Sonho Inacabável

3 Mais Assustadora que Vilã de Terceira Categoria.


Notas iniciais
Lembrando rapidamente que isso é uma obra de ficção.

Residência dos Furukawa – Sábado – 09:00 AM

Não tendo nenhuma atividade extracurricular e aproveitando o frio matinal, Natsuhi resolveu usar um camisão de gola alta, assim podendo ocultar a gargantilha dos seus pais que, para o azar de seu plano, estranharam o comportamento da menina, porém decidiram não questionar. “Adolescentes” foi o que pensaram. E Natsuhi teria sustentado a desculpa de estar com frio se não estivesse morrendo de calor debaixo daquela roupa. Pois bem! Só precisaria ir até o tal Oboro e descobrir que tipo de substância hidrofóbica ele usou que foi capaz de impedir uma tesoura de cortar a fita. Não! Só precisava ir até alguém que pudesse remover aquilo, como Harada Fuyumi! Encontrar o Senhor Estranho Ito Oboro seria pior que a morte em si, principalmente por causa daquela gargantilha estúpida!

Bom, só restava pedir ajuda para alguém que não fosse um de seus pais. Dando a desculpa que “ia até ali e já voltava” para exercitar a perna machucada, conseguiu uma fácil permissão para sair de casa pelo tempo que achasse necessário. No entanto, seus planos de se encontrar com Fuyumi foram frustrados, pois ninguém atendeu a porta da casa, restando apenas Chiharu para ajudá-la. Tudo bem em deixar Chiharu saber disto? Talvez, afinal foi ela que a empurrou para o problema inicial. Pegando seu celular começou a digitar uma mensagem para saber onde esta se encontrava. Ah, claro, o clube de esportes. Explicando resumidamente os eventos do dia anterior para justificar seu pedido de ajuda, ficou combinado que ambas se encontrariam exatamente no momento em que as atividades terminassem na porta do colégio. Não, não citou o motivo do pedido. O medo de outras pessoas lerem suas mensagens era grande demais.

Colégio Kanto – Sábado – 01:03 PM

— Vai direto ao ponto que meu estômago tá colando nas costas.

Chiharu, como sempre, direta demais! Quase fez a pobre Natsuhi se encolher inteira diante daquela declaração. Enfim, o pescoço da mais nova foi exibido, revelando a gargantilha. Chiharu só deu um sorriso extremamente radiante.

— Que fofo! Isso quer dizer que você e o Ito-san estão juntos?!

— Eh? Eh?! – Natsuhi levou um bom tempo para processar a informação. Não chegou a virar um tomate, mas seria difícil negar que aquele rosto não se enrubesceu. – Eu e o Ito-senpai não estamos juntos! Ele só queria ver como eu ficava usando isso e eu fiz o que ele pediu pra que ele não saísse chorando e fosse confundido com a Hanako-san!

Chiharu até se surpreendeu com aquela frase longa e irritada vindo de Natsuhi! Aquilo era muito incomum! Uma frase longa e uma frase irritada juntas? A mais velha até olhou para o céu limpo em busca de nuvens de chuva.

— Ah, vá! Vocês formam um casalzinho bonitinho! São emburrados por igual!

— Não temos nada em comum!

— Não? Os dois andam encurvados, tem o cabelo bagunçado e são do clube de artes! Sem dizer que se você não estivesse interessada nele, não estaria usando essa gargantilha agora!

— Eu estou usando porque não consigo tirar! Essa droga não arrebenta ou corta! – Natsuhi suspirou de forma audível. – ... Não vou te perdoar facilmente por ter arrumado o encontro com o esquisitão.

Chiharu tentou ajudar como pôde para remover a peça sem sucesso algum. Depois de quinze minutos de empurra e puxa, a mais velha teve uma ideia que faria qualquer garota em sã consciência vomitar.

— Por que não pedimos pro Ito-san tirar? Aposto que é uma daquelas travas com senha, tipo aqueles shorts alemães!

Natushi arregalou os olhos, soltou um longo suspiro e acabou cedendo. Não podia simplesmente passar o resto do fim de semana suando como uma condenada, além de ser impossível de ocultar aquele acessório com o uniforme escolar.

— Só espero que ele não more muito longe... Minha perna ainda não está completamente curada.

Chiharu deu uma boa risada.

— Ele mora exatamente na metade do caminho entre sua casa e o colégio! Você passa todo dia pela casa dele e nunca nota, avoada!

— Eu usava o trem até o terremoto...

