Sonho Acordada.
1 Capítulo único.
Notas iniciais
Meu nome é Camilla, uma garota comum do 2º ano, a única coisa que me irrita na minha vida é o fato de eu sonhar acordada, muito, não consigo passar uma hora sem sonhar acordada pelo menos uma vez. Isso não seria um problema, consigo entender as coisas nas aulas e tudo mais, até já pensei se eu continuasse assim quando eu fizesse 18 e acabasse provocando algum acidente, mas meu pai já me ensinou a dirigir e quando o fiz não aconteceu nada, continuei sonhando acordada uma vez por outra, mas nada de mais aconteceu, até nas partes de manobragem onde precisa de mais concentração me sai excelentemente; o real problema é o que acontece nos meus sonhos, eu já deveria estar acostumada, mas não consigo, sempre que eu acabo caindo no sono é a mesma coisa, eu num lugar escuro que parece uma floresta ou sei lá o que, sozinha, só o que eu consigo fazer é fugir das coisas que me perseguem e me alimentar como poço, sempre que eu durmo é a mesma coisa, sempre sou eu nesse lugar, mas não é como se fosse eu fazendo as mesmas coisas, no mesmo lugar com as mesmas coisas me perseguindo, sempre uma continuação, se num sonho eu estou escondida, no outro eu saio da onde eu estava e vou me alimentar ou sair porque alguma coisa me achou. É sempre horrível.
—-xx--
E mais um dia da minha vida real/sonho, acordo de meu pesadelo onde eu acabo de encontrar um lugar onde descansar um pouco depois de roubar comida de um monstro as coisas começam a balançar, o monstro voltou, tento me defender com minha lança, não da certo, ele me atinge e eu caio a alguns metros de distancia, meu pai está me esperando para me deixar no colégio, como meu café da manhã rapidamente e vou até o carro. Me levanto do chão e corro pra longe do monstro o mais rápido o possível, tento olhar para traz e percebo que ele tinha asas, droga, não teria chance se continuasse apenas correndo. Já que as arvores eram bem altas e resistentes fui para debaixo da raiz de uma, ele era muito grande para entrar ali, mas se ele quisesse poderia quebrar aquela arvore em questão de minutos, tinha que pensar em um plano. O caminho para a escola era um pouco longo então eu sempre conversava um pouco com meu pai, adorava conversar com ele, mas me lembro que tinha dever para casa que eu não tinha feito então começo a fazê-lo. Tive uma ideia, sempre que ele vai atacar ele sobe mais um pouco no ar e depois cai com rapidez, tenho que fugir enquanto ele está subindo, ele demora um pouco para fazê-lo, tinha que ir logo, a arvore não aguentaria por mais muito tempo. Ele bateu na arvore mais uma vez e depois começou a subir, assim que ele o fez eu sai correndo silenciosamente, não podia deixá-lo me pegar, seria meu fim.
Terminei meu dever bem a tempo, assim que eu fechei meu caderno o carro parou, minhas amigas estavam me esperando na entrada, já sem as mochilas, já haviam deixado-as na sala. Hoje é... terça! Minhas aulas preferidas, matemática, física, ambas eram hoje, o resto eu nem me dava ao luxo de decorar, não eram importantes par mim.
— C. você está mais feliz que o normal, aconteceu alguma coisa boa com você? – perguntou Amanda.
Ele não percebeu que eu sai, que bom, poderei comer um pouco mais tranquila hoje, odeio faltar com as minhas duas refeições ao dia, me sinto fraca que e não corro ou luto direito. Enquanto comia um pedaço de carne, que roubei do monstro que voava, ouço um barulho atás de mim, pensava que havia despistado ele...droga! fui me afastando devagar para de baixo de uma raiz de arvore, assim que eu estava completamente escondida olhei para fora para ver o que era. Um monstro dente de sabre, o chamo assim porque ele parece com o animal dente de sabre que estudei em historia, mas ele parecia umas três vezes maior.
— [...] só isso... – respondi.
