Notas iniciais
Yo! Desculpa a demora, mas quem disse que nas férias a gente tem um momento para descansar, não conhece a minha mãe que nessas épocas sempre inventar fazer um monte de coisa!XD Bom, deixando isso de lado queria agradecer pelos reviews! E dizer,
boa leitura!

Medo. Era isso que Saori sentiu ao botar os pés no orfanato novamente, sabia que havia infringido as regras, mais uma vez, e que seria punida por isso, como das outras vezes. Encontrava-se no dormitório feminino, mas não se via nenhuma criança no aposento, “provavelmente devem estar no refeitório, ou fazendo atividades!” pensou. Apesar de aquele lugar aparentar ser tranquilo e ter boas instalações, os responsáveis pelo lugar conseguiam fazer dali um inferno, eram perfeitos mercenários que se preocupavam em lucrar com as crianças, fazendo-as trabalhar para si e para os outros.

Todas as crianças tinham que fazer tarefas no orfanato “Konoha Sunshine”, desde arrumar os quartos até lavar todo o prédio, além de fazer faxina em outras casas a mando dos diretores do lugar. É claro que tudo isso era por baixo dos panos e o menino/menina que ousasse tentar lhes desobedecerem ou fugirem sofriam severos castigos para servirem de exemplo as outras crianças. Remexeu-se desconfortável com esse pensamento em uma das camas do quarto, se é que poderia chamar aquilo de cama, pois nem colchão havia, estava sentada nos estrados da cama forrados com algumas mantas finas, o que em sua opinião era mais desconfortável que dormir no chão. Esse era outro problema do orfanato, seus administradores sempre reduziam os gastos dando tudo da pior qualidade para os pequenos. E quando aparecia alguém do serviço social, “milagrosamente” os problemas financeiros eram resolvidos e a comida e as camas se tornavam dignas de um serviço de hotel cinco estrelas.

Ouviu passos se aproximando do quarto e internamente se preparou para o que estava por vir, já estava acostumada com os maus tratos que sofria ao voltar para o orfanato e mesmo sabendo o que a esperava, não parava de fugir, pelo contrário isso lhe dava forças de tentar sair daquele lugar e nunca mais ter que olhar para cara daqueles dois seres perversos que tinham prazer em atormentar a vida dos menores. A porta foi escancarada de forma ríspida com a entrada de uma mulher loira de cabelos curtos e olhos castanhos, revelando o mau-humor que se encontrava, para logo em seguida um homem de meia-idade de cabelos castanhos levemente acinzentados e olhos também castanhos adentrar o aposento com uma carranca pior que a da mulher.

- Sua filha da puta! Sabe no que você nos meteu? – esbravejava a mulher, Kira, para Saori que apenas a encarava de forma desafiadora. – RESPONDA, IMBECIL! – gritou ao mesmo tempo em que levantou a mão para bater na garota. Saori nada fez para rebater a agressão, sabia que nesse caso não tinha como fugir, estava presa aquele lugar e se lutasse só pioraria a sua situação.

- Kira, pare com isso! – falava aborrecido o homem, Satoru. – Nós daremos uma lição nessa garota, mas antes precisamos de respostas! – finalizou, fazendo a mulher para de desferir golpes na garota que se encontrava encolhida, tentando se proteger o máximo que pudesse.

- Está feliz, garota? Agora nós teremos que responder a um processo por sua culpa! Sua ingrata é assim que nos paga depois de anos cuidando de você! – Kira falava agora mais calma, passando a mão no cabelo loiro e olhando com desprezo para a menina. Saori franziu o cenho, “cuidar? Desde quando esses miseráveis cuidaram de mim ou de qualquer outra criança daqui?” pensava com raiva.

- Que cara é essa infeliz? Tem algo para nos dizer? – inquiriu Satoru. Saori apenas fulminou com o olhar o homem para depois abrir um sorriso debochado, sabia que tinha, sim, muitas coisas para dizer a esses dois, mas a hora ainda não havia chegado.

Satoru e sua mulher Kira sempre foram muito ambiciosos e egoístas, haviam herdado o orfanato dos avós, que eram boas pessoas, e a contragosto tiveram que administrá-lo, no entanto, conseguiram descobrir maneiras de ganhar dinheiro com aqueles moleques imundos e fazer uma pequena fortuna. O único problema era que com o tempo as crianças tentavam fugir e isso trazia consequências para eles, tinham que responder a processos judiciais e pagar multas pelos danos que os infratores cometiam, por causa disso começaram a adotar castigos mais severos para evitar que os pirralhos fugissem e sempre estivessem sob controle, e conseguiram êxito com isso.

Mas toda regra tem a sua exceção, e essa era Saori, a menina era muito teimosa, nunca obedecia ninguém, brigava, xingava, e o que Satoru mais odiava, sempre o olhava com aquele olhar superior e determinado e dava aquele sorriso debochado para si. Aquilo fazia o seu sangue ferver, quem aquela garota pensava que era para tentar enfrentá-lo? Quando deu por si sua mão já se encontrava no rosto da menina, deixando a marca de seus dedos no rosto alvo.

Kira se assustou com a reação do marido, geralmente era ela quem perdia a cabeça, mas mesmo assim não interveio no ato do moreno. Saori apenas gemeu de dor e sentiu um pouco de sangue escorrer da boca, mas nada falou e continuou olhando para Satoru da mesma forma. O moreno cerrou os punhos e gritou para ameaçar a garota:

- ACHA QUE É QUEM? AQUI VOCÊ NÃO PASSA DE NADA GAROTA, E VAI APRENDER A ME RESPEITAR, NÃO VOU MAIS TOLERAR DESOBEDIÊNCIA DA SUA PARTE, FUI CLARO?