“Além disso, eu esperava que ele morasse em um templo abandonado ou em uma mansão mal-assombrada.” Foi uma frase que morreu em sua garganta, não tendo um combustível chamado “coragem” para torná-la audível.

Logo que estavam de saída, foram confrontadas por ninguém menos que Morita Midori e Gusukuma Akane, ambas integrantes do clube de esportes e velhas conhecidas de Chiharu. Uma coisa que aquelas duas não sabiam era ficar de fora de qualquer assunto, por esta razão a abordagem delas foi estupidamente direta:

— Indo visitar o Ito-senpai? – Midori indagou.

— É uma coincidência gigante. – Akane continuou.

Natsuhi analisou-as friamente. Conhecia seus nomes, mas nunca as vira pessoalmente, exceto pela tal Morita Midori que estudava em sua sala. Cabelos negros, compridos, lisos e uma franja bagunçada num corpo magro com rosto de raposa. Era meio óbvio que alguns garotos se sentiam atraídos pelo ar de superior que exalava dela. Já Gusukuma Akane era quase um urso: cabelos curtos e bagunçados, forte e algo que rivalizava um pouco a masculinidade aparente de Chiharu. Vamos dizer que aquela garota era mais masculina que qualquer outro garoto e uma vez foi eleita como “príncipe estudantil” após fazer uma ponta em uma apresentação do clube de drama como o escudeiro que fazia observações engraçadinhas para o ator principal no papel de príncipe encantado.

— Coincidência? – Chiharu perguntou, quebrando a linha de pensamento de Natsuhi.

— Sim, coincidência. – Akane justificou. – Decidimos enquanto nos trocávamos que ele poderia desenhar o cartaz para chamar mais membros para o clube.

— E já que vocês vão visitá-lo, podemos ir todas juntas! – Midori finalizou.

Mesmo que Natsuhi não quisesse que fossem acompanhadas daquelas duas, não teve voz para ir contra Chiharu ou desistir de ir até a casa do tal Oboro. Uma casa bem ajeitadinha por fora e por dentro também. Quem as atendeu foi um homem de aparência taciturna que, mesmo com a garantia de que eram colegas de Oboro, relutou em deixá-las entrar. Deu a desculpa que o mesmo não se encontrava, fazendo com que Midori e Akane deixassem o recado de desenhar os novos cartazes para o clube delas. No caso de Chiharu e Natsuhi, ambas disseram que só estavam acompanhando a duplinha dinâmica.

Aparentemente teria de derreter no calor pelo resto do fim de semana.

Na volta para a casa, quando Chiharu estava falando que teriam de recorrer aos mais criativos métodos de tirar aquela coisa, Natsuhi lembrou-se de algo: Harada Fuyumi.

— Chiharu-senpai, por acaso a Fuyumi-san tinha alguma atividade de clube?

— A Fuyumi-chan? – Chiharu coçou o queixo. – Não. O clube de música estava fechado hoje.

— ... Deve ter viajado.

Quando Chiharu estava disposta a fazer uma pergunta sobre o que Natsuhi estava falando, um vento frio e cortante passou pelas duas colegas seguido de um forte apito atordoante, tão perturbador que as forçou a tampar os ouvidos, até cerrar os olhos no processo. Quando abriram os olhos novamente, não estavam mais em uma rua e sim em uma sala vazia sem um ponto fixo de iluminação, mas com luz e calor agradável. Natsuhi olhou ao redor apenas para ver uma Chiharu relaxadamente encostada em uma das paredes fazendo absolutamente nada. Sim, porque a reação mais normal do mundo é você agir como se estivesse entediado em um momento completamente esquisito! Não encontrando palavras para indagar nada sobre o que era aquilo ou a calmaria da amiga, Natsuhi resolveu acompanhá-la no ato de nada fazer enquanto se encostava contra uma das paredes da sala, sendo a única diferença o fato que a mais nova estava com os músculos tensos de medo. A situação por si só era estranha e a calmaria estava deixando pior.

Do nada, dor.

Natsuhi sentiu uma forte dor no lugar que possuía o corte em sua perna, chegou até a soltar um som quando tocou as bandagens por baixo da calça, finalmente fazendo Chiharu ter uma reação, ainda que esta não fosse tão boa. Enquanto Natsuhi se escorregava para o chão por conta da dor, Chiharu parecia tentar sustentá-la no alto. O motivo só foi entendido quando Natsuhi encostou os quadris no chão e sentiu como se a divisão do solo fosse algo pouco palpável, espumoso e que deixou seu corpo atravessá-lo, exceto por seus pés. O mesmo chegou a ocorrer com Chiharu, pois a mais nova teve a visão de sua senpai com uma face de poucos amigos sustentada pelos próprios pés, com os cabelos negros em uma posição que a fazia parecer um pincel.

