Sonhos De Uma Outra Vida
40 Capítulo 40
Notas iniciais
Entretanto, as coisas ficarão melhor a partir de agora, pois FINALMENTE eu acabei o meu monstrinho!!o/
E bom, resolvi postar um capitulo para comemorar!^^ ele não está completo, mas por causa do tamanho resolvi postar logo um parte para não demorar tanto!
Então, boa leitura!
P.S: Ah...logo responderei aos reviews, ok?
E muito obrigada as meninas que me mandaram MP perguntando se eu não iria mais postar! Fico feliz em saber que vocês gostam tanto da fic e pelo carinho por essa autora baka!^^
Socou o travesseiro pela quinta vez! Estava esgotada e não conseguia dormir, sentia a cabeça pesar e várias coisas passarem ao mesmo tempo diante de seus olhos. Dúvidas, perguntas, borrões, tudo se misturava fazendo seu cérebro latejar de dor cada vez mais e aquilo estava a impedindo de dormir. Sentiu seus olhos encherem de lágrimas, mas impediu que elas caíssem. Não havia porquê dar uma de fraca no momento! Tinha que se controlar e tentar dormir um pouco! Passou as mãos com agressividade pelo rosto para limpar os olhos e viu que o relógio, em cima do criado mudo que ficava ao lado da cama, indicava que eram 03:45h da madrugada. Suspirou cansada, já fazia quase quatro horas que ela havia chegado do jantar na casa dos Uzumaki’s e ainda não conseguira pregar o olho! Fechou os olhos com força para tentar coagir o sono a chegar, tinha que dormir um pouco!
Sakura também não estava tendo a melhor noite de sono de todas, pensava na conversa que tivera com Hinata e em um modo de conversar com Sasuke. Olhou para o lado e viu o marido dormindo serenamente com o braço em torno da cintura dela e mesmo se sentindo protegida pelo moreno não podia evitar o medo que se apossava de si com o pensamento de que talvez Saori fosse embora. Balançou a cabeça, não iria deixar isso acontecer! A garota lembrava-lhe muito sua filha e algumas atitudes eram até idênticas! Claro, que poderia ser apenas uma coincidência mas... Suspirou cansada sem saber o que pensar direito. Desde que perdera a filha naquele incêndio a única coisa que a fazia seguir em frente e pensar que as coisas pudessem melhorar, era o fato de que acreditava que por um milagre, talvez, o corpo da sua menina não tivesse sido achado porque ela não havia morrido naquela ocasião! Por causa disso, conseguiu sair daquele estado de depressão, voltar a trabalhar, voltar para sua família, mesmo incompleta, e ir atrás de alguma pista, algum sinal de que estava certa!
Por anos tentou conversar com Sasuke sobre isso, porém esse assunto o abalava de tal forma e as brigas eram tão constantes, afinal o moreno não acreditava que isso pudesse acontecer, que Sakura resolveu guardar aquele sentimento, aquela esperança somente para si. Até que um dia conheceu uma criança, uma menina de dez anos de idade, a mesma idade que sua filha deveria ter na época, e como ela se parecia com a sua Saori! O mesmo jeito doce, o mesmo cabelo, Sakura ficou encantada com a criança! Era por isso que ela buscava incansavelmente! Então, se aproximou da garota e persuadiu Sasuke a fazer o mesmo, mesmo a contragosto, até que fizeram o teste de DNA. Ainda lembrava-se dos olhos da menina ao ter que dizer que ela não era sua filha e como ficou abalada por dias por ter se enganado daquela forma. Depois disso, ainda tentou manter contato com a garota, mas não era mais a mesma a coisa, o sentimento de aconchego e paz que sentira ao vê-la pela primeira vez havia sumido e só restara compaixão e carinho pela garota. Depois de alguns meses soube que fora adotada por um casal que morava no exterior e ficou feliz por saber que a menor conseguiu encontrar alguém que cuidasse dela.
Era por causa disso que não queria se apressar como fez da primeira vez, não queria cometer outro erro e ter seu coração partido ou de Saori, mas não teria mais tempo! Tinha que contá-la a verdade! Tinha que conversar com Sasuke! Tinha que...
- Sakura, onegai, tente dormir um pouco! Sei que o dia não será fácil, mas precisa tentar descansar um pouco! – falou Sasuke interrompendo seus pensamentos e a puxando para mais perto de si. Sakura ficou confusa com as palavras do marido, “do que ele está falando?” pensou.
