Sonhos De Uma Outra Vida
23 Capítulo 23
Notas iniciais
boa leitura!!
Depois do café da manhã, relativamente calmo, Sasuke saiu para trabalhar junto com Sakura e Daisuke foi para o colégio de carro, deixando Saori na mansão. Na verdade, Saori ainda não sabia o que fazer, durante o café Sakura deixou claro que ela não faria nenhuma tarefa como pensou a principio e que ela estava lá para descansar e não precisava se preocupar com nada. Aquilo pegou Saori desprevenida, estava acostumada a fazer alguma coisa e a ideia de não fazer nada lhe foi estranha. Ficou na janela da sala observando cada membro da família sair e viu Sakura virando em sua direção e se despedindo carinhosamente com um sorriso e um aceno de mão que Saori tratou de retribuir.
Não demorou muito tempo para Saori se sentir estranha naquele ambiente sem nenhum dos Uchiha’s e começou a andar pela casa para conhecer melhor o lugar e ver se arranjava alguma coisa para se distrair, já que a rosada só chegaria pela parte da tarde assim como Daisuke e Sasuke, parecia que todos trabalhavam muito por lá, se reunindo apenas no café e no jantar, mesmo assim era visível que eles eram muito unidos, nunca havia visto família mais unida e protetora uns com os outros. Balançou a cabeça evitando certos pensamentos relacionados a família e se pôs a andar pela casa.
-*-
Daisuke havia acabado de estacionar o carro na escola quando viu seu amigo loiro, Hideo, lhe acenar e vir em sua direção com seu sorriso característico, herdado do pai, Naruto.
- YOOO! TEMEE! –gritou para o amigo, aparentemente Hideo não havia herdado apenas o sorriso, mas também o jeito escandaloso, só que de maneira mais moderada sendo usado apenas com os mais íntimos.
- Não precisa gritar, dobe! – respondeu Daisuke com um sorriso de canto, como o de seu pai. Aqueles dois se conheciam desde que nasceram e eram melhores amigos e como cresceram ouvindo os apelidos carinhosos dos pais acabaram adotando para si também, como uma forma de brincadeira.
- Foi mal ai cara! – disse Hideo colocando a mão atrás dos cabelos loiros, Hideo era uma mistura perfeita do pai e da mãe, Hinata. Na maior parte do tempo era bem calmo e tranquilo apenas em alguns momentos sua paciência era posta a prova e nessa hora ninguém podia discordar que ele era filho de Uzumaki Naruto. – Que cara é essa? – perguntou, outra característica herdada pela mãe era o fato de ser um bom observador, diferente do pai.
- Hum? Não é nada! – respondeu Daisuke dando de ombros e começou a seguir em direção a sala de aula.
- Fala sério Daisuke! Eu te conheço desde sempre! Aconteceu alguma coisa? – tentou Hideo novamente e quando viu o amigo suspirar, sorriu sabendo que havia o convencido a falar.
- Se lembra da menina do beco? – perguntou e quando viu a confirmação do amigo, continuou – Ela tá morando lá em casa! – disse vendo Hideo estancar, surpreso.
- ELA O QUE? – gritou, vendo o amigo tampar sua boca falando para ficar quieto – Foi mal! Mas que história é essa? – disse ao tirar as mãos do amigo da boca. Daisuke viu algumas pessoas olhando para eles, bufou irritado por Hideo chamar tanta atenção e antes que pudesse continuar a conversa viu um grupo de meninas se aproximando. Olhou para Hideo franzindo o cenho enquanto eram cercados por várias garotas falando todas ao mesmo tempo tentando chamar a atenção dos dois rapazes.
Hideo apenas sorriu como se desculpando e sussurrou um “depois você me conta!” e começou a flertar descaradamente com uma garota loira do segundo ano, fazendo Daisuke revirar os olhos com a cena. Hideo podia ser seu melhor amigo, mas quando se falava na palavra “mulher”, devido à convivência com o seu padrinho Jiraya, o mesmo esquecia o que estava em sua volta e já saia atrás de um rabo de saia, não que Daisuke não tivesse seus casos aqui e ali, ele era tão popular quanto o loiro, porém não eram tantos como Hideo já que Daisuke costumava pensar mais com a cabeça de cima e não com a debaixo como o amigo.
