Sonhos De Uma Outra Vida
16 Capítulo 16
Notas iniciais
boa leitura!
Hinata estava totalmente confusa, não sabia o que pensar daqueles dois que lhe mostravam com tanta gentileza o orfanato, tudo parecia estar nos conformes, os quartos eram da melhor qualidade, os colchões eram macios e as instalações arejadas e limpas, nunca havia visto uma cozinha mais organizada e com tabelas nutricionais para a dieta dos menores, o refeitório era amplo e havia bastante espaço para as crianças brincarem além de haver uma sala de estudo para as crianças. Além disso, a papelada de todas as crianças estava em ordem, assim como da instituição no geral.
E apesar de tudo parecer tão certo, Hinata achava que tinha algo errado, mas o que?
- Onde estão as crianças? – perguntou, talvez fosse isso, ainda não havia visto uma só criança e isso a estava deixando apreensiva.
- Ah! Nossas crianças estão no jardim, nesse horário, geralmente, é a hora de recriação delas – explicou Satoru.
- Hum... Gostaria de ir vê-las! – respondeu Hinata – Quero conversar com elas!
- Conversar? Mas para que? – perguntou visivelmente nervosa Kira, nunca nenhum dos avaliadores quis conversar com as crianças, a maioria apenas vistoriava o local e depois iam embora, aquilo poderia ser um problema se alguma das pestes falasse algo.
- Algum problema em conversar com as crianças? — Hinata arqueou uma sobrancelha, com a pergunta de Kira, afinal qual o problema de conversar com meninos, agora mesmo estava mais certa de que aquilo tudo não passava de um teatro bem armado.
- Não, problema nenhum! É que isso realmente é necessário? Quero dizer, não há necessidade de perturbar as crianças, não acha senhorita? – Satoru tentou consertar a burrada que Kira havia feito dando um sorriso galanteador para a morena.
- Sim é necessário!Se não fosse não haveria pedido! – afirmou Hinata irritada com essa relutância e tomou a frente dos dois em direção dos jardins – E é senhora! – falou olhando por sobre os ombros para o moreno e continuou a andar.
Satoru e Kira se entreolharam, aquilo era arriscado, Kira estava começando a se preocupar, mas Satoru logo deu um sorriso debochado para a parceira, ele tinha um plano!
- Distraia a mulher — sussurrou para a loira – Eu vou dar um jeito nos moleques, mas preciso de dez minutos.
-*-
O sol estava a pino e o calor aumentava cada vez mais, fazendo com que o forno também esquentasse e fizesse o ar ficar mais abafado. Saori já estava trancada lá há quase três dias, sem comida ou água, ainda estava machucada e seu corpo todo doía, mal conseguia ficar de pé e a fraqueza se apoderava de si, nunca havia ficado tanto tempo trancada no forno quanto agora. Passou a mão na testa para limpar o suor ao mesmo tempo em que puxava o ar para tentar respirar melhor, algo que estava se tornando uma tarefa extenuante. Lembrava-se de ter gritado e esmurrado a porta depois de passar uma noite quase congelando de frio, no entanto ninguém apareceu para tirá-la dali e quanto mais o tempo passava Saori percebia que o esforço era inútil e apenas estava se cansando mais rápido. Logo os gritos se transformaram em sussurros e os murros em leves batidas na porta, sua obstinação se transformando em agonia e aflição e sua coragem se esfarelava a beira de implorar que a tirassem dali. Sem sucesso.
Agora não tinha mais forças para nada e tinha desistido de lembrar que ainda estava presa ali, pelo jeito Satoru queria lhe dar uma lição que nunca mais esquecesse, o problema é que o castigo estava ultrapassando os seus limites, Saori não sabia quanto tempo mais iria aguentar ficar naquele lugar sem comida ou bebida, com dor e sem conseguir respirar direito. “Droga! Eu tenho que sair daqui!” pensava desesperada, enquanto tentava se por de pé mas seu joelho, que ainda não estava recuperado, falhava pela fraqueza e a fazia cair novamente, não pode evitar um suspiro de dor escapar por seus lábios ao ir de encontro ao chão mais uma vez, ofegava, sentindo seus músculos pesarem uma tonelada, e seus olhos arderem pelas lágrimas que insistiam em sair. “Não chora, idiota! Isso não vai mudar nada! Você tem que sair daqui e não ficar chorando pelos cantos!” se recriminava.
-*-
Kira havia insistido que Hinata conhecesse a biblioteca que tinham antes de verem as crianças, alegando que o cômodo estava mais perto e que de lá era possível ver os menores brincando, e mesmo um pouco contrariada, Hinata acatou a sugestão da mulher, pois não era de seu feitio ser mal educada. Estranhou o fato de Satoru haver sumido e quando perguntou para a sua companheira, esta apenas deu uma desculpa esfarrapada sobre alguma burocracia na sala da diretoria.
