Songfics
11 Strangers like me (Tarzan) – Harry Potter
Notas iniciais
31 de julho de 1982, Harry está completando dois anos de idade, mas seus tios parecem não se importar com isso. O menino que dorme no armário embaixo das escadas levanta e se direciona a cozinha, esperando ao menos um abraço da tia.
Ele anda em sua direção com as mãos estendidas e abraça as pernas de Petúnia, assim que faz isso ela o afasta de si e contorce o rosto quase como se o garoto tivesse uma doença altamente contagiosa e letal.
— Mama, papa. – o menino pede com lágrimas nos olhos.
— Seus pais morreram, moleque idiota. – Válter cospe as palavras quando ouve o menino pedir por seus pais e o deixa com mais lágrimas nos olhos.
Seus tios não se importavam em dizer nada mais do que haviam combinado na noite em que o acolheram, quando ele ficasse maior, poderia entender que os pais morreram num acidente de carro e que saiu quase ileso, tendo como consequência apenas sua cicatriz em forma de raio.
Harry era muito novo para entender o ódio que seus tios sentiam por ele, também era novo demais para entender que ele estava longe de ser um garoto comum como seu primo Duda ou seu tio Válter.
Petúnia não gostava do sobrinho, porque via mais de Lilian no garoto do que ela poderia imaginar. Os olhos verdes a olhando magoados, a lembravam da expressão da irmã quando ela embarcou para Hogwarts pela primeira vez e Túnia a chamou de aberração, ela nunca tinha visto aqueles grandes olhos verdes tão marejados antes.
Para a tia ter de trocar e alimentar a criança que tinha os mesmos olhos dela era uma tarefa dolorosa. Por isso achou que se o maltratasse desde quando passou a morar com eles, ela não se sentiria tão mal. Ela estava muito enganada, mesmo mantendo a maior distância possível do garoto, aqueles olhos verdes a seguiam por todos os cômodos da casa.
Se ela já estava sofrendo quando ele tinha apenas dois anos, imagina como se sentiria quando ele recebesse a carta o convidando a estudar no mesmo colégio que sua mãe frequentava e que um dia ela sonhou em frequentar também.
31 de julho de 1990
— Levante, moleque. – sua tia bate na porta do armário embaixo da escada, ele coloca os óculos rapidamente e sai em direção a cozinha para preparar o café da manhã.
Harry a olha com um fundo de desprezo e ele se pergunta se ela sabe que dia é hoje, tenta lembrar quando nos últimos dez anos eles o desejaram feliz aniversário e não se lembra de nenhuma vez.
Quando termina de preparar o café, vai limpar a casa e varrer o chão. Sua tia tinha mania de limpeza e todo canto da casa brilhava, não havia uma única partícula de poeira no balcão da mesa ou uma mini mancha de sujeira num canto qualquer do rodapé da sala de visitas.
O único filho dos Potter se retira quando termina todas suas tarefas e mesmo não tendo uma única vela para assoprar, deseja que um dia algum o salve daquela casa. Pede com todas as suas forças para que, algum dia, alguém o leve para muito longe daquele inferno disfarçado de família tradicional inglesa.
Como se não bastasse seus tios irão sair para jantar e o deixam com a vizinha estranha, a senhora Figg. Harry odeia ficar com ela, porque a casa cheira a repolho e ela só sabe falar sobre gatos, deve ter uns dez na casa dela, o menino que sobreviveu nunca parou para contar quantos animais de quatro patas realmente circulam por aquela casa.
26 de julho de 1991
Harry levanta e como sempre, vai fazer o café da manhã de seus tios e depois buscar a correspondência. Quando está lendo os envelopes, para por um instante e prende a respiração. Deveriam ter cometido um engano, ninguém, nunca escreveu para ele. Mas como poderia ser um engano se a carta dizia exatamente: Ao senhor Potter, Rua dos Alfineiros número 4, o armário sob a escada? Estava específica demais para que fosse um simples engano.
