Sonhos De Uma Outra Vida
41 Capítulo 41
Notas iniciais
Por isso sem mais demora!
Boa leitura!
Ahhh e muito obrigada pelos reviews, logo estarei respondendo,ok?
Belle Desiree, esse capitulo é em sua homenagem! Foi com a música que você me indicou da Sandy "Pés cansados" que me inspirei para fazer o final! Espero que goste!
- F-filha? – Saori perguntou atônita. Levou a mão à cabeça ao sentir uma pontada de dor – Como... assim? – hesitou sem saber se devia continuar com essa conversa.
- Antes de tudo, me prometa que vai ouvir tudo o que eu disser antes de fazer algum comentário, ok? – pediu Sakura e Saori concordou mesmo não entendendo o motivo dessa condição – Sabe, eu engravidei do Daisuke muito cedo, tinha apenas dezessete anos, e nem sempre as coisas foram fáceis. Eu e Sasuke passamos por muitas coisas juntos, mas sempre estivemos juntos.
“Alguns anos depois eu descobri que estava grávida pela segunda vez, de uma garotinha. E mesmo sabendo que isso poderia complicar ainda mais a situação na qual vivíamos, pois iria ser difícil para dois jovens conseguirem cuidar de duas crianças e ainda estudarem e trabalharem ao mesmo tempo, eu fiquei muito feliz ao saber que seria mãe outra vez, assim como Sasuke.”
Não pode deixar de sorrir de forma nostálgica ao lembrar-se da cena quando deu a noticia a Sasuke e como ele ficou bobo, sem conseguir parar de sorrir por nem um momento ou perguntar se ela estava bem ou sentia alguma coisa. Ao notar os olhos negros de Saori a observando, aguardando o resto da história, Sakura limpou a garganta e continuou:
“Bom, de qualquer maneira no final deu tudo certo. E eu era a pessoa mais feliz com a família que tinha. E alguns anos depois Sasuke havia conseguido um contrato que iria, finalmente, melhorar as nossas vidas, e resolvemos sair para comemorar com nossos amigos, deixando nossos filhos em casa com uma babá. Porém, havia algo estranho... eu... eu sentia isso... e acho que minha filha também.” – disse lembrando-se de como a filha havia se comportado naquele dia. Suspirou, se forçando a continuar a narrativa:
“Então quando voltamos para casa depois do jantar... descobrimos que nossa casa havia pegado fogo e somente... somente Daisuke havia sobrevivido” – Sakura já não conseguia mais controlar as lágrimas que teimavam em molhar o rosto, olhou para a garota a sua frente para ver sua reação, mas Saori estava com a cabeça abaixada e com a franja impedindo qualquer tentativa de contato visual.
- Nunca encontraram o corpo da minha filha – a rosada continuou enquanto limpava os vestígios do choro – E isso me fez crer que, talvez, por algum milagre a minha menina, a minha hime, a minha Saori pudesse estar viva.
- S-Saori? – perguntou a mais nova assombrada, erguendo o rosto com os orbes arregalados.
- Hai, coincidentemente você tem o mesmo nome que a minha filha. – disse colocando a sua mão no braço da garota. Saori cerrou as mãos e não conseguiu não perguntar:
- Aquele quarto é dela?
- Hai. Ali guardamos as únicas coisas que conseguimos salvar do incêndio. Sabe, depois disso as coisas mudaram muito, nós mudamos muito. Daisuke se fechou para os outros, Sasuke se tornou muito protetor e autoritário com relação a família e eu, bem, eu nunca consegui aceitar a morte dela. – falou ressentida ao ver como sua família mudara ao longo dos anos – Eu cheguei até a pensar que havia encontrado minha filha uma vez, mas no final tudo foi apenas um terrível engano que somente trouxe dor a todos.
Saori não pode deixar de se encolher ao ouvir aquelas palavras, apertou as mãos no colo enquanto várias perguntas gritavam na sua mente para serem ditas, porém permaneceu calada, apenas ouvindo a narrativa de Sakura com um péssimo pressentimento.
- Muitas pessoas dizem que o tempo cura tudo, mas eu não acredito que isso é verdade! – observou a menina que havia voltado a fitar o chão – Acho que o tempo apenas ameniza a dor, a adormece, mas ela sempre estará lá e foi isso que aconteceu até o dia em que você me salvou!
- Nani? – murmurou Saori.
- Naquele dia eu havia perdido uma paciente, uma menininha que devia ter a idade da minha Saori quando faleceu. Cinco anos – sussurrou a última parte para si, mas Saori conseguiu escutar – Bom, eu entrei em choque ao dar a noticia para a mãe da menina e sai correndo desesperada. Eu me sufocava ao reviver o mesmo sentimento de anos atrás e não havia percebido o carro até quase ser atropelada por ele e, sinceramente, naquele momento eu não me importava se iria ou não sobreviver, apenas queria deixar de sentir dor.
- NANI? A SENHORA É MALUCA? COMO PODE DIZER ISSO? – Saori se sobressaltou e Sakura sorriu tristemente segurando na mão da menina.
- Você me disse algo parecido quando me salvou, se lembra? – perguntou e sem esperar uma resposta da morena, continuou – Você disse “A senhora está doida? Quer se matar?”, posso dizer que me surpreendi quando ouvi isso, ainda mais quando vi quem havia me salvado. Você me lembrou tanto o Sasuke. E depois devo dizer que fiquei assustada ao ver que você era uma garota e ao ouvir seu nome. – disse ao apertar a mão da mais nova.
- Entendo. – disse se lembrando do dia do acidente.
Flashback on
– Algum problema? – perguntou Saori depois de um tempo esperando uma reação da rosada, que continuava estática e, agora, com os olhos marejados.
– Não! É que você me lembra de uma pessoa! Qual o seu nome? – perguntou tentando manter a calma.
– Porque quer saber? — retrucou Saori que estranhou a pergunta, qual era o motivo para esse interesse repentino pelo seu nome?
– Já disse você me lembra alguém! Qual o problema de me contar seu nome? Não vou lhe fazer mal.
– Bom, não devo ser essa pessoa que a senhora conhece, então não há razão em lhe dizer o meu nome! – respondeu Saori, não gostando o rumo da conversa que nem deveria ter começado.
– Dizem que quando se quer saber o nome de alguém se deve se apresentar primeiro, então, meu nome é Uchiha Sakura. – falou sorrindo para a jovem, tentando convencê-la – Além disso, não deveria saber o nome da pessoa que salvou minha vida?
– Saori!
Flashback off
- Então foi por isso... – murmurou Saori com a cabeça baixa, retirando sua mão de perto da rosada. – Sakura-san... – chamou a atenção da médica sem encará-la — ...porque eu estou aqui?
- Saori... quando eu te conheci eu senti algo muito forte...e... – Saori não conseguia acreditar naquilo que estava ouvindo.
- Você é tão parecida com a minha Saori não só fisicamente, mas também o jeito como se comporta e... – porque cada vez que Sakura falava, ela sentia seu coração se apertar em dor?