Quando finalmente se dirigiram para o jardim, Satoru retornou pedindo desculpas pelo sumiço enquanto Hinata se preocupava em observar os pequenos. Algumas estavam dormindo embaixo das árvores, outras brincavam perto da porta, e outras sentadas na grama e mesmo com tudo aparentemente certo, por qual motivo não se via os pequenos sorrindo? Onde estavam as risadas? Todos se mantinham em um silêncio sepulcral. Ao se aproximar de um grupo de crianças de aparentemente dez anos de idade, Hinata percebeu que mesmo aparentando alegria e mesmo estas respondendo suas perguntas dizendo mil maravilhas sobre o local em que viviam, os olhos destas transbordavam uma tristeza e uma dor que Hinata não conseguia entender.
“Estão mentindo!” sua mente gritava para si, porém nada podia fazer se não tivesse provas contra aqueles dois, ou talvez estivesse apenas imaginando coisas. Levantou-se e continuou a explorar o grande jardim até se deparar com um casebre mais escondido.
- O que é aquilo? – perguntou apontando para a pequena casa de madeira que parecia que iria cair com o vento.
- Ah, aquilo? Aquilo é um antigo depósito, mas nem o utilizamos mais – falou Kira calmamente, não se dando conta da apreensão que tomava conta de Satoru. Aquilo o havia lembrado da garota que havia trancado no forno há alguns dias e que ainda se encontrava lá, se por um caso a pirralha se manifestasse iria ser difícil continuar a farsa com a Uzumaki.
- Não é nada de mais! Vamos voltar há outras coisas que a senhora gostaria de olhar, não é mesmo? – tentou disfarçar o moreno. Hinata se sentia dividida, queria ver aquele casebre melhor, desconfiando do modo como Satoru agiu e, ao mesmo tempo achava que podia estar ficando paranoica, já que não via nada de anormal. Suspirou voltando por onde o moreno lhe indicava quando ouviu um barulho atrás de si, fazendo-a se virar novamente em direção do casebre.
- Ouviram algo? – perguntou a morena.
- N-não, não ouvi nada. Deve ter sido o vento! — Como se houvesse se dado conta do problema só agora, lembrando-a de que Saori ainda estava ali, presa, Kira se apressou para responder. Contudo, o barulho se fez presente novamente, um pouco mais fraco, mais ainda estava ali. Hinata já ia se dirigindo para lá quando Satoru lhe interceptou.
- Ah, esse barulho! Não ligue pra isso, Kira tem razão! Como a madeira é velha, ela range um pouco com o vento!
Saori a muito custo havia conseguido se arrastar para mais perto da porta onde havia uma fresta um pouco maior, para tentar respirar, o calor havia se tornado insuportável e o ar quente lhe consumia, suava e ofegava sem parar, sentia como se estivesse levantando peso para conseguir se movimentar, estava quase para desmaiar, precisava de ar. E qual foi sua surpresa ao ver pela fresta Satoru e Kira juntos de uma outra mulher andando pelo jardim. A mulher parecia analisar tudo a sua volta e havia apontado para o forno onde estava e Satoru se mostrava nervoso por algo que Saori não demorou muito para entender, ela devia ser alguém importante, alguém do serviço social para eles se preocuparem em andar com ela pelo local e ficarem nervosos pela mulher notar algo fora dos padrões.
“É a minha chance de sair daqui!” pensou, só precisava chamar a atenção da moça e estaria livre, tentou gritar, mas sua garganta protestou contra, devido não tomar água faz dias, então começou a bater na porta mas o barulho era quase inaudível e eles estavam um pouco longe para ouvirem, precisava de mais força, só que estava tão fraca e o calor tão forte, “Vamos Saori! Pare de se lamentar!” se obrigou a tentar levantar, fazendo força para impedir que os joelhos trêmulos a fizessem cair novamente e quando conseguiu se por de pé, bateu com o corpo em direção a porta, chamando a atenção da mulher do lado de fora. Sentiu o corpo arder e pedir por descanso mas continuou ali esperando para ver o que se seguia, como nada aconteceu reuniu o resto de força que tinha bateu mais uma vez na porta, agora mais fraco mais ainda sim foi forte o suficiente para se fazer ouvir.
O problema era que Satoru e Kira pareciam querer ferrar com a sua vida e levar sua única esperança embora, droga, desse jeito ela não iria aguentar, tentou gritar, mas sua voz não saia e quando viu a mulher voltando para o orfanato, Saori perdeu as forças e a esperança de sair daquele local viva, desabando no chão sentindo a dor do esforço se espalhando pelo corpo. Sem conseguir controlar o que sentia começou a chorar copiosamente, soluçando sem parar, agravando sua situação, pois agora não conseguia mais respirar, tentava puxar o ar mas o mesmo não vinha, sufocava e aflita não sabia mais o que fazer. Tentou se acalmar e fazer o coração desacelerar, tentou buscar ar, mas tudo parecia em vão, se via tentada a se deixar levar e perecer naquele lugar... “não...não posso morrer, não ali, não agora, havia prometido, havia prometido...tinha que lutar, ou morrer tentando”. Inspirou o máximo de ar que conseguia e gritou, sua garganta estava seca e doeu com a ação mas mesmo assim continuou a gritar sabendo que poderia ser a última coisa que falaria:
- SOCORROOO!ME TIREM DAQUI!!SOCORRO!! ESTOU PRESA! SOCORRO!
