Sonho ou Realidade?
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Marinette
Fiquei olhando para o Adrien, esperando uma resposta sobre essa situação. Mas o mesmo me olhava com uma expressão de raiva e até mesmo mágoa.
— Adrien... – Novamente fui cortada.
— Mari – Lila falou enquanto colocava sua mão sobre o ombro do Adrien — Eu acho que você deveria ir embora. Afinal, depois do que você fez, não sei como tem a coragem de vim aqui.
— Do que você está falando? – Olhando pra ela.
— Marinette – Adrien disse sério – Eu achei que você fosse diferente, achei que podíamos ter algo especial. Mas jamais esperava isso de você.
— Mas do que vocês estão falando? – Eu não estava entendendo nada, mas sentia um aperto cada vez mais forte no peito, pela maneira que o Adrien estava me tratando.
— Luka – Adrien disse simplesmente. Então tudo ficou mais claro. É obvio que ele estava bravo, afinal de contas, eu dei uma bofetada na cara de um dos clientes na empresa. E se isso viesse a cair na boca das pessoas, a empresa seria prejudicada e eu também seria. Mas na hora da raiva eu não consegui pensar direito, simplesmente deixei aquele sentimento dominar minhas ações. O que eu realmente deveria ter feito era ter chamado os seguranças e depois ter contado o que tinha acontecido para o Adrien. Isso foi um erro e agora vou ter que lidar com as conseqüências.
— Adrian, eu deveria ter-te contato. Mas é que na hora eu acabei me deixando levar e depois do ocorrido, eu não lembrei de comentar com você. – Olhando atentamente pra ele.
— Então é verdade? – Ele perguntou ainda sério.
— Sim – Abaixei a cabeça – Mas não se preocupe, se acaso mais alguém ficar sabendo, eu mesma digo, que foi erro meu.
— Acho que o erro foi meu, por ter confiado em você. – olhei pra ele assustada com suas palavras.
— Como? – Ainda não acreditando no que acabei de ouvir.
— Quem você beija ou deixa de beijar, não é problema meu. – Arregalei os olhos com isso. – Mas — Ele deu um suspiro, desviando o olhar – Eu errei por acreditar em você e achar que você fosse especial. E pior ainda, por achar que você me achava especial. – Me olhando.
— Adrien – Senti meus olhos arderem – Você percebeu a loucura que você está dizendo?
— Então, eu realmente estou certo? Foi um erro achar que tínhamos algo? – Ele perguntou um pouco mais alto.
— Eu não beijei o Luka, ele que me beijou a força – Tentando ao máximo me controlar.
— Ah por favor Marinette – Cruzando os braços – Não é o que a foto diz.
— Mas que raio de foto você está falando? – Então ele pegou o celular do bolso da calça e me mostrou a foto do momento em que o Luka me beijou. A posição em que a foto foi tirada, parece que eu estou correspondendo o beijo. Mas como ele tem essa foto? Quem tirou essa foto? Na mesma hora eu olho pra Lila que continha um sorriso no rosto.
— Foi você! – Apontando pra ela.
— Eu por acaso obriguei você a beijar o Luka? – Dando um leve sorriso.
— Não jogue a culpa nela pelo seus atos – Adrien falou.
— Mas que atos? De ter sido beijada a força? – Agora mágoa estava dando lugar a raiva.
— A força? – Ele pareceu duvidar um pouco. – Mas a foto...
— Se você prefere acreditar em uma foto, do que nas minhas palavras, então você não é a pessoa que eu achava que fosse. Você está agindo como o Luka. – Me segurando para não fazer nenhuma besteira.
— Luka? – Ele falou alto – Eu devo comparar você a quem então? Uma pessoa que finge ser uma coisa, mas que no final é apenas mais uma entre outras quaisquer – Ele disse um pouco próximo de mim. Eu fiquei em choque com suas palavras, e quando me recuperei, fiz a mesma coisa que fiz com o Luka.
— Adrien?! – Lila que até então via a situação calada e com um sorriso no rosto, agora estava espantada.
— Você – Apontando o dedo para o Adrien, que nesse momento estava me olhando assustado com uma mão na bochecha. – É um grande idiota – Acabei derrubando as lagrimas que estava tentando segurar – A grande errada nessa história foi eu, por ter me apaixonado por você – Derrubando mais lágrimas. Ele arregalou os olhos e tentou se aproximar.
— Mari... – Não deixei ele terminar.