- Pare! – interrompeu Saori se levantando da cama um pouco tonta e com as mãos na cabeça. Permaneceu de costas para a rosada para tentar se acalmar. Sua cabeça doía muito e tudo a sua volta parecia girar.
- Saori... o que foi? – perguntou a rosada se levantando preocupada com o comportamento da mais nova.
- Esse tempo todo... esse tempo todo... — Fechou os olhos com força, absorvendo o que fora dito.
“Eu vou cuidar de você, eu prometo!”
“Eu só quero lhe ajudar! Sabe nem todas as pessoas são más, como você pensa! Você só não teve sorte. Mas se você der uma chance para conhecer as pessoas, com certeza, vai ver que o que eu estou falando é verdade.”
- Esse tempo todo...Você mentiu para mim! – disse se virando para encarar a rosada, lágrimas já banhavam seu rosto e suas mãos tremiam de raiva.
- Nani? Saori, não! Eu nunca menti! – Sakura tentou se aproximar da menina, mas esta apenas recuou se mantendo afastada.
- Como não? Eu pensei que gostasse de mim, mas a senhora apenas me enganou como todos que eu conheci! “Confiar nas pessoas”, “me ajudar”? A senhora só fez tudo isso por mim porque pensa que sou a sua filha morta, não é verdade? – Sakura não soube responder às palavras ácidas de Saori e isso aborreceu ainda mais a menina, “Onegai, diga que eu estou errada!” pensava.
- A senhora queria tanto saber sobre mim para ter certeza se eu seria sua filha, não é?
“Onegai...”
- Todo o carinho, a atenção, a preocupação...
“...diga...”
- ... era fruto de uma ilusão... a senhora nunca pensou realmente em mim, não é verdade?
“...que eu estou errada!”
- RESPONDA! – gritou Saori, mas Sakura não lhe respondia apenas a encarava com um semblante de dor e os olhos marejados. Pôs a mão no rosto, tentando se recompor, porém não conseguia. Seu choro se tornava mais alto e seus soluços mais fortes e aquela dor...estava a torturando, porque estava assim logo agora?
- Kuso! A senhora pelo menos pensou na possibilidade de eu não ser “ela”? E se eu não for? Vai me jogar no orfanato de novo? – Saori questionou com a voz trêmula e baixa lembrando-se da conversa da rosada com Hinata, ao pensar nisso começou a respirar com força para tentar aplacar o que estava sentindo.
- Não, Saori... e-eu nunca faria isso, eu...
- A senhora é uma mentirosa! Pare de mentir! – cortou Saori falando alto novamente – A senhora mesma disse que antes também achava que tinha achado sua filha e, no final as coisas não foram do jeito que queria, porque agora seria diferente?
- Porque nega tanto a possibilidade de ser minha filha? Porque não acredita em mim? – Sakura questionou angustiada.
- Porque a senhora fez a mesma coisa que todos sempre fazem comigo, me enganou, me usou sem pensar duas vezes como eu me sentiria com isso! Porque eu me deixei enganar! – Saori vociferou com raiva, só não sabia se era de Sakura ou dela mesma por ter baixado suas defesas.
- Isso não responde as minhas perguntas, Saori! Eu...
- PORQUE EU SEI QUE NÃO SOU SUA FILHA, SATISFEITA? – esbravejou Saori que correu para fora do quarto, deixando Sakura aturdida com as palavras proferidas.
- O que está acontecendo aqui... Sakura? – indagou Sasuke ao ouvir a gritaria e ver Saori passar correndo por si, porém se assustou ao ver a esposa no chão aos prantos – O que houve Sakura? Sakura? – Sasuke sacudia a rosada em busca de respostas, mas ela permanecia em choque não acreditando no que ouvira.
Quando o moreno já estava desistindo de chamar a esposa e ir atrás da fedelha para questioná-la sentiu a rosada apertar sua blusa com força e balbuciar coisas sem nexos como “eu a magoei”, “eu errei”, “eu não queria”. Ele ainda tentou perguntar mais alguma coisa, no entanto o barulho de uma porta batendo com força, chamou a atenção do casal, principalmente de Sakura que se desesperou.
- Não! Saori...ela... foi embora Sasuke! – disse e uma sensação amarga se alastrou por dentro do moreno.
-*-
Estava com dor e não conseguia encarar a Sakura ou ninguém da família Uchiha, não queria responder as perguntas de Sasuke, não queria continuar naquela casa, pelo menos por um tempo, precisava ficar sozinha, pensar e fazer as coisas dentro de si pararem de girar. As palavras se misturavam dentro de si e a apenas a confusão se fazia constante, andou até perder a mansão Uchiha de vista e quando não aguentou mais parou no canto de uma esquina vazia e chorou! Chorou até seus pulmões clamarem por oxigênio.
“Acha mesmo que esse casal gosta de você? Que estão cuidando de você porque viram que você era diferente?”
“Você não significa nada para eles, logo irão te abandonar como todos fazem com você, como até os seus pais fizeram e, no fim sobrará apenas eu! Como sempre!”
“Hikari...”
“Tenho pena daquela mulher! É uma tola que fica remoendo os mortos!”
“...Aquelas meninas do colégio...”
“Me refiro ao fato da sua suspeita! Ele sabe disso? E se você fizer tudo isso e der negativo? Afinal há essa possibilidade!”
“Se der negativo, o que você vai fazer a respeito? O que vai ser da Saori?”
“...até a assistente social, Hinata...”
Todos sabiam que ela estava sendo usada, que tudo era uma mentira, menos ela que se recusava a acreditar que Sakura, aquela médica tão bondosa pudesse lhe enganar. Talvez, porque uma parte dela queria que tudo aquilo fosse verdade. Se perguntou se Sasuke e Daisuke também sabiam disso. Será que eles também estavam lhe tratando melhor porque achavam que ela era a Saori deles? Balançou a cabeça negando o pensamento que lhe ocorreu, Sasuke nunca foi muito com a sua cara e Daisuke se pensasse assim não teria gritado com ela mais cedo como fez, pelo menos era o que ela achava. Apoiou a cabeça nos joelhos para refletir sobre tudo o que havia lhe acontecido e por mais que lhe doesse ter dito aquelas coisas a rosada, pois sabia que ela também deveria estar triste por não ser quem pensava, não podia fazer nada.
Saori não se lembrava de nada antes de acordar no hospital, porém recordava-se do médico lhe dizendo que uma pessoa havia a encontrado e a levado para lá. A menina chegou a conhecer quem a salvara, pois alguém deveria ser responsável por si enquanto estivesse no pronto-socorro e era por causa dessa pessoa que ela sabia que não podia ser filha dos Uchiha’s.
- O que está fazendo ai? – alguém perguntou, tirando Saori das suas lembranças. Ergueu o rosto molhado em direção à pessoa e mais uma vez teve vontade de chorar, porque as coisas sempre acabavam assim?