— como assim só isso? Isso é ótimo! Como é que você pode esconder que o Carlos te pediu em namoro?! Isso se conta assim que acontece! – falou Rebeca. As duas estavam histéricas, não entedia toda essa euforia, nem me lembrava que isso havia acontecido, quanto mais que eu tinha contado isso para ela. Esses dias eu estava mais aérea que o normal, não consigo me concentrar em nada, mas as coisas continuam acontecendo sem eu nem perceber.
Ele estava farejando o ar, deveria estar sentindo o meu cheiro ou o da carne que acabara de comer, ele andava devagar e paciente, quase sem fazer barulho, ficaria quieta até ele sair dali, mas ele estava demorando... de repente levantou a cabeça e começou a vir em minha direção, isso não seria bom, se eu fizesse algum barulho ele ma acharia, e eu não tinha chance alguma em apostar corrida contra ele.
Outro movimento na mata é percebido e ele olha fixamente para lá, era um animal um pouco menor que ele, que não teve tanta sorte. O dente de sabre bula nele e começa a devorá-lo, pode ser um predador admirável, mas não é burro de deixar uma comida que já esta em sua boca para ir atrás de outra. Sai dali um pouco mais tranquila e fui procurar um lugar seguro... uma clareira cairia bem, mas em todos esses anos nunca tive tanta sorte em encontrar alguma... Não que me lembrasse.
—resposta certa, muito bem Camilla! – falou o professor enquanto escrevia o que disse no quadro. Não tinha nem ideia de qual assunto estávamos vendo, mas sabia que já tinha entendido perfeitamente porque metade da sala me olhava como se eu fosse uma nerd chata, um quarto revirava os olhos e o resto me olhava com um sorriso na cara.
Assim que terminamos de copiar o que o professor colocou no quadro fomos dispensados para o intervalo, adorava a comida da cantina, era tão boa, comprei o de sempre, um cachorro quente e uma KS, a comida estava mais gostosa que o normal... achei uma caverna que parecia segura, mas acabei me enganando, era a casa de um monstro gigante, minha sorte é que os monstros que vivem em cavernas normalmente tem uma péssima visão, então consegui escapar rapidamente sem nem um aranhão.
Estava começando a ficar preocupada, estava prestes a anoitecer e as criaturas que andam de noite não são boazinhas como o dente de sabre, esse é o lado ruim de não fazer uma casa, você tem que encontrar um lugar novo todas as noites, o lado ruim de ter uma casa é o fato de depois de três dias que você fica naquela casa você começa a ser atacado por todos os tipos de criatura tanto de dia quanto de noite, seu cheiro já esta na casa, então fica difícil... Sei disso por experiência própria, antes mesmo de terminar a casa eu estava rodeada por vários monstros, foi um desastre.
Antes de voltar a procurar um lugar para dormir tive que procurar por comida mais uma vez, dessa vez seria alguma fruta, já havia decorado todas as frutas, legumes ou vegetais que me fariam mau, também por experiência própria, mas disso eu não consigo me lembrar muito bem... nem sei como estou viva depois dessa experiência...
— muito bom, pessoal, não se esqueçam da atividade para a próxima aula, estão todos dispensados — falou outro professor ao final da aula. Isso estava ficando realmente preocupante, eu não consigo me lembrar de nada da aula inteira.
Fui para a frente do colégio e vi meu pai me esperando no carro, ele não era disso, sempre estava ocupado, não entendi por que ele chegou antes até de eu ligar. Entrei no carro e começamos a conversar.
—como foi sua aula hoje? – me perguntou
— foi bem, o assunto era bem fácil. – não poderia contar para ele sobre meus desvios de atenção, não agora, meus pais nunca descobriram sobre isso, nem eu havia contado para eles, era simples, se isso não me prejudicava eu não precisava de ajuda, se eu não precisava de ajuda eu não precisava contar a ninguém, simples assim.
— que bom, tenho uma surpresa para você hoje, você sabe aquele prato que você gosta...
Estava cansada de procurar por um lugar onde dormir, acho que vou ficar acordada essa noite... já havia escurecido totalmente, então não tinha jeito senão esperar que amanheça. Olhei para o chão e vi um cogumelo, era a minha comida favorita, era simples e gostoso.
