Sonho de primavera
1 Prólogo
Notas iniciais
Myriah foi criada por mim.
Myriah
Faltava pouco para que pudesse avistar os muros de Porto Real. Olhou para o lado de fora da carruagem onde seu pai cavalgava majestoso encima de um garanhão negro. Ele estava com seu costumeiro sorriso de víbora e seus olhos ardiam com uma determinação que ela não soube identificar. Talvez estivesse fantasiando a morte de Tywin Lannister novamente.
Suspirou cansada e pensou nas irmãs. As serpentes de areia ficaram todas em Dorne, no fundo Myriah sabia que era o certo a se fazer. Suas amadas irmãs tinham toda a impetuosidade do pai e a missão que lhe foi confiada necessitava de calma e paciência. Estarão mais seguras em Dorne. Só precisava fazer com que seu pai também permanecesse seguro e então tudo ocorreria como planejado.
Voltou-se para dentro da carruagem e viu que Ellaria a olhava com um sorriso enigmático.
- Um dragão de ouro pelos seus pensamentos. – A amante do seu pai disse.
- Estou pensando em Porto Real.
Ellaria era uma mulher bonita que havia compartilhado tudo com seu pai. Myriah tinha quase quatro anos quando a senhora sua mãe morreu de uma febre e depois dela seu pai se juntou com a bastarda dornesa e essa passou a ser sua mãe, ela sempre fora muito gentil com todas as serpentes. Myriah sorriu tentando se mostrar confiante.
- Lembro que minha ama costumava contar todos os tipos de historia sobre cavaleiros, príncipes e princesas, eu amava essas historias e até sonhava em vir para a corte e participar de um baile de verdade. – Ela riu com a lembrança, até podia se ver sentada no chão junto com Tyene e Nymeria. – Minha ama estava contando uma historia sobre uma donzela prometida a um lorde velho e mal que foge com um cavaleiro errante para um campo cheio de flores douradas. Lembra-se? Você estava lá também com Elia no colo.
A mulher riu.
- Obara entrou no cômodo dizendo que tudo aquilo era uma besteira sem tamanho e que apenas garotinhas bobas acreditavam naquilo. – Ellaria falou sorrindo. – Foi na noite em que ela viu aquele garoto bonito beijar outra, certo?
- Sim, mas nunca diga isso a ela, pois é bem capaz de ela usar aquela lança contra você.
Risadas foram ouvidas do lado de fora e a voz do seu pai se destacou dentre as outras.
- Com essa cara de preocupação você lembra demais o vosso tio. – A mulher colocou as mãos sobre a dela.
- Todos dizem que ele é fraco demais, devagar demais. Todos em Dorne esperam que ele simplesmente chame os vassalos e lutem uma guerra que não pode ser ganha. – Suas irmãs, sua prima, todos aqueles que tinham idade suficiente para entender o que se passava na guerra sentiam ódio contra os Baratheon e principalmente contra os Lannister. – Eu não sinto nenhum amor por aqueles leões e quero que eles sofram, aqueles idiotas se acham tão superiores a nós. No entanto eu amo demais a minha família para permitir que eles corram para uma luta perdida, meu tio se sente da mesma maneira. Por que ninguém consegue entender isso?
- Você sempre foi mais parecida com ele e Arianne sempre teve a mesma energia de vosso pai. – Uma brisa fresca ultrapassou as cortinas e fez flutuar seu cabelo. – Você sabe o que fala sobre os dorneses...
- Rápidos no ódio e lentos no perdão.
- Empunham espadas com a mesma paixão que amam na cama. – Ellaria colocou as pernas sobre os travesseiros e mexeu as mãos fazendo as pulseiras em seu braço cantarem. – Não se preocupe tanto minha querida.
Não havia mais nada a ser dito. Myriah voltou-se para fora da carruagem onde agora Daemon Sand e Killian Fowler cantavam alguma musica obscena. Daemon a viu espiando e piscou para ela com um sorriso indecente, ela sorriu de volta. Todos pareciam tão despreocupados e tudo estava tão calmo. Talvez seus medos fossem infundados, o acordo já tinha sido feito e seus novos aliados queriam tanto aquilo quanto eles.
Ou talvez esta fosse à calmaria que sempre vem antes de uma violenta tempestade.
Notas finais
Comentem... Me digam se gostou, se devo continuar...
Beijos ;*
Se algum erro me passou despercebido desculpe
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