Notas iniciais
Demorei eu sei... Não pude revisar esse capitulo então pode ser que vocês encontrem alguns errinhos -.-

Willas



Sua esposa estava dormindo enquanto colocava a mão de forma protetora na barriga que já se mostrava inchada. Belle não vestia mais os grossos panos que a ajudavam a esconder a barriga, agora Willas podia ver perfeitamente a forma redonda que o ventre de sua mulher estava adquirindo.

Ela não perdeu o bebê. A única coisa boa que tinha acontecido. A única noticia que lhe trouxe algum tipo de alivio.

Ele se remexeu na poltrona e suspirou. Em momentos como aquele Willas desejava ser um dos irmãos, queria estar em uma batalha junto com o exercito do Rei, seria muito mais fácil do que aguentar aquela onda de silencio que já durava uma semana. Sua adorável esposa não lhe dirigiu uma palavra sequer e o único sorriso que ele viu brotar em seu rosto foi o que ela deu quando soube que não tinha perdido o bebê. Meu leãozinho vive, tinha dito ela.

Belle suspirou no meio do sono e uma mexa dourada caiu pelo seu rosto. Parecia pacifica enquanto dormia, era o único momento em que ela parecia pacifica.

A porta se abriu e o Meistre colocou a cabeça para dentro e o chamou com um gesto de mão. Ele não queria ir, mas se viu obrigado a levantar-se e mancar até a porta. Maldita perna. Antes de fechar a porta, Willas olhou uma ultima vez para sua esposa esperando poder ler a sua mente, no que você está pensando agora? Com quem você está sonhando? Na noite anterior ele pensou ter a ouvido sussurrar um nome, mas não podia ter certeza.

– Meu senhor.

O Meistre carregava uma pequena carta, mas como um bilhete, que trazia o símbolo da sua Casa. Ele já podia adivinhar de quem era.

– Isso chegou de Correrrio está manhã. – A carta lhe foi posta nas mãos e algo sobre ela o deixou nervoso. – Também há outras cartas meu senhor, algumas de vassalos, uma vem de Dorne e a outra vem das Terras do Oeste.

– Alguma coisa importante?

– O príncipe Doran falou sobre o casamento entre Sansa Stark e seu filho além de cogitar a idéia de um casamento entre Martell e Tyrell.

– Não é uma má idéia.

– Concordo como o senhor, — os dois homens pararam na frente da sua sala e então ambos entraram. – bem, a carta das Terras do Oeste traz o símbolo da Casa Farman de Ilha Leal, eu não a li.

Willas sentou na sua cadeira e encarou as varias cartas postas na mesa. Logo o símbolo dos Farman, três barcos prateados em um campo azul se sobressaiu das outras. Aquela carta era muito estranha, os Farman pertencem aos Lannister e ele não conseguia lembrar nada que o ligasse aos Senhores de Ilha Leal. Nunca nem tinha conhecido um.

– Com sua licença milorde.

O homem saiu e ele abriu a carta de Correrrio. Sua avó dizia que sua irmã estava mais que feliz com o casamento e o jovem Rei já estava encantado com a esposa, provavelmente Margaery já carregava um herdeiro na barriga. Ela também relatava uma situação com os Frey, mas sua avó dizia estar cuidando deste assunto, são muitos e todos querem um pedacinho da herança do pai. A carta trazia muitas informações, mas o que Willas queria ler só se revelou no fim.

Sobre sua esposa, eu já esperava, ela tem o temperamento de um leão. Não se preocupe, eu já me adiantei sobre esse assunto e em breve a ajuda chegará.

Em breve a ajuda chegará.

Ele deixou a carta escorregar dos seus dedos.

– Doce avó, quando vai parar de tratar seus netos como marionetes?

Quando o mundo for outro. Ela teria lhe respondido.

Willas então abriu a carta da Casa Farman.

Em breve uma visita cordial. E isso era tudo o que tinha na “carta”. Uma visita cordial? O que, pelos sete infernos, um vassalo dos Lannister estaria fazendo na Campina em tempos de guerra?

Sua cabeça começou a latejar assim como sua perna.

Mais tarde Willas se viu novamente sentado na poltrona verde encarando sua esposa que agora comia alguns doces de uma bandeja. Ele tinha dispensado todos os criados do quarto e com exceção de uma das aias de sua esposa – uma jovem que ela tinha trazido de Porto Real –, todos se foram sem protestos. A jovem aia apenas saiu com uma ordem de Belle.

Ele não se irritaria por isso.

– Quer que eu mande trazer algo salgado?

Ela o ignorou.

– Algumas cartas chegaram hoje de manhã, — ele pôde vê um pequeno brilho de curiosidade nos olhos dela. Aquele assunto costumava interessá-la. – Uma em particular me deixou intrigado.

Uma suave brisa ultrapassou as cortinas e Willas suspirou.

– Ela veio das Terras do Oeste.

Pela primeira vez ela o encarou sem nenhum traço de raiva. Havia apenas a surpresa estampada no seu rosto.