Hinata massageou as têmporas para clarear as ideias, já estava prestes a deixar aquele local por insistência de Satoru e Kira e ela também já começava a pensar que era melhor encerrar aquela avaliação, afinal não havia visto nada que pudesse considerar o local como prejudicial para as crianças, apesar do sentimento de que algo estivesse errado, achou que não se tratava de nada além de puro exagero de sua parte, quando se espantou ao ouvir uma menina gritando na direção do casebre, fazendo-a se virar apreensiva e correr em direção da voz que brandia em agonia.
Satoru e Kira se olharam apreensivos enquanto viam a mulher correr em direção ao forno, estavam nervosos e não sabiam o que iriam fazer, aquela menina realmente não servia pra nada, já estava lhes arrumando mais dor de cabeça e ainda bolando um plano para se livrarem da encrenca que a pirralha havia os metido, resolveram seguir a examinadora.
- SOCORROOO!ME TIREM DAQUI!!SOCORRO!! ESTOU PRESA! SOCORRO! – continuava a gritar com o resto de suas forças e só parou quando ouviu uma voz suave e preocupada do outro lado a lhe falar.
- CALMA! Vou lhe tirar daí! – bradava Hinata para depois se voltar com o rosto tomado pela fúria para o moreno e a loira que pareciam perdidos, sem saber o que fazer – O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI? POR QUE ESSA MENINA ESTÁ PRESA? ABRAM A PORTA IMEDIATAMENTE!
- Senhorita Uzumaki... –
- JÁ DISSE QUE É SENHORA E NÃO QUERO OUVIR MAIS NADA A NÃO SER O BARULHO DESSA PORTA SENDO ABERTA! – interrompeu Hinata sem ligar para o que Satoru iria lhe dizer e observou a loira tremer enquanto acatava suas ordens, pois nunca pensou que alguém tão amável como Hinata poderia ficar tão irritada daquele jeito.
Hinata praticamente sentiu seu coração se apertar ao ver tal cena quando a mulher abriu a porta, uma garota se encontrava no chão imundo daquele lugar, sujeira, suor e sangue seco eram vistos em suas vestes e em seu corpo. A menina ofegava e seus olhos estavam opacos, notava-se a força que a menina fazia para permanecer acordada e respirar, o ar daquele lugar era abafado, quente como o inferno e as condições da menor eram deploráveis, nunca havia presenciado algo parecido, em todos os seus anos no serviço social foi testemunha de diversos maus tratos para com crianças, mas nunca algo de tamanha monstruosidade. Correu em direção à menina quando a viu desmaiar na sua frente e a tirou de dentro do barracão onde estava, enquanto os administradores continuavam inertes ao seu lado, aquilo foi o suficiente para a cólera de Hinata ir além dos limites.
- O QUE ESTÃO FAZENDO PARADOS AI? LIGUEM PARA UMA AMBULANCIA! NÃO VEÊM QUE A MENINA PRECISA IR AO HOSPITAL?
- Acho que isso não é necessário, ela só deve estar cansada! – disse Kira sorrindo nervosamente, querendo contornar a situação – Sabe essa menina vive tentando fugir e sempre nos dá muitos problemas, provavelmente se escondeu ai querendo escapar e...
- COMO PODE DIZER ISSO? POUCO ME IMPORTA ISSO AGORA! A MENINA PRECISA DE CUIDADOS! – bradou, enquanto pegava o celular, se eles não queriam ajudar, ela iria fazer tudo sozinha! Não demorou muito e ouviu a voz de Ino do outro lado
- Hina! Que bom que ligou! Eu ia mes...
- INO, ME ESCUTA! – gritou enquanto averiguava se a menina ainda respirava, graças a Kami ainda estava viva e isso a fez se acalmar e tentar falar mais calma com a amiga que estava assustada pelo modo como a morena lhe falou – Preciso que mandem uma ambulância agora para o orfanato “Konoha Sunshine”, entendeu? Por favor, depois eu explico, mas seja rápida.
- H-hai...mas... – tentou falar, mas a morena já havia desligado o telefone na sua cara. Olhava para o telefone tentando entender o que havia acontecido.
-*-
- O que houve? – perguntou Sakura ao ver a cara da amiga loira.
- Não sei, mas tenho que mandar uma ambulância para o orfanato que a Hinata está! – falou saindo para fazer o que a amiga havia lhe pedido, deixando agora uma rosada confusa.
Notas finais
Ahh...quase ia me esquecendo, provavelmente, eu vá viajar por uma semana, então, não sei se conseguirei postar durante esse periodo, mas eu tenho uma boa noticia também, não se preocupem pois eu já tenho mais alguns (acho que 2) capitulos prontos e antes de viajar eu vou tentar postá-los para não deixar vocês sem nada para ler!tudo bem? qualquer novidade sobre eu realmente ir nessa viagem (porque até agora nada é certo!) eu aviso!
beijos e até a próxima
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