— A dor passou... – Natsuhi comentou em baixa voz, temendo que Chiharu estivesse irritada com seu comportamento de poucos segundos atrás.

— Excelente! Que bom que sua dor passou! – Pelo modo grosseiro, Chiharu não estava parabenizando a mais nova, só sendo irônica de um modo muito óbvio. – Já percebeu a situação?! Eu e você, ambas sustentadas pelos pés em um vazio branco! Será que dá para ter pelo menos uma reação normal?!

As mãos de Chiharu chegaram a agarrar os cabelos de Natsuhi e sacudi-la em frustração até o momento que uma voz fina como o tilintar de sinos surgiu em uma risadinha antes de revelar que sabia falar:

— Ora, ora, ora. O que temos na rede de hoje? Duas garotinhas e uma delas é especial!

Quando ambas se viraram na direção da voz viram apenas o que parecia ser um bonequinho de pelúcia roxo em forma de morcego nos ombros de uma moça dentro do que parecia ser um maiô verde brilhante de gola alta com uma extensão do mesmo tecido às suas costas como um imenso rabo de noiva. Tudo nela era verde, exceto pela pele. Chiharu pareceu tremer um pouco diante daquela garota e o morcego nada realista.

— Finalmente encontrei sua verdadeira face, Princesa Orquídea!

De uma coisa ambas tiveram certeza: estavam em perigo e ainda por cima sendo atacadas por uma cosplayer de pavão. Bom, essa última parte foi Natsuhi que pensou, pois Chiharu soltou um pequenino sorriso enquanto soltava o cabelo da menor. Mesmo de cabeça para baixo ela sabia fazer uma pose de vencedora e usar uma voz estrondosa.

Garota Arco-Íris Verde! Eu já devia ter certeza, você é cheia desses truquinhos bestas com dimensões.

— Não rebaixe minha magia a “truquinhos baratos”!

— Eu não disse “baratos”, disse “bestas”.

A garota verde pareceu espumar de raiva, mas tentou manter a pose de vilã com o apontar de seu indicador para Chiharu enquanto bradava sua frase feita:

— Bom, foi ótimo te encontrar aqui e saber sua verdadeira identidade, meu dia não poderia ser melhor! Fu-fu-fu!

Então, Natsuhi interrompeu-as erguendo sua mão direita para baixo:

— ... Posso ir pra casa? A discussão parece boa, mas... Essa risadinha matou, desculpe-me.

— Ora, ora! – A tal Garota Arco-Íris interrompeu a única menina normal do grupo: – Furukawa Natsuhi-san, estou certa? – Natsuhi assentiu com a cabeça, um tanto quanto assustada pelo grau de conhecimento da outra. – Sim, sim, o terremoto na quinta-feira! Que irresponsável da minha parte! Eu já deveria saber que era você! Minhas dimensões geralmente causam dores fortes em feridas novas, me desculpe por essa introdução ruim!

Neste intervalo de tempo enquanto a suposta vilã de terceira categoria tagarelava, Chiharu virou-se de cabeça para cima e começou a esfregar um simples anel de metal cinza e antes mesmo que Natsuhi pudesse perceber algo, um brilho violeta e branco irradiou no corpo de sua senpai, alterando seus cabelos negros e bem arrumadinhos em uma massa colorida espetada, seus olhos castanhos viraram púrpuras e suas vestes eram estranhamente similares aos do tal “Príncipe Bambu”, só que com um toque mais feminino nas manguinhas cheias e ao invés de ser composta de branco e verde, só se via branco, roxo e rosa. Uma longa espada saiu do espartilho falso que existia em todo seu torso e logo foi usada para tentar atingir a garota verde que, por estar desatenta, só não fora ferida por ter conjurado uma barreira ao seu redor.

— Isso é feio, Chiharu-san, atacar enquanto o oponente está ocupado!

— Verde, eu não desejo te enfrentar, só quero sair dessa dimensão idiota e comer meu almoço! Será que pode me deixar ter uma vida normal, pra variar?! – Chiharu deu uma pausa ao remover a espada do contato com a barreira e erguer ambas as mãos para o alto. – E não seja besta! Meu nome agora é Princesa Orquídea!