— Já que você se baseia tanto em provas para ofender as pessoas, por que não puxa a filmagem das câmeras de seguranças? – Nessa hora, a Lila pareceu perder toda a cor que existia nela. – Ou melhor, pede a gravação do tapa que eu dei no Luka, pra Ayla. — Ele me olhou confuso – Ela estava lá no momento em que “beijei” o Luka – Fazendo aspas com os dedos. Ele ficou parado no lugar, tentando entender o que tinha acabado de acontecer. Eu virei as costas e fui em direção ao elevador.
— Mari – Ele gritou do corredor, mas eu continue andando – Me espera – Segurando meu braço, me virando pra ficar de frente pra ele.
— Lembrou de mais alguma maneira de me ofender? – Perguntei sarcástica.
— Não – Soltando meu braço – Eu só – Ele não conseguia me olhar – Você disse a verdade mesmo? – Agora me olhando. Nessa hora a porta do elevador abriu.
— E isso faz diferença? – Dando as costas para ele e Entrando no elevador – Afinal, eu sou apenas mais uma qualquer, não é mesmo? – Ele ficou em choque, talvez tenha percebido o que ele falou antes. Ele abriu a boca para falar algo, mas já era tarde, a porta do elevador se fechou. Nessa hora, senti tudo em minha volta desmoronar, senti as lagrimas descendo sem parar. Assim que a porta do elevador se abriu, corri em direção ao meu carro. Não dando atenção ao porteiro, perguntando se eu estava bem. Dei partida e sai o mais rápido possível. Eu não sabia o que fazer e nem para onde ir. Eu sabia que a Ayla estaria com o Nino hoje. Não conseguia parar de chorar, a dor que estava sentindo piorava cada vez , quando lembrava das palavras e da expressão do Adrien. Eu poderia culpar facilmente a Lila e o Luka, afinal foi tudo armação deles. Mas isso não diminuiria a dor e a mágoa que eu estava sentindo, até porque o Adrien disse aquelas palavras olhando diretamente nos meus olhos. Eu já não estava enxergando mais nada na minha frente, devido às lágrimas que eu não parava de derrubar. Fiquei dirigindo sem rumo, até que ouço meu celular tocar e vejo que é o Adrien. Eu rejeitei a chamada e bloqueie o número dele. Segundos depois meu telefone toca novamente, mas dessa vez fiquei surpresa por aparecer o nome da minha mãe na tela. Encostei o carro e respirei fundo antes de atender o telefone.
— Oi mãe. – Tentando ao máximo me controlar.
— Oi minha querida. Como você está?
— Estou bem e com muita saudades de você e do papai – Tentando controlar minha vontade de chorar.
— Também estamos meu amor – Falando de um modo carinhoso – Por esse motivo, gostaria de lhe pedir um favor, minha filha.
— Claro. O que vocês precisam?
— Poderia nos pegar aqui no aeroporto? – Ela disse dando uma leve risada.
— Agora?! – Perguntei surpresa.
—Sim – Rindo – A gente quis fazer uma surpresa.
— Surpresa maravilhosa – Disse animada enquanto ligava o carro novamente – Eu já estou indo.
— Obrigada filha. Beijo.
— Beijo – Desliguei o telefone e comecei a dirigir em direção ao aeroporto. Nem acredito que meus pais estão de volta. Estou com tanta saudade deles. E eles vieram na hora certa. Mas ao mesmo tempo, não quero ficar preocupando eles com meus problemas, afinal eles devem estar felizes de estarem de volta. Por agora, vou me concentrar em apenas matar minha saudade que estou deles. Não sei se eu que dirigi muito rápido ou se é a ansiedade de ver eles novamente, mas quando percebi já estava estacionando em frente ao aeroporto. Eu avistei eles de longe, e corri na direção deles. Quando eles me viram abriram os braços para me receber. Eu literalmente pulei em cima deles.
— Que saudade – Disse chorando.
— Também sentimos minha querida – Meu pai falou.
— Você está linda minha filha – Minha mãe disse enquanto me dava um beijo – Você ia sair para algum lugar?
— Eu sai mais cedo e estava voltando para casa quando me ligou – Sorrindo e ajudando eles a pegarem a mala.
— Tem certeza minha filha? – Enquanto íamos em direção ao carro.
— Sim mãe, fica tranqüila – Sorrindo. Colocamos as malas dentro do carro e saímos em direção a casa deles. – Vocês já jantaram? – Dando uma olhada rápida pra minha mãe que estava sentada na frente comigo.