- Nani? – perguntou ao se afastar do moreno, mas logo compreendeu do que se tratava ao ver a data que o relógio indicava no criado mudo. Sentiu sua visão ficar turva pelas lágrimas que teimavam em sair. Não conseguia acreditar que havia se esquecido daquele dia, que tipo de mãe ela era? Havia se esquecido de sua filha, do dia em que haviam a levado de si.
- Shh! Sakura! – murmurou docemente Sasuke, tentando acalmar a esposa ao mesmo tempo em que lutava para não chorar na frente dela.
Era sempre a mesma coisa todos os anos quando chegava aquele dia, Sakura passava o dia triste e perdida em um mundo próprio, sofrendo pela morte da filha, por isso pensou que era por isso que a rosada estava pensativa todo aquele tempo, mas parecia que era outra coisa que preocupava a esposa antes dele iniciar a conversar e lembrar a data. Suspirou baixinho, irritado consigo por fazer a mulher chorar daquele jeito. Sakura começou a soluçar e seu choro já não era tão baixo, então Sasuke a trouxe para si, a embalando em seus braços e murmurando palavras doces em seu ouvido, até Sakura adormecer em seus braços.
-*-
Acordou sentindo o corpo pesado e a cabeça doía um pouco, reclamando da noite mal dormida. Esfregou as mãos no rosto e foi praticamente se arrastando para o banheiro, mas decidida a conversar com Sakura e ter todas as suas perguntas respondidas. Afinal, tudo poderia ser apenas um engano, um grande mal entendido. Era nisso que ela acreditava, então não iria se preocupar com isso. Amarrou o cabelo no seu típico rabo-de-cavalo e saiu do quarto indo em direção à cozinha.
Estranhou o silêncio que rondava a casa, ainda mais ao ver que a família Uchiha já estava sentada na mesa para o desjejum. Olhou para o relógio para ver se havia acordado mais tarde que o normal, porém eram os Uchiha’s quem haviam acordado mais cedo. Desejou bom dia a todos mas ninguém a respondeu, todos pareciam distraídos e perdidos em seus próprios pensamentos. Sentou-se ao lado de Sakura que lhe sorriu tristemente e voltou a ficar pensativa. O clima estava estranho, uma onda de melancolia emanava de todos os integrantes da família e aquilo estava incomodando Saori por não saber o porquê disso. Inicialmente tentou ignorar, mas não conseguiu.
- Aconteceu alguma coisa? Algum problema? – perguntou séria encarando a todos. Sakura foi a primeira a se recompor e responder:
- Lie! Por que está dizendo isso? – e sorriu tristemente. Saori franziu o cenho com a resposta e retrucou:
- Porque vocês estão com essa cara de enterro! Até parece que alguém morreu! – debochou sem saber direito o que dizer.
- CALA ESSA BOCA BAKA! – vociferou Daisuke batendo com as mãos na mesa e assustando tanto Saori quanto os pais pelo comportamento do filho. Ele não estava com paciência e a última coisa que ele queria era ouvir as gracinhas da mais nova naquele dia.
- Oe, você não manda em mim! Qual o seu problema? – Saori se defendeu.
- O MEU PROBLEMA É VOCÊ QUE VOCÊ NÃO SABE FICAR QUIETA! KUSO, PARE DE SE INTROMETER EM ASSUNTOS QUE NÃO LHE DIZEM RESPEITO! – Daisuke bradou mais uma vez e Saori não pode deixar de se encolher com o tom de voz usado pelo moreno ainda mais ao ver os orbes esmeraldinos do rapaz em profunda agonia.
- DAISUKE! – Sakura tentou repreender o filho, porém este não lhe deu ouvidos, saindo furioso da cozinha. Observou Saori que mantinha a cabeça baixa e depois o local por onde o filho passara. Suspirou e se voltou para a garota – Não ligue para ele! Ele está um pouco estressado hoje! – falou docemente para em seguida se levantar e ir atrás do filho.
Levantou a cabeça ao ouvir Sakura se distanciar e viu que apenas ela e Sasuke haviam permanecido no cômodo. O moreno lhe encarava severamente e Saori se preparou para outra grosseira. Ainda tentou dizer alguma coisa para se defender, mas foi interrompida por Sasuke:
- Daisuke não devia ter gritado com você! – disse para a surpresa de Saori não esperava ouvir aquelas palavras – Mas você deveria aprender o que pode ou não ser dito ao invés de falar as coisas sem pensar! — finalizou se levantando cansado indo em direção do quarto, parecia que havia envelhecido vários anos em apenas algumas horas. Estava abatido demais para brigar com aquela fedelha.