- H-hikari? – murmurou com a voz embargada para em seguida esconder o rosto entre os braços.
Hikari observou bem a menina e balançou a cabeça ao vê-la tão frágil como na época em que era criança, se aproximou lentamente e puxou o rosto da menina delicadamente para encará-la.
- Aconteceu o que eu te disse, não é?
- N-não...vá embora...e-eu... – quis se afastar dele, mas não tinha forças para tal. Hiraki suspirou e começou a fazer um afago na cabeça da menina como quando eram menores e ela sempre vinha lhe pedir ajuda.
- Eu te avisei, mas você é teimosa e nunca me escuta! Agora seja uma boa menina e faça o certo: vingue-se! Basta me dizer quando e onde! – disse escondendo o sorriso mal-intencionado ao ver os olhos da garota ficarem opacos.
- Eu... eu...
- Saori, você quer voltar para o orfanato? – a menina tremeu ante a possibilidade de isso acontecer.
- ... Segunda à noite! – Saori respondeu por fim sem saber se aquilo era realmente o certo a se fazer.
-*-
Depois de se afastar de Hikari, Saori resolveu voltar para a mansão Uchiha e enfrentar as consequências. Sakura foi a primeira a abordá-la e questionar onde estava, mas Saori não a respondeu, estava cansada mentalmente, afinal sua cabeça ainda latejava de dor, sem contar que também estava magoada com a rosada por tudo que ela escondeu de si. Ignorou a médica e continuou indo em direção ao quarto para descansar, porém foi a vez de Sasuke interceptá-la.
- Acha que pode sair daqui a hora que quiser e não dar satisfações? – repreendeu o moreno.
- Não se preocupe senhor! Logo não estarei mais aqui! – respondeu Saori petulante. Sasuke estranhou o jeito da garota e perguntou:
- O que quer dizer com isso? Pode me explicar o que está acontecendo aqui? – questionou a fim de descobrir alguma coisa já que Sakura se recusava a lhe contar o que Saori havia feito.
- Se quiser alguma coisa peça a sua mulher! – foi a última coisa que disse antes de desviar do moreno e subir correndo as escadas para se trancar no quarto.
-*-
O final de semana passou como um martírio para Saori e toda a família Uchiha, a garota tentava se afastar o máximo que pudesse, parecia que o tempo havia voltado para os primeiros dias que Saori havia chegado naquele lugar, brigava com Sasuke, discutia com Daisuke que não entendia o comportamento da mais nova e ignorava qualquer tentativa de conversa que Sakura fazia. Porém, finalmente a segunda-feira havia chegado e Saori se sentia aliviada por poder terminar com aquilo. Como ficou trancada a maior parte do tempo no quarto, ela pode refletir exatamente o que faria, como iria agir dali em diante e como sumiria daquele lugar de uma vez por todas.
Fechou os olhos ante esse pensamento e se levantou com o corpo pesado para se arrumar para o seu último dia ali. A verdade era que não queria ir embora, mas sabia que mesmo que não fizesse o que havia planejado nem Sakura ou Sasuke iria querê-la depois de todas as coisas que disse e fez. Além disso, ela havia tomado uma decisão e iria seguir o plano até o final, mesmo que isso a machucasse também. Arrumou-se e saiu em silêncio para a cozinha já que não havia como protelar mais o encontro com outros.
O clima que se formou no ambiente quando Saori se aproximou era no mínimo hostil e ninguém fazia nada para tentar mudar. Todos comiam sem fazer um único ruído, menos Saori que mal tocara no prato, logo ela que era a primeira a avançar na comida para aplacar a fome. Sakura ao perceber a menina distraída resolveu, mais uma vez, tentar conversar com ela.
- Saori, está se sentindo bem? Por que não está comendo?
- Não lhe interessa! – retrucou Saori de maneira rude encarando a rosada com mágoa.
- Chega! – bradou Sasuke batendo as mãos na mesa que não aguentava mais a má educação da garota com a esposa e todos daquela casa – Pouco me importa o motivo de vocês estarem dessa forma, mas não vou permitir que fale com Sakura dessa maneira, me entendeu garota?
- Hai – Saori respondeu de forma desinteressada, sem nem se voltar para o moreno que se irritou ainda mais com o descaso da mais nova.
- Quando eu estiver falando com você olhe para mim garota!
- Kami, se não bastasse a melodramática ainda tem esse cara egocêntrico! Sempre querendo ser o centro das atenções! – Saori caçoou e se levantou da mesa para ir embora, mas Sasuke segurou seu braço com força, forçando-a a encará-lo e Saori teve que reunir toda sua força de vontade para não se encolher diante do olhar colérico do mais velho. – Me solte! – disse querendo se libertar.
- Pe.ça des.cul.pas! – Sasuke falou pausadamente para acumular o máximo de paciência e não gritar com a menina, mas aquilo estava realmente difícil.
- Ou então o que? Vai me bater? Eu não tenho medo de você e você não manda em mim! – gritou Saori com raiva.
- Enquanto estiver sob o mesmo teto que eu, você terá que viver com as minhas regras! – retrucou Sasuke segurando a menina.
- Então não vai ser por muito tempo! – rebateu Saori sem pensar.
- O que quer dizer com isso? – indagou Sasuke confuso. “Droga, pensa rápido baka!” Saori tentava encontrar uma saída.
- Nada que não seja verdade! Mal posso esperar para ficar longe de todos vocês! – disparou Saori.
- Depois de tudo o que fizemos por você! Como ousa falar isso sua fedelha ingrata!
- Só falo a verdade!
- Eu devia lhe ensinar uma lição! – acusou Sasuke com a mão livre levantada, ameaçando bater na menor.
- SASUKE-KUN PARE! O que pensa que está fazendo? – gritou Sakura impedindo Sasuke de fazer algo que ele com certeza se arrependeria depois.
Com o grito da esposa, Sasuke voltou a si e encarou a menor, se surpreendendo ao ver que diferente do que esperava o olhar dela não transmitia raiva ou ódio pelo o que estava prestes a fazer, mas sim aceitamento igual como aconteceu no hospital e a garota havia empurrado Sakura. Mais uma vez ele havia se descontrolado e mais uma vez a menina parecia aceitar de bom grado qualquer punição como se soubesse que o que estava fazendo era errado. Então, por quê?
Saori se afastou de Sasuke e saiu da cozinha, Daisuke havia visto toda a briga, mas em nenhum momento interferiu. Ao ver a garota ir embora, se levantou e a seguiu, deixando os pais sozinhos.
-*-
O percurso para a escola no carro de Daisuke estava sendo sufocante para Saori. Ele não falava nada, mas ela percebia o quanto ele devia estar a odiando naquele momento por falar todas as aquelas coisas depois de tudo o que fizeram por ela. Se repreendeu mentalmente por se importar com o que Daisuke pensava sobre si, ela não podia baixar a guarda e nem se desviar do plano. Porém, Daisuke não pretendia ficar mais tempo calado e freou o carro bruscamente, assustando Saori com o ato.