— Ainda não – Ela disse dando um sorriso.
— Então vamos passar em algum lugar para jantarmos. Depois eu levo vocês. – Sorrindo. Paramos para jantar em Bistro. No mesmo em que eu fui com Ayla hoje. Eu gosto desse lugar. Tem pratos maravilhosos em um ambiente tranqüilo. Logo fomos atendidos e esperávamos nossos pedidos chegarem. Enquanto isso eles me contavam como foram as férias deles na China. Como estavam meus parentes. Minha mãe me falou que meu tio continua cozinhando maravilhosamente e que a sopa dele continua sendo o prato preferido de todos. Me deu até água na boca só de lembrar dessa sopa. Realmente é uma delicia. Eles mostraram as milhares de fotos que tiraram enquanto estiveram lá. Falamos um pouco sobre o desfile que ela assistiu pela televisão. Contei um pouco sobre como foi corrido e até mesmo estressante, mas que o resultado foi incrível. Eu ainda fico pensando que tudo aquilo foi um sonho. Ela perguntou sobre a Ayla e o Nino, contei algumas travessuras que aqueles dois andaram aprontando, o que acabou arrancando risadas deles. Depois que terminamos de comer, levei eles embora. Ajudei a descarregar as malas e prometi que jantaríamos juntos no dia seguinte. Quando fui me despedir, minha mãe me deu um abraço bem forte.
— Eu sei que você estava com saudade, mas também sei, que seu choro não foi apenas por isso – Ela disse baixinho.
— Mas eu... – Eu sabia que não conseguia esconder nada da minha mãe.
— Não se preocupe meu amor – Ela disse enquanto fazia um carinho em meu rosto – Quando se sentir à vontade, sabe que sempre estarei aqui – Me dando um sorriso.
— Obrigada mãe – Abraçando ela forte – Amo você.
— Também te amo minha filha – Enquanto me abraçava. Me despedi dela e fui embora. No meio do caminho, começou a chover. Seria mais uma noite chuvosa em Paris. Respirei fundo e dobrando atenção.Passar essas horas com meus pais me ajudaram a me acalmar. Apesar de ainda existir uma grande mágoa dentro de mim com tudo o que aconteceu, eu estou me sentindo melhor. Chegando no meu apartamento resolvi colocar um pijama confortável, uma calça de moletom e uma blusa de alça. Olhei no relógio e já eram meia noite. Realmente já estava tarde, mas como estava sem sono, resolvi ligar a televisão para assistir algum filme. Assim que sentei no sofá o interfone toca, o que me fez assustar. Fui até ele com receio.
— Pois não.
— Senhorita Cheng? Me desculpa o incomodo pelo horário.
— Tudo bem, aconteceu algo?
— O Senhor Agreste está aqui e quer falar com você.
— Adrien?! – Falei um pouco mais alto – Não deixe ele subir, peça que vá embora.
— Senhorita – Ele deu uma pausa – Ele estava todo molhado e um pouco alterado também – Acabei me assustando ao ouvir isso – Ele está gritando aqui. Logo terei que chamar a policia, pois os moradores vão começar a reclamar.
— Eu mereço – Suspirando – Eu já estou descendo.
— Obrigado. – Então desliguei o interfone. Soltei um grande suspiro. Fui em direção ao meu quarto e peguei meu roupão. Desci até a recepção e encontrei um Adrien totalmente molhado e com sinais de que havia bebido.
— Ma-mari– Adrien disse vindo em minha direção – Me pe...r..doa.
— Estou começando achar que devia ter chamado a policia – Suspirando.
— Quer que eu ajude a levar ele? – John falou.
— Acho que consigo, ele não parece estar muito bêbado. – Olhando pro Adrien que não deixou me encarar em nenhum segundo – Obrigada John – Dando um leve sorriso.
— Se precisar de algo, pode chamar. – Dando um leve aceno. Acenei de volta e puxei o Adrien para o elevador. Achei que ele começaria a falar, mas ao contrário disso, ele ficou em silêncio o tempo todo, e olhando para os próprios pés. Assim que entramos no apartamento, reparei que ele tremia um pouco.
— Adrien – Fazendo ele me olhar – Vá tomar um banho, você não pode ficar com essas roupas molhadas.
— Mari – Ele tentou se aproximar. – Você precisa me ouvir.