— Ei, ei! – Natsuhi falou atraindo a atenção das combatentes. – Eu também quero almoçar.

A garota verde então sorriu antes de desativar sua barreira e desferir um único ataque conta Chiharu: um tipo de cubo negro saiu de seu punho e atravessou o estômago da Princesa Orquídea, felizmente, não causando nenhum dano aparente.

— Tudo bem! Eu realmente não desejo lutar contra você sozinha! – A Garota Arco-Íris disse. – O Cavaleiro Branco da Luz me mataria se eu quebrasse o brinquedo dele.

— Desde quando as Garotas Arco-Íris trabalham com a Dupla do Equilíbrio? – Chiharu indagou, desta vez desistindo de vez de atacar sua inimiga com a espada. – Vocês não eram equipes rivais ou coisa assim?

Nananinanão! Somos diferentes, mas nunca fomos rivais. Nossos propósitos são muito similares!

— Eu posso entender sobre o que vocês estão falando? – Natsuhi interrompeu novamente. – Sério, está chato ficar aqui de cabeça para baixo enquanto vocês colocam as fofocas em dia.

Dessa vez Chiharu explodiu:

— Puta merda, Natsuhi! Nossas vidas estão em risco e você fica me interrompendo?! Dá pra agir feito uma vítima normal e só pedir ajuda?! Merda!

Até mesmo a vilã se assustou e largou o sorriso. Largou a pompa também, pois o morceguinho de pelúcia precisou intervir:

— Vocês podem lutar, ouviram? Não precisam ficar dando atenção pra aquela menina.

Foi só dizer isto que Verde retirou um chicote do ar e fez com que a ponta estalasse contra nada, errando Chiharu. Se enfrentaram por uns longos instantes com estalos de couro e metal, Chiharu dando o melhor de si para desviar da arma alheia e Verde apenas desferindo golpes cegamente, quase como se seus olhos estivessem vazios... Espera, estavam mesmo!

— Chiharu-senpai! – Natsuhi exclamou. – Os olhos dela estão estranhos!

A Princesa Orquídea pode até não ter dado tanta atenção para a amiga, porém o vazio e a ausência de brilho nos olhos de sua oponente estavam mais evidentes do que nunca. Era hora de mudar a tática! Fingindo que ia atingir a cintura da Garota Arco-Íris com a espada na mão direita, usou a esquerda livre para desferir um soco naquela pelúcia roxa em forma de morcego. Parece que surtiu efeito, pois naquele momento a inimiga piscou e perdeu a força nas pernas, caindo no solo como se tivesse acabado de acordar de um longo sonho. Quando ergueu a cabeça, foi confrontada pela lâmina de Chiharu em seu pescoço.

— Então, Verde... – Chiharu parecia muito cansada pelo modo que respirava. – ... Pode ficar fora de minha... Vida, agora.

— Sabe, Orquídea? O único modo de isso acontecer é você afundando essa lâmina em mim.

A mão da heroína tremeu.

— O que foi? Não consegue? – Verde soltou uma micro-gargalhada antes de seu corpo se tornar aos poucos transparente. – Eu sei que não consegue... Vocês Nobres Cavaleiros são todos uns molengas.

E assim ela sumiu junto da pelúcia. Somente então que a Princesa Orquídea relaxou e percebeu que o mundo vazio em que estavam começou a ruir, sumir aos poucos, dar espaço à rua de antes. Tudo normal se não fosse um único detalhe lembrado por um grito de Natsuhi: ela ainda estava de pernas para o ar. E caindo!

Por sorte, Natsuhi caiu em algo macio.

— Tô bem! – Exclamou a garota sufocada pela gargantilha, estranhamente feliz. Algo do tipo, muito feliz! Feliz como Harada Fuyumi! Até Chiharu estranhou ver aquela menina em seu colo agir daquela forma, principalmente com aquele sorrisão bobo de orelha a orelha e olhos fechados. – ... Eu tive um sonho engraçado, Chiharu-senpai! Foi como o terremoto na quinta! A diferença é que dessa vez não era um garoto cosplayer que me salvava, mas você!

Então Natsuhi abriu os olhos para ver uma Chiharu de cabelos coloridos e espetados e olhos roxos. Seu sorriso foi para longe.

— Não... Não foi um sonho, né?!

— Então... Sobre isso... – Certamente Chiharu estava perdida na metade da história que Natsuhi balbuciou. – Não foi sonho não. Pelo menos a parte que eu sou uma Garota Mágica.

