Song of Love
4 Cap 3
Notas iniciais
Era de manhã cedo quando ele acordou. Ainda havia pouca luz entrando pelas cortinas, mas podia ver o sol já se levantando.
A letargia que corria por seu corpo era propicia do esforço da noite anterior, mas não era algo realmente incomodo. Ficou parado por um tempo olhando para as cortinas se movimentando com a brisa da manhã. Estava fresco e tranquilo. Eric olhou para o teto e ficou ali parado por um tempo contemplando todas as futuras mudanças que estavam surgindo repentinamente em sua vida.
Sinceramente ele não tinha ideia terrena de como deveria começar a se comportar. De como se sentir na verdade. Feliz? Triste? Desesperado? Talvez emocionado por algo novo começando?
No fim tudo que ele conseguiu sentir era uma ansiedade avassaladora pesando no fundo do estomago, como uma bola de chumbo enchendo o estomago e pesando o corpo.
Eric gemeu profundamente e afundou o rosto no travesseiro tentando por um momento parar de pensar tanto em questões tão complicadas, afinal ele nunca foi bom em lidar com sentimentos.
Ser abandonado em um orfanato aos 4 anos depois de ver anos de abuso entre aqueles que deveriam ser seus supostos pais, só para no fim sua progenitora (não mãe, nunca mãe, não depois de tudo. Helena era sua mãe. Ponto.) Escolher o bêbado do namorado novo ao invés do que deveria ser seu próprio filho.
Depois de várias surras por simplesmente ser filho do ex-marido, ela o deixou no orfanato mais próximo, esperando que alguém tivesse pena e o criasse da forma que ela deveria. Tomasse sua responsabilidade.
Responsabilidade. Uma palavra que ele teve que aprender cedo antes mesmo de dizer corretamente seu nome. Outra palavra que aprendeu cedo foi autossuficiência. Ele não podia contar com ninguém naquela época. Ele tinha que fazer por si mesmo.
Quatro anos depois e muitas consultas psicológicas e ele conseguiu se sentir mais consideravelmente normal. Quatro anos, dois psiquiatras e alguns remédios para ansiedade e ele deixou os Evans se aproximarem.
Ele se lembra da primeira visita de seus pais ao orfanato. Ele já havia perdido a esperança de ser adotado. Oito já era uma idade considerável para um órfão e para adicionar peso ele ainda não era considerado o que os adultos de uma criança bem ajustada ao mundo.
“Muito volátil” era o que eles diziam. Grandes palavras para dizer que ele não suportava toques ou tinha ataques de pânico por ficar sozinho com estranhos.
Mas voltando ao pensamento anterior, era um dia de semana normal. Nada como um fim de semana de visitação onde o orfanato estava sempre agitado, com as crianças para um lado e para o outro com a oportunidade de parecerem melhor para a adoção.
Ele se lembra de estar sentado na parte de trás da sala de recreação. Parte destinada a leitura e desenho para aquelas crianças que gostavam. Ele estava lendo o Hobbit, um livro que foi presenteado ao orfanato assim como muitos outros e se lembra de pensar como seria tranquilo viver como um pequeno Hobbit, não querendo nada mais do que a tranquilidade e as pequenas e boas coisas da vida. Eric estava bastante distraído e não percebeu a grande sombra pairando ao seu lado.
Quando notou pelo canto do olho a silhueta a sua esquerda, ele se obrigou a engolir o grito que queria subir por sua garganta. Ele virou a cabeça lentamente e se lembrou de ver a cor mais verde que já tinha contemplado. Não eram joias, eram olhos. Os olhos mais verdes e brilhantes que ele já havia visto e por vários instantes ele não teve sequer uma reação que não fosse olhar para todo aquele verde. De repente ele ouviu uma pequena e suave risada e seu mundo voltou ao foco. Ele prestou atenção finalmente ao rosto a quem os olhos verdes pertenciam. Um rosto fino, de pele morena, cabelos escuros emoldurando um rosto delicado, nariz pequeno e lábios delicados. Ele não era de contemplar a beleza nas pessoas, ele particularmente achava um desperdício de tempo, mas naquele instante ele considerou que se fosse do tipo de pessoa que contempla a beleza alheia, então esse seria um rosto que ele consideraria da mais alta beleza.
