Son of time

3 Capítulo 3 - Morta não, apenas sem vida


Estávamos andando de volta para o centro da cidade, felizmente estávamos perto do meu apartamento, o galpão ficava no bairro vizinho.Finalmente pude prestar atenção em Alisson, seu cabelos brancos caiam sobre seu ombro, ela não era exatamente alta,estava acima da media mas mesmo assim era mais baixa do que eu, tinha o corpo bem feito,algo entre o corpo de uma adolescência e o de uma mulher adulta.

-O que foi? – Pergunta Alisson, eu acho que ela não se sentiu muito a vontade comigo a observando.

-Nada, apenas imaginando umas coisas aqui, – Precisava disfarçar, meu rosto estava ficando quente achei que ia corar então continuei – tipo... qual é exatamente a sua história?

-Como assim a minha história? – Ela parecia um pouco confusa.

Contei pra ela sobre meus surtos na infância, como meu pai morreu, sobre os acontecimentos recentes (como a aparição de Cronos ), ela era uma boa ouvinte ficou calada quase o tempo todo e quando falava era pra perguntar o que acontecia a seguir, seus olhos brilhavam toda vez que ela fazia uma pergunta.

-Sinto muito pelo seu pai– Disse ela ,seu olhos pareciam demonstrar uma tristeza real (algo que eu geralmente não sentia quando os outros falavam ).

-Obrigado, agora conte sobre a sua vida – Tentei sorrir mas a lembrança de meu pai me assombrou quando comecei a mover a boca.

-Não tem muito o que contar, fui criada no interior pelo meu pai e minha madrasta, nunca soube nada sobre minhas origens até minha casa ser destruída, — ela parou e respirou fundo como se tentasse se acalmar – logo depois saí em busca da minha herança divina – Ela forçou um sorriso.

-Como assim destruída? – Pergunto, não acho realmente que ela vá responder mas mesmo assim pergunto.

Ela me olha de cima a baixo depois me olha nos olhos e diz:

-Você vai ficar de pijama o dia todo?

Meu rosto aquece (acredito que ficou vermelho de imediato ), até agora não tinha notado que eu estava no centro de Nova York usando nada mais nada menos que um pijama de listras (graças aos deuses eu tinha escolhido aquele pijama, seria um desastre ainda maior se eu estivesse usando o meu pijama de carrinhos), ela me olha e começa a rir , se o meu rosto não estava vermelho antes com certeza tinha ficado agora.

-Cala a boca! – falo alto rindo um pouco da situação (é o meu lema, se você não puder rir da própria desgraça não poderá rir da dos outros) – Não tive tempo de me trocar quando fui salvar sua vida – mostro a língua e começo a rir.

-AH! Mostrando a língua é?Quanta maturidade – Nós dois começamos a rir alta mas logo após nos censuramos por estar de manhã e eu principalmente não queria que ninguém viesse na janela pra ver o menino doido que sai de pijama na madrugada e acorda as pessoas.

-Posso antes trocar de roupa?Não quero passar o resto da nossa viagem sem cuecas – Dirigi um sorriso para Alisson que corou de imediato.

-Claro! Eu insisto que faça isso – Ela olhou para o lado e de novo começamos a rir.

Demorou aproximadamente meia hora para chegarmos até minha casa, convidei Alisson para subir mas ela preferiu não, subo correndo as escadas e chego até as portas do apartamento.

Minha primeira reação foi ficar perplexo, a porta fora arrombada, a maçaneta estava quebrada junto com um pedaço da porta, empurro a porta lentamente e o que vejo me aterroriza minha mãe deitada em meio a uma poça circular perfeita segurando algo contra o peito.Minhas pernas perdem a força eu caio de joelhos sobre o sangue, olho aquilo e sou tomado de raiva, quem poderia fazer aquilo com a minha mãe? , olhei para seu rosto e ela exibia um sorriso, peguei em suas mãos e vi que ela segurava um pergaminho o peguei em minhas mãos.

-Criaturas horrendas os humanos não? – Disse uma voz metálica atrás de mim, sua voz soava como o sibilar de uma cobra misturado com o som que as espadas faziam quando se chocavam.

Enxuguei minhas lágrimas e disse ainda encarando minha mãe.