- Eu não teria motivo para fugir se vocês dois não fossem dois escrotos que só pensam em si! – sussurrou Saori, mas foi ouvida por ambos.

- O QUE DISSE INSOLENTE? VAI SE ARREPENDER POR ESSAS PALAVRAS! – dessa vez foi Kira que se manifestou, batendo na menina. Surraram a mesma e como se não fosse suficiente, Satoru a pegou e a arrastou para fora do orfanato. Nesse momento, Saori se desesperou e começou a se debater, sabia para onde ele a estava levando, o forno, ela podia lidar com machucados, afinal, eles sempre saravam mas o forno era conhecido por ser um lugar terrível, ela mesma já havia ido para lá e a experiência não era nada agradável.

- O que foi? Onde está sua coragem agora Saori? Não gosta do forno? – perguntou maldosamente Satoru – Vamos ver quanto tempo você aguenta lá!

- ME SOLTA! EU NÃO VOU MAIS FUGIR! EU PAGO COM SERVIÇO, MAS ME SOLTA SATORU! ONEGAI! – se debatia para se livrar do aperto em seu braço, no entanto, estava cansada, machucada e escapar se tornava cada vez mais difícil. Alguns órfãos já eram vistos por ali, sentiam pena da garota, alguns até conheciam-na, mas nada podiam fazer para livrá-la do castigo. Então apenas abaixaram a cabeça se lamentando e voltaram a seus afazeres como se nada estivesse acontecendo.

Foi empurrada com brutalidade para dentro de um pequeno casebre, feito de madeira velha, caindo de quatro no chão, fazendo o seu machucado no joelho voltar a doer e gemer de dor. Mesmo com dor se levantou o mais rápido que pode e foi em direção à porta, batia e gritava para que a tirassem de lá, mas de nada adiantou. Cansada, machucada e agora presa, “não tem com piorar” pensava até ouvir o barulho de trovões.

- Eu e a minha boca grande! – falava enquanto se escorava na porta e escorregava para o chão, abraçou as pernas e se pôs a observar o local.

O forno não havia mudado em absolutamente nada desde a última vez em que estivera lá, o mesmo chão de terra batido cercado por tábuas de madeira velhas e mofadas, corroídas por insetos, o lugar possuía apenas a porta como meio de entrada ou saída, não havia janelas ou qualquer outra coisa que pudesse fazer com que circulasse o ar, apenas pequenas aberturas ou falhas entre as tábuas, fazendo com que o ar se tornasse abafado e predominasse o cheiro de mofo e a poeira. Por causa disso era que o lugar era conhecido por forno, visto que durante o dia, o calor fazia com que se tornasse difícil respirar e durante a noite a temperatura caísse bruscamente. Além disso, ainda tinha que dividir o pequeno espaço com outras tralhas guardadas e esquecidas, “esquecidas assim como eu!” pensava tentando impedir que as lágrimas caíssem.

“Por quê? por que as coisas não podiam ser diferentes? Por que tudo era tão difícil?Por que eu não posso ser como as outras garotas? eu só queria...queria...uma família!”. Se abraçou mais forte e não conseguiu mais impedir as lágrimas quando ouviu outro trovão e começou a sentir o vento frio percorrer a madeira. Não demorou muito e a chuva caiu forte e impiedosa, fustigando a todos que estavam desprotegidos e Saori percebeu que o forno tinha mudado em uma coisa, agora havia uma goteira bem no centro do casebre.

Não queria chorar, não queria se mostrar fraca para aqueles dois que a trancaram lá, mas não conseguia impedir, não entendia o que tinha feito de tão errado para merecer nessa vida tal tratamento, sabia que era arisca e desafiava a todos, mas aquele foi o jeito que ela conseguiu para se defender das ameaças e maus tratos que sofria no orfanato. Se tivesse a chance de ter uma vida normal, se mesmo órfã as coisas fossem diferentes e não tivesse que apanhar, talvez, ela não precisaria ser daquela forma. Soluçava, tentando se controlar mas parecia que tal tarefa se tornava cada vez mais difícil com o frio lhe permeando a pele e a dor se alastrando por seus membros. Amaldiçoava sua sorte, sua vida e seus pais, nesses momentos sentia raiva deles por terem-na abandonado, por não quererem saber dela. Sabia que podia estar sendo injusta, no entanto, o medo, a raiva, a frustração, a agonia se misturavam dentro de si e a faziam querer apenas culpar alguém por sua situação.

Notas finais
I ai gostaram? Eu disse que a Saori não seria presa, por ser considerada órfã, por direito ela deve voltar para o abrigo e são os responsáveis do lugar que respondem pelos atos da menor, e que responsáveis, ou melhor, irresponsáveis!? Ah, eu sei o que vocês devem estar pensando, "como ela é má, fez a Saori sofrer de novo?!" mas é a partir desse ponto que as coisas vão mudar de rumo para a garota além do mais eu disse que a fic é beeeem drama hehe,mesmo assim tenham só mais um pouco de paciência!Onegai! Bom, de qualquer forma deixem review para dizer o que acharam do capitulo, tudo bem?
beijos e até a próxima!