Ele olhou novamente e notou o pequeno sorriso divertido naqueles lábios e então franziu a testa e por um momento analisou seriamente se aquele sorriso o estava ridicularizando.
A mulher o estava olhando com um ar totalmente divertido, mas também poderia ser momentaneamente um olhar de carinho.
— Olá querido. Desculpe não quis interromper sua leitura, mas devo admitir que fiquei curiosa com uma criança pequena tão concentrada em uma leitura que eu poderia considerar um tanto difícil para alguém da sua idade. — Ela disse olhando para ele com um ar de total carinho ele percebeu.
Ele olhou para o livro e depois para ela novamente. Ele não achava o Hobbit uma leitura particularmente difícil, mas não poderia negar que crianças na idade dele normalmente não conseguiam ficar paradas por uma hora completa, quem dirá prestar atenção totalmente a um livro.
—Não acho muito difícil, mas provavelmente pode ser por que já estou acostumado a leituras um pouco mais difíceis. E eu não sou tão novo que não possa ler um livro sozinho. Eu tenho oito anos afinal. – Ele disse a ela sinceramente.
Ele a viu sorrir novamente para ele e sentiu enervado momentaneamente. Nenhum dos adultos prestava muita atenção a ele normalmente. Ele já dava muito trabalho as matronas do orfanato, Deus proíbe que ele tentasse chamar a atenção dos futuros pais. Os outros órfãos nunca foram muito amigáveis com ele, mas considerando que todos competiam para serem adotados então não era exagero considerar que la ninguém gostava de ninguém.
Ele olhou para a mulher novamente e se remexeu na cadeira enervado com sua presença. Ele nunca gostou de estar com estranhos por muito tempo. Ele particularmente não confiava neles para não ridicularizar ele ou até mesmo tentar machuca-lo, seja física ou emocionalmente. Ele não costumava dar a chance de qualquer maneira.
— Você tem um livro favorito? – Ela perguntou sentando na cadeira que estava no outro lado da mesa.
Ele ficou tenso momentaneamente quando ela se moveu para mais perto e seus dedos segurando o livro ficaram brancos pelo aperto forte momentâneo que ele deu ao livro.
Se ela notou alguma mudança nele, ela fez o favor de não comentar.
Ele olhou por vários instantes para a mulher que estava tentando ter uma conversa com ele. Uma que não consistia em respostas curtas e diretas como todos os outros adultos que ele chegou a conhecer.
Ele pensou na pergunta feita e ela esperou a resposta pacientemente, como se não houvesse nada mais importante naquele momento do que a resposta dele.
— Não posso dizer que tenho um favorito, mas particularmente gosto do livro Caninos brancos. Foi um dos primeiros que li e realmente um dos que me fez amar livros e leitura. – Ele respondeu marcando a página em que parou, para dar atenção a pessoa a sua frente.
— Oh, eu entendo o sentimento. Foi um dos meus primeiros livros também e particularmente um dos que eu acabo revisitando de vez em quando. – Ela disse com voz alegre. — Meu favorito particular é com certeza o Morro dos Ventos Uivantes. Todo aquele romance e drama com certeza desperta meu coração. — Ela disse com um ar levemente sonhador. O sorriso sempre presente o que não pode deixar de despertar seu próprio.
Ele raramente falava de coisas interessantes com alguém. A quem ele quer enganar. Ele raramente sequer fala com alguém. Em semanas ele pode dizer que esta é a conversa mais estimulante que ele teve. Eles continuaram falando sobre livros que já leram e quais historias mais encantavam seus ‘paladares’.
A porta da sala se abriu e um homem alto e totalmente amedrontador entrou na sala e Eric ficou momentaneamente paralisado. Ele não conseguia se mexer com medo de chamar a atenção do ‘homem alto e assustador’ que estava olhando pela sala a procura de algo ou alguém.
Ele de repente olhou em direção a eles e parecia ter encontrado o que procurava por que começou a andar em sua direção. Eric ficou ainda mais paralisado e estava tremendo levemente em sua cadeira a cada passo que o homem dava em sua direção.
— Aqui está você querida. Por favor não desapareça assim, eu procurei você em todos os cantos. - ele disse olhando para a mulher a sua frente abaixando para lhe dar um beijo na testa de leve.
