Notas iniciais
Sei que eu demorei -.- ... Desculpe. Eu tive uma crise escrevendo esse capitulo. Eu simplesmente não conseguia escrever e quando o fazia eu não gostava do resultado. Escrevi e reescrevi e isso acabou demorando.

Belle


Belle nunca conheceu a mãe, mas sua avó esteve presente em vários momentos da sua vida.

A mulher não tinha mudado desde que a Lannister a viu pela ultima vez. Seus cabelos traziam um pouco do ruivo imponente que teve um dia e seus olhos azuis continuavam gelados como um lago no inverno. Os lábios eram finos e quase sempre torcidos em um meio sorriso, era como se tudo ao seu redor fosse uma piada que apenas ela era inteligente o suficiente para entender.

Talvez fosse.

Algo dentro dela despertou. Um instinto que quase a fez pedir que Willas ficasse. Sua avó viajou de Ilha Leal até Jardim de Cima mesmo sabendo da guerra, os Farman deviam sua lealdade aos Lannister, mas nem de longe eram os mais felizes com os leões. Belle sabia disso, ela sempre soube.

– Minha doce menina, — sua voz tinha um tom carinhoso, o mesmo tom que usou para acalmá-la quando a Rebelião de Robert estava em seu auge. – Está ainda mais bonita.

– Meu coração se alegra em vê-la vó, — em parte verdade, eram bom ver alguém do seu sangue, seria melhor se fosse em outras condições. — Mas não posso deixar de me surpreender.

– Vim ver minha querida neta, estive preocupada desde que soube da sua situação. Seu pai a jogou direto nos braços dos inimigos, — Lady Alyssa arrastou uma cadeira até a borda da sua cama e se sentou. Suas mãos passearam gentilmente pelos seus cabelos. – Quando soube fiquei furiosa, mas então um leque de possibilidades se abriu diante dos meus olhos e pela primeira vez fiquei agradecida com as atitudes do seu pai.

A mulher passou uma das mãos pela sua barriga.

– Estive ao lado da sua mãe quando ela engravidou, a família queria um menino, seu pai apenas casou novamente para ter um substituto para o filho anão, todos queriam um menino, quer dizer, todos menos a sua irmã, ela pode ser boa com você agora, mas eu ouvi coisas terríveis da boca dela antes de você vir ao mundo. – Tyrion tinha lhe contado que sua irmã a odiava até o momento em que a viu no berço. – No entanto, você nasceu uma menina, ainda mais bonita que Cersei. Todos estavam decepcionados, o seu pai mal a olhou no berço e mesmo eu confesso que fiquei triste, mas sua mãe não perdeu o sorriso, ela me disse que haveria muito tempo para um filho homem.

Mas não houve e uma garota foi tudo o que Tywin Lannister conseguiu.

– Veio até aqui para me contar historias do passado vovó?

– Às vezes é preciso olhar o passado para esclarecer algumas questões do presente. – Ela respondeu. – Seu marido por algum acaso lhe contou nossa situação?

– Eu sei que a Campina se voltou com Porto Real junto com os Stark e que agora eu sou uma Tyrell...

– Os Lannister estão sozinhos. Dorne se voltou contra os leões como era de se esperar e ninguém sabe onde Stannis está. – A imagem dos seus irmãos e sobrinhos enforcados em praça publica se tornou nítida em sua mente. – Você entende que os Lannister estão em uma situação complicada.

– Eu sei disso.

– Mas você está em uma posição privilegiada.

Belle riu.

– Eu sou uma refém.

– Não, você é a esposa do herdeiro da Campina e carrega o herdeiro deste no ventre. Não creio que existe amor entre vocês dois, mas é inegável que o jovem Willas gosta de você, ele não deixaria que nada de mau lhe acontecesse.

– Ele mentiu para mim.

– Por lealdade a família, não seria menos do que você faria. – Uma verdade que ela gostaria de esquecer. – Caso os Stark ganhe essa guerra você estará a salvo e em uma posição elevada.

– E se os Stark perderem?

– Seu filho é parte Lannister, ele seria o herdeiro da Campina e você governaria essas terras até que ele ou ela tivesse idade suficiente, ou talvez o seu pai lhe desse a senhoria e então sua autoridade só acabaria com a morte.

– Mas você acredita que os lobos vão ganhar.

– Eu sempre fui uma mulher realista, sonhos são para tolos.

– E você acha que serei capaz de amar o meu marido um dia?

– Você foi capaz de amar um dornês.

– O que?

– Não faça essa cara, o único cego naquele castelo é o seu pai, — suas bochechas coraram e ela olhou para a porta como se alguém fosse entrar a qualquer momento. – Aquele rapaz nunca foi digno da sua mão, mas o amor jovem pode ser bastante idiota.

– Ele era bom.