- O problema é que ninguém me diz o que pode ser dito! – murmurou para si ao se ver sozinha.
-*-
“Droga!” Limpou as lágrimas que insistiam em cair pelo rosto de forma violenta. Odiava chorar, se mostrar tão fraco na frente de seus pais que deviam estar tão tristes ou até mais do que ele. Não queria ser um fardo, dar qualquer tipo de trabalho, mas por mais que tentasse, ele não conseguia evitar que aquelas lágrimas molhassem seu rosto. Socou a cama com raiva de si. Raiva por estar agindo daquela forma, raiva por ter descontado em Saori algo que não tem nada a ver com ela, mas ele não pode evitar ao ouvir ela aquelas frases:
“Porque vocês estão com essa cara de enterro! Até parece que alguém morreu!”
Se ela soubesse o quanto estava certa, com certeza não diria aquilo. Mesmo assim isso havia o machucado, ninguém precisava lhe lembrar de que no dia de hoje fazia onze anos que sua imouto havia morrido. Droga, era sempre a mesma coisa! Quando esse dia chegava nem ele ou seus pais conseguiam agir normalmente, havia sempre uma espécie de nuvem negra que os rondavam, era como se tivessem uma ferida que sempre era aberta e impedia qualquer chance de cura definitiva. Suspirou tristemente pensando se essa dor seria para sempre quando ouviu a porta do seu quarto ser aberta e sua mãe passar por ela com os olhos marejados. Droga, não queria ver a mãe chorando também! Franziu o cenho para impedir o choro.
- Daisuke, meu amor, está tudo bem! – Sakura disse afagando os cabelos negros do filho que ainda se recusava a lhe olhar. “Bem que ele podia ser menos parecido com o pai!” pensou. – Você não precisa guardar tudo para si, eu estou aqui! – e puxou delicadamente o rosto do mais novo para si.
- Gomen – foi tudo que conseguiu dizer antes de abraçar a mãe fortemente. Sakura somente retribuiu o carinho, sentindo sua blusa ser molhada ao mesmo tempo em que ela também derramava lágrimas.
Não soube dizer quanto tempo ficou assim com sua mãe, e nem queria saber, naquele momento era bom ter alguém ao seu lado o ninando como há muito tempo não permitia. Quando ficou mais calmo, se afastou da rosada que lhe deu um sorriso triste e disse:
- Está melhor? – Daisuke apenas afirmou com a cabeça – Que bom, venha, vamos sair um pouco!
- Mas oka-san ...
- Nada de mais! Se arrume, temos que fazer uma visita! – sorriu para o filho que entendeu o que a mãe queria e suspirou, era sempre assim!
- Hai! Já vou! — Ele não gostava muito de ir ao cemitério, porém ele sempre a acompanhava naquele dia, pois sabia que o pai nunca o faria.
Todo ano a mesma cena se repetia para Daisuke: Sakura e ele iam ao cemitério, deixavam flores no túmulo de sua imouto, sua mãe chorava e depois iam a uma lanchonete comer e contar histórias sobre a mais nova. Era algo bastante nostálgico, porém seu pai tinha uma forma diferente de passar o dia, por isso respeitavam o seu jeito não pedindo que os acompanhassem. Arrumou-se rápido enquanto pensava que o fato de ter chorado na frente da mãe era inédito, assim como também ter brigado com alguém. Bagunçou os cabelos, nervoso, pensando em como seria difícil pedir desculpas a Saori, mas depois se preocuparia mais com isso.
-*-
Viu quando a mulher e o filho partiram de casa e começou a vagar sem rumo pela casa, tentando espairecer. Não funcionou. Sempre tentava fugir daquele sentimento, mas era impossível. Subiu as escadas e viu pela fresta da porta que a fedelha estava deitada, no seu respectivo quarto, absorta em pensamentos. Teve o ímpeto de ir até ela e dizer algo, mas não sabia o que dizer. Não havia nada a ser dito. Olhou para o corredor em que estava e seguiu em direção ao último quarto do lado esquerdo. Precisava de um tempo a sós para organizar as ideias.