Sua atenção foi desviada para Eric e o menino não pode deixar de prender a respiração quando teve total peso daqueles olhos castanhos claros sobre sua pessoa. Ele momentaneamente desejou do fundo de sua alma se tornar invisível, mas não era pra ser.
— Desculpe querido, não quis sumir por muito tempo, mas fiquei totalmente entretida pela conversa totalmente estimulante com este jovem. – Ela disse sorrindo e apontando para Eric que a cada minuto tentava se fazer menor para evitar chamar atenção.
O homem olhou para ela e depois para ele novamente e Eric sentiu vontade de chorar. Ele não queria atenção do homem grande e assustador. O homem parece ter notado algo por que assim que olhou novamente para Eric, ele lentamente se abaixou ao lado da esposa agachado, posição que muitos poderiam considerar indigna, mas naquele momento ele não se importou, ele apenas não queria aterrorizar um garotinho com todo seu de 1,80 de altura.
— Oh que rude da minha parte, estamos conversando todo este tempo e eu sequer me apresentei. – A mulher disse agora com sua atenção dirigida a Eric. – Eu sou Helena Evans e este é meu marido Johnathan. – Ela disse apontando para si mesma e em seguida para o homem assustador, agora nomeado Johnathan.
Eric olhou fixamente para os dois e percebeu depois de um tempo que eles estavam esperando com alguma expectativa por alguma resposta dele mesmo.
Ele se obrigou a respirar fundo por alguns instantes e tentar se recompor.
- E-e-eu s-sou Eric. — Ele disse e momentaneamente quis se chutar por gaguejar como um idiota. Ele olhou para os dois em sua frente e apenas recebeu dois sorrisos suaves, o que o surpreendeu totalmente já que esperava algum desprezo, talvez até alguma zombaria pela gagueira momentânea, mas tudo que encontrou foi um sorriso carinhoso dos dois indivíduos estranhos na sua frente.
Ele se forçou a relaxar aos poucos quando percebeu que não havia nenhuma reação negativa a seus tiques quando estava nervoso.
A porta da sala se abriu novamente e a matrona do orfanato entrou olhando em volta encontrando o jovem casal que estava escoltando. Ela pareceu um pouco surpresa por eles estarem sentados particularmente com Eric, mas não reagiu de nenhuma outra forma.
Ela caminhou até eles e se dirigiu ao casal quando chegou a mesa.
— Parece que vocês conheceram nosso pequeno Eric. – Ela sorriu para eles se aproximando levemente do menino, mas não a ponto dele se sentir sufocado. Ela olhou para Eric, que devolveu o olhar e deu um pequeno sorriso em direção ao menor.
— Tive um tempo para conversar com ele sim, posso dizer que apreciei muito nosso momento juntos. – Disse a senhora Evans sorrindo. Ela parecia bastante satisfeita por realmente terem conversado, o que surpreendeu o menino até os ossos
— Fico muito feliz em ouvir isso, minha querida. – Disse a matrona sorrindo bastante. Então ela se dirigiu a ele — Eric, querido o almoço será servido em 10 minutos, por que não vai se aprontar e vai para o refeitório com as outras crianças.
Ele olhou para ela novamente e então para o casal a sua frente e apenas concordou com a cabeça.
Ele se levantou de sua cadeira e pegou o livro perdido em sua mesa antes de começar a sair lentamente.
— Foi um prazer conhece-lo querido, espero que possamos conversar novamente. — Disse a senhora Evans com uma voz suave.
— F-f-foi um prazer senhora, senhor. – Ele disse com as bochechas queimando em vermelho.
— Foi um prazer conhece-lo Eric. – Disse o homem alto. Ele tinha um pequeno sorriso em seu rosto que completamente suavizava seu rosto.
Eric acenou com a cabeça e saiu da sala sem saber que aquele seria o primeiro de muitos encontros.
Ele saiu de suas divagações com o telefone vibrando. Ele deu uma olhada e viu que era Amber. Já eram 8:30 e ele sequer notou que a hora havia passado tão depressa enquanto estava perdido em pensamentos. Bem, de qualquer forma já estava na hora de levantar e enfrentar o dia, afinal ele teria mil coisas para pensar no fim de semana. Não havia necessidade de trazer lembranças desagradáveis a tona.
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