– Casa Farman de Ilha Leal.

Fale comigo, nem que seja para fazer perguntar que não poderei responder.

– Eu nunca conheci nenhum Farman, não tenho qualquer ligação com essa Casa, então me pergunto por que eles escreveram...

– Na verdade você conhece uma Farman.

A voz dela foi como musica para os seus ouvidos.

– Conheço?

– Eu sou uma Farman pelo o lado da minha mãe. – Ela bebericou a taça cheia de água fresca e disse: — meu avô materno é senhor de Ilha Leal.

Bem, agora aquele bilhete fazia sentido. Talvez fosse um truque dos Lannister ou talvez Lorde Farman quisesse usar sua ligação com Belle para mudar de lado. Entretanto, Willas não seguiu em frente com a segunda opção, sabia bem como Lorde Tywin construía a lealdade de seus vassalos. Na base do medo e da ameaça.

– O que dizia a carta?

– Apenas que alguém fará uma visita.

Ela suspirou, parecia cansada.

– Belle, eu acho que devíamos conversar. – Ela olhou para ele calma. Isso devia ser um bom sinal.

– Às vezes eu olho para você e tenho vontade de enfiar uma faca no seu olho e empurrar até que ela atravesse o seu crânio.

Ou talvez não.

– Mas sabe, eu entendo, eu me odeio por isso, mas entendo. Tudo o que você fez foi pela sua família, você casou comigo, uma completa estranha, pela sua família. – Ele notou que cada palavra saia com dificuldade. – Isso eu posso entender, eu faria o mesmo. Lutar pelo o sangue, no fim é o que todos nós fazemos.

Ela passou a mão pelos cachos dourados que grudaram em sua testa por conta do suor.

– Não me entenda mal, isso não é uma bandeira branca, eu não vou ser nenhuma esposa sorridente que apóia cada decisão do marido. – Ela passou a mão pela a barriga. – Mas o meu filho será parte Tyrell e, além disso, nós dois estamos ligados até a morte. Não irei permitir que a fúria cega guie os meus passos, me ensinaram melhor que isso.

– Belle...

– E, por favor, sem mentiras agora, não sou uma boneca de porcelana, eu quero ouvir tudo o que está acontecendo para fora dos muros de Jardim de cima.

– Sem mentiras, eu prometo.



Dois dias depois uma senhora se apresentou nos portões do castelo alegando ser Alyssa Farman, esposa do Lorde Sebaston Farman e avó de Belle. Willas em pessoa a acompanhou até o grande salão onde a mulher tirou o capuz negro revelando cabelos que se dividiam entre o grisalho e o ruivo. Lady Alyssa não tinha muitas rugas no rosto e seus olhos brilhavam como se ainda estivesse na juventude.

Não havia nada naquela mulher que se parecesse com Belle, mas ainda assim, Willas pensou na esposa.

Criados passaram com bandejas de doces, mas a mulher não comeu nada.

– A senhora não deseja descansar?

– Terei todo o tempo do mundo para descansar meu senhor, o que eu quero mesmo é ver minha neta. – Por que você está aqui? Ele quis perguntar.

– Milady, Belle está descansando agora.

– Ela vai ficar alegre em receber a avó dela. – Aquela mulher lhe lembrava a sua própria avó, o que não pode ser bom. – Além do mais, gostaria de falar com minha neta antes de discutir certos assuntos com o senhor.

– Certos assuntos?

– Creio que sua avó não lhe mandou nenhuma carta explicando, — duas risadinhas escaparam dos seus lábios finos e rosados, — em breve nós iremos conversar, mas antes, eu quero ver a minha menina.

Willas não teve escolha. Belle estava sentada na cama quando os dois entraram no quarto.

– Vovó? – Ela disse como se não acreditasse no que estava vendo.

– Minha doce menina.



Killian


Chamavam-na de Bela Wanda.

Ela tinha dezoito anos, cabelos e olhos castanhos, um corpo bonito e um sorriso agradável. A menina tinha sido mandada para ficar como protegida de Lady Catelyn e foi ela mesma que sussurrou a idéia de um casamento no ouvido do príncipe Oberyn. Seu príncipe o chamou em seus aposentos, ele tinha um sorriso no rosto e uma taça de vinho dornês na mão.

– Sente-se Fowler.

Ele se sentou. Os aposentos do príncipe eram grandes em proporção ao seu titulo. Tapeçarias com desenhos de trutas enfeitavam as paredes e finas sedas serviam como cortinas, elas tremulavam com a doce brisa de Correrrio. Tão diferente de Dorne, ou mesmo do Rochedo Casterly, no assento dos leões o sol queimava mais do que ali e o vento era mais violento e açoitava o rochedo em dias de tempestade.

– Algum problema meu príncipe.

– Tudo está tranqüilo... Digo que até demais. – O exercito do Lobo estava em seus dias de preparação para atacar e os Lordes realizavam cada vez mais reuniões para definir a melhor estratégia. Killian não participava, mas soube que houve divergências entre Mace Tyrell e seu príncipe. – Não é por guerra que lhe chamei aqui, mas por outra questão.