Olhei para a mesa e vi um prato cheio de cogumelos, os meus favoritos, adoro meus pais, eles sabem mesmo deixar meu dia cada vez melhor...
— é melhor você não comer isso... – ouvi uma voz do meu lado, reconhecia claramente aquela voz, a voz de um dos piores monstros de toda a floresta...
— porque não? É uma comida saudável que eu gosto. Se você esta aqui para se alimentar, é melhor ir embora, não vai conseguir hoje de novo. – falei olhando para ele, dessa vez estava com a aparência de uma menina, em torno de 1 metro e 60 de altura, cabelos longos, volumosos, ondulados e de uma cor vermelha viva, sua pele era de um branco quase pálido e seus olhos eram completamente pretos. Conhecia mais que bem aquele aspecto, o via toda vez que olhava na água de alguma poça da chuva ou quando eu encontrava algum rio, era a minha imagem.
— você realmente pensa isso? Quanto tempo faz que você comeu essa espécie de cogumelo pela ultima vez? Alguns dias, no máximo uma semana não é? Porque você acha que os seus ‘sonhos’ estão cada vez mais freqüentes? Você realmente ainda não percebeu? Esse cogumelo que você tanto gosta é uma droga, ele provoca alucinações, se você ainda não percebeu, eu te direi mais um segredinho, — ele começou a se aproximar de mim enquanto falava. – seus ‘sonhos’, ou como eu chamaria, seus ‘pesadelos’, são sua vida, e sua ‘vida’, a que você tanto ama, com pais, uma casa, amigas, escola, tudo isso, é uma i-lu-são. – ele terminou a frase com um sorriso triunfante em ‘meu’ rosto. Senti meu rosto um pouco molhado, tive a impressão imediata que deveria fugir dali imediatamente. – ah, mas uma coisinha, — falou mudando para sua verdadeira forma, uma sombra, uma nevoa negra, mas negra que a própria escuridão; só o que sobrava era um pequeno vislumbre da minha face e a ponta de seus dedos, os quais passavam por uma parte do meu rosto que estava molhada. – eu acho que você nunca tinha sentido isso antes, pelo menos não que eu saiba, não a noite, mas, o que você está sentindo agora é o sentimento mais delicioso que qualquer ser obscuro pode um dia desfrutar. O mais puro medo, que ao se fazer lagrimas, se torna pânico. – falou lambendo a ponta de seus dedos molhados. – que quando arrancado da casca, se torna a refeição mais deliciosa.
Senti meu peito ser perfurado, e um pedaço ser arrancado rapidamente. Olhei para o que a sombra estava segurando, era meu coração, ainda palpitando compulsivamente. Ela cortou as veias de modo que ficasse apenas o coração, e o engoliu em uma única bocada.
— infelizmente essa refeição só presta se for feita a partir de seres humanos, os outros animais tem um gosto horrível, e essa espécie está em extinção nesse mundo, acho que vou ter que me mudar de novo. Você era a ultima daqui. Ainda bem que eu posso ficar bastante tempo sem comer, quando eu cai aqui tive que ficar adormecido por milênios para vocês se formarem, não sei porquê tem que demorar tanto para vocês ficarem prontos, e eu ainda tenho de ter tantos cuidados, tenho que fazer água, uma atmosfera, temperatura, gravidade, animais e velocidade de evolução certas, se não vocês não nascem ou ficam com um gosto horrível. A única coisa que ainda me faz ter tanta paciência é que quanto mais eu cuido mais gostosos ficam os resultados, e vocês ainda me fazem rir bastante quando começam a me chamar de Deus, me dando imagens e tudo mais, é hilário. Aposto que ele ficaria realmente decepcionado com vocês. Ah, que coisa, olhe eu falando com um cadáver mais uma vez, não entendo porque isso acontece sempre com os últimos. Adeus para você, Camilla, vou procurar seu nome no próximo mundo. 26 hun? Será divertido!
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