Sonhos E Amor
30 Capítulo 30
Notas iniciais
Dinho
Abri a porta de casa e estava tudo escuro. Agradeci silenciosamente aos céus. Eu não queria ver ou falar com alguém. Depois de muito me esforçar pra lembrar onde era a audiência, eu tive que correr pra não perder a hora. Eu procurei por um táxi e me encaminhei até lá. Bom eu subi as escadas feito louco, pedi informações e fui instruído a não correr. Mas que droga é o que eu mais queria fazer. Encontrar Lia e abraça-la mesmo que isso custasse alguns hematomas. Eu finalmente cheguei onde me indicaram e então quando olho o corredor, vejo dona Paulina, Lia estava mais a frente e quem estava abraçando ela se não o GIL?
Isso mesmo Gil. Caramba o cara parece uma sombra. Está sempre lá não importa o que aconteça. Aquele era o meu lugar. Eu devia abraçá-la. Eu devia consolá-la...
...
(ultima cena do capítulo anterior)
Lia
Depois do que pareceu uma eternidade Juliana me convidou pra entrar. Eu estava com medo de que ela batesse a porta na minha cara, mas depois do que ela havia feito por mim, pela minha família eu precisava agradecer. Assim que entrei na casa tentei me concentrar o máximo possível. Gil estava ali. Eles andavam tão próximos nos últimos tempos. Eram namorados agora?
Foi um pouco difícil no começo, mas então conseguimos travar uma conversa normal. Eu agradeci. Mas conforme eu ia dizendo um nó se formou em minha garganta e eu estava quase explodindo em lágrimas. Ju parecia não demonstrar nenhuma reação. Ela estaria fazendo de propósito? Afinal ela salvará minha vida de certa forma. Ela se importava! Certo? Finalizei a conversa convidando todos para jantar em casa. Esse era a promessa feita ao meu pai e a minha avó.
- Lia – chama Tatá
- Fala pirralha! – de certa forma eu ainda sentia que Tatá poderia ter arruinado tudo. Mas eu poderia culpá-la? Eu mesmo não consegui lidar com meus problemas.
- Você tá brava comigo?
- Vem aqui! – eu chamo. Ela se senta em minha frente. – Eu realmente fiquei brava! Você estava mentindo. Mas eu realmente amo você! E sei que você só fez isso porque achou que era o melhor pra todo mundo! Mas você prometeu que não fará isso de novo e eu acredito em você!
- Obrigada! – diz ela. Se levantando.
- Vem aqui! – eu a abraço apertado.
...
Ju
Gil acabou de ir embora. E eu estou aqui fingindo que sei o que fazer. Mas acho que não sei. O que todos acham que eu sou? Eu não podia ver a Raquel combinando de destruir a vida da Tatá, do Lorenzo e da... da Lia! Eu fiz o que tinha que fazer gravei o vídeo, levei até lá e pronto. O dia foi salvo. Eu deveria estar feliz certo? Estou levando todo crédito! A Lia veio me agradecer. E eu me peguei pensando na possibilidade de abraça-la. Caramba eu sinto falta dela. Sinto mesmo. O que eu não daria para que ela voltasse a reclamar da minha maquiagem, do meu cabelo. Me dizer que sou exagerada e tals? Eu gastei tanto tempo tentando odiá-la...
- Você não vai simplesmente chegar lá, sorrir, dizer está tudo bem! O que? Você pensa que pode fazer isso? Eu posso não? É só seguir em frente! Desocupar o coração! Foi a Marcela que disse! Certo?
- Ficou maluca Ju? – diz Bruno abrindo a porta do quarto.
- Que isso menino! Me assustou! Dá pra bater na porta?
- Eu bati e chamei uma dúzia de vezes. Então cogitei que você pudesse ter sido raptada e resolvi abrir! Sou digno de perdão?
- Desculpa! Tava pensando em... O que você quer mesmo?
- Você já se decidiu? Vamos ou não no jantar?
...
Eram exatas oito horas, quando a porta foi aberta. Gil, Marcela chegaram ao jantar. Em seguida Juliana e Bruno. Paulina estava a todo vapor, ajeitado a mesa, colocando os talheres e finalizando os pratos a serem servidos. Ela estava atrasada. Marcela e Lorenzo foram dar uma força enquanto os outros ficaram na sala. Não parecia existir um assunto sobre o qual todos pudessem conversar.
- E o C.R.A.U? – perguntou Gil – Alguma nova ação?
- Ah – respondeu Bruno incerto. – Estamos pensando em várias ideias.
- Bom se precisar pode contar comigo! – disse Gil
- Você é grafiteiro! Cara pode ser maneiro! Você podia fazer alguns painéis pras próximas ações! Que você acha Ju? – disse Bruno
- Acho maneiro! O Gil manda bem!
- Que isso? – disse Gil – Essa daqui! – pegou a mão dela – tem muito talento também. Lia você também pode ajudar. Pelos velhos tempos – disse ele.