Natsuhi quase desmaiou no colo da Garota Mágica enquanto esta voltava ao seu estado normal, tornando-se novamente na colegial Midoriyama Chiharu.

— Fala sério...?! Você é uma Garota Mágica?! Eu achei que isso fosse coisa da Fuyumi!

— Então, minha reação não foi melhor quando me tornei uma.

Natsuhi parecia morta internamente com aquela quantidade imensa de informações, nem mesmo parecia ligar para o fato de estar sendo carregada no colo de sua senpai, muito menos pensou na dor nos braços que isso poderia causar.

— Mas, sim, sou uma Garota Mágica. Uma Garota Mágica que usa calças!

A Princesa Orquídea, não mais transformada, exibiu um sorriso genuinamente orgulhoso. E apesar de tudo aquilo, quando Natsuhi voltou aos seus sensos comuns, se debateu para sair do colo de Chiharu, o que resultou sua queda no chão... Macio? Foi diante de um gemidinho fraco de dor vindo debaixo de si e o “Nossa, que queda” vindo de Chiharu que Natsuhi percebeu o que aconteceu: tinha aterrissado em outra pessoa que não tinha nada a ver com o assunto. Uma garota vestida inteiramente em preto, bem vestida, bem vestida em tecidos caros! Até parecia uma boneca alta e magra digna de ser modelo da Gothic & Lolita Bible! Era muito preto e pouca estampa pra ser uma modelo comum da Revista Kera. Em outras palavras, Furukawa Natsuhi tinha aterrissado em uma verdadeira princesa da moda goth-loli. Vamos dizer que ela saiu de cima daquela garota em um pulo rápido até demais para quem estava com a perna machucada.

— M-mil desculpas! – Natsuhi disse ao se colocar no chão, dessa vez duro, e pedir o máximo perdão enquanto Chiharu ajudava a princesa das trevas se erguer. – E-eu...

— Ela está com a perna machucada, se cansou um pouco e eu a ergui. – Chiharu resolveu explicar. – Perdão, eu não sabia que ela ia pular.

— Ah... – A menina de vestido começou. Cruzes, aquela maquiagem em excesso até assustava um pouco. – Tudo bem... Eu deveria ter... Desviado...

Outra que falava no ritmo de uma lesma. Parabéns.

— Então... Quer tomar um sorvete ou ir numa cafeteria em Shinjuku? – Chiharu disse. – Sabe, só para não ficar essa impressão chata...

Natsuhi estava pensando em dizer que não era uma boa ideia, mas ver os olhos azulados pelas lentes de contato da menina das trevas foi impossível falar algo. Ela tinha um sorriso muito largo e muito doce, até um tico assustador. Provavelmente não tinha muito contato com as pessoas.

— Aceito! Com muito prazer!

Apesar da perna de Natsuhi, Chiharu insistiu que o local não devia ser o GORILLA, a cafeteria mais próxima de onde estavam. Ela insistiu no longe Coffe House Nishiya, com a desculpa que o pudim de creme lá era o mais delicioso que se pode provar. Bom, por sorte, parte do trajeto pôde ser feito através de um trem. Entretanto, há algo estranho nesta novela: tudo começou com uma gargantilha que virou uma luta de dimensões surreais e logo em seguida tudo virou uma comédia romântica de amigas que vão à uma cafeteria, sendo elas uma menina normal que usa roupas de frio no calor, uma alta “garota-príncipe” e uma lolita gótica. Pra falar a verdade, por que a lolita gótica parece tão feliz? Por que ela se agarra tanto nas barras como se tentasse sorrateiramente encostar em Natsuhi? Amor a primeira queda era bobagem, talvez só tivesse um plano maligno em mente! Um plano que consistia transformar as duas amigas em lolitas góticas, começando pela menina sem voz ativa.

Garota das trevas, seja lá qual for seu nome ou seus interesses, você definitivamente assusta mais que qualquer vilã numa fantasia brilhante.

Notas finais
Rosto de Raposa é uma formação facial cujo o rosto é longo e fino que se assemelha ao de uma raposa. Gothic & Lolita Bible é uma revista de moda goth-loli que encerrou suas publicações em 2009, subproduto da Revista Kera, conhecida mais como "a revista principal da moda do Harajuku"(o famoso "bairro da moda" em Tokyo) GORILLA e Coffe House Nishiya são cafeterias localizadas no bairro de Shibuya. Enfim, é isso.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.