- Qual o seu problema? Você mudou radicalmente da noite para o dia! O que aconteceu? – questionou o rapaz com a voz dura e apertando o volante. Saori permaneceu calada, olhando pela janela e ignorando Daisuke.
- SAORI! – gritou Daisuke chamando a atenção da menina que lhe encarou com lágrimas no rosto.
- Me deixe em paz! Você não é meu irmão para ficar se metendo na minha vida! Você não é nada pra mim! – Saori disse com dor aquelas palavras e foram recebidas como facas por Daisuke que não esperava por isso.
- Ainda bem que não sou! Quem iria querer uma irmã tão irritante como você? Mas eu pensei que, pelo menos, fossemos amigos! – Daisuke rebateu.
- Pois pensou errado! – disse e saiu do carro indo o resto do caminho a pé para o colégio.
Socou o volante com raiva de si e da mais nova, havia sido tolo de ter confiado em Saori, de ter ficado tão próximo dela. E olha o resultado disso? Ele chorando por algo que não conseguia explicar, só por ela ter falado que não eram irmãos, quer dizer, que não eram amigos! Droga, porque havia dado ouvidos para os conselhos de Hideo mesmo? Limpou o rosto com força e ligou o carro para ir à escola, não iria se deixar abalar por causa dela e não iria mais se preocupar, pois no fim ela tinha razão, ele não era nada para ela!
-*-
Quando chegou no “Gaiken School” pode ver que Daisuke já havia chegado, ignorou completamente o rapaz e rumou o mais rápido possível para sua sala, não estava mais a fim de encarar o moreno. Precisava de algumas horas longe de todo esse problema, mesmo que soubesse que dificilmente conseguiria se concentrar em outra coisa. Já estava no corredor da sua sala quando um ser loiro interceptou o seu caminho.
- Ohayo gatinha! – Hideo falou sorrindo para a menina que revirou os olhos – Como está?
- Estava melhor antes de te encontrar! Com licença! – respondeu com a intenção de desviar do rapaz, porém parecia que naquele dia todos estavam querendo testar sua paciência.
- Parece que alguém acordou do lado errado da cama! – brincou o loiro, mas Saori não respondeu, parecia estar mais concentrada em algo atrás de si. Curioso para saber o que estava chamando a atenção da mais nova, se virou e viu Daisuke também encarando intensamente a menina.
Seus olhares se cruzaram por pouco tempo, mas era notório que algo estava errado com aqueles dois, ainda mais porque Daisuke fez questão de se virar e caminhar para longe da morena. Hideo se voltou para Saori e, mesmo ela querendo esconder, ele viu o quanto ela estava triste e magoada. Abriu a boca para perguntar o que havia acontecido, porém Saori não permitiu que ele falasse nada e saiu indo em direção a sala de aula. O loiro estranhou o comportamento da garota e não pode deixar de se incomodar por ver Saori olhar daquele modo para Daisuke.
-*-
Não havia conseguido prestar a atenção em nenhuma aula, mas isso já não era muito importante de qualquer jeito! Depois de hoje ela não voltaria para aquele colégio de ricos, não teria que aguentar mais nenhum comentário sobre si, não iria mais ter que aturar professor nenhum e nem prestar atenção em matérias chatas e também não iria ver mais nenhuma daquelas pessoas. Ela devia estar feliz por isso! Iria seguir o seu caminho e se ver longe desses riquinhos metidos e todo o seu mundo, mas... mesmo assim, ela não conseguia! Uma parte de si já havia se acostumado a ver o sorriso de Hana, a timidez de Akane, o jeito sério de Ichiro, até aquele loiro irritante iria fazer falta, quer dizer, não ele exatamente, mas as brincadeiras e modo como sempre a incomodava. Balançou a cabeça, não era hora de ficar pensando nisso!
-*-
Hideo não sabia mais o que fazer! Daisuke estava insuportável naquele dia! Por mais que ele tentasse ter uma conversa séria e descobrir o que havia acontecido com Saori, o moreno parecia se enfurecer ainda mais e eles começavam a discutir. Odiava quando o amigo ficava de mau-humor! E aquilo já estava o aborrecendo, pois ele não conseguia tirar da cabeça a ideia sobre o porquê de tanto Saori quanto Daisuke estarem daquela forma. Agradeceu a Kami quando o horário do intervalo soou e ele poderia ficar um pouco longe do amigo para esfriar a cabeça e, assim não dar um soco na cara de Daisuke!
Começou a andar pelo pátio a procura de certa garota, suspirou, bagunçando os cabelos, ultimamente ele estava sempre atrás da mesma pessoa e não conseguia tirar ela da cabeça. E quando estava com ela se sentia tão nervoso e com medo, sem saber exatamente o que falar ou fazer, afinal ela não tinha um gênio muito bom, na verdade estava longe de ser como as outras garotas com quem saia ou era acostumado a lidar. Sorriu de canto ao pensar que era por isso que ela lhe chamava tanta atenção.
- Aniki! – Hana o chamou, dispersando seus pensamentos – Você viu a Saori por ai? – perguntou se aproximando com Akane ao seu lado.
- Agora não, por que?
- Bom, ela está meio estranha hoje! Nos evitou a manhã toda e parece mais distraída do que o normal. – Hana falou preocupada.
- E quando deu o intervalo ela simplesmente sumiu! Não conseguimos achá-la! – Akane também se manifestou.
“E mais essa! O que aconteceu com esses dois para eles estarem assim?” Hideo pensava.
- Não se preocupem! Ela deve estar em algum lugar do colégio, eu vou procurá-la! – respondeu, mesmo que essa já fosse a sua ideia anteriormente.
Hana e Akane também se voluntariaram para ajudar e cada uma foi para uma direção diferente dentro do colégio, e já que as garotas procurariam por lá, então Hideo decidiu ir em direção aos jardins ver se tinha alguma sorte. Olhou por todos os lados, mas nem sinal da morena e aquilo estava lhe deixando preocupado. “Onde ela se meteu?” Foi em direção dos portões para perguntar se alguém havia saído do colégio, quando viu Saori parada lá perto, de costas para si e conversando com um garoto moreno que ele nunca havia visto antes.
Franziu o cenho ao ver o cara tão perto de Saori e segurando seu rosto com uma das mãos. O que aquele imbecil estava pensando? E porque ela não o afastava como sempre fazia consigo ou qualquer outro garoto que não fosse Daisuke? De repente o fato de ter pensado no amigo e em como ele sempre estava perto de Saori o fez ter certeza de que devia ter algo mais do que apenas amizade entre os dois. Era por isso que eles deviam estar assim por terem brigado. Ficou incomodado com isso e cerrou os punhos com raiva, mas logo sua atenção foi voltada para Saori que parecia discutir com o outro. Tentou escutar alguma coisa, porém ele estava um pouco longe dos dois. E se perguntou se deveria interferir ou esperar para ver se descobria alguma coisa.