Ele gostaria de saber quem tinha aquela caligrafia levemente inclinada e escreveu com tinta verde no envelope. Talvez aquela fosse a deixa para seguir em frente por um caminho, do qual os tios não iriam participar. Será que aquela carta significaria mesmo a sua liberdade?
Bom, a reposta demorou um pouco mais do que ele gostaria e deu muito mais problema também, seu primo roubou a carta de sua mão e então o caos reinou na casa. Cartas não paravam de aparecer fosse dentro dos ovos que tia Petúnia estava quebrando ou no carpete de entrada da casa dos Dursley.
Harry mudou de quarto e mesmo assim a carta indicava o quarto em que ele estava, quem é que fosse que estivesse escrevendo aquelas cartas, sabia do que se passava na casa. Várias vezes, ele pensou que pudesse ser uma brincadeira de mal gosto de seu primo, mas Duda não teria uma caligrafia como aquela e muito menos carregaria um pote de nanquim verde para cima e para baixo consigo.
Tudo virou de cabeça para baixo quando o tio resolveu ir a um hotel e as cartas continuavam chegando lá. Mas o pior de tudo foi quando alugaram um casarão abandonado no meio de uma ilha. No dia 31 de julho, Harry fez novamente seu pedido de sair daquele lugar, ele só não sabia que alguns segundos depois de ter completado onze anos, seu desejo se realizaria. Um gigante arrombou a porta então tudo foi esclarecido.
Lílian e Thiago Potter haviam sido assassinados, Harry sobrevivera por pouco, mas não foi um assassino comum que tirou a vida do casal no auge de seus 21 anos, foi um bruxo das trevas mau, muito mau. Ele ficou pior do que se poderia ficar. E então quando foi assassinar o pequeno Harry, a maldição ricocheteou e ele virara famoso.
Era um bebê de apenas um ano que derrotou o bruxo mais maligno que já se teve notícia. Harry Potter seria conhecido por todos no mundo bruxo e ele nem ao menos tinha ouvido falar sobre esse mundo.
Quando aceitou ir com Hagrid, o gigante que arrombou a porta e o salvou da vida monótona na Rua dos Alfineiros, número 4 viu que sua vida nunca mais seria a mesma. Tinha mais dúvidas do que jamais teve em seus onze anos. Talvez pelo fato de estar embarcando em um mundo novo ou pelo simples fato de ter descoberto o motivo real de ter ido morar com os tios.
Quando Hagrid entrou acompanhado do menino no Caldeirão Furado, passagem da Londres trouxa para a Londres bruxa, todos no recinto prenderam a respiração e foram ao seu encontro cumprimentar o rapaz de olhos verdes e cabelos negros bagunçados.
Entraram no Beco Diagonal e Harry se viu pensando que o que Hagrid fosse fazer, ele iria junto. Nunca havia estado em um bairro como aquele antes, o banco parecia levemente torto e mesmo assim parava em pé. Era majestoso, o branco das pedras refletia os raios de sol e tudo parecia, de certa, magico e acolhedor. Pela primeira vez em onze anos, ele sentiu que de fato pertencia a algum lugar.
Gostaria que o gigante lhe mostrasse tudo e explicasse sobre aquele mundo tão diferente, se forçasse muito suas lembranças, iria sentir que já conhecia aquele lugar, talvez o tivesse visto uma vez em um sonho. Mesmo estando ali por apenas alguns minutos, o garoto sabia que havia muito o que aprender sobre aquele mundo e não deixou de se sentir incomodado ao receber tantos olhares descarados em sua direção. Ele gostaria de aprender mais sobre esses, como seus tios diriam, estranhos como eles, algo neles era familiar ao garoto.
