Song for 2

5 Sirius Black Part


É, dessa vez eu pisei na bola mesmo. Remus Lupin foi amor à primeira vista para mim. É claro que eu fiquei muito em negação então só admitia que foi tesão à primeira vista. Lembro como se fosse ontem o meu panic quando o conheci, tinha passado 18 anos da minha vida acreditando fielmente que eu era hétero até que entrei na faculdade, naquele dormitório e o vi. De certa maneira eu me mantenho em negação, mas disso eu culpo aos meus problemas de intimidade.

Sim, é verdade que nunca tive um relacionamento sério com ninguém, apenas curtição. De fato eu não tenho nem roupa para isso, apesar de ficar incrível em qualquer roupa e sem ela também, Remus pode comprovar isso. Se bem que eu acredito que ele falou sério hoje de manhã, até agora não respondeu nenhuma das minhas mensagens. E ele quer um relacionamento sério e de certa forma nós estamos em um, não é? Então por que raios é tão difícil e eu fiquei com medo?

Manter a pose de badboy, de quem não tem medo de nada, as vezes me faz acreditar que sou assim mesmo. Mas é, aqui estou eu deitado na cama de James encarando o teto e esperando o corno aparecer para ouvir meus dramas. Se eu tinha que ouvir ele falar da Lily, eu estava no direito de falar do Remus também não? Só que… é, lá vou eu saindo do quarto dele e indo andar de moto, não sou bom em falar sobre sentimentos profundos assim, tenho um bloqueio desde os meus 16 anos e é para lá que eu estou indo.

Dirigi até chegar na minha cidade natal, Godric’s Hollow, lar dos meus demônios e poucas felicidades, lar daqueles que mais amei na vida e dos que mais odiei. Sabia que Mama Potter não me perdoaria se eu não passasse na casa dela, mas eu precisava ver outra pessoa antes.

—Hey, Tampinha — suspirei — faz tempo que não vinha, desculpe por isso.

Eu encarava a lápide de Regulus já sentindo lágrimas queimarem, não tem um dia que não sinta falta dele e das coisas que não chegamos a viver. Escuto alguns passos e me encontro coçando meus olhos, apenas James e Mama Potter tinham me visto chorar e eu vou manter assim.

— E não é que os cães sempre voltam pra casa — dei um sorriso ao reconhecer a voz, era Hestia, melhor amiga do meu irmãozinho.

— Se estava com tanta saudades era só ligar, fadinha — ela torceu o nariz para mim já que não gostava do apelido por causa das orelhas, mas para mim era só carinhoso — sem fazer carinha feia — puxei ela para um abraço e dei um beijo em sua testa.

— Então que merda você está fazendo com a sua vida dessa vez? — Héstia abriu um sorriso presunçoso que só Regulus dava para mim.

— Posso estar com boas notícias também tá? Lembra que vim aqui quando consegui o contrato? Me formei na faculdade? Gravei o primeiro álbum? Enfim vários momentos.

— Sim e também quando estava surtando por Remus, quando ele disse para você ficar com o Amós, quando ficaram juntos pela primeira vez, coisas assim também — revirei os olhos, mas não consegui evitar um sorriso com a última memória que ela mencionou — hm, eu vi esse sorriso — senti os ataques dela e a soltei balançando a cabeça.

— O que você quer que eu diga, fadinha?

— Que vai pagar o jantar — ela sorri pra mim animada — e me contar tudo o que ta te afligindo — eu ri com aquilo, mas a segui até o nosso padrão favorito.

Antes de me abrir, me certifiquei de saber como estava Héstia. Ela sempre foi como uma irmã gêmea para Regulus já que tinham nascido no mesmo dia e quase o mesmo horário então eu a tratava assim também, a irmã mais nova que nunca tive. Mas ela me conhecia o bastante para saber que eu estava desviando o assunto, então enquanto andávamos até o pub da cidade ela me abordou.

—Vai me contar que merda você fez com o Remus ou me dar uma exclusiva que vão sair em turnê e por incrível que pareça isso entristece você? — a cara de deboche dela me fez rir. Apesar das grandes semelhanças entre ela e Regulus, eles ainda eram extremamente diferentes.

— Vai ser assim agora que está trabalhando no jornal? Sempre procurando uma exclusiva?

— Não me compare com a Skeeter! — recebi um soco e fingi que doeu.

— Jamais faria isso — fiz uma voz de indignação fingida que recebi o olhar bravo de Héstia. Abri a porta do pub quando chegamos e fomos nos sentar no balcão.

— Duas doses de whisky duplos puro — disse Héstia sem nem olhar para o ruivo que veio nos atender, pelo o que me lembro seu nome é Gideon — vai, me conta.

— Nada demais Hest, ele quer um relacionamento e eu não então ele acabou com tudo, só isso — tentar não demonstrar que me afeta é meio que um hobby pessoal para mim, abri um sorriso para Gideon que trouxe as bebidas.