No entanto, ele não conseguiu ficar quieto ao ver o modo como aquele cara se aproximava de Saori, apertando seu braço e como ela parecia indefesa diante dele. Nem parecia a mesma Saori confiante e impulsiva de sempre.
- Interrompo alguma coisa? – falou seriamente chamando a atenção dos dois para si.
- Hideo? – Saori ficou surpresa ao ver o loiro bem ali. – O que...o que está fazendo aqui? – perguntou livrando seu braço do aperto de Hikari, porém o loiro estava mais concentrado em encarar Hikari furiosamente.
- Tsc, acho melhor eu ir boneca antes que o playboy ali resolva chamar os guarda-costas! – debochou Hikari, fazendo Hideo trincar os dentes ao ouvir o modo como ele se dirigiu a Saori, “quem esse baka pensa que é para chamá-la de boneca?”.
- Não devia nem ter vindo aqui! – retrucou Saori.
- Sei que adorou minha visita! Não esqueça, já estamos acertados! – avisou antes de sair daquele colégio de playboys.
- Eu sei baka! – resmungou Saori somente para si e depois se voltou para Hideo que a fitava de modo estranho – O que foi? Porque está me olhando desse jeito? – perguntou começando a se irritar com o comportamento do loiro.
- Quem era ele? – Hideo indagou raivoso, estava se controlando para não brigar com Saori. Ele não havia gostado daquele cara e nem do modo intimo como tratava Saori.
- Não te interessa! – respondeu Saori não gostando do tom que Hideo lhe falou. E se pôs a caminhar para longe do loiro que a seguiu.
- Se não me interessasse eu não perguntaria! Saori! Saori! – chamou a menina, segurando seu braço para que ela parasse de andar e o encarasse. – Kuso! Por que está assim? Quem é aquele cara? Por que não me responde? Não vê que todos estão preocupados com você? Não vê que EU estou preocupado com você? – indagou ofegante. Saori fitou o loiro sem saber o que dizer. Não esperava essa reação dele.
- Gomen, mas eu não quero envolver mais ninguém nos meus assuntos! – respondeu por fim, querendo que aquilo fosse o suficiente para ele deixá-la em paz.
- Mas Saori...
- Ele é alguém do meu passado – interrompeu a menina ao ver que ele não desistiria – e também do meu futuro – disse pesarosa antes de se afastar e deixar Hideo sozinho. Dessa vez ele não a seguiu, não sabia o que falar ou que pensar sobre as palavras proferidas pela menina.
-*-
Ao término das aulas, Saori não procurou Daisuke e tão pouco andou em direção a mansão. A partir daquele momento tinha que dar início ao seu plano, por causa disso tinha ficar o mais distante e afastada da casa dos Uchiha’s. Tinha que admitir que havia ficado surpresa ao ver Hikari querendo entrar no colégio mais cedo, ele devia estar louco por aparecer lá somente para falar sobre o que haviam combinado. E mais surpresa ficou ao ver Hideo, ela não sabia o que fazer e tão pouco entendia o motivo dele estar com raiva. Suspirou, caminhando em direção a uma praça que ficava um pouco distante do centro da cidade, onde sempre ficava antes de Sakura aparecer. Lá era calmo e ela sempre podia observar as crianças e os pais que passeavam por lá. Não sabia o motivo, mas aquele lugar lhe era especial, talvez pela atmosfera familiar e alegre que sempre o cercava.
Sentou em um banco vazio e tirou da mochila o caderno para desenhar e passar o tempo, também havia trazido uma muda de roupa e alguns sanduíches. Estava preparada, agora era só esperar, pensou decidida.
-*-
- Daisuke, onde está Saori? – perguntou Sakura ao se sentar a mesa para o almoço e ver somente o filho e o marido.
- Tsc, não a encontrei na hora da saída, então vim pra casa! – respondeu dando de ombros.
- Como assim? Você a deixou lá? – questionou a rosada, apreensiva, para o filho.
- Hai! Daqui a pouco ela deve chegar ai! – Daisuke falou desinteressado.
- Mas é muito longe! Daisuke, não deveria ter feito isso!
- Gomen oka-san, mas não irei ser babá de alguém que não quer ser cuidada. Além de que ela sabe se virar muito bem sozinha! – retrucou o mais novo emburrado.
- O que aconteceu, Daisuke? – perguntou Sasuke, desconfiando do comportamento do filho.
- Nada! – respondeu simplesmente.
- Você não é assim filho! Desde quando fala assim da Saori? – Sakura também questionou.
- Nós sempre discutimos, isso não é novidade!
- Tem razão, mas nunca o vi tão chateado como agora. Ela fez ou disse alguma coisa? – indagou Sasuke mesmo sabendo que provavelmente não teria uma resposta.
- Lie! Daqui a pouco ela deve estar aqui! Com licença! – foi a única coisa que Daisuke respondeu antes de se levantar da mesa e ir para o quarto. Ele não iria fazer fofoca dos seus problemas com Saori para os pais. Era melhor eles mesmos se resolverem do jeito deles.
O tempo começou a passar e Saori ainda não havia chegado e isso estava começando a preocupar Sakura. “Já é noite e nem sinal dela!” pensava angustiada. Sasuke procurava acalmá-la dizendo que era birra da garota, para não ligar, mas não tranquilizava a rosada. E Daisuke também estava começando a se incomodar com a demora da mais nova, mesmo que ele não quisesse demonstrar.
Mesmo a contragosto do marido, Sakura resolveu ligar para Hinata e Tenten, quem sabe Saori estava com as outras meninas. Porém ambas lhe disseram que nenhuma das duas estava com a morena. Aquilo só serviu para deixar a rosada ainda mais angustiada. Tinha medo que algo pudesse ter acontecido com a mais nova ou então que ela tivesse fugido! Não, não queria que isso acontecesse! Queria se acertar com a mais nova! Sasuke vendo o desespero da mulher, não aguentou mais ficar sentado. Pegou as chaves do carro e chamou Daisuke, quando encontrasse a fedelha iriam ter uma conversa muito séria e longa.
- Sasuke-kun! Onde vai?
- Vou procurar a fedelha! – respondeu o moreno enquanto o filho descia as escadas. – E Daisuke, você vai comigo!
- Eu vou também! – Sakura também se manifestou, pegando o casaco.
- Lie! É melhor ficar Sakura, ela pode chegar a qualquer momento!
- Não vou conseguir ficar aqui parada! E qualquer coisa Chiyo nos liga! – retrucou Sakura e Sasuke bufou vendo que não tinha como convencer a esposa.
- Certo! Então vamos logo!
-*-
Dez horas! Já estava na hora! Levantou-se do banco um pouco dolorida, havia acabado por cochilar um pouco ali! Balançou a cabeça não acreditando que havia se desacostumado a dormir em algo mais duro que a cama na casa dos Uchiha’s! Ela ia estar ferrada quando tudo isso acabasse! Pegou a mochila e foi em direção a um banheiro público ali perto para trocar de roupa, não podia ficar andando com o uniforme da “Gaiken School”! Colocou a sua antiga calça jeans rasgada, que agora era uma bermuda, sua camiseta branca, seu moletom velho por cima e seu boné vermelho virado para trás deixando seus cabelos presos no costumeiro rabo de cavalo e saiu ao encontro de Hikari que já lhe esperava ali perto junto com mais três rapazes que iriam ajudar.