— Não tenho nada para escutar Adrien – Falei de um modo frio, o que fez ele parar de vim em minha direção – Pode usar o banheiro do meu quarto. – Indo em direção ao meu quarto, fazendo ele me seguir. Eu tinha umas roupas que o Nino esqueceu em casa, de algum tempo atrás. – Pode usar essas daqui – Entreguei as roupas e uma toalha pra ele.
— Obrigado – Ele falou baixo sem me olhar, então entrou no banheiro.
— Por que essas situações só acontecem comigo? – Falei enquanto encarava a porta do banheiro fechada. Suspirei e resolvi fazer um café forte. Quando terminei de fazer, escutei passos. Olhei pra trás e vi o Adrien parado, me olhando. Aparentemente o efeito da bebida já sumiu. Coloquei o café em uma xícara e entreguei pra ele.
— Obrigado – Pegando a xícara e tomando um gole.
— Está melhor? – Perguntei sem olhar pra ele.
— Acho que sim – Suspirando – Mas eu preciso falar...
— Ótimo – Olhando pra ele e cortando sua frase – Assim que terminar, pegue suas coisas e vá embora.
— O que? – Ele perguntou um pouco surpreso.
— Tome seu café e vá embora Adrien – Disse seria.
— Mari – Colocando a xícara no balcão e vindo em minha direção – Me escuta por favor – Parando em minha frente – Eu não devia ter falado aquelas coisas pra você, eu não pensei...
— Pensou o que? – Aumentando meu tom de voz – Que fosse me magoar?
— Mas você precisa entender meu lado – Ele disse sério.
— Seu lado? – Ri sarcástica – Ah Claro – Revirando os olhos – Afinal você foi beijado a forças; você que foi julgado e insultado sem motivos; você que acabou sendo humilhado.
— Da para me deixar falar? – Ele falou em um tom mais alto.
— Não! – Me afastando dele – Já falei que não quero ouvir mais nada de você. Quero que você vá embora. – Apontando a saída.
— Céus – Ele resmungou enquanto bagunçava seus cabelos. Ele sempre fazia isso quando estava nervoso.- Você é a mulher mais teimosa que já conheci – Dando a volta no balcão e vindo em minha direção novamente.
— E você é um completo idiota– Quase gritando.
— Quer saber – Ele se aproximou rápido e segurou minha cintura – Eu sou mesmo. — Eu não tive tempo de reagir, pois ele me beijou. Não foi um beijo calmo. Foi um beijo sedento e rápido. Meu cérebro dizia para empurrar ele e não retribuir o beijo, mas quem disse que eu conseguia fazer isso? Eu retribui o beijo na mesma intensidade. Ele separou um pouco, para me levantar e colocar sentada em cima do balcão – Sou um completo idiota por não ter feito isso antes – Ele disse em um sussurro antes de voltar a me beijar. Eu levei minhas mãos ao seu cabelo, fazendo um leve carinho às vezes dando alguns leves puxões, o que fazia ele soltar um suspiro. Estávamos tão colados um no outro, que nem uma folha conseguiria passar por nós. Quando o ar fez falta nos separamos ofegantes. Ele distribuiu alguns beijo no meu rosto e foi descendo para meu pescoço. Soltei um gemido quando ele deu uma leve mordida. Senti sua mão entrar por dentro da minha blusa e começar a subir ela, então acordei para a realidade. Afastei ele. O mesmo estava ofegando e com os lábios vermelhos e tenho certeza de que eu devo estar igual. – Mari? – Ele perguntou preocupado.
— Eu não quero me magoar novamente Adrien – Desviando do seu olhar – Acho melhor você ir embora.
— Você não irá se magoar – Colocando uma mão no meu rosto, fazendo eu olhar pra ele – Eu sei que fui um completo idiota, mas eu não consegui controlar o ciúmes, quando eu vi a foto. Me perdoa Mari – Colando sua testa na minha – Me de outra chance de mostrar que eu sou o seu Chat – Quando ele disse isso, eu arregalei os olhos. Então me veio na mente todos os sonhos que eu tive. Olhei em seus olhos, e vi aqueles mesmo olhos dos meus sonhos.
— Chat? – Ainda assustada.
— Te achei My Lady – Dando um sorriso.
— Isso não é real – Isso não poderia ser real, era apenas sonhos.
— Eu te garanto que é real, assim como meus sentimentos por você – Se aproximou de mim – Eu te amo My Lady – Então me beijou novamente.
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