Song for 2

1 James Potter Part


Era muito mais fácil quando eu só gostava de homens. Mas não né James Potter, a ruiva te tira do eixo mesmo! Estar aqui sentado na sala esperando ela aparecer, morrendo de preocupação se ela está bem ou se não está perdida porque Londres mudou muito enquanto ela vivia nos EUA, ela não sabe disso? Argh, isso é frustrante! Como é que eu vim parar aqui mesmo? Como eu virei o homem mais humilhado internacionalmente – obrigado mesmo viu internet — eu só sou um cantor apaixonado, igual a todos. Okay, vamos avaliar se eu peguei os sinais errados.

Eu tinha tanta certeza de ser gay até conhecê-la. Lily Evans é uma mulher formidável e maravilhosa, extremamente linda com o sorriso mais encantador do mundo e foi esse Lírio que entrou pela porta de nosso apartamento de Londres em uma tarde de verão. Remus é o culpado disso, ela era sua melhor amiga de infância e precisava ficar alguns dias conosco até se estabelecer na cidade já que tinha passado os últimos anos morando em outro país, mas por mim ela poderia ficar pra sempre.

Tenho certeza que assim que coloquei os olhos nela fiz a cara mais boba possível, mal pude pronunciar uma frase sem gaguejar um pouco. Sirius claramente riu de mim o que achei um ultraje, mas faria igual se fosse ele. Naquela primeira noite percebi que estava mesmo sentindo algo diferente por aquela mulher, algo que nunca tinha percebido que sentira já que eu só fiquei com homens minha vida toda, até ela porque eu queria agarrar aquele corpo escultural e só soltá-la depois que os dois estivessem satisfeitos.

Demorou três dias até eu entrar no quarto do Sirius surtando. Ele ficou me ouvindo me encarando com o sorriso enquanto secava os cabelos com a toalha – sim, eu não esperei ele terminar de por roupa, afinal somos irmãos e estava em crise. Quando finalmente acabei e me joguei na cama dele com as mãos no rosto, eu ouvi a risada dele.

— Vai se foder, Sirius – taquei a almofada nele que infelizmente não o acertou – eu preciso de ajuda!

— Se for ficar me jogando coisas eu não ajudo, Prongs – reviro os olhos por causa do apelido, tinha me acostumado depois de tantos anos, mas ter um apelido que lembra que foi traído por quase todos os seus relacionamentos passados não é tão legal assim. Sirius deitou do meu lado e começou a encarar o teto enquanto falava – Você sabe que acredito que a sexualidade não é algo engessado não é? Eu mesmo vivi 18 anos da minha vida acreditando que era hétero.

— É eu estava lá – eu comento e Sirius me encara como se pedisse para eu me calar, assim o fiz.

— Continuando – diz e volta a olhar para o nada – depois conhecemos Moony na faculdade e percebi que gostava de homens também, aceitei isso na verdade porque eu sempre soube – ele ri fraco e balança a cabeça como se afastasse a lembrança do dia que os marotos começaram como um grupo de amigos. Apesar de Sirius não falar sobre o que ele sente por Remus, eu sei que existe – E então, seis meses depois de relutar muito comigo mesmo, fui falar com ele sobre isso.

— Obrigado tequila – digo rindo e dessa vez ele ri junto.

— Obrigado tequila – percebo que Sirius estava remexendo as mãos, estava nervoso é claro, ele sempre fica nervoso falando sobre assuntos profundos – Ele me disse que se sentia lisonjeado, mas não iriamos ficar e falou para eu ficar com Amós – percebo que Sirius mordeu o lábio com a lembrança — obrigado Remus.

— Você vai chegar a algo? – eu o olho impaciente.

— A questão é James que está tudo bem sentir tesão por mulheres mesmo que você passou a vida toda percebendo que sentia só por homens – ele se apoia pelos cotovelos e me abre um sorriso singelo – O "b" na sigla LGBTQI+ não é de branquelos para incluir o Remus tá? – ele diz zombando, mas eu só ignoro preso nos meus pensamentos agora me questionando.