- Eu gostava mais das suas roupas chiques, boneca! – brincou o moreno.
- Pouco me importa a sua opinião, imbecil! – retrucou Saori. Aquelas eram as suas roupas e não as que Sakura lhe dera, não iria ficar com nada daquilo! Não lhe parecia justo.
- Vamos logo que eu tenho mais o que fazer! Gastar a grana dos Uchiha’s, por exemplo! – Hikari falou gargalhando. Saori revirou os olhos e seguiu o mais velho.
Um tempo depois já se encontravam no lado leste da cidade, a parte mais rica da cidade e mesmo a segurança se fazendo mais presente naquela área, não foi difícil passar por ali, afinal os seguranças já estavam habituados a ver Saori por ali, então não era estranho ver a menina chegando com alguns amigos, como era o que estava parecendo.
- Oe, eu vou dispensar os empregados e vocês fiquem aqui! – disse Saori ao se ver de frente aos portões da casa.
- Matte! Porque não vamos todos juntos? – estranhou Hikari que segurou o braço da menina.
- Podiam estranhar! E não quero envolver ninguém nisso! – respondeu e Hikari a deixou fazer do jeito dela, afinal quando tudo terminasse seria do seu jeito e Saori ainda iria continuar na sua mão, como sempre.
Saori franziu o cenho ao ver como foi fácil convencer Hikari, porém deixou passar e entrou na mansão. Conversou com Chiyo e ficou aliviada ao ver que não havia mais ninguém na casa e após insistir com a velha senhora para ir embora, que ela ficaria bem e explicar que nada de ruim havia lhe acontecido naquele pequeno período de tempo que esteve fora, Saori conseguiu fazer com que Chiyo fosse para casa. Ao ter certeza de que estava sozinha, deu uma última olhada naquela casa e foi abrir os portões para Hikari e os outros entrarem.
- Demorou demais, boneca! – Hikari disse de forma séria, procurando algum vestígio de que a menina estava para aprontar algo.
- Oe, não reclame! Você não sabe o quanto foi difícil convencer que me deixassem sozinha aqui! Agora vamos logo com isso! – disse colocando um vaso caro dentro da mochila. Hikari sorriu malicioso ao ver que a menina parecia realmente decidida e logo todos estavam fazendo a limpa na mansão.
Alguns minutos se passaram até Saori ouvir um barulho do lado de fora da casa que chamou sua atenção.
- Ouviram isso? – perguntou para ninguém em especial.
- Eu não ouvi nada! – falou um dos ajudantes de Hikari, Jiro.
- Nem eu! – respondeu o outro, Kento, guardando algumas joias de Sakura nos bolsos.
- É melhor eu dar uma olhada! – disse Saori largando suas coisas em um canto, mas foi parada por Hikari.
- O que está fazendo Saori?
- Só quero ter certeza de que não é nenhum policial fazendo ronda por aqui! – rebateu Saori encarando o mais velho. Hikari estava achando aquilo muito estranho e mesmo com a certeza de conhecer a garota e saber manipulá-la, não confiava plenamente nela.
- Deixa que o Akio verifica isso! – respondeu Hikari apontando para um dos companheiros.
- LIE! – contestou Saori que percebeu o que havia feito. Cerrou as mãos com raiva e respirou fundo antes de falar com calma – Baka, se forem policiais eles vão estranhar ver alguém desconhecido ainda mais a casa estando fechada e escura desse jeito. – argumentou Saori.
Hikari pareceu pensar uma eternidade antes de decidir deixar Saori sair de perto de si. Ele não tinha com o que se preocupar, pois a menina também estava envolvida naquele roubo, talvez, até mais do que ele, podia até ser considerada a mandante de tudo. Sorriu presunçoso ao ver que ela não podia aprontar nada ou então também se condenaria, além de que ele ainda tinha o cordão que era tão precioso para ela. Nada podia estragar seus planos, então continuou a vasculhar a mansão em busca de objetos valiosos ou alguma joia.
Hikari ficou maravilhado ao entrar no quarto do casal e encontrar um cofre escondido atrás de um quadro. Aquilo era perfeito! Mal podia acreditar no que estava na sua frente, dólares, joias, relógios de ouro, tudo ao seu alcance! Tudo seria seu! Ele estava certo ao pensar que Saori, ou melhor, os Uchiha’s, seriam o seu pote de ouro! Colocou as mãos na grana pensando que nunca mais teria que viver de miséria! Nunca mais teria que se contentar com roubos pequenos! A partir dali ele iria subir de nível! Gargalhou ao pensar na cara de Saori ao contar que ele não entregaria seu cordão e que também não receberia nada, mas podia pensar em dar algum agrado a menina se ela prometesse ficar do seu lado e fazer tudo o que ele mandasse. Começou a devanear com as possibilidades e ficou tão absorto com o que estava na sua frente, em suas mãos que não reparou que Saori demorava muito para voltar.
- HIKARI SUJOU! – gritou Jiro entrando bruscamente no quarto e chamando a atenção de Hikari.
- KUSO! O que foi agora? – questionou o líder.
- Você não tá ouvindo cara? As sirenes! – falou Jiro aflito.
- Nani? Onde está Saori? Peça para explicar as coisas!
- A Saori não voltou desde que saiu naquela hora! E... – Jiro parou de falar ao escutar a porta ser escancarada e um tira gritar:
- PARADOS! VOCÊS ESTÃO CERCADOS! – Jiro somente levantou as mãos para o alto, nervoso, enquanto que Hikari processava o que havia acontecido.
- Maldita! – balbuciou antes de repetir o movimento do outro.
-*-
Ele não sabia dizer qual deles estava mais surpreso ao receber um telefonema dizendo que sua casa estava sendo assaltada. E não foi preciso dizer mais nada para que seu pai fosse direto para lá verificar o que havia acontecido. Sua mãe estava assustada e com medo que isso pudesse ter alguma relação com Saori e que ela estivesse em perigo e ele...bom, ele não conseguia fazer com que suas mãos parassem de tremer. Respirou profundamente para se acalmar, ele tinha que ser forte para ajudar o pai e mãe.
Em pouco tempo eles haviam chegado a casa e Sasuke foi o primeiro a sair do carro e ir em direção a um policial que parecia ser o responsável. Ele não sabia exatamente o que estava sentindo, mas era algo muito parecido com um incômodo, seu corpo estava tenso e ele tentava fazer sua mente não lhe impulsionar ao que aconteceu há dez anos. Tinha medo e seu coração se apertava com a possibilidade da garota estar machucada ou até pior...Balançou a cabeça para afastar tais pensamentos, pois mesmo sendo teimosa e irritante, ela era esperta e, talvez, nem estivesse ainda em casa.