-*-
Não conseguia mais ficar naquele quarto! Havia tentado se distanciar de todos para ver se pensava com mais clareza, mas só conseguia ficar com mais dúvidas e preocupada com o que estava acontecendo ao seu redor. Alguma coisa a instigava a sair dali e tentar falar com Sakura e saber o que estava errado ou se de repente poderia ajudar de alguma forma, afinal aquela família estava cuidando de si. Levantou-se da cama e saiu à procura de alguém, mas antes que pudesse dar dois passos para fora do quarto viu algo que lhe chamou a atenção: o quarto, aquele que lhe fora proibido de entrar desde que chegara a mansão, estava entreaberto. Franziu o cenho, pois era a primeira vez que via isso, sempre quando tentara ver o que havia ali, e ela reconhecia que havia tentado algumas vezes, a porta estava trancada. Então, por quê?
Fez menção de ir à direção contrária para não arrumar mais problemas, no entanto seu corpo pareceu ter ganhado vida própria a levando para perto do cômodo. Amaldiçoou-se internamente por ser tão curiosa, mas agora iria até o fim para saber o que havia ali. Sem fazer o menor ruído observou pela pequena abertura da porta um quarto claro com uma cama no centro, na qual Sasuke estava sentado de costas para ela e parecia segurar alguma coisa. Tentou ver mais detalhes, mas a fresta impedia um maior ângulo de visão. Ficou em silêncio contemplando qualquer gesto do moreno que pudesse lhe dar uma pista do motivo dele estar naquele quarto ou sobre o que estava fazendo.
Entretanto, Sasuke não parecia fazer nada estranho, somente ficava com o rosto abaixado enquanto os ombros largos subiam e desciam constantemente, apenas ao ouvir uma espécie de chiado foi que Saori notou o que ele estava fazendo e aquela constatação fez a garota arregalar os olhos surpresa, pois Sasuke estava chorando. Não era um pranto alto ou desesperador, mas algo constante, baixo e doloroso para quem assistia. Parecia que o moreno não queria que ninguém soubesse como se sentia ou estava sofrendo muito para conseguir demonstrar. Saiu de seus pensamentos ao ouvir a voz de Sasuke murmurar com angústia e pesar:
— Gomen! Eu não fui capaz de cumprir a minha promessa! – Saori arqueou uma sobrancelha confusa com as palavras proferidas, “Do que ele está falando? Para quem ele está se desculpando?” pensava.
Sasuke estava tão compenetrado em suas lembranças que não havia notado que havia deixado a porta aberta e muito menos que Saori ouvia tudo o que ele dizia. Aquele quarto era muito especial para si, pois ali estavam as únicas coisas que haviam conseguido salvar do incêndio, ali estavam as coisas que pertenceram a sua filha e que sempre traziam memórias de um tempo distante e feliz, mas também doloroso. Mesmo assim ele não foi capaz de jogar nada fora, sentia que estaria deixando sua hime, a esquecendo, por isso ele somente entrava ali quando a saudade era quase insuportável. Era algo contraditório e confuso de entender, sentia falta de sua filha, desejando ver qualquer coisa que pudesse lembrá-la, ao mesmo tempo em que ficava aflito por estar ali e ver que ela não estava mais consigo, estar ali significava júbilo e dor, mas ele não se importava com isso.
Naquele momento ele só conseguia focalizar o rosto da sua hime lhe sorrindo naquela foto antiga e quase apagada por causa do tempo e dos estragos feitos pelo fogo. Mesmo assim ele conseguia visualizar perfeitamente e até ouvir o riso da sua filha. Sorriu tristemente enquanto lágrimas quentes e silenciosas escorriam por seu rosto, era praticamente impossível não se lembrar das palavras da mais nova naquele dia.
Flashback on
– Sério? Mas, hime, você tem que ficar! — falou de forma doce a filha.
– Por que otou-san? Eu quero ir! Quero ficar com vocês! Não quero me separar de vocês! – falou com os olhos marejados, sentindo algo estranho, apertando seu coração como se fosse a ultima vez que iria ver os pais.
Sasuke se surpreendeu com a fala de Saori, olhou para Sakura que parecia estar tão surpresa quanto ele e também um pouco angustiada. Voltou seu olhar para a filha, enquanto a acariciava o rostinho da mesma tentando fazer com que se tranqüilizasse e falou de forma calma:
– Hime, nós não vamos nos separar, eu e a mamãe vamos sair apenas por algumas horas mas logo estaremos de volta, não fique assim, sabe que não gosto de lhe ver triste.