- Claro! – disse ela
- Seria legal! – acrescentou Juliana, de maneira incerta.
De repente o clima pareceu mais leve. De algum jeito elas estavam se acertando. O jantar foi muito agradável, todos estavam se deliciando com a comida de Paulina.
... Lia e Ju se viram sozinhas.
- Obrigada Ju! – agradeceu Lia – Eu nem sei como agradecer... – Juliana se aproximou e calando Lia com um abraço apertado.
- De nada! – ela disse soltando a amiga e se despedindo de todos.
Marcela, Paulina e Lorenzo estavam na cozinha ajeitando a louça. Tatá havia ido para o quarto na primeira oportunidade e já havia adormecido. Afinal marcela estava ali. Lia estava ajeitando a sala e Gil foi ajudá-la.
- Obrigada! – disse Lia.
- Pelo que? Encher a barriga com uma comida deliciosa, passar a noite em companhia muito agradável e ver você sorrir de novo? Disponha! – disse ele, recebendo uma almofada direto no rosto.
- To falando sério. Você me ajudou muito nesses últimos dias. Mesmo que eu estivesse evitando minha sombra. Você simplesmente tava aqui. – Gil não respondeu – Eu sei que você fez campanha ao meu favor no que diz respeito a Ju. E mesmo que não volte a ser como antes, hoje eu senti que ela me desculpou e bom o que eu poderia fazer se não o mesmo? – sem esperar resposta – eu nem sei dizer o quanto to feliz saca? Parece que de alguma forma tudo voltou ao lugar. Eu tive tanto medo! Tive tanta dúvida. Eu tinha certeza que se a sentença do juiz fosse outra eu teria fugido. – riu – Eu só queria que esse pesadelo acabasse. Que tudo se ajeitasse. Eu queria minha família. Meu pai, minha avó, minha pirralha insuportável aqui! Nada de Raquel, nada de nada... Foi tudo tão difícil, tão complicado. Eu não sei como eu não como eu suportei. Tudo o que eu tinha vontade era sumir, desaparecer. Mas de algum jeito... – nesse momento ela começou a chorar. Choro que misturava alegria, gratidão, alivio e medo.
- Tá tudo bem! – disse ele abraçando ela. Que primeiro resistiu, mas depois o abraçou.
...
Quando toda a louça estava limpa e a casa organizada
- Obrigado por ter vindo!- disse Lorenzo
- Imagina! – respondeu Marcela – Eu adorei a noite. Parabéns! – disse ela afetuosa.
- Foi um prazer! – disse Paulina – Obrigada pela ajuda com a cozinha!
- Era o mínimo que eu podia fazer! – devolveu ela. – Agora vou chamar o Gil! Tá tarde e amanhã é o aniversário dele!
- Poxa vida que bacana! – disse Lorenzo enquanto os três caminhavam até a sala.
- Gil? – chamou Marcela
- Lia? – disse Lorenzo. Em seguida ele foi até o quarto das filhas. Gil estava com Lia apoiada no colo. Ela estava adormecida e ele acariciava seus cabelos.
- Já to indo! – disse ele num sussurro. Tentando não acordá-la, ele apoiou a cabeça dela com um travesseiro e saiu do quarto.
- Obrigado! – disse Lorenzo.
- Boa noite! – disse Gil e todos se despediram.
...
Marcela e Gil deixaram o prédio e Marcela enlaçou a cintura do filho e ele não reclamou, passou o braço pelos ombros dela e continuaram a caminhar em silêncio.
- Você tava fazendo a Lia dormir? – disse Marcela
— Não mãe. Ela começou a chorar incontrolavelmente e eu só tentei acalma-la e então ela estava dormindo!
— Deve ser esgotamento. Finalmente essa história terminou. Estava fazendo um mau danado pra essas meninas!
— Eu nunca vi a Lia tão frágil. Eu odeio vê-la assim! Agora que tudo parece ter se resolvido e espero que ela volte a ser a Lia de sempre.
— Meu filho eu já disse que você é a melhor coisa da minha vida?
— Que foi mãe? Que te deu agora?
— Já faz um tempo que tudo aconteceu. Você perdoou a Lia, você apoiou ela mesmo quando não podia ter esperança. Eu achei que você fosse se jogar na primeira oportunidade que tivesse. Mas não! Você ainda é caidinho por essa menina.
— Para dona Marcela! – resmungou ele. – Para!
...
Marcela esperou o filho sair do banho. Ele programou o despertador e colocou ao lado da cama, antes de vê-la entrar no quarto.
- Ainda de pé? – perguntou ele
— Viu que horas são?
— Meia noite e cinco! – ele disse olhando o relógio.
— Parabéns pra você, nessa data querida... – ela se aproximava cantado. E depois o afogou de beijos.
— Valeu mãe! Mas agora preciso dormir. Últimos dias de aula e eu preciso descansar.
- Boa noite meu amor! – disse ela beijando o topo da cabeça dele, antes de sair do quarto e apagar a luz.
...
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