— Bem vindo a cidade Sirius — ele piscou para mim antes de sair de perto, claramente querendo repetir a última vez que vim beber nesse bar.

— Por que você não quer? — Héstia simplesmente ignorou o ruivo e levantou o copo para brindarmos.

— Porque não, estou muito bem assim, solteiro — brindamos e ao dizer essa palavra vi o sorriso de uma loira que estava do lado de Héstia se abrir.

— Está é? Então vamos brincar da sua brincadeira favorita — ela virou o copo de uma vez e cutucou o ombro da loira — você conheceu o Sirius? — ela saiu de cena e foi conversar com algumas garotas em outra mesa, mas sem antes me deixar sem bebida.

— Traz duas doses do que ele está bebendo — ela disse e me deu um sorriso — Eae Black, muito tempo que não o vejo.

— Micketiken — respondi sorrindo e reconhecendo ela do meu maior rolo dos 15 anos, meu primeiro amor como diriam — o que está fazendo na cidade?

— Vim fazer algumas fotos e você?

— Espairecer, senti saudades desse lugar.

— Olha disso eu duvido — ela riu e logo Gideon trouxe as bebidas sem um sorriso — atrapalhei sua noite? — Marlene fez uma careta fingindo culpa e eu ri disso.

— Apenas melhorou ela — usei todo o meu charme ao dizer isso, talvez a noite não seria tão ruim afinal.

Bebemos, rimos e compartilhamos várias histórias que cada um viveu nos últimos anos. Eu sentia um calor por estar perto dela, não sabia mais dizer se era a bebida ou porque sempre me senti em um incêndio quando estava com Marlene. Tão diferente estar naquele fogo confortável com Remus… Não, eu não pensaria nele, estava com uma mulher linda e engraçada comigo então não pensaria nele.

— Você ainda não me respondeu, Black — disse Marlene depois de um tempo, próxima demais do meu ouvido — o que está fazendo aqui?

— Vim espairecer, Micketiken, eu disse — me aproximo mais, quase a beijando

— Não, Sirius — ela parou, meio centímetro da minha boca — o que está fazendo nesse bar que não está atrás do Remus — congelei na hora, minha cara de espanto a fez rir — você passou a noite toda contando sobre ele e tenho certeza que você nem percebeu — eu não a respondi então ela me forçou a encará-la — o que está te impedindo de ser feliz, Black?

— E-eu — gaguejei e mordi o lábio, não tinha resposta para aquela pergunta.

— Você nunca foi um covarde, não comece agora — assenti de leve, Marlene tinha razão.

— Eu preciso fazer algo grande — foi a única coisa que falei antes de uma melodia preencher minha mente, era a mesma melodia que eu criara na primeira noite em que Remus e eu ficamos juntos sem ser por euforia ou efeito de álcool.

— Contanto que isso não seja uma maneira de você prolongar — meu olhar foi o que respondeu ela — tudo bem, Sirius, faça como quiser, mas FAÇA — ela deu ênfase a última palavra antes de se levantar.

— Espera Micketiken — eu segurei de leve sua mão — seu cartão, me dê ele.

— Black eu achei que... — ela estava ficando nervosa e tirou a mão da minha. Levantei as mãos em rendição.

— Eu e os meninos gostamos de trabalhar com amigos, juro que seu cartão vai ser para afiliações profissionais — Marlene abriu um sorriso para mim e entregou o cartão.

— Até qualquer dia, Black — a loira me deu um beijo no rosto e foi em direção a uma mesa onde Héstia estava apoiada. Ela levantou o rosto e me cumprimentou com a cabeça, só consegui rir. Deixei uma boa gorjeta ao Gideon e fui em direção a casa dos Potter, ficaria algum tempo lá para criar a música perfeita.

Quando faltava dois dias para o show eu voltei para o apartamento, mas não tive uma recepção muito calorosa. Frank queria me comer e não de um jeito agradável. Sendo o nosso empresário ele não poderia me matar, mas as vezes parece que ele tem vontade. Remus me tratou com tanta frieza que nem minhas brincadeiras estavam fazendo ele rir e James estava estranho, não o estranho comum, mas eu sabia que ele viria falar comigo caso precisasse.

Eu já tinha decidido que seria depois do show, Remus estaria mais leve e feliz como sempre ficava depois que tocavamos, mas com a abertura que James deixou no show, eu tive que aproveitar. Depois que Prongs saiu atrás de Lily, tive que assumir o microfone e fazer algo então foi nesses 30 segundos de coragem que eu comecei.

