Sonho Imortal
1 Algumas mudanças
O vento soprava lá fora, derrubando na neve, as folhas secas do outono frio da Geórgia. Eu olhava através da janela embaçada, algumas crianças brincando no parque com seus pais. Já não via a hora de ir para o aeroporto e encontrar minha mãe e minha irmã mais nova, Taylor. O problema é que minha tia Deff só iria me levar pela tarde. Eu já estava a mais de duas semanas aqui na Geórgia com ela, porque depois que ela adoeceu minha mãe me obrigou a vim passar um tempo com ela pra ela não ficar aqui sozinha, mas isso aqui parecia mais um prisão do que uma casa. Ela não me deixava sair e nem fazer nada que eu quisesse se quer saber.
Peguei uma revista da Vogue na bancada da sala e logo depois comecei a ouvir Skinny Love e adormeci no sofá com os fones no ouvido e a revista no colo. Quando despertei, comi algo e me arrumei. Vesti meu vestido vermelho preferido, com um salto preto e deixei o cabelo solto. Peguei minhas malas e entrei no carro, ansiosa. Tia Deff e eu não demos uma palavra até a chegada do aeroporto, onde ela recusou entrar. Então eu despedi-me e lhe agradeci por tudo. Então avistei a minha mãe, que usava uma calça preta e uma blusa de crochê bege e minha irmã Taylor, que estava usando um vestido rosa que eu havia lhe dado de Natal. Atrás delas havia um garoto, que eu nunca tinha visto na vida. Com a pele bronzeada, olhos esverdeados e o cabelo preto como o carvão e então não pude ver mais porque a Taylor me alcançou com os olhos turvos pelas lágrimas.
- Leslie, que saudade.
- Olha o que eu trouxe pra você.
- Que boneca linda, obrigada.
- Sei que está doida pra brincar com ela, pode ir.
Ela saiu toda feliz com a bonequinha de pano que eu havia acabado de dar a ela. Corri para os braços da minha mãe, dando-lhe um abraço apertado, e senti uma lágrima solitária rolar pela minha face, indicando que ela tinha realmente feito falta, apesar dos poucos dias. Eu não sabia viver sem minha mãe!
-Nem acredito que estou de volta, mãe.
-Pois é eu não via à hora minha filha.
-E quem é aquele garoto? Alguém que eu deva conhecer?
-Ah sim. Markin vem até aqui. Leslie, esse é o filho de ma grande amiga minha, Markin e Markin essa é minha filha Leslie.
-Oi Markin.
Ele não respondeu, só deu um sorriso meio torto. Nós pegamos um táxi e fomos pra casa. Taylor não parava de brincar com sua boneca, que ela chamou de Mel e minha mãe não parava de conversar comigo. Markin estava lá em cima, no quarto. Então ele desceu e sentou no sofá onde todos nós estávamos até minha mãe subir com Taylor para desfazer as malas. Comecei a me sentir desconfortável ali com aquele garoto que eu não conhecia. Resolvi saber mais sobre a vinda dele pra cá.
-Veio pelos estudos?
-Não, minha mãe precisou ser internada porque ela teve uma crise de depressão.
-Ah minha nossa, sinto muito.
-Eu também.
-E quanto tempo você pretende ficar aqui com a gente?!
-Só até eu ter certeza de que já vou poder voltar pra lá.
-Bem, eu sei que o quarto de hóspedes não é muito bom, mas você se acomodou bem?
-Sua mãe disse que eu ficaria no seu quarto. Minhas coisas já estão lá.
-Mas, no meu quarto?
-Ela disse ainda, que você dormiria com a Taylor.
-Manhê! Pra que existe um quarto de hóspedes nessa casa hein?!
-Qual o problema de você dormir com sua irmã?
-Porque tomar o quarto dos outros, é invasão de privacidade, sabia?
-Acho melhor parar com isso e se quer fazer uma coisa que preste vai lá ao forno e pega o bolo de cenoura, senão vai queimar.
Não havia gostado nada, nada daquela história daquele garoto chegar assim na minha casa sem eu nem ser avisada e ainda ficar no meu quarto. Fui para a cozinha e sentei com todos para comer o bolo que minha mãe tinha feito e que por sinal estava delicioso. Comi tudo em silêncio e de repente pensei que estava sendo infantil demais e esperei todos levantarem para eu pedir desculpa a ele, porque eu não queria fazer aquilo em público. Mas ele foi o primeiro a se levantar e eu perdi a oportunidade. Subi para o quarto da Taylor que em pouco tempo, estava dormindo. Eu não conseguia pegar no sono de jeito nenhum e fui até a janela e quando olhei de relance para a entrada da casa, avistei Markin sentado na escada. Saí de fininho para não acordar ninguém, peguei um casaco e fui até ele. Sentei um degrau acima do qual ele estava e disse:
-Me desculpe pela minha infantilidade. Pode ficar lá no quarto mesmo.
-Ah, você ta aí.
Percebi que ele enfiou alguns lápis e papéis dentro de um caderno, como se não quisesse que eu visse o que estava fazendo, mas eu não dei importância.
-Olha, seja bem-vindo a nossa casa.
-Valeu.
-Não está com frio?
-Tá brincando? Tô congelando, mas não achei nenhum cobertor lá.
-Aqui, pode ficar com o meu casaco. Enfim, eu já vou entrar.
Coloquei o meu casaco em seus ombros e vi uma parte do que ele estava fazendo. Era uma garota, era eu, era o que eu pensava.
-Tá me desenhando?
-Ah, não. Só são alguns rascunhos de... De... De mim. Não tem nada pra fazer mesmo.
-Tá bom então.
-Ah,valeu mesmo. Boa noite Leslie.
-Boa noite!
Notas finais
Bem, escrevam aí o que acham que deve melhorar.
Beijos para toda nação do Nyah!
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