Sonhos
1 Capítulo Único.
Notas iniciais
Hoje acordei mais cedo que o normal; ninguém havia se levantado ainda. Somente meus passos eram ouvidos nos enormes corredores do castelo. A noite fora comprida para mim; os problemas do castelo estavam me matando. É fácil dizer que a vida de uma princesa é simples, mas se tentarem vivê-la, não irão mais pensar assim. É uma rotina desgastante, além de que você não pode ter relações com as pessoas de fora do castelo, não pode falar com elas, não pode nem sequer olhar em seus olhos. É lindo dizerem que é uma vida fácil, mas tenho certeza que a vida dos camponeses é melhore. Não é uma questão de dinheiro, e sim de felicidade; a propósito, duvido que eles saibam que uma princesa não pode ter sentimentos. Você deve fazer o que é melhor para o seu povo, e fim. Mergulhada nesses pensamentos, percebi que meus pés me levaram até nosso jardim. Nele sempre soava uma doce melodia, para não fazer as pessoas ali se perderem. Era o meu lugar favorito do enorme lugar.
Todo mundo precisa de inspiração,
Todo mundo precisa de uma essência
Uma bela melodia
Quando a noite é longa
Porque não há nenhuma garantia
De que esta vida é fácil
Sento-me em um banco e de repente, lembro-me do único dia em minha vida que não cumpri meu dever como princesa. Fora naquele mesmo lugar, não é? Estava chovendo, era uma tranqüila noite. Até que você apareceu. Estava escuro, eu mal podia enxergar. Estava encharcada, e não me importava nem um pouco. Comecei a ouvir passos, cada vez mais rápidos. Até que alguém gritou meu nome. Eu me virei para trás, para descobrir quem era o dono da voz. E de repente, esqueci de tudo. Esqueci que era uma princesa, e que era prometida a um príncipe de um reino próximo. Esqueci que isso poderia gerar polêmica, e até guerras entre nações. Eu simplesmente, por um minuto, esqueci quem eu deveria ser. Quando eu vi você, um ladrão estúpido, que tudo o que faz da vida é roubar pessoas ricas. O ladrão estúpido que salvou minha vida diversas vezes; e o mesmo ladrão estúpido que eu tive a imprudência de amar. Engraçado não? A princesa se apaixona pelo ladrão. E pouco eu sabia o que você sentia por mim.
Sim, quando meu mundo está caindo aos pedaços
Quando não há luz para quebrar a escuridão
É quando eu, eu, eu olho para você
Quando as ondas estão inundando o litoral e eu
Não consigo encontrar o meu caminho de casa
É quando eu, eu, eu olho para você
É engraçado como a vida é confusa. Sentada naquele mesmo banco, há algum tempo atrás, eu reencontrei a única pessoa que não me tratou como uma princesa. O único que me tratou como uma pessoa normal. No fim, o único que foi realmente verdadeiro comigo, em toda a minha vida. Logo, o único laço que eu criei. Eu não conseguia ver seu rosto, não muito bem, porque estávamos num dos locais mais escuros do castelo. Somente iluminados pela luz do luar. Uma bonita cena, não acha? Claro… Seria ainda mais bonita se você não estivesse roubando minha casa. Mas mesmo assim, uma bonita cena. Aquele dia foi o primeiro que você veio até mim. Foi estranho não ver suas costas me deixando para trás não é, Ace? E também foi a primeira vez que você perguntou o que sempre desejei. Se eu queria ir embora com você. Arrependo-me todas as noites por ter recusado sua proposta. Mas de qualquer modo, todas as noites que eu olho para aquela mesma lua cheia. Eu me lembro de seu rosto sorrindo para mim, como se fosse à pessoa mais normal do mundo. Boas lembranças. No fim, nunca entendi como diabos você SEMPRE dizia que não estaria sozinha. Mesmo que eu te vira apenas uma, duas vezes na vida, você me conhecia tão bem. E em todas as ocasiões, as mesmas palavras foram ditas. Uma conexão até peculiar, não acha?