– Mas você sempre esteve destinada a coisas maiores. — Uma refém de guerra? Pensou irônica. – Amor é muito superestimado, homens lutam, morrem e perdem tudo em nome desse sentimento, Reis se desgraçam e Lordes perdem a cabeça...

Ela suspirou.

– Eu vou proteger você do jeito que não pude fazer com sua mãe.

Belle olhou para a mais velha confusa.

– Minha mãe? – Os olhos da sua avó ficaram sombrios der repente e o sorrisinho sumiu dos seus lábios.

– Essa, meu amor, é uma historia para outro momento.

Myriah


Aquela era a quarta flecha de Sansa e a menina não tinha chegado nem perto do alvo.

– Eu sinto muito. – Desculpou-se a garota com as bochechas coradas.

A idéia de Sansa aprender a usar alguma arma tinha sido de Arianne, ela agora é uma Martell e é bom que aprenda a se defender, sua prima tinha razão, a nortenha sempre foi um doce, mas era dependente demais das espadas dos homens.

Obara logo deu a idéia de colocar uma espada nas mãos da garota e Myriah soube que aquilo não iria prestar. Quando quase se acidentou ficou descido que ainda era cedo para espadas. Depois foi a vez de Nymeria colocar um punhal nas mãos de Sansa, sua irmã lhe ensinou o básico e então mostrou todos os lugares em que podia esconder a arma.

A garota quase desmaiou quando viu todas as facas que Nym escondia no corpo.

– Acho que arco e flecha são mais apropriados. – Tyene disse com um livro nas mãos. – Depois tentaremos o punhal novamente e, por favor, sem se despir Nymeria, tenha o mínimo de decência

Foi assim que toda a manhã ela, Sansa e algumas de suas irmãs iam até o pátio de treino com alguns arcos nas mãos. Hoje Trystane tinha descido ir também e até mesmo Quentyn passou por lá antes de ser chamado para os aposentos do pai.

– Não é tão difícil Sansa. – Trystane pegou o arco com seu sorriso tão parecido com o da víbora vermelha. – É só respirar fundos e relaxar.

Ele soltou a flecha e acertou bem no centro.

– Eu... Até mesmo Loreza é melhor do que eu. – Todos riram com o tom de irritação da ruiva, ela que sempre se esforçava para parecer uma perfeita dama. – Desculpe.

– Loreza treina há bastante tempo e você está pegando em um arco agora, — Elia, que estava novamente com as vestes sujas de lama, foi até Sansa rindo, — por que as meninas não aprendem a lutar no Norte?

– Por que não é adequado uma moça pegar em armas.

– Uma regra estúpida, e se um homem ruim chegar para atacar você e nenhum cavaleiro estiver lá para te proteger? – Myriah fuzilou a irmã com o olhar, — meu pai diz que uma mulher deve saber se proteger adequadamente.

– Eu não sei, é só como as coisas são.

Sansa respondeu para logo depois armar o arco novamente com o rosto cheio de um tipo de determinação que Myriah quase estranhou. Ela puxou a flecha do jeito que Trystane ensinou e então soltou.

– Finalmente. – Elia exclamou sem esconder a surpresa.

– Eu disse que era fácil. – Trystane envolveu a cunhada com um dos braços e balançou seus ombros. – Logo será tão boa quando Myriah.

Sansa sorriu animada.

– Tão boa quanto Obara, — ela corrigiu o primo, — sou apenas descente com o arco.

A mais velha que tinha estado quieta esse tempo todo tomou a palavra.

– Oh sim, as palavras são as armas prediletas da minha irmãzinha. – Não pôde deixar de notar a ironia na sua voz.

– Palavras podem ser bastante eficazes Obara.

– Palavras não cortam.

– Está enganada irmã, palavras cortam mais profundo do que laminas. – Myriah tinha no rosto um sorriso igual ao do seu pai.

Minutos depois uma criada magra e baixinha chegou com a ordem do seu tio para que ela fosse até seus aposentos. Deixou a cargo de Obara e Trystane analisar se Sansa tinha realmente melhorado ou se a flecha acertada no alvo foi apenas um golpe de sorte.

O sol queimava hoje e parecia que Lançassolar era um forno de pães pronto para cozinhar tudo o que estivesse dentro. Talvez eu devesse ir para os Jardins das águas, sempre foi mais agradável lá e ela poderia mergulhar nas piscinas o dia inteiro sem se preocupar com o que estivesse acontecendo fora. Myrcella está lá, então nenhuma das irmãs ou dos primos tinha autorização de ir até o lugar, Loreza já começava a reclamar por isso.

Quando chegou aos aposentos do príncipe Doran ela notou Daemon guardando a porta. Ele a olhou com seu sorriso malicioso e abriu a porta sem lhe dirigir uma palavra. Myriah entrou e se deparou com seu tio sentado na sua cadeira com o fiel Areo Hotah em pé atrás e com Quentyn e Arianne sentado a sua frente. Uma terceira cadeira ao lado do seu primo a esperava.