O tempo havia passado e o dia primeiro de setembro havia chegado, ele pela primeira vez, iria embarcar no Expresso de Hogwarts e partiria para a escola, que mais tarde viria a ser seu lar. Naquele momento, sentado no vagão do trem e fingindo não ver os olhares curiosos das pessoas, tudo o que ele desejava era ter um amigo que pudesse lhe ensinar sobre esse mundo novo e seus costumes. Quase como se Merlin pudesse ouvi-lo, um garoto ruivo trajando vestes de segunda mão e segurando um rato parou na porta e disse:
— Se importa? – indicou o vagão. — O resto do trem está cheio.
— Claro que não. – Harry disse quase não acreditando em sua sorte, o garoto ruivo sentou em sua frente.
— Oh meu Deus, você é Harry Potter. – engoliu em seco. — É verdade que você tem bem...? – não sabia bem como continuar.
— A cicatriz? – diz e o garoto assente. — Sim. – mostra o corte em forma de raio na testa.
— Uau, me chamo Ron Weasley a propósito.
1 de setembro de 2016
— Parece que foi ontem que estávamos embarcando no trem. – Ron diz a Harry quando o moreno se aproxima dele junto com a família e vê Alvo Severo Potter e Rose Weasley embarcarem pela primeira vez no expresso perto e vermelho. Harry, Ron e Hermione se sentem nostálgicos ao ver essa cena, tanta coisa aconteceu naqueles anos em que estudarem na escola e tantos segredos foram revelados naquelas cabines que era impossível não sentirem saudades do tempo em que eram adolescentes de dezessete completando uma missão deixada pelo ex-diretor.
— Eu me lembro muito bem daquele dia, afinal foi a primeira vez que me vi completamente livre da casa de meus tios. – Harry diz e sua voz sai em um misto de alegria e melancolia. A verdade é que, apesar de tudo, ele sentia falta dos tios. Na noite em que eles foram embora, sentiu a casa extremamente vazia. Era estranho não receber as ordens de sua tia, ouvir os gritos do tio ou ser importunado pelo primo quando estava sentando no jardim.
— Me desculpe, eu não fui nada discreto. – Ron diz se referindo ao episódio em que ele pediu para ver a cicatriz de Harry.
—Bom, Fred e George também não foram nenhum pouco discretos quando disseram que eu havia embarcado no trem e que eles gostariam que fosse meu amigo. – Harry diz arrancando risada de todos os presentes.
Ninguém podia culpar os gêmeos, se tem uma coisa que eles nunca seriam, em sua vida toda, essa coisa é serem discretos. E mesmo Fred já não estando mais pessoalmente na família, sua presença ainda está. Todos sorriem, porque sabem que Fred Weasley jamais gostaria que derramassem uma única lágrima por ele.
E nesse momento não pode deixar de imaginar seu pai, seu padrinho Sirius Black e seu ex-professor e amigo Remo Lupin abrindo os braços e bagunçando os cabelos de Fred dizendo que eles estavam mesmo precisando de um quarto integrante no grupo. Sorri para si mesmo.
— Potter. – Draco cumprimenta cordialmente.
— Malfoy. – Harry responde no mesmo tom. Draco sempre teria uma dívida com ele por ter salvado sua vida e por mais que odiasse admitir, sentia falta de provocar o trio pelos corredores de Hogwarts.
— Ainda tentando aprender sobre esse mundo? – Ron provoca o amigo.
— Com toda certeza, sempre há mais para se aprender. – Harry responde e percebe que soou exatamente como a amiga. Ele agora tinha certeza que nem o tempo os separariam. Harry, Ron e Mione seriam, para sempre o trio de ouro, mesmo com suas provocações e brigas infantis.
A verdade é que depois de tudo o que passaram, não havia como voltarem a não se falarem. Derrubar um trasgo montanhês foi o início de uma amizade duradoura e eles sabiam disso. Harry também sabia que não importava quanto tempo passasse, ele sempre iria querer aprender mais sobre os estranhos como ele, mas agora tinha amigos para lhe ensinar sobre esse mundo e lhe mostrar as maravilhas que o mundo bruxo tinha a apresentar a ele.
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