Sonho x Realidade
29 Capítulo Vinte e Nove
Notas iniciais
—Ei, aquela garota... Já está parada ali faz um tempo sem se mexer, não acha estranho?
— Talvez esteja se sentindo mal... Ou seja apenas uma maluca.
Eu posso ouvir vocês.
Direcionei meu olhar para o casal próximo a mim, desviaram a atenção para qualquer outra coisa na tentativa de disfarçar, mas eu consegui ouvir tudo o que disseram. Suspirei pesadamente, depois de forçar a mente tentando lembrar por onde viemos, não obtive sucesso.
Apenas consegui uma forte dor de cabeça e uma leve irritação, não sei mesmo o caminho de volta, a cada momento mais e mais pessoas chegavam dificultando minha concentração, e também estava preocupada que o garoto bêbado de antes me encontrasse novamente, acho que não tenho escolha... Terei de ligar para ele.
Tirei meu celular do bolso e comecei a procurar o número de Diego. Esse cara me obriga a muitas coisas, eu detesto ligar para as pessoas, ainda mais pra ele.... Caixa postal?
Tornei a ligar, novamente caixa postal, o que esse imbecil está fazendo que não atende o celular? Credo, não gosto nem de pensar nisso.
Terei de ir procurá-lo nessa multidão, adentrei o mar de pessoas em busca da figura conhecida e idiota de Diego. Depois de quinze minutos com pessoas esbarrando em mim, ouvindo gracinhas de caras bêbados e tomar um banho de cerveja de uma garota completamente alterada, minha paciência foi embora e nada de Diego. Fui até o lugar onde o palanque estava, eles disseram que viriam para cá, se bem que ainda é cedo para o tal show...
Quando no meio de tantas pessoas consigo reconhecer o moicano do garoto gigante, com dificuldade me aproximei dele e me apoiei em suas costas— Até que enfim.... — suspirei ofegante.
— Hey, que droga é essa? —praguejou virando-se para trás— Ah é você caipira, qual é? —disse rindo.
— Onde está o imbecil? — perguntei irritada.
— Imbecil? Tá falando do Diego? Ele foi para algum lugar com a Karen, saíram faz trinta minutos .... Por que está cheirando a cerveja? — berrou alto o suficiente para me doer os ouvidos.
Mesmo com a música tão alta a voz desse cara conseguia ser mais estridente— Uma mulher derrubou cerveja em mim... Para que lado eles foram?
— Derrubou em você? — riu debochado— Que brincadeira foi essa?
— Brincadeira nenhuma, para que lado? — indaguei impaciente.
— Calma aí caipira, não precisa se irritar— disse levantando as mãos— Foram naquela direção. — apontou para o mar.
Me afastei dele rapidamente antes de arrumar uma briga, essas pessoas são completamente desnorteadas. Em direção ao mar ele disse... Será que entraram na água?
Parei na areia com a água batendo em meus pés, haviam algumas pessoas nadando e isso dificultaria ainda mais para mim. Sem falar que isso não é perigoso? Entrar no mar a essa hora da noite e muitos deles estão bêbados... Pude jurar que senti um cheiro estranho perto daquele palco, provavelmente drogas. Isso fica pior a cada minuto. Andei de um lado para o outro forçando a vista tentando identificar os que ali nadavam.
Próximo de onde eu me encontrava havia uma margem com uma enorme pedra a beira mar, era um local meio afastado e escuro, alguns andavam por ali. Sem pensar muito comecei a caminhar até lá, algo me diz que vou encontrar uma pista. Ao molhar os pés meus chinelos ficaram pesados com areia úmida, tirei-os e carreguei com as mãos, chegando lá esgueirei-me para uma ponta da pedra e avistei um casal aos beijos. Senti um arrepio nas costas e me escondi.
Espera, porque eu me escondi? Os errados são eles, isso não é lugar para namorar.
Olhei novamente e aquela garota me pareceu estranhamente familiar, não me diga que... É a morena, chamada Karen? Se for mesmo ela o cara sem dúvidas, é ele.
Gigolô sem escrúpulos!
Eu não acredito que ele veio para o lugar mais deserto da praia se agarrar com essa menina, na verdade eu acredito sim, é que nunca me canso de pensar o quão previsível ele é, meus instintos me disseram que encontraria algo aqui, e aí está.
— Bom agora, o que faço? — sussurrei para mim mesma.
Apenas algumas pessoas passavam por aqui, o local era pouco iluminado e não sei se tenho coragem o suficiente para aparecer assim.
Preciso pensar em algo para acabar com a diversão desse cara.
[...]
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