– Promete? Otou-san, promete que não vamos nos separar? Que não vou ficar sozinha? – perguntou Saori enquanto esfregava a mãozinha no rosto para limpar as lagrimas.
– É claro que prometo! Sempre estarei ao seu lado, assim como sua mãe e seu irmão. Além disso, alguém tem que ficar pra vigiar seu irmão – falou a ultima parte sussurrando, como se contasse um segredo, arrancando risos da pequena.
Flashback off
Como se arrependia de não ter levado sua filha para o jantar, ou então ter permanecido na casa. Ela havia pressentido o que iria acontecer e ele não fez nada, não conseguiu manter sua promessa, não conseguiu protegê-la, estar do seu lado quando ela precisou dele. Sentia as lágrimas caindo cada vez mais e molhando a porta-retratos que segurava, se pudesse voltar no tempo, se pudesse vê-la mais uma vez, se pudesse fazer tudo de novo.
- Gomen hime! Gomen! Eu não pude fazer nada para te proteger! Gomen, gomen! – murmurava com a voz embargada.
Saori assistia toda a cena com os olhos marejados, nunca imaginou ver o senhor Uchiha daquela forma. Não sabia muito bem o motivo para ele estar assim, porém parecia que estava atormentado por alguma culpa e de alguma forma vê-lo dessa forma a estava machucando, só não sabia o porquê. Afastou-se da porta e voltou apressada para o seu quarto ao ver Sasuke se levantar da cama, era melhor que ele não a visse ali. Trancou-se e ficou esperando o som dos passos do moreno se afastar para sair novamente em direção ao quarto proibido. Verificou se não havia ninguém por perto e percebeu que a porta ainda estava entreaberta, refletiu por um momento se deveria realmente entrar ali, afinal era algo muito pessoal para o Uchiha, mas logo afastou tais pensamentos e entrou no cômodo. Havia alguma coisa que lhe fazia crer que podia entender mais coisas sobre a família com isso.
O quarto era claro e não havia muitas coisas nele, apenas uma cama um pouco velha e gasta com o tempo, um closet de madeira, algumas poucas prateleiras com algumas caixas e brinquedos? Estranhou o estado daquele lugar, não se parecia com o resto da casa, ainda mais com o que tinha ali. Será que era uma espécie de depósito de coisas velhas? Mas, então, porque Sakura não havia escolhido outro lugar para colocar essas coisas? Observou as prateleiras, confusa, ao ver alguns brinquedos sujos e outros quebrados, não tinha sentido a rosada manter aquelas coisas, logo ela que sempre gostava da casa limpa e arrumada. Além de que tudo parecia pertencer a uma menina e não a um menino como deveria ser se fosse de Daisuke.
Ao lado da cama, um criado mudo com um porta-retratos chamou a atenção de Saori. “A foto que fez o Sasuke-san chorar!” pensou ao se dirigir, um pouco hesitante, para ver a foto. Não sabia dizer o motivo de seu coração estar batendo tão rápido ou sentir a garganta seca, estava nervosa por algo que ela nem sabia explicar! Viu suas mãos tremerem ao segurar a foto que estava quase totalmente apagada se não fossem alguns traços que se faziam presentes e pode notar que era uma imagem de uma família em um parque. Havia uma mulher apoiando as mãos no ombro de um menino e ao seu lado um homem carregando uma menina. Focou com mais atenção para ver melhor algum detalhe que pudesse auxiliá-la em descobrir quem eram as pessoas, porém foi surpreendida com a voz imponente de Sasuke atrás de si, furioso:
- O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO AQUI? – Saori com o susto acabou por deixar cair no chão o porta-retratos antigo que se partiu em pedaços. Sasuke sentiu o sangue ferver ao ver a lembrança de sua filha despedaçada por causa daquela garota. Aproximou-se da menor segurando seu pulso fortemente e bradou – OLHA O QUE VOCÊ FEZ! ME RESPONDA O QUE ESTÁ FAZENDO AQUI? QUEM PERMITIU QUE ENTRASSE AQUI?
Saori estava assustada e a cabeça começava a latejar de dor, não conseguia falar nada a não ser ouvir o Uchiha gritando consigo enquanto balançava freneticamente a cabeça para tentar raciocinar, sentia um nó se formar na garganta e o que mais queria era se afastar dali o mais rápido possível!