Quando eu olho para você
Eu vejo o perdão
Eu vejo a verdade
Você me ama por quem eu sou
Como as estrelas seguram a lua
Bem ali, onde elas pertencem e eu sei
Eu não estou sozinha
Aquele dia, pergunto-me se fora um sonho. Ou mesmo realidade. Nunca consegui descobrir. Mas o que importa? Fora o melhor sonho, ou a melhor noite, de minha vida. Talvez a única boa. Em que eu não houvera problemas, possíveis guerras, e problemas com o povo. No fim, ser princesa é uma maldição que cai aos poucos escolhidos. A pior de todas, com certeza. A única a que podemos ter tudo, mas nunca o que realmente precisamos. Esse é o destino dos membros da realeza. O meu, no caso, é nunca ter você, não é? A cada suspiro, lembro-me como fosse ontem. Aquele maldito sorriso que não escapa de minha mente. Aquela maldita pessoa que eu me deixei amar. No fim… Você nem deve lembrar-se de mim. Ri com a hipótese, é difícil ter minha vida, isso não tenha dúvidas.
Você parece como um sonho para mim
Como as cores de um caleidoscópio
Provam para mim
Tudo que eu preciso
Cada respiração que eu dou
Você não sabe
Você é lindo
Assim… Lembro-me da primeira vez que te encontrei. Era uma garota imprudente, e sempre tentava fugir de meus seguranças. Odiava os mesmos, sempre me seguindo, me limitando, me rodeando. Até que um dia escapei. Fui parar numa praia enorme e deserta. Onde não havia ninguém. Além de você. Estava com algumas roupas rasgadas. Olhando para as estrelas. Quando você reparou em minha presença. Lembro-me exatamente daquelas palavras. "Você esta perdida, garotinha?" eu assenti. Então você sorriu para mim, e disse que iria me ajudar a encontrar minha casa. Que tipo de pessoa faria algo tão gentil? Você nem sabia que eu era uma princesa. Mas foi quando você pegou minha mão e falou: "Não se preocupe, você não está sozinha". Ai eu olhei para você; e nesse momento eu tive uma imensa vontade de chorar. Você fora a primeira pessoa que havia me dito algo assim. Então, de repente não quis mais soltar sua mão. Bobo, não? Pouco eu sabia que você seria o único a quem eu amaria em toda a minha vida. Novamente suspirei. Eu não deveria ter lhe soltado, nunca; mesmo tendo apenas quatro ou cinco anos, e você não mais que oito. São essas pequenas coisas que nunca esqueci. Estranho não é? Como eu consigo ser uma péssima princesa.
Quando as ondas estão inundando o litoral e eu
Não consigo encontrar o meu caminho de casa
É quando eu,
Eu, eu olho para você
Eu olho para você
Assim, termino de pensar em tudo. Fecho meus olhos, e sorrio, pela primeira vez em muito tempo. Senti um perfume peculiar, parecido com o daquele dia na praia. Ouvi o barulho de alguém sentar-se ao meu lado. Não encarei a pessoa, apenas continuei de olhos fechados. Até congelar ao reconhecer a voz que por tanto tempo sonhei em ouvir novamente.
- Você tem uma estranha mania de acordar de madrugada e vir para cá, não é? – E eu abro meus olhos, encontrando você ali. Portgas D. Ace. Imagino minha expressão, ao ouvir sua longa gargalhada. Faltaram-me palavras.
- O que você esta fazendo aqui? – Perguntei desconcertada. Aquilo devia ser um sonho. Esse tipo de coisa só acontecia em filmes ou livros. Não podia estar realmente acontecendo. Eu não podia ter tanta sorte assim.
- Ah, você não percebeu? Eu sempre venho aqui no seu aniversário, princesa. – E sorriu novamente para mim, tirando de seu bolso o colar mais lindo que eu já havia visto. Provavelmente roubado, porém lindo. Logo percebi que havia esquecido que este era o dia de meu aniversário. Estranho não? Esquecer uma data tão importante. Apesar de tudo, ganhei o melhor presente que alguém poderia receber. Afinal, você estava ali, não é? – Feliz aniversário. – Abri meus olhos, levantando da enorme cama de onde eu estava deitada.
Seria tudo aquilo um sonho? Viro-me para o lado, e não me surpreendo. Estava obviamente sozinha em meu quarto, porém quase sorri. O colar ainda estava em meu pescoço. Lembro-me de termos conversado mais um pouco antes de você dar-me as costas… Dessa vez sem perguntar-me se eu gostaria de lhe acompanhar.
Estava tudo bem, eu não merecia isso. Sonhos não se tornam realidade assim tão fácil.
Yeah, yeah...
Oh, oh...
Você apareceu como um sonho para mim...
– Fim.
Fale com o autor