- Eu sou o dono da casa. O que aconteceu aqui? – questionou para o policial com a respiração pesada.
-Senhor Uchiha não se preocupe! Nós já detivemos os meliantes! – respondeu o guarda orgulhoso do seu trabalho.
- Não foi isso que eu perguntei! Quero saber o que houve aqui? Como conseguiram entrar? – vociferou Sasuke perdendo a paciência. Sakura se aproximou junto do filho para acalmar o marido e saber dos fatos.
- Er...gomenasai senhor Uchiha! – disse o policial nervoso – Recebemos uma ligação anônima dizendo que sua casa estava sendo assaltada e viemos o mais rápido possível. Capturamos os assaltantes, mas não sabemos como eles entraram!
- Capitão! – chamou outro tira – Esse é último! – disse trazendo Hikari já algemado e com um papel nas mãos – E também encontramos isso dentro de um vaso, está endereçado aos Uchiha’s e ao Hikari! – falou entregando a carta.
- Quem? – perguntou Daisuke.
- É este ladrãozinho aqui! – falou o policial puxando Hikari para mais perto que estranhou o fato de ter uma carta para ele.
Sasuke pegou o papel, confuso e começou a ler o seu conteúdo em voz alta.
Hikari, sinto dizer, mas se você está lendo isso quer dizer que o meu plano funcionou e você está indo para trás das grades! E você não sabe o quanto eu fico triste por não ver essa cena! Espero que pague por todos os seus crimes e que nunca mais precise ver sua cara! Quanto aos Uchiha’s que também devem está lendo isso... peço desculpas pelos transtornos que causei desde que cheguei! Daisuke, me perdoe pelo o que lhe disse, foi necessário, mas saiba que para mim você sempre será um amigo! Sasuke-san me desculpe por sempre lhe irritar, dar trabalho para o senhor e ainda fazê-lo passar por isso! E Sakura me desculpe pelas coisas horríveis que lhe disse, eu me arrependo muito, e sinto muito não ser quem você queria, mas acho que isso não faz muita diferença agora, não é? Provavelmente, vocês todos devem estar decepcionados ou me odiando! Tudo bem, eu mereço! Espero que todos vocês fiquem bem e me desculpem por não ficar, mas não posso voltar para o orfanato!
Saori.
Ao terminar de ler Sasuke não sabia o dizer. Ela havia planejado tudo isso? Olhou para Sakura que estava chorando copiosamente e como em um estalar de dedos ele entendeu o motivo de todo o comportamento estranho da menina, todas as brigas e esse assalto.
- Sasuke! – chamou Sakura querendo esclarecer as coisas para o marido.
- Eu sei! – disse antes de sair correndo em direção ao carro e gritar para o filho – Daisuke cuide da sua mãe e das coisas ai! – este apenas meneou a cabeça concordando com as ordens do pai.
Sasuke sabia que se fosse rápido ainda poderia alcançar Saori, já que ela estava na casa há pouco tempo e provavelmente devia ter sido ela a ligar para a polícia. E como a menina não tinha celular, devia ter usado algum telefone público pelos arredores, era nessa direção que o moreno dirigia com a esperança de encontrá-la.
Hikari ficou alheio a tudo ao seu redor após ouvir o que estava escrito na carta, ainda não acreditava que havia sido tapeado por ela. Como ela pôde?
- Desgraçada! Quando eu por as minhas mãos em você! – vociferou com ódio da mais nova, amaldiçoando-a.
- Oe, você! – Daisuke chamou Hikari interrompendo seus pensamentos de vingança e se virou para encarar o Uchiha menor. Em um movimento rápido sentiu sua camisa ser puxada com força e só pode visualizar dois olhos verdes furiosos a lhe fitar – Eu não sei quem é você ou o que você fez pra Saori, mas se ousar tocar um só dedo nela ou ameaçá-la de alguma forma, eu juro que você vai desejar morrer dentro da cadeia! – ameaçou Daisuke antes de soltá-lo violentamente e se voltar para mãe que lhe observava surpresa pela sua explosão.
-*-
Se pôs a caminhar sob a luz do luar, tudo já devia ter se resolvido a essa hora e ela podia respirar aliviada. Ela havia feito tudo o que podia para deter Hikari e por um fim em todo aquele tormento. Seus pés começavam a ficar cansados, ela já estava cansada não só fisicamente, mas também psicologicamente. Ela já não aguentava mais viver daquele modo, andar por ai sem rumo e sempre tendo que se esconder, porém não havia mais nada que pudesse fazer. Não tinha como ela voltar e pedir desculpas pessoalmente, pois havia feito e dito coisas que não mereciam perdão, então só restava a ela continuar a caminhar.
Ela já havia passado por muita coisa, sofrido com maus tratos, sentido fome e frio, passado por diversos lugares, visto muita coisa ruim no mundo e também fez muita coisa que não se orgulhava. Entretanto, nem tudo na sua vida foi um pesadelo, havia tido a chance de conhecer algumas pessoas que a fizeram ver o outro lado da vida outrora desconhecido por ela, algo que era quase como um sonho e agora estava abandonando. Deixava o único lugar que a fez se sentir segura e feliz. Sentiu quando as primeiras lágrimas quentes rolavam pelo seu rosto, mas não fez nada para impedir. Era o seu modo de extravar aquela dor em seu peito.
Quando Sakura lhe contou do motivo de ter a ajudado, realmente, ficou magoada com a rosada, por isso havia saído de lá para pensar melhor, só não contava encontrar Hikari e ele a deixar confusa a ponto de concordar com o plano de assaltar os Uchiha’s. Porém, logo se arrependeu disso ao ver o quanto Sakura e até Sasuke ficaram preocupados consigo. Então, ela bolou um plano arriscado para se livrar de uma vez por todas de Hikari e salvar os Uchiha’s. É claro que isso traria consequências para si também, mas como imaginava que Sakura não iria mais a querer devido saber que não era sua filha, continuou com o plano, tratando mal a todos.
Ela se sentia péssima por ser grosseira com Sakura e ver como ela ficava toda vez que a respondia, ainda mais por ver que ela nunca revidava e sempre tentava conversar e esclarecer as coisas. Por causa disso, não fizera nada quando Sasuke quis lhe bater, ele também estava sendo muito paciente consigo, pelo menos ela achava que estava por todas as coisas que dissera, querendo entender o motivo do seu comportamento. Aquilo estava sendo tão difícil para ela que quando Daisuke a confrontou ela pensou em desistir, em contar tudo para ele, mas só de imaginar o que Hikari poderia fazer, em como Akane e Hana também já correram perigo quando eles se encontraram, ela decidiu mentir e ferir os sentimentos do rapaz. Podia estar sendo egoísta ao fazer as coisas do seu jeito, mas ela sempre agiu sozinha e agora que ela tinha alguém para proteger, pessoas que a faziam bem, não permitiria que ninguém os machucasse, mesmo que no final eles a odiassem.
