Notas iniciais
Droubble (double-drabble). Exatas duzentas palavras (segundo o contador do Word). Feito no ano passado, se não me engano no começo de dezembro. Escrevi por não ter nada para fazer, simplesmente. Como estou há um boooom tempo sem postar nada no site, resolvi ajeitar Song or Suicide e colocá-la aqui. :) P.S.: O trecho em itálico no fim do capítulo não faz parte da história. É uma parte da música do HIM que tem o mesmo título do droubble - e que obviamente (e infelizmente) não me pertence.

Não podia ser verdade.

Lutara por tantos anos para conquistar a confiança do mestre. Calara-se diante dele, deixara de fazer quase tudo. Somente para conseguir que o mestre olhasse-o.

Agora ele dizia que não precisava mais dele. Dizia que tinha os seus humanos. Sua Cecilia. Sua nova filha, que não lhe trazia nenhum problema.

Isso não podia acontecer...

Será que o mestre não percebia que seu pupilo somente fazia aquilo por não saber dizer que o amava?

Quem Raphael seria sem o mestre?

Ao menos seria capaz de ser alguma coisa sem ele?

Não podia ser verdade.

Sempre tivera problemas para poder expressar-se. Sempre acabava irritado ou chorando convulsivamente.

E agora ele se fora. Pois não precisava mais do garoto problema. Tinha uma moça linda para apresentar ao mundo. Tinha uma segunda chance – a primeira, havia desperdiçado com Raphael.

Enquanto estava só, o primeiro pupilo fingia estar bem. Não daria a ninguém o gosto de vê-lo mal. Agora desprezaria Alexander – o mestre – até que ele resolvesse voltar. Duvidava que isso acontecesse, mas seria melhor do que se enterrar e dormir por alguns séculos. Doeria absurdamente; talvez fosse melhor assim.

Apesar disso, Raphael continuava pensando. Repetidamente. Pois não podia ser verdade.

Eu curo minhas feridas com pesar

E sonho com você

E choro até voltar à vida...

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!