Quando, finalmente, conseguiram se livrar das garotas foram para a sala de aula conversando enquanto Hideo sorria e guardava alguns números de telefone que havia conseguido.
- Baka! Pare com isso e preste atenção ou não vou mais contar nada! – esbravejou o moreno.
- Hai, hai! Não seja tão mal-humorado, teme! – disse o outro fazendo Daisuke revirar os olhos.
- Quando vai parar de enganar as garotas e tomar jeito? – Hideo era um verdadeiro galinha, sempre ficava e chegava até a namorar com mais de uma menina, nunca levava nenhuma garota muito a sério.
- Hum, não sei, quando VOCÊ vai começar a namorar SÉRIO com uma? – revidou Hideo, assim como ele, Daisuke nunca havia tido uma namorada que durasse mais de um mês, seu recorde havia sido Nara Sasame, filha de Temari e Shikamaru Nara, com três meses de namoro. Enquanto que Hideo não queria compromisso, o motivo para Daisuke não namorar ninguém por muito tempo era porque ele não queria se apegar, desde a morte da irmã ele evitava gostar muito de alguém por medo de perdê-la.
- Humf! Você quer saber ou não do que aconteceu? – mudou de assunto rapidamente chamando a atenção do loiro que confirmou e se esqueceu da conversa anterior. Daisuke contou toda a história que sabia da menina, falando de como era atrevida e irritante e de como ela desafiava o pai até o incidente da cama. Hideo ouviu tudo calado, tentando não rir das caras que o amigo fazia ao contar o quanto a menina era irritante ou quando reproduzia as provocações da outra, até que não conseguiu mais e caiu na gargalhada, incomodando o moreno.
- Foi mal, cara! Mas é que eu gostei dessa garota! Ela parece ser divertida! – disse ainda risonho o loiro. Daisuke apenas fechou a cara com o que foi dito e retrucou:
- Divertida? Ela só sabe xingar e não deixa ninguém se aproximar dela!
- O que você queria Daisuke? Que ela fosse só sorriso para você? Ela já deve ter passado por muita coisa, não deve ser fácil confiar em estranhos! – Hideo respondeu assumindo uma postura mais séria.
- Pode até ser, mas como se aproximar de alguém que só afasta as pessoas?
- Não sei! Diga-me você que é o especialista em afastar os outros! – a frase dita pelo amigo, surpreendeu Daisuke, era verdade o que foi dito, podia não ser grosseiro como Saori, mas não permitia que ninguém passasse de um certo ponto de intimidade, construindo um muro entre ele e qualquer outra pessoa que não fosse sua família e seus amigos mais íntimos. Hideo suspirou e continuou a falar – Se está tão curioso com a garota porque não tenta ser amigo dela e conhecê-la ao invés de tentar enganá-la e manipulá-la? – terminou o loiro deixando o amigo perdido em pensamentos e começou a prestar atenção na aula que já havia começado, ou melhor, voltou a se concentrar em dormir naquela aula chata de história.
-*-
Saori já havia percorrido toda a casa e agora sabia melhor onde ficava cada cômodo, já havia assistido televisão para se distrair, mas descobriu uma coisa muito importante, a programação pela parte da manhã era péssima! Tentou ir até a biblioteca e ler algum livro, sempre gostara muito de ler, mas não era sempre que podia ou conseguia já que sempre havia tarefas no orfanato e nas ruas não havia livros. No entanto, ao chegar à porta que dava acesso ao cômodo descobriu estar fechada e suspirou “ótimo! O que eu vou fazer agora?” se perguntava e resolveu voltar para a cozinha e conversar com Chiyo.
Chiyo estava escrevendo em um bloco de papel uma lista das compras que seriam feitas mais tarde por ela quando viu a menina Saori entrar na cozinha, se sentar na bancada ao lado da pia e suspirar:
- Algum problema senhorita? – perguntou Chiyo polidamente enquanto recebia uma careta como resposta da menina.
- Já disse que não precisa me chamar de senhorita! Só Saori! – respondeu e foi a vez da senhora suspirar.
- Tudo bem! Então, algum problema Saori?