Soluçou baixo, estava cansada das coisas sempre serem assim, quando tudo começava a melhorar para o seu lado, acontecia alguma coisa que a fazia perder tudo. Só de lembrar tudo que já fez para seguir em frente, o quanto teve que lutar para sair do orfanato, para sobreviver nas ruas e que agora teria que voltar para esse mundo cheio de incerteza e medo a fazia fraquejar. E nem mais um motivo para continuar ela tinha, pois sua única lembrança, seu cordão, nunca mais retornaria para suas mãos já que Hikari estava preso. O que ela faria agora senão caminhar sem rumo?
- Onde pensa que vai? – uma voz assustou a garota que parou de andar. Se virou para confirmar quem era a pessoa que falara com ela.
- S-Sasuke-san? – murmurou em choque e sem saber o que fazer ou dizer. Sasuke se aproximou e ofereceu a mão para garota falando brandamente:
- Você vai voltar comigo! – Saori olhava da mão estendida para o moreno sem entender o motivo de ele lhe dizer isso, será que ele iria lhe levar para o orfanato? Deu um passo para trás com medo da ideia.
- Eu...eu...gomen...eu não queria... – balbuciava as palavras, querendo organizar o pensamento, mas antes de conseguir tal feito, sentiu braços fortes e quentes lhe apertarem com força em um abraço protetor.
- Eu sei! – Sasuke disse gentilmente – Está tudo bem agora! Você não precisa ir embora se não quiser. – Saori apertou a camisa do moreno e sussurrou um “mas o que eu fiz...” – Não importa o que você fez ou quem você é. Todos nós queremos que você fique! – declarou Sasuke de forma sincera e Saori o abraçou com mais força sem conter o choro.
- H-hai! Arigatou! – disse com a voz ainda chorosa e Sasuke a afastou de si para sorrir de canto antes de limpar as lágrimas da menina.
- Oe, agora pare de chorar ou vou pensar que você amoleceu, fedelha! – brincou e Saori apenas riu, afinal era difícil ver Uchiha Sasuke dessa forma consigo.
O trajeto de volta para a mansão Uchiha foi em silêncio, mas aquilo estava sendo até agradável para os dois que ainda não sabiam lidar perfeitamente um com o outro. Ao ler a carta, Sasuke havia compreendido tudo o que ocorrera, ou pelo menos a grande parte, no dia que Saori entrou no quarto da sua filha, Sakura devia ter lhe contado tudo e a menina deve ter entendido que ela só estava ali por se parecer com a sua Saori. Por causa disso, ela fugiu e bolou esse plano maluco para deixá-lo doido e conseguir impedir que assaltassem a casa. De alguma forma, ela já sabia o que ia acontecer e tratou de afastar a todos de si para que pensassem que fugira, assim todos iriam procurá-la e casa ficaria vazia. Mas, então...
- Por que não contou a verdade desde o princípio? – perguntou, fazendo Saori se assustar ao ouvir a voz do mais velho.
- Bom, eu havia acabado de brigar com a Sakura-san e com o senhor. Não queria causar mais problemas e como eu já ia embora isso seria mais fácil!
- Claro! Porque inventar um desaparecimento e um assalto falso para prender um bandido e depois fugir de casa não causa nenhum problema! – ironizou o mais velho, revirando os olhos e Saori não pode deixar de rir sem graça.
- O senhor não ficou com raiva pelo o que fiz? – foi a vez de Saori romper o silêncio. Sasuke a observou pelo canto do olho enquanto andavam, refletindo sobre o que responderia.
- Fiquei com raiva pelas suas grosserias, quando desapareceu sem dar noticias – disse e Saori se encolheu com vergonha, sem poder fazer nada, mas ficou surpresa ao ouvir as próximas palavras do moreno – mas fiquei preocupado e com medo que algo pudesse ter acontecido com você quando vi aqueles policiais e quando soube que você havia fugido.
- Nani? Por que? – perguntou Saori sem entender o motivo de Sasuke lhe falar isso. O mais velho ficou encarando a menina por um tempo antes de se pronunciar:
- Porque...
- SAORI! — contudo antes que pudesse continuar, foi interrompido pela voz de Sakura que corria junto com Daisuke em direção da mais nova. A rosada chorava alegre por ver que a menina estava bem e a abraçou forte sem se importar ou se lembrar das desavenças entre as duas. – Graças a Kami você está bem! – falou apertando a menina contra si.
Saori não esperava que Sakura fosse lhe tratar assim depois de todas as coisas que disse e fez para a rosada. Mas um sentimento de alivio a invadiu ao ver que a rosada não guardava rancor de si, ao mesmo tempo em que a culpa se espalhava dentro de si por ter feito aquela mulher sofrer. Correspondeu ao abraço da mais velha, chorando e pedindo desculpas sem parar. Enquanto Sakura apenas sorriu para si, afagando suas madeixas negras, confortando-a.
Quando ficou mais calma, Saori desfez o abraço e foi em direção de Daisuke, ainda tinha que se desculpar com ele, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa o rapaz a abraçou com força enquanto dizia:
- Da próxima vez que inventar de fazer uma coisa dessas, eu não vou te perdoar, tá me ouvindo?
- H-hai – respondeu Saori feliz por ver que ele também não estava com raiva de si. Daisuke ao perceber que estava sendo muito afetivo com a mais nova a afastou rapidamente de si com o rosto um pouco corado, fazendo a mãe e Saori rirem – Oe, Daisuke você fica muito fofo vermelhinho, sabia? – disse a menina apertando as bochechas do rapaz que corou ainda mais.
- Baka!
Sasuke apenas observava a cena toda um pouco longe. Novamente, ele não sabia explicar a sensação que percorria seu corpo aos ver aquelas três pessoas ali, perto de si, se divertindo, rindo, mas era quase como há dez anos, parecia que tudo estava em seu devido lugar, seu coração estava aquecido e ele se sentia em paz. Sorriu de canto ao ver como aquela menina pequena, teimosa, ousada, petulante, esquentada, havia entrado na sua vida e conquistado seu espaço.
- Porque de certa forma você já faz parte da minha família! – respondeu a pergunta anterior de Saori, mesmo ela não tendo escutado e se dirigiu até a mulher. Ele só esperava que as coisas se acalmassem agora.
Notas finais
Bom, mereço reviews?recomendações?críticas? dúvidas?
CENAS DO PRÓXIMO CAPITULO:
Agora que as coisas ficaram mais calmas, Saori finalmente pode aproveitar e relaxar uma pouco, isso se o colégio deixar!
- Como assim prova? Nós não podemos fazer prova agora, eu não estudei nada desde que entrei no colégio! Tô ferrada!
- Eu posso te ajudar!
Ahh resolvi que a partir de agora iria dar uma prévia do ue iria acontecer no próximo capitulo. Gostaram? Me digam se querem que eu faça isso ou se tudo continua como surpresa!^^
beijos e até a próxima!
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