—Bom, acho que agora é minha vez — ouvi alguns gritos das fãs — e minha sorte é que você já está no palco — ri nervoso e balancei o cabelo enquanto vários fãs gritavam. Fui até o pessoal da banda e falei os acordes pedindo para apenas me seguirem enquanto eu tentava evitar os olhos de Remus — essa música não foi ensaiada então espero que vocês não liguem muito para isso, mas ela foi composta para declarar meu amor para uma pessoa — mais gritos, eu sabia que precisava olhá-lo — e nossa como vocês acertam hein — sorri para o público — mas saibam que eu sou o maior Wolfstar shipper de todos — acho que agora teria matado alguém ali. Virei para encontrá-lo, Remus estava em completo choque olhando para mim e lindo, estava tão lindo aquela noite. Sem esperar mais comecei a tocar as notas de Scary Love.

Eu sempre fui um cantor carismático que olhava e interagia com os fãs, mas naquela música eu só conseguia olhar para Remus, me declarando e colocando o máximo de emoção possível em cada nota, em cada verso. Lembrei de cada momento com ele, igual quando compus. Quando chamei ele para sermos uma banda e mudar de cidade, andando de carro com ele a noite após os shows, o dia que ficamos juntos, o nosso dia a dia em que ele se preocupava comigo nos pequenos detalhes. Como amar Remus me fez bem! Me salvou de mim mesmo e isso me assusta, mas nunca fiquei tanto tempo com alguém e nunca quis ficar na realidade. Antes dele, ele me mudou e me fez um homem melhor por amá-lo.

Quando a música acabou, a gente se beijou e só lembro dos gritos até que nem conseguia escutar mais. De alguma forma chegamos no apartamento pelos fundos indo em direção ao meu quarto e já estávamos um arrancando a roupa do outro. Como senti falta do gosto, do cheiro, do toque dele. Foram apenas poucos dias, mas cada célula do meu corpo sentia falta.

—Pera, pausa — ele me empurrou de leve, estávamos ofegantes e percebi que estávamos sentados na minha cama — Sirius…

— Não, não pense nisso por favor — segurei o rosto dele com minha- eu te amo

— Mas — Remus fechou os olhos — isso basta? Porque eu quero um relacionamento, um futuro e você…

— Eu sei, eu sei — respirei fundo — eu te deixei inseguro e entendo isso, mas eu não vou esconder nenhuma parte de você mais, meu amor — acariciei seu rosto e sorri triste — tenho demônios no meu passado e algumas marcas são mais profundas do que as visíveis e isso me fazia sentir receio do seu amor, nunca ninguém se importou comigo como você Remus — ri fraco e levantei o dedo — quer dizer Mama Potter e você — ele sorriu para mim, mas ficou em silêncio esperando. Respirei algumas vezes antes de começar novamente — Existem coisas que não estou pronto, mas estou pronto para estar com você, um relacionamento e ser feliz mesmo que eu sinta culpa no processo — puxei seu rosto para perto do meu para sussurrar — eu me culparia muito mais se eu não tentasse ser feliz com você

— Por que se culparia? Por que você acha que não merece ser feliz?

— Bom além do óbvio de família abusiva — fiz minha cara de desprezo de sempre quando falava deles, Remus já estava acariciando meu braço me dando apoio, ele sempre fazia isso — Regulus, meu irmão mais novo — senti ele parar antes de recomeçar o carinho que fazia — sei que nunca falou dele, mas é porque é doloroso pra mim -respirei fundo e antes que Remus dissesse que eu não precisava falar se não quisesse, disparei a história — eu tinha 16 anos e tive uma grande briga com os meus pais por causa de Andie, meus tios expulsaram ela de casa porque estava grávida de um homem que não estava à altura do sobrenome Black — revirei os olhos na hora, Ted é muito melhor que qualquer um deles — precisava sair daquela casa de qualquer maneira então peguei o carro e acelerei, dirigindo sem rumo — senti algumas lágrimas já queimando em meus olhos — eu não sabia que Regulus estava escondido no banco traseiro, mais tarde Hestia me contou que ele não queria que eu o deixasse lá sozinho quando eu fugisse que ele sempre se escondia no carro quando eu saía assim, mas naquela noite — minha voz falhava já e Remus estava paralisado — naquela noite um motorista bêbado bateu no carro, na parte traseira — senti algumas lágrimas caírem, agora três pessoas na vida tinham me visto chorar — ele tinha 14 anos.

— Sirius…

— Eu sei o que vai dizer, sempre me dizem o mesmo — ri com desdém — que não foi culpa minha e que…

— Não, eu te conheço e sei que isso não adianta com você — olhei intrigado para ele — você tem que ser feliz porque é sua obrigação, por Regulus você precisa ser feliz. Pelo garotinho que acreditou que estava fugindo com o irmão para uma vida melhor — ele tocou em meu cabelo colocando para trás da orelha e sorriu triste para mim — você deve ser feliz porque deve a si mesmo e a ele isso, Sirius — eu o abracei e comecei a chorar sem controle algum, deixando ser consolado por ele até que ouvimos gritos.

— Essa foi?

— Sim, Lily chegou — disse Remus cansado, mas ele não fez menção de ir até a sala, na verdade ele me puxou para o seu colo e ficou me fazendo cafuné — obrigado por confiar em mim, Six.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.