-Garanto que vai afirmar que não foi você não é? –Tinha sido possuído pelo ódio, só pensava em como eu ia virar e arrancar a cabeça de quem estava falando.

-Não , não fui eu, por isso antes de cortar minha cabeça como planeja deixe-me contar quem foi.

Me virei e olhei para trás, era uma mulher tinha os cabelo castanhos estavam amarrados como um rabo-de-cavalo , tinha um corpo bonito, não era nem tão magra e nem tão gorda, tinha proporções perfeitas, seus olhos estavam fechados.Fiquei meio surpreso de começo então depois de me recuperar do choque eu disse:

-Quem a matou então?

-Não meu garoto ela não está morta, apenas tiraram-lhe a vida.

-Uau! Super reconfortante muito obrigado.

-Vê garoto como o sangue não jorra de direções diferentes ele apenas flui em um circulo? -Balancei a cabeça dizendo que sim – É porque o sangue não quer deixá-la ,ela não está morta, está apenas sem vida, e se quiser salvá-la acho bom você se apressar corpos expostos não duram mais que um dia, — Ela soltou um riso agudo – humanos são tão frágeis.

-Você pretende me ajudar ou algo assim? –Pergunto olhando o corpo de minha mãe – Ou melhor você vai ou não vai me ajudar?

-É claro que eu vou te ajudar querido, nós temos grandes planos pra você – Ela lançou um colar na minha direção e eu o peguei (não olhei muito para ele apenas o coloquei no bolso) – Você deve seguir seu caminho e vai encontrar o que quer.

Apenas olhei para o meu bolso e tudo em volta da sala, quando olhei de volta ela tinha desaparecido, isso me incomodava, os deuses não eram legais com todo mundo sempre e agora eles simplesmente chegavam aos montes para me dar presentes definitivamente havia alguma coisa errada, essa mulher em particular nem se identificou.

Tinha acabado de ir para o meu quarto quando ouço um grito agudo vindo da sala, Alisson tinha acabado de entrar e ver o que tinha acontecido na sala, eu terminei de me vestir e fui até lá. Escorriam lágrimas de seus olhos quando eu cheguei a sala.

-Esta é a sua mãe? – Ela me perguntou, sua voz engasgava um pouco.

Contive a vontade de chorar e disse após respirar fundo.

-Sim – eu desviei meu rosto, não queria que ninguém visse meu lado fraco.

Desde que meu pai morrera em um acidente de trânsito eu tentava ao máximo suprimir meus sentimentos, meu pai fez isso para o meu bem na hora que estava morrendo, a dor que atravessava seu peito podia ser horrível mas mesmo assim ele mostrou um grande sorriso quase que me dizendo “Fica tranqüilo,seu pai está ótimo”, decidi desde então ser como ele , fazer as pessoas se sentirem bem,era uma maneira triste e solitária de pensar mas era a melhor que eu tinha.

Me senti mais triste do que antes, agora a lembrança de meu pai se associava a imagem de minha mãe , os dois morrendo diante de mim e eu não podendo fazer nada, eu esperava todo o tipo de reação vinda de Alisson, desde se desculpar a tentar me consolar mas ao invés disso ela apenas me abraçou (“abraçou” foi um modo de falar ela literalmente se pendurou no meu pescoço), suas lágrimas escorriam pelo meu ombro e por um momento uma lágrima escorreu pelo meu rosto também,nós ficamos daquele jeito por mais ou menos um minuto até ela começar a falar.

-Eu vim aqui chamar sua atenção por estar demorando tanto... oh deuses eu não sabia –ela olhou nos meus olhos – você me desculpa?

-Desculpar pelo que? – Forcei um sorriso – Você não fez nada – Ela me abraçou de novo e se aconchegou em meu ombro.

Isso mesmo ela não tinha nenhuma culpa, eu não sabia quem tinha culpa mas quando achasse quem fez aquilo eu ia fazê-lo pagar.

-Temos que continuar nosso caminho – Olhei Alisson nos olhos, não gostava da sensação que isso me passava, seus olhos eram claros e pareciam me ler sempre que eu os olhava.

Alisson acenou com a cabeça concordando e juntos saímos do apartamento, dessa vez tendo o cuidado de fechar a porta para que ninguém entrasse.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.