— Eu sou bi? – pergunto sem realmente querer uma resposta que Sirius dá de qualquer maneira.

— Talvez, talvez não – ele dá de ombros – o que temos certeza é que você não é lésbica e nem demissexual afinal vamos lembrar do garoto ruivo na calourada – Sirius fala com um sorriso tentando me provocar e me fazer sair daquele looping que eu estava, não deu certo. Ele se sentou e olhou pra mim – okay eu vou te ajudar e pra isso vamos ter que exteriorizar seus pensamentos – ele pega o celular por um momento para responder alguma mensagem então eu percebi o que fiz.

— Você tem um encontro e eu estou te atrapalhando – afirmo. Ele levanta os olhos do celular e abre um sorriso amigável.

— Rule Number One, bros before hoes – Sirius responde – mas okay, vamos lá. Importa se a Lily é mulher do gênero feminino?

— Não, nem um pouco – respondo rápido sem nem pensar muito, o jeito que eu estava pela Lily não importaria nada, eu só desejo estar com Lily Evans — Six, eu só quero estar com aquele Lírio.

— Bom talvez você seja Pansexual que se atrai pela pessoa independente do gênero, um pansexual muito emocionado — faço uma cara emburrada, confesso que mostrei ate a lingua — Mas é mais caiu na vila o peixe fuzila sabe?

— Como você? – eu dou risada mais para suavizar o assunto, mas minha cabeça dói.

— Eu não gosto de me rotular – respondeu Sirius dando de ombros — nem me colocar em caixinha nenhuma, entende? Eu sou um espírito livre.

— Dá pra ver pela sua vida amorosa o quão livre é – digo sem nem pensar. Sirius nunca teve um relacionamento sério ou alguém com que ficasse durante muito tempo até dois anos atrás quando Remus finalmente aceitou e agora tenho que avisar quando venho para casa.

— Não gostei do seu tom mocinho – ele fala e me acerta com a almofada – E o artigo 32 do Código Bro ein?

— Não to falando para você se casar seu dramático – eu digo devolvendo a almofada na cara dele e me sentando virado para Sirius – Estou falando de um namoro, Padfoot. Até Barney namorou quando achou alguém especial – confesso, eu sou o maior wolfstar shipper. Eu tenho uma conta secreta para ler fanfic e tem muitas sobre os dois e ninguém sabe disso – como o Remus...

— É e ele acabou se divorciando – Sirius levanta a mão quando eu abro a boca para protestar – desejar o outro final, não é ter o outro final, sim? E desde quando você voltou com esse apelido?

— Faz uns dois anos, sabe? Começou com você indo sorrateiramente para o quarto do Remus e acredita que até agora não parou? – eu falo em tom debochado sabendo que ele iria ficar com raiva.

— Achei que estávamos falando da sua vida sexual, não da minha – Sirius diz e eu sabia que era o final daquele papo.

— E o que eu faço com a minha vida então Sr. Padfoot? – pergunto e reparo que só agora os ombros dele começaram a relaxar e ele parou de brincar com o anel. Sirius não gostava de falar de papos profundos, mas sobre sexo ele entendia.

— Deixa rolar – Black deu de ombros pra mim como se fosse simples – se acontecer um clima e você quiser investir, investe e vê se sai algo daí. Se não, só descobriu que se atrai por ruivas.

— Deixar rolar – eu murmuro pensativo e antes que posso continuar a conversa escuto a porta, Remus e Lily voltaram do mercado – Seu encontro chegou – brinco tentando extrair algo dele que estava distraído com o anel novamente.

— É eu falei para ele pegar um uber – Sirius respondeu sem perceber e se levanta indo em direção à cozinha. Logo o sigo e ponho o plano em prática de "deixar rolar" e naquela noite foi a primeira vez que transei com Lily Evans.