– Entre Myriah e tome seu lugar.

Deuses, ela esperava do fundo do coração que aquilo não fosse sobre o plano ridículo de casá-la com Sor Loras Tyrell.

Sentou-se ao lado de Quentyn com as mãos pousadas nos joelhos.

– Como está Sansa? – Perguntou o primo baixinho.

– Conseguiu acertar uma flecha antes que eu saísse. – Ele deu um de seus mínimos sorrisos e voltou a encarar o pai.

Príncipe Doran parecia cansado, a doença estava cobrando o seu preço, mas nada se comparava com a tristeza em seus olhos. Mesmo nos momentos mais felizes a tristeza continuava lá, mesmo que escondida por um momentâneo brilho de felicidade.

– Estava discutindo algo com meus filhos antes que você chegasse, temo que Arianne tenha algumas ideias diferentes das minhas.

– O Jovem Lobo em vez de atacar faz um grande festejo de casamento e fica na cama com sua senhora. – A voz acida da prima lhe deixou em estado de alerta. – Os vassalos já estão a postos, quando Robb Stark souber que estamos em marcha logo juntará seu exercito e virá também.

– Ou talvez ele espere que nossos homens morram enfraquecendo a capital para depois seguir e dominar a cidade sem grandes perdas. – Rebateu. – Devemos ser pacientes, os Lannister estão em desvantagem numérica, mas Lorde Tywin sempre foi conhecido por sua inteligência, uma guerra não se ganha apenas com espadas. Estamos ganhando hoje, mas podemos ser esmagados amanhã.

– Estamos dando tempo para que esse homem pense em uma saída, temos que acabar logo com eles.

Quentyn permaneceu calado e seu tio suspirou.

– Não somos tão fortes como você imagina. Vencemos os dragões no passado e cultivamos a fama de indomáveis, mas a realidade é diferente. – A voz do seu tio era profunda e lenta, — os Lannister estarão em vantagem contra um exercito dornês sozinho, não permitirei Dorne sangre novamente. Vamos lutar minha filha, mas vamos lutar junto com o Jovem Lobo.

– É o mais sensato a fazer. – Quentyn falou pela a primeira vez.

Aquilo foi o suficiente para a princesa de Dorne explodir.

– Foi por isso que o escolheu meu pai? Porque ele concorda com tudo o que você diz? – Arianne ficou de pé e furiosa apontou para o irmão. – Por isso que o estava incentivando a roubar o meu direito de nascença?

– Do que...? – Myriah foi interrompida pelo o príncipe Doran.

– Arianne se acalme.

– Eu li as carta, eu tinha apenas quatorze anos e fui até o seu quarto lhe dar um beijo de boa noite e lá estava, você escreveu para Quentyn dizendo que ele deveria ser um líder justo e capaz para Dorne... Nossas leis o envergonham pai? É isso? – Doran suspirou e Quentyn parecia petrificado na sua cadeira. – Ele não vai roubar o meu direito.

– Arianne ninguém vai roubar o seu direito... – ele nunca me contou que escreveu para Quentyn, mas Myriah provavelmente sabia quando isso aconteceu, na época em que seu tio tinha a terrível idéia de casar Arianne com o príncipe banido.

Idéia essa que ela foi contra fervorosamente.

– Vocês, — o príncipe mais velho disse se referindo a ela e Quentyn, — saiam que eu devo ter uma conversar com a minha filha.

Mas Arianne se adiantou e saiu arrastando as saias no chão. Abriu a porta com violência – como sempre fazia quando estava com raiva – e então se deparou com Daemon. O cavaleiro a olhou com preocupação e como resposta recebeu uma caricia no rosto e um sorriso cheio de segundas intenções.

A princesa provavelmente planejava irritar o pai com essa atitude, mas acabou por encher de raiva outra pessoa.

Catelyn


A rainha está grávida.

A noticia veio um dia depois que ficou descido quando o exercido se colocaria em marcha. Margaery recebeu os cumprimentos de todos os vassalos e era freqüentemente vista com a pequena Sierra nos braços. Um presente dos Deuses, a menina havia sido.

Entretanto nem todo mundo parecia feliz. As felicitações dos Frey vieram cheias de ironia e rancor, Catelyn sabia que Lorde Walder torcia para que a nova rainha não desse nada além de garotas para o Rei. A jovem rosa, entretanto, disse por todo o castelo que os Deuses lhe enviaram por meio de sonhos a noticia de que seria um menino.

– Um herdeiro homem para o Rei.

Todos sorriram com essas palavras. Todos menos os Frey.

Lady Stark passou então a se ajoelhar e rezar no Septo todos os dias. Ela queria afastar de uma vez por todas o pressentimento de que algo ruim iria acontecer.

Notas finais
E eu ainda fiquei com a impressão de que o cap está pequeno. -.- Espero que gostem. Beijos ;*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.