notada. Mesmo tendo cabelos brancos e olhos rubros, normalmente dava certo. Mas dessa vez acabou em um pequeno acidente.
– Não se preocupe comigo, estou bem. – respondeu Tamily. Se fosse viva, com certeza teria ruborizado perante a gentileza deste belo, e que belo rapaz. Seu cabelo era um pouco comprido e escuro, e tinha cavanhaque como a maioria dos italianos. Ele era mais alto que Tamily e vestia roupas parecidas com a de um pirata. Uma espada prateada pendia presa em sua cintura.
De repente seus olhos gentis se transformaram em pura raiva quando o homem continuou a xingá-lo. Foi em direção ao bêbado sacando a magnifica espada que possuía, mas alguns guardas surgiram e, ao perceberem do que se tratava, começaram a correr na direção dele.
Por algum motivo, que mais tarde seria facilmente desvendado, Tamily pegou o rapaz pela mão sem nada falar e começou a correr na direção contrária que os guardas tinham surgido. Ele olhou-a surpreso, damas não costumavam ajudar ladrões como ele, mas correu mesmo assim, guardando a espada. Tamily conseguia correr muito bem, para uma garota com um vestido tão pesado como o dela.
Depois de alguns minutos correndo, o rapaz olhou para trás e percebeu que haviam despistado os guardas e começou a gargalhar.
– Aquele luridi branco di cani bastardi, nunca irá me prender!
Mas quando ele olhou para o lado, lembrou-se da bela moça que o havia ajudado.
– Muito prazer signorina, agradeço muito pela ajuda – disse com um sorriso sedutor – Meu nome é Giovanni, Giovanni Auditore. Disse se inclinando, e beijando a mão de Tamily, muito galanteador.
– Meu nome é Tamily... — mas ela parou de falar quando viu os soldados correrem até eles. Tamily fez que ia puxá-lo novamente, mas desta vez ele recusou a mão dela, sacando a espada novamente. Eram mais de dez guardas e Tamily não poderia ajudá-lo, não poderia causar suspeitas. Ela devia agir como uma humana, uma dama indefesa. Giovanni fez um sinal para Tamily ficar atrás dele. Ele iria protegê-la.
Os guardas, se aproximando de Giovanni, começaram a insultá-lo. Um deles, dando um passo à frente, gritou para que calassem a boca. Ele era o líder. Olhando para Giovanni com um sorriso sarcástico e mau, disse:
– Finalmente! O famoso Giovanni Auditore, líder do maior bando de ladrões dos Principados Italianos!
– Hahahaha – gargalhou ironicamente Giovanni, provocando -, fico feliz que minha fama esteja tão grande. Eu também ouvi falar muito de você, capitão da guarda, Dante Caruzzi. Sua esposa sempre fala muito do senhor quando a visito. Ahh... Belíssima Marrie Anne...
– Maledetto! – e, berrando furiosamente, Dante foi de encontro a Giovanni, brandindo sua espada. Estava tão cego de fúria que quase tropeçou em seus próprios pés. Giovanni aproveitando a situação brincava com ele e o atiçava cada vez mais falando de Marrie Anne.
Tamily olhava admirada, a destreza e agilidade de Giovanni. Ele era muito bom com a espada, e se movia muito rápido também. Dante desferia golpes fortes e lentos, devido á fúria que não o deixava raciocinar, e não conseguiu acertar Giovanni nenhuma vez. Ele logo se cansou e deu a ordem para os guardas atacarem. Todos, de uma só vez, foram em direção a Giovanni, que desviava dos golpes rodopiando e golpeando os oponentes. Tamily viu que um dos guardas caídos no chão se levantava com uma adaga nas mãos indo em direção a Giovanni, que não o percebeu, pois lutava contra seis guardas.
O homem com a adaga estava se aproximando de Giovanni, e Tamily aproveitando a distração de todos, foi até ele silenciosamente e quebrou seu pescoço, sem que Giovanni e os guardas percebessem.
Tamily se curvou diante de outro homem caído no chão, pensando em repetir a façanha, mas antes que pudesse fazer algo, Dante viu-a agachada sobre um de seus homens e foi em direção a ela com a espada. Giovanni viu o que acontecia, mas não conseguiu correr até ela, os soldados o impediram.
– Tamily! — gritou Giovanni desesperado e a vampira percebendo a situação, viu Dante se aproximando dela. Ela agarrou a espada que estava ao lado do soldado caído no chão e levantou-se, pronta para lutar. Ao vê-la com a espada, Dante parou diante dela e começou a gargalhar muito alto.
– Quer ser uma de heroína moça? Renda-se ou não terei outra opção a não ser matá-la.
– Deixe-a em paz Dante! É a mim que você quer. Venha me pegar! – disse Giovanni jogando a espada no chão. Os quatro soldados que ainda estavam lutando com ele o agarraram e jogaram a espada longe.
– Você é bem bonitinha... Largue a espada e vamos nos divertir. – disse Dante com um sorriso malicioso.
– Tem medo de lutar com uma garota? Está com medo de se machucar? Nojento! – e cuspiu na cara dele.
– Sua... Puttana! Não terei misericórdia com você!
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