Son of Hephaestus

18 Chapter 18 - Bob Madison


Notas iniciais
espero que vocês não queiram comer meu rim marinado em rum com queijo ralado por cima (blergh) tive imprevistos com pc e criativos com esse cap, por isso a demora. Desculpe! Espero que não me matem por ter feito esse cap mais focado no pai da Charlie, mas é que eu queria mostrar a história com mama Dite e tal... GOGOGO o/

Bob Madison fazia anotações, sem prestar realmente atenção, sobre a mais nova atualização de seu software quando Shirley, sua assistente, lhe passou uma ligação.

–Lamento informá-lo, Senhor Madison, mas é meu dever fazê-lo: Desde o desaparecimento de sua filha, não tivemos sucesso em achar sequer uma pista, com exceção de seu ipod e um carro acidentado que pode ou não ter algo a ver com seu sumiço. O Departamento de Polícia de Nova Iorque tem o pesar em anunciar, oficialmente, que a prioridade em encontrar Charlotte Madison foi prorrogada.

–O que quer dizer?

–Que, infelizmente, o Departamento tem delitos maiores a investigar. Além disso... Não houve novidades no caso desde o primeiro dia de investigação.

–Vocês não... A polícia não pode fazer isso... Charlotte... Minha filha não está morta, vocês tem que ir atrás dela! – respondeu ele, desesperado.

–Lamentamos senhor, mas, depois de 10 dias, se os criminosos que a levaram, se é que ela foi sequestrada, não entrar em contato, o protocolo determina mudança na busca. Esperamos encontrá-la mesmo. Tenha um bom dia. – a linha ficou muda.

–Não... – ele sussurrou, ainda com o telefone pessoal na mão. – Não!

Ele se levantou, deixando o aparelho cair e o próprio se espatifando. Bob se sentia confuso, trêmulo e perdido. Lembranças de um bebê de cabelos negros com enormes e inquisidores olhos verdes encarando-o com um sorriso de dois dentes. O som da risada de bebê de Charlotte o derrotou. Não conseguia imaginar sua filha morta ou desaparecida para sempre. Era uma realidade distante e inimaginável o dia que Charlie escapulisse de sua vida, era difícil para ele passar por isso de novo. Mas ele se sentiu assim quando se apaixonou por Beatrice e, no entanto, ela também se fora. Ele encostou-se a sua mesa, colocando a cabeça entre as mãos, lembrando-se do dia em que conhecera a mãe de Charlotte Madison. Tinha cabelos compridos e negros, de olhos azuis e a pele tão pálida quanto uma rosa branca. Conhecera-a em uma peça de teatro da Broadway, uma apresentação sobre Branca de Neve, a qual sua empresa estava patrocinando. Beatrice interpretou perfeitamente bem a princesa e, quando Bob foi parabenizar os artistas pela bela apresentação, se sentiu hipnotizado pela atriz que, agora sem o vestido cenográfico, era ainda mais linda. Em seguida, foi tudo como um borrão, pois ele só via aquela mulher. Três anos foi o que durou o relacionamento deles e a cada dia que passava, ele se sentia cada vez mais apaixonado por Beatrice. Até aquela fatídica noite em que ele sentia a enorme necessidade de tê-la para sempre ao seu lado. Ela aceitou, disse que seria sua esposa e eles tiveram uma das noites mais felizes de suas vidas.

E então, ela sumiu.

Aquela, de fato, fora a noite mais feliz, mas também fora a última. Beatrice se fora e Bob Madison se sentiu amargurado por ter confiado numa atriz que interpretara muito bem o papel de mulher perfeita, até fugir com o caro anel e deixar o homem com o coração partido. Ela era uma destruidora. Foi o que ele pensou durante meses, até certo dia, quando ouviu uma leve batida na porta e Charlotte Madison entrou em sua vida em um berço dourado, literalmente.

Querido Bob,

Sei que não há palavras ou gestos no mundo que faça você me perdoar pelo que fiz, mas me desculpe. Sei, também, que você me amou e saiba que eu também amei você de modo tão forte e intenso que só o fiz por outro homem antes. E esse, talvez, seja o grande problema. Eu ainda amo esse homem, mas também amo você tão certo quanto sei que o amor é incerto e livre. Deixo uma lembrança minha com você, a aliança que me deu no dia em que nossa menininha... Nossa filha, foi consumada.

Ela é linda, não é? Herdou seus olhos verdes... Charlotte é modo como quero chamá-la, se não for exigir demais depois do que fiz. Ela é uma menina forte, linda e poderosa, como todos seus irmãos, mas com uma diferença em destaque. Cuide dela do mesmo modo como eu cuidei de você nesse pequeno espaço de tempo em que estivemos juntos, com muito afeto, como merece.

Eu te amo do fundo do meu coração,

Lágrimas molhavam o seu rosto de um modo que ele nunca pensou ser capaz de fazer por uma mulher. Ele tomou Charlotte nos braços e a segurou firmemente. Ali estava seu mundo, sua menininha, sua primeira filha. E ele prometeu nunca abandoná-la, até fazê-lo inconscientemente se focar em seu trabalho.

–Sr. Madison? – a voz de Shirley o tirou do estupor de lágrimas.

Ele apertou o botão do interfone que havia em cima de sua mesa, olhando a foto de uma Charlotte de sete anos, subindo no carrossel e disse:

–Sim, Shirley? Se for alguma reunião idiota, adie. Não estou no momento...

–Alguém está aqui para falar-lhe sobre sua filha.

–Se for a polícia, diga que já recebi o recado. – disse ele, amargo.

–Não é a polícia. Ele diz ser amigo dela. Deixo-o entrar?

Ele não respondeu de imediato, ficou olhando perplexo o sorriso da filha na foto. Como poderia?, pensou. Ele lembrava-se de Charlie no jantar da última noite em que a vira: “Então, querida, como foi o último dia de aula?” ele havia perguntado. “Bom, fiz um amigo...” ela respondeu. E então a memória dela murmurando, com lágrimas nos olhos: “Eu... Não... Tenho... Amigos...” Além disso, ele se lembrava dos policiais dizendo que não constava nenhum Patrick Johnson nos registros de estudantes.

Com uma voz rouca, ele respondeu a secretária: — Deixe entrar, Shirley.

Após alguns instantes, ouviu-se uma leve batida na porta e, em seguida, a figura entrou. Era um garoto que deveria ser uns três anos mais velho que sua filha, alto, magro, de touca, calça jeans e uma camiseta laranja por baixo da flanela azul.

–Com licença, Sr. Madison, — disse o garoto timidamente. – sou Patrick... Patrick Johnson.

–Patrick Johnson? Charlotte me falou de você, mas... Ela te conhecia da escola e... Você não estava naquela escola e...

–Senhor, eu a conheci no último dia de aula. Ela é uma pessoa muito gentil e... Esse não é o ponto, desculpe. Eu gostaria de falar com o senhor sobre o paradeiro dela.

–Você sabe onde ela está?

–Bem... É complicado.

–Complicado?

–Sim... Olhe, não tem jeito mais fácil de colocar isso, então... Eu sou um sátiro, o sátiro de Charlie.

–Sátiro? – ecoou Bob – Isso é algum tipo de gíria para namorado? Se a minha filha fugiu para a casa de algum Dom Juan...

–Oh, não, não, não, senhor. – interrompeu Patrick, corando. – O senhor já ouviu falar de alguma coisa sobre mitologia grega?

–Não vejo como isso pode ser útil na busca pela Charlotte.

–Eu sou um sátiro, dos que tratam na mitologia.

–Como os faunos?

–Bééé – baliu Patrick, com uma careta. –Não, esses são os mendigos dos Romanos. Mas não é por isso que estou aqui. O senhor sabe quem era a mãe de Charlie?

Bob assumiu uma posição desconfortável.

–Não gosto de falar sobre isso.

–Mas é importante para o senhor entender. O senhor pode ter se envolvido com... Afrodite.

–Não, não, não. Chega dessas baboseiras. Não sou obrigado a escutar asneiras de um garoto de... O quê? Dezoito anos? Não, não, não.

–Na verdade, tenho 34. – murmurou Patrick, outra vez.

–E eu tenho 7 anos. Agora deu, chega de mentiras... Saia.

–Apenas... Apenas olhe. – pediu.

Patrick tateou a frente de seu peito e, em seguida, puxou uma cordinha de couro com uma flauta de bambu na ponta. Ele a levou a boca, reproduzindo uma leve melodia. Enquanto as notas saiam, Bob notou com espanto, a planta que tinha ao lado da porta se alongar levemente e tornar-se um verde mais claro e brilhante. Quando ele parou a música, a planta parou de crescer, mas continuou com o mesmo tom de verde e com a folhagem maior.

–Podemos fazer muitas coisas com essa flautinha aqui... – disse Patrick, pensativo.

–Como... Como você...?

–Entende o que quero dizer? Charlie foi pra esse lugar onde tem mais das pessoas como ela... Semideuses... Metade humana, metade deusa. Charlie foi reclamada como filha de Afrodite.

–Isso... Isso é impossível. Be... Beatrice era o nome da mãe de Charlotte.

–Deuses podem assumir nomes e formas diferentes para atrair os humanos...

–Mas...

–Sei que é muito para digerir, mas sua filha havia ido para o Acampamento Meio-Sangue. Um lugar seguro onde ela pode ser treinada para matar os monstros que tanto os perseguem e conviver com seus irmãos e amigos.

–Irmãos?

–Outros filhos de Afrodite.

–Outros filhos de... Por que Beatrice nunca me contou?

–Afrodite, senhor. – corrigiu o sátiro – E tem muitos motivos para os deuses não se mostrarem...

–Você disse “havia” – murmurou Bob.

–Desculpe?

–Você disse “havia ido para o Acampamento”. Onde... Onde está Charlotte?

–Bem... Essa é a parte complicada...

***

Charlotte Madison não acordou até estar em seu cárcere. Quando recobrou a consciência dos sonhos perturbadores que tinha, estava nos braços de um dos asseclas fortões de Mórfis – agora Morfeu.

Ela só acordara totalmente quando for largada em uma cama, de qualquer jeito. Charlie levantou a cabeça, ainda meio grogue de sono, a tempo de ver a sola de uma bota sumir atrás da porta. Em seguida, um clique informou que ela estava trancada. O barulho a acordou de seu estupor e ela cambaleou até a porta, socando-a e esmurrando-a.

–Abra-a! Abra isso agora! Socorro! Socorro!

Ninguém respondeu. Charlotte amarrou os cabelos em um nó – mais para afastá-los dos olhos, do que calor – e olhou em volta. Estava em um quarto pequeno, com uma cama um armário e uma cadeira solitária no canto. Na parede de trás da cadeira, havia uma janela que mostrava parreiras e, mais atrás, macieiras. Isso deu um leve estalo em sua cabeça. Aquele lugar era familiar, mas ela não podia ficar pensando nisso. Tinha que sair dali de uma vez, e voltou sua atenção para a janela. Ela olhou em volta, atrás de algo pesado. Mas as portas do armário abertas informaram um lugar vazio e a cadeira era frágil demais para ser utilizada pra quebrar o vidro.

“Eles são muito burros de deixar uma janela aqui” pensou ela, cruelmente. E olhou para seus pés.

Sem pensar duas vezes, ela mirou um chute no vidro, o mais forte que podia. Ela cambaleou, se firmando nos dois pés e olhou para seu alvo. O que viu, transformou sua raiva em frustração. As rachaduras se espalharam por toda a superfície transparente da janela, como teias de aranha, mas não quebrara. Era ela quem se sentia a burra da vez por achar que eles simplesmente deixaram a janela ali, fácil.

–Ah, mas vocês só podem estar de brincadeira comigo, seus cretinos! – gritou ela, pra extravasar – Vidro temperado? Sério?

Em um momento de desespero, ela se esqueceu de tentar conter a mudança de cor de seus olhos – coisa que havia tentando conter desde que saiu em missão – e sentiu as leves cócegas da transformação, só que seguidamente, como se todas as cores que não tivesse mudado durante a missão, resolvessem mudar agora. Ela piscou repetidamente, mas continuava. Quando ela tombou na cama tonta e com a visão embaçada, fechou os olhos e os pressionou com os nós dos dedos. Ela começou a contar.

–Um... Dois... Três... – e assim foi até dez.

Quando reabriu os olhos, o quarto entrou em foco, lentamente. Ainda sentia as leves fisgadas – mais espaçadas entre si – da constante troca de cores. Charlie olhou em volta, atordoada, quando notou a porta no canto do quarto, atrás do armário. Teria passado despercebido se não tivesse esticado o pescoço e fixado o olhar naquele canto escuro. Ela se dirigiu até lá, e a abriu. Qualquer plano de tentar persuadir seus raptores a uma ida ao banheiro era inútil, pois ela tinha o próprio naquele quartinho imundo. Ela o revistou atrás de qualquer tipo de arma, mas nem um mísero espelho – do qual ela podia retirar um caco – havia naquele banheirinho.

–Sério? Uma filha de Afrodite sem espelho? Vocês estão pedindo pra morrer. – resmungou ela, com as mãos na cintura, olhando em volta.

Então ela viu sua possibilidade de fuga. Uma pequena janela