- Não... é que não tem nada para se fazer e não estou acostumada com isso, não tem nada na TV e a biblioteca está trancada! – vendo a senhora colocar o bloco de notas e um lápis em cima da mesa – falando nisso, por que a biblioteca está trancada?
- É que, às vezes, o senhor Sasuke deixa alguns papeis ou relatórios sobre a empresa por lá, então ele prefere mantê-la trancada enquanto não está! – disse Chiyo, mas parecia que havia falado sozinha, pois a menina não dizia nada, apenas ficava encarando o bloco na mesa. – Está me ouvindo Saori?
- Hã? Quê?... Ah sim, sim! Empresa, Sasuke, trancada! Saquei – disse sorrindo meio sem graça com a mão atrás da nuca para a senhora que balançou a cabeça, rindo do jeito da menina – Então, o que está fazendo? – perguntou olhando novamente para o papel.
- Estou terminando de fazer a lista de compras do supermercado, por quê? – disse enquanto pegava o bloco e continuava a escrever neste. Saori mordeu o lábio inferior, já tinha uma ideia do que podia fazer só esperava que a velha senhora não se importasse com isso.
- Bom, e você vai precisar de todo o bloco? – perguntou e quando obteve a negativa da senhora, continuou – Então, a senhora poderia me emprestar esse bloco e esse lápis? – Chiyo sorriu e arrancou a folha que usara e entregou o que a menina pediu para logo perguntar:
- Aqui está! Mas o que vai fazer? – se levantou e começou a ajeitar algumas coisas na cozinha, mas Saori não respondeu à senhora e se concentrou em olhar à senhora e desenhar. Chiyo estranhou ao não ouvir a resposta e olhou para a garota que a observava para logo depois voltar para o papel.
Quando era menor em uma das suas fugas do orfanato havia conhecido um pintor de rua, ele trabalhava mostrando e vendendo seu trabalho pelas ruas, vendia retratos e diversos quadros e desenhava no chão para chamar a atenção das pessoas, e uma dessas pessoas foi Saori que se encantou com as obras do artista. Lembrava-se de ficar a observá-lo horas a fio apenas vendo como ele mergulhava o pincel na tinta ou usava o carvão em algum retrato e o giz para colorir o chão até que finalmente tomou coragem e se aproximou do pintor pedindo para lhe ensinasse a desenhar como ele. No inicio, Aoi, o pintor, não quis ensinar a menina, pois perderia muito tempo com isso e precisava de dinheiro para se sustentar, mas Saori insistiu tanto e começou ela própria a tentar desenhar no chão que Aoi resolveu atender ao pedido da garota de apenas 11 anos de idade na época.
Aquela havia sido a melhor época da sua infância, havia sido o maior tempo que passou fora do orfanato e ao mesmo tempo conseguiu aprender a desenhar com Aoi, quem considerava como um amigo, até ajudava a vender as obras com ele. Mas em um determinado momento o pintor teve que ir embora e Saori acabou voltando para o orfanato, só que ela nunca se esqueceu do presente que foi aprender a desenhar e agora tinha algo que sempre a ajudava a relaxar, lhe dava tranquilidade e a fazia se lembrar dos bons momentos que passou quando estava com seu amigo Aoi. Sorriu ao lembrar disso e Chiyo se aproximou da garota, curiosa com o que a menina tanto rabiscava no papel. E se admirou com o que viu, a menina lhe desenhava perfeitamente.
- Que lindo, menina! Você desenha muito bem – disse Chiyo, fazendo com que Saori saísse dos seus pensamentos e notar que a senhora olhava admirada para o rascunho em suas mãos. Deu de ombros com o elogio e arrancou a folha entregando para a senhora.
- É apenas um rascunho, mas tome! – disse saindo de cima da bancada – Posso ficar com o bloco? Gostaria de desenhar mais! –pediu Saori.
- Claro! Não tem problema nenhum – respondeu sorrindo enquanto olhava o desenho. Saori sorriu de volta e saiu em direção ao jardim, era ali que desenharia, desde que viu aquele jardim ficou maravilhada quis desenhar o lugar e agora tinha essa oportunidade. Sentou-se debaixo de uma grande árvore e se pôs a observar o local antes de começar a rascunhar no papel os traços da paisagem.
Notas finais
beijos e até a próxima!!
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