Sirius sempre me fala para ir tranquilo e não dar uma de Mosby, mas era impossível para mim. Parece que está no meu DNA ser emocionado e depois do 3º encontro imaginar o meu casamento com a pessoa e é claro que com Lily não foi diferente. Passaram-se 3 semanas em que eu a levava em encontros, nos conhecíamos e sexo, muito sexo.

— Para alguém que não gostava de mulheres você.. — nem deixei Sirius terminar de falar e ja taquei um pão nele. Estava tranquilo arrumando o café para mim e Lily até que ele e Remus chegaram na cozinha.

— Sempre soube que o James era escravoceta — diz Remus roubando um morango da bandeja. É, eu vou levar café na cama para a Lily com panquecas, frutas, suco de laranja, pão e uma xícara de café

— Ele ta dando uma de Mosby — Sirius comenta encostando na pia da cozinha me lançando um olhar de desaprovação — pelo menos vocês tiveram alguma conversa?

— Tivemos e nós estamos — faço uma pausa e engulo em seco — curtindo, vendo onde isso vai leva.

— Not good enough — fala Remus — queria ter o chicote do Marshall agora — ele fala isso com a cabeça virada para Sirius que tinha se virado para fazer panquecas para os dois. Posso ser escravoceta, mas o Black era escravoony (escravo pelo Moony) — Mas vocês precisam definir para onde a relação de vocês vai, se querem um relacionamento ou nao.

— Olha ela ainda está sensível pelo último relacionamento dela então que tal eu só ir conquistando ela aos poucos e vamos ver no que vai dar — digo e antes dos dois terminarem de falar "not good enough" já estou indo para o quarto com uma bandeja de café da manhã exagerado.

Mesmo eu odiando admitir, aqueles dois tinham razão eu precisava ter a conversa com a Lily para definirmos o relacionamento e talvez foi aqui o meu erro. Uma das coisas em comum que tenho com a Lily Evans é a insonia, mas descobri isso quando estava tentando compor uma musica — confesso que era ela minha inspiração.

—Ei Potter — ela fala com aquela voz angelical dela me tirando do mundo que me insiro quando estou concentrado tentando compor. Viro para olhar pra ela e fico sem palavras. A ruiva estava com uma das minhas camisetas encostada na soleira da porta me encarando com aqueles olhos lindos verdes, impossível não imaginar nossos filhos com aqueles olhos — meio tarde para trabalho no? — Lily comenta indicando o equipamento na minha frente e o violão em meu colo.

—Sou uma pessoa mais noturna — digo dando de ombros e colocando o violão de lado. Sim eu estava só de cueca, mas ela já tinha me visto com menos roupa ainda então não tinha problema — tenho dificuldades para dormir — confesso com um sorriso, parecia que ela desarmava tudo em mim — e você meu Lirio, qual sua desculpa para estar acordada às 2:30 da manha? — naquele momento me vem a voz de Ted Mosby "nada de bom acontece depois das 2:00 da manhã".

— Sofro de insonia — ela me responde e vai ate a mim. Confesso que com ela sentando no meu colo com as pernas abraçando minha cintura, tinha decidido largar a musica, mas Lily estava curiosa — em que está trabalhando?

— Remus planejou essa harmonia há um tempo já então to tentando compor uma letra — começo a acariciar as costas dela delicadamente por dentro da blusa -eu queria ver se conseguia compor algo para o show do fim de semana ou para o festival do final do mês.

Não sei até hoje como começamos a compor, mas compomos juntos e a musica ficou incrível, linda. Era para ser a minha declaração de amor para ela, mas acabou sendo a nossa forma de dizer que estamos apaixonados. O Sol estava começando a nascer, seus primeiros raios preencheram o quarto e foi quando terminamos a musica.