- M-me... ME SOLTA! ME SOLTA! – gritava querendo se desvencilhar do moreno – E-eu não queria... e-eu apenas... só quis ver o que t-tinha aqui! – sua voz já estava embargada e ela não conseguia reprimir as lágrimas que caiam.
- NÃO CONSEGUE OBEDECER A UMA ORDEM? POR KAMI, EU AVISEI PARA NÃO ENTRAR AQUI! – exclamou Sasuke que, apesar de ainda estar muito nervoso, procurava se acalmar ao ver como Saori estava. Não estava conseguindo suportar vê-la chorar. Ele não entendia aquele sentimento, tinha raiva pela garota ter lhe desrespeitado, por ter violado aquele lugar especial, por quebrar algo de sua filha, ao mesmo tempo em que queria fazê-la parar de chorar e dizer que estava tudo bem. Droga! Como aquilo lhe irritava! “Essa garota irritante só me confunde!”.
- E-eu... gomen! – pediu Saori e ao perceber que o moreno não mais apertava se pulso, puxou seu braço e correu para fora do quarto. Já estava no corredor quando sentiu esbarrar em alguém.
- Oe, calma! – disse Sakura e ao perceber o estado da garota se alarmou — O que houve Saori? – Mas a garota nada lhe disse apenas a olhava confusa e aflita, logo Sasuke apareceu também apareceu com o semblante em uma mistura de angústia e fúria. – O que aconteceu Sasuke? – perguntou se voltando para o marido e segurando os ombros da garota para que ela não fugisse. Sasuke se recompôs rapidamente ao ver a mulher e disse em uma voz cortante como o gelo se direcionando para Saori:
- Nunca mais ouse entrar ali sem permissão! Você não tem esse direito! Aprenda qual é o seu lugar! – Sakura olhou abismada para o marido que entrou no seu quarto sem dizer mais nada. Não imaginava que Sasuke pudesse dizer essas coisas a menina.
- Saori, eu... –
- Sakura-san, o que a senhora está escondendo de mim? – Saori interrompeu Sakura, tentando ignorar as palavras do moreno enquanto limpava qualquer vestígio de choro do seu rosto e encarando seriamente a rosada. Sua cabeça latejava, mas não se importava com isso no momento, o que ela queria era respostas. Desde que veio para morar com a família sabia que eles escondiam algo de si, inicialmente não se importou com isso, pois pensou que não permaneceria ali por muito tempo, porém, argh! Tinha alguma coisa errada, ela sentia! E estava farta de tudo aquilo, das indiretas, dos segredos e do modo como, às vezes, a família agia. E agora era o momento de ter suas dúvidas respondidas!
-*-
Estavam no quarto da menina e Sakura sabia que não tinha como escapar mais, o problema era que não queria que fosse dessa forma. Imaginava conversar com Sasuke primeiro e depois Daisuke para então ir falar com Saori, porém as coisas não ocorreram como queria. Só agradeceu por Daisuke ter ficado na casa de Hideo para espairecer, pois do jeito que o filho estava conversar com ele agora seria sinônimo de briga entre os mais novos. Observou a garota que estava sentada a sua frente com a mão na cabeça e parecia sentir dor, estranhou tal comportamento.
- Está se sentindo bem Saori? – perguntou, porém Saori logo se ajeitou e afirmou com a cabeça, pedindo explicações. Sakura suspirou com a teimosia da mais nova e tentou procurar as melhores palavras para iniciar a conversa. – O que quer saber exatamente? – perguntou sem saber por onde começar.
- Eu... o que... por que... – Saori fechou os olhos e mordeu o lábio inferior pensativa, tentando organizar as ideias e fazer com que a cabeça parasse de doer, tinha que ficar calma! Abriu os olhos e perguntou decidida – Desde que cheguei eu reparei que vocês agem, às vezes, diferente do normal, hoje principalmente, mas eu não sei o motivo disso.
- Bom, há onze anos eu e minha família sofremos muito com a morte de uma pessoa muito querida por nós e isso ainda dói, especialmente hoje que é o dia em ela nos deixou. – Sakura falou com pesar. Saori se surpreendeu com as palavras da rosada e perguntou em um murmúrio:
- Quem foi que morreu?
- A minha filha mais nova.
Notas finais
Dúvidas, criticas, reviews, recomendações?
beijos e até a próxima!
Provavelmente, semana que vem, ok?^^
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