– O que seria?

– Lady Stark anda pensando que você e uma das meninas Frey formariam um belo casal, — ele quis revirar os olhos, mas se segurou e suspirou. – ela é uma moça bonita pelo o que eu vi, diferente daquelas outras que parecem ser uma fuinha. Lorde Frey tem uma infinidade de filhas e netas e aparentemente Lady Stark está incumbida de conseguir alguns casamentos, imagino que podemos fazer sua vida um pouco mais fácil.

– Senhor príncipe, fico honrado com a oferta, mas meu pai iria gostar que eu me casasse com uma dornesa, alguém de sua escolha. – Uma verdade parcial.

– Uma dornesa, sim, acho que seu pai iria preferir isso. – Oberyn sorriu como uma víbora e Killian soube que estava em perigo. – Não sabe que é errado mentir para o seu príncipe rapaz? Vai me dizer que o que impede essa união é o seu pai? Uma certa Lannister não tem nada haver com o assunto?

Nesse momento seu coração já batia rápido e o suor começou a se acumular na sua testa.

– Eu não sou estúpido Killian. Não precisei de muito para descobrir o que acontecia entre vocês.

– Meu príncipe...

– Você foi escudeiro no Rochedo, eu me lembro, na mesma época em que Tywin mandou que a filha regressasse as Terras Ocidentais. Não é necessário ser muito inteligente para ligar os pontos. – Oberyn serviu-lhe uma taça de vinho e ele bebeu tudo em um gole. – Ela é uma garota bonita, o tipo de beleza rara de se encontrar.

– Eu não sou importante o suficiente para que a filha de Tywin Lannister reparasse em mim.

– Caso eu estivesse me referindo a Cersei você estaria certo. – Estou tremendo, merda. – Ora Killian, eu sei bem que você costumava dormir com metade de Lançassolar, provavelmente esteve na cama de uma das minhas filhas... Mas então um dia você volta do Rochedo e der repente nenhuma garota é interessante o suficiente.

O príncipe tamborilou os dedos na mesa.

– E não pense que eu não percebi a reação dela quando lhe viu na sala do trono. Foi rápido, mas eu percebi. Você tem fortes sentimentos por ela e a garota o corresponde. – Oberyn então ficou de pé, — ela está esperando um filho Killian, um filho de Willas e eu soube que eles estão se dando muito bem.

Não.

– Quando tudo isso acabar vocês talvez se reencontrem e quem sabe fiquem junto por uma noite ou duas, mas no fim meu caro, ela vai voltar para o marido, elas sempre voltam para o marido.

Quando finalmente saiu dos aposentos do príncipe, Killian sentia como se alguém tivesse enfiado uma espada dentro dele. Não é como se você não soubesse, no entanto era mais fácil ignorar a verdade, cultivar aquela estúpida esperança de talvez... Apenas talvez algo fosse acontecer e ele a teria de volta.

Enquanto andava pelos os corredores Killian trombou em Lady Stark. A mulher parecia pálida e seus olhos estavam úmidos.

– Minha senhora. – Ele fez uma rápida reverencia.

– Sor Killian.

– A senhora está bem?

A rainha Margaery passou por eles parando apenas para dar um abraço em Lady Stark.

– Sinto muito pelo o seu pai, devo ir ficar ao lado do meu marido. – Ela seguiu apressada e abriu o grande portão azul que ficava no fim do corredor. Deuses, ele nem tinha percebido que estava no corredor do Senhor de Correrrio.

– Eu sinto muito Milady, andei distraído e nem percebi onde estava. – A mulher lhe lançou um leve sorriso. – Minhas condolências pelo o seu pai.

– Era um homem velho e doente, era uma questão de tempo. Não se preocupe Sor, meu pai teve uma boa vida, sempre foi respeitado e teve a sorte de se casar com alguém a quem amou. – Lady Stark começou a andar em direção das escadas, Killian a seguiu sem saber se devia fazer aquilo. – Não me parece muito feliz também.

– Nada que se compare a perder um pai.

– Toda dor é uma dor.

Ele riu.

– Príncipe Oberyn falou com você?

– Sim minha Senhora, ele comentou sobre a idéia de um casamento com Wanda Frey.

– Ela é uma moça bonita e agradável, saudável e lhe trará muitos filhos.

– Eu mal a conheço.

– Eu não conhecia Ned quando me casei com ele. Estava bonita e perfumada no Septo caminhando na direção de um completo estranho. Ele partiu para a guerra logo depois das núpcias e eu engravidei de Robb, eu já tinha meu primogênito nos braços e meu marido ainda era um estranho. – Ela sorriu como se lembrasse de alguma coisa. – Meu amor por Ned foi construído dia após dias, você também é capaz de fazer isso.

Ele duvidava seriamente disso.

Notas finais
Willas refletindo sobre ser uma marionete, os Farman entrando no jogo e Killian sendo jogado na direção de uma Frey. Não é exatamente meu capitulo predileto, mas...~ Comentários?