— Essa musica ficou... nossa não tenho palavras — digo sorrindo pra ela que me olhava do outro banco sorrindo — Eu acho que estou apaixonado por você Lily Evans — solto sem me controlar e percebo que ela enrijece. Pego a mão dela e continuo falando — Você é uma mulher maravilhosa, inteligente, talentosa e eu também sou tudo isso — consigo arrancar riso fraco dela junto com uma revirada de olhos, nossa ela é linda — Canta essa musica comigo? Vamos assumir isso e viver intensamente, eu quero te amar de todas as maneiras possíveis e quero que o mundo saiba desse amor.

— James... — Lily fala em um tom que já percebo que ela não gostou da ideia. Ela suspira e sua mão foge da minha antes dela voltar a falar — eu não posso me dar ao luxo... eu... — ela para e respira fundo algumas vezes e finalmente seus olhos se encontram nos meus, ali tem medo e choro contido — somos artistas e precisamos ter cuidado, não posso fazer isso sem ter certeza do que você sente — ela se levanta e percebo que Lily não está mais conseguindo conter o choro — você pode cantar a musica e assina-la, não precisa de mim para isso — vejo ela sair pela porta quase correndo.

—Mas eu não posso cantar com mais ninguém — murmuro e foi a ultima vez que ficamos sozinhos antes do show

Depois daquela madrugada só tem um borrão de memorias até o show, foram os piores dois dias possíveis. Lily não falava muito comigo e mal ficava nos ambientes que eu tava, isso me fez perceber que eu sentia falta DELA e não só do sexo. E é claro com essa frieza da relação eu precisava dar uma de Mosby, nessa eu errei. Mesmo as coisas estando estranhas entre eu e ela, Lily ainda foi no show e provavelmente foi pelo Remus e Sirius — sim eles se tornaram grandes amigos — mas realmente eu só fiquei feliz em ver ela la, meu plano iria funcionar — essa era minha esperança.

Eu tinha tudo planejado, mas todo mundo estava percebendo o quanto eu estava nervoso antes do show mesmo que eu sempre ficava era visível que estava mais. Depois de responder o que parecia uns mil "ta tudo bem, não não vou vomitar" o show começou, mas quando subi no palco e vi aqueles olhos verdes brilhando pra mim, gritando por nós, quis mudar para "é, talvez eu vomite". Já estava no fim do show e eu nem lembro as musicas que tocamos, isso porque sou vocalista junto com o Sirius, mas finalmente chegou minha hora.

—Antes de começarmos a ultima musica, preciso contar uma coisa para vocês — sentia minhas mãos suando no microfone — como todos sabem, eu me identificava gay — ouvi a resposta deles — sim, sim identificava, no passado, até conhecer uma ruiva incrível e perceber que não importava se seu gênero era feminino, masculino ou nenhum deles ou qualquer que fosse na realidade — consegui finalmente encontrar os olhos de Lily, agora pensando melhor havia desespero em seus olhos que eu devia ter pego como sinal — o que me importava era que era ela e eu queria estar com ela — dou uma risada fraca enquanto as pessoas gritavam comemorando — meu coração já sabia algo que minha mente demorou para entender, mas eu já me apaixonei no primeiro olhar, minha pupila dilatou no momento que a conheci — viro minha cabeça e encaro a multidão — nós escrevemos uma musica juntos, querem ouvir? — muitos gritos de aprovação então abro um sorriso torto e me viro para minha ruivinha — Lily Evans, poderia vir ao palco?

Naquele momento parecia que estava tudo em silencio, mas eu sabia que gritavam e vibravam só que eu estava preso vendo Lily correndo para fora dali. Sei que Sirius assumiu o microfone só não sei quanto tempo demorou para isso e no mesmo momento eu corri pra tentar alcança-la em vão, claro. Voltei para casa e aqui estou agora encarando a porta tentando entender qual sinal da Lily que não entendi direito, mas pelo visto vou descobrir já que a porta estava sendo aberta e a minha ruiva entrando.