Sonhos Ambulantes
3 Uma curta confusão
Notas iniciais
– Raphael, não — Eu me afastei dele
Por mais bonito que ele possa ser, eu não poderia "ficar" com ele , não agora, eu estava morando na casa dele, por mais forçado que possa parecer a situação, eu tenho que me afastar.
– Por que? — Ele se aproximou de mim novamente — Sou tão feio assim?...
O clima ficou tenso, e eu mais ainda, ele não era feio, nem um pouco, eu realmente queria agarrá-lo ali mesmo, sem mais nem menos, mas eu não poderia.
– Raphael, olha, você é Hétero, o que você está fazendo é um erro — Eu tentei ser o mais calmo possível — Então, não faça isso com um homem, faça isso com garotas.
Raphael se levantou, mas não aparentou raiva, e nem fez nenhum tipo de expressão.
– Okay... — Ele bocejou e foi em direção a porta.
***
O dia estava ensolarado, o céu completamente sem nuvens, parecia um dia lindo para se ir á praia. O sinal das 9h30min soou, era hora do recreio; No recreio, a Escola costuma ficar muito cheia, principalmente depois que começaram a fazer obras para "Melhorar o Trânsito de Alunos" de acordo com a Direção da Escola.
Uma típica escola pública, grades para impedir os alunos de "fugir" antes da hora da saída, um jardim lindo em volta ( era o jardim o mais lindo de todos que já tinha visto, eu e Bia gostamos de chamá-lo de Elisios ).
– Peter! — Uma voz feminina gritou meu nome.
Beatrice ( ou como todos a chamam, Bia ), estava me chamando, a garota mais legal do mundo, isso sem nenhuma dúvida, ela nunca falou um palavrão, ela nunca bebeu ( okay, a maioria dos adolescentes na nossa idade não bebem, mas isso não vem ao caso ), os cabelos loiro-platinados pareciam dançar junto a qualquer brisa que passasse, seus olhos castanho-claros pareciam nunca perder o brilho, ela estava com uma calça jeans preta, um casaco preto fechado sem zíper com uma caveira estampada nele.
– Peter, conseguiu arrumar dinheiro pro cinema? — Ela perguntou animada.
Era uma segunda-feira, eu e ela sempre vamos ás segundas-feiras ao cinema, já que o shopping costuma à estar vazio nesse dia.
– Claro, e você? — Perguntei enquanto ajustava a mochila no meu ombro.
Ela me olhou com a expressão típica dela, sombrancelha esquerda levantada, sorriso maroto, os componentes da cara de "Você ainda tem dúvidas disso?".
– Okay, vamos: Eu, você, sua irmã, e o... — Parei um pouco e fitei os olhos dela — Você tem certeza que quer fazer isso consigo mesma?
Ela corou, me olhou com um olhar esperançoso e disse com confiança:
– Sim, eu vou — Ela jogou para o lado uma mexa de seu cabelo que batia em seu rosto — Não aguento mais esperar a atidude dele, se o Raphael não vem até mim, eu vou até ele...
Bia era apaixonada por Raphael desde o primário, e não era uma "paixonite" qualquer, era amor mesmo; Certa vez, ela comprou um caderno escolar e escreveu nele mil-e-um motivos para amar Raphael, eu não sei se achava isso uma coisa extremamente linda ou extremamente maluca, mas como dizem: "cada um com a sua vida".
– Então tá, vamos nós quatro — Eu falei
– Na verdade cinco — Bia completou — o namorado da Isa vai junto.
– O atual da sua irmã é quem mesmo?
Ela parou e pensou um pouco.
– Nem lembro, a Isa troca mais de namorados do que eu troco de roupa — Ela falou em tom brincalhão
Eu dei uma risada baixa, logo, meu telefone tocou, e como era a música "Radioactive" da banda Imagine Dragons, sabia que era Raphael.
– Alô?
– Peter, você pode vir pra cá? — A voz dele estava sonolenta, provavelmente havia acabado de acordar — Aconteceu uma emergência e preciso de você aqui agora.
Bia me fez uma expressão como quem diz "Aconteceu alguma coisa?" e eu respondi com a expressão "Não faço a mínima idéia"
– Apareça aqui em menos de 30 minutos, te amo tchau.
– O que?! — Gritei, mas antes que pudesse contestar, ele desligou o telefone.
Ele disse "te amo"? Que coisa... deve ser só uma brincadeira, pensei.
– Ele disse "te amo" pra você Peter? — Bia perguntou
Eu não podia dizer a ela o que havia acontecido entre mim e o Rapha, e muito menos dizer que ele havia dito que me amava, meu deus... o que eu faço?
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