Sonho de Infância
3 Rodada 3
Notas iniciais
Hmmm... Annn...
Um bocejo de sono irrompe pela minha boca.
Já é de manhã?... Que preguiça... Acho que o celular está vibrando... Ahhh, não vou levantar pra atender, não...
Dou uma espreguiçada e viro pro outro lado da cama. Mais um bocejo. Só mais cinco minutinhos...
BLAM!
Oi? Que barulho foi esse? Será que veio daqui de dentro de casa? Se for um ladrão, por favor, só leva essa TV estragada e me deixa continuar dormindo...
De repente, a porta do meu quarto se abre. Instintivamente, pulo pra fora da cama como se tivesse levado um choque.
"Ai, filha, você tá aqui! Por que não atendeu o celular quando eu liguei? Hein?"
Ai meu Deus. O que ela tá fazendo aqui? A casa tá uma bagunça! Eu tô um caco! Péssima hora pra minha mãe aparecer.
"Sempre atenda seu celular, entendeu? Fiquei morrendo de preocupação que algo tivesse acontecido com você, aí tive que vir aqui ver se estava tudo bem."
"Co-como você entrou?..."
Ah, lembrei que eu dei pra ela uma cópia da chave. Eu definitivamente não devia estar em sã consciência quando tomei essa decisão.
Meu coração, antes disparado, aos poucos vai se acalmando. Levanto vagarosamente do chão, massageado minhas nádegas doloridas devido à queda. Mamãe se aproxima e me dá um abraço de urso, sem parar de falar nem por um segundo.
"Vê se isso é hora de levantar? Já tá quase na hora do almoço! E essa sua casa, você sempre deixa tudo bagunçado assim?"
"Err, eu ia arrumar, não deu tempo, né. Antes de mais nada, deixa eu preparar um pouquinho de café."
Mamãe sai do meu quarto, indo em direção a cozinha. Rapidamente, troco de roupa e penteio o cabelo para ficar mais apresentável (e menos "estilo zumbi"). Por mim, eu ficaria usando moletom o dia todo, mas a presença da minha mãe me faz repensar essa ideia.
Quando saio do quarto, vou até a sala e tento disfarçar toda aquela bagunça. Ouço o som da máquina de café funcionando na cozinha, mas estou ocupada demais arrumando as coisas. Depois de uns instantes, mamãe aparece com uma xícara nas mãos.
"Awn, mamis, obrigada pelo café..."
"Isso é pra mim. Se você quiser um, vai lá fazer. Não foi você que quis morar sozinha? E lembra que a louça não se lava sozinha, sua pia está quase transbordando."
Percebo o tom de mágoa.
"Ok, ok. Eu faço."
O nível de organização da sala está bem satisfatório, considerando o pouco tempo que tive. Estou andando para a cozinha, quando ouço a voz de mamãe pelas minhas costas.
"Que mancha é essa no sofá?"
Putz, esqueci de cobrir essa!
Agora é a hora para colocar meus conhecimentos em prática e limpar aquilo de uma vez por todas. Com esse pensamento, corro até a cozinha, abro a geladeira e pego a farinha de trigo.
Quando chego na sala segurando o pote, com a clara intenção de apagar a mancha, mamãe me faz parar.
"Não, não é assim que faz! Farinha é pra óleo, e isso parece mancha de café. Bom... acho melhor você cobrir mesmo. Já sei que é o que você ia fazer, se eu não tivesse aqui."
"Achei que tinha aprendido o truque..."
"Comigo que não foi. Porque você não pesquisa na internet antes de fazer algo assim?"
Fico sem responder. Mamãe pega a bolsa, com a clara intenção de ir embora.
"Você não mudou nada. Pensei que morar sozinha ia te fazer amadurecer..."
Suspiro. Abaixo a cabeça, envergonhada demais para responder.
"E o emprego?"
"Hmmm... Hoje é dia de folga."
É a primeira coisa que me vem a mente. Ela ainda não sabe da minha situação, e agora não é a melhor hora para contar. Mamãe se despede de mim com um forte abraço e um "eu te amo mesmo assim, meu bebê". Quando ela sai, a casa volta a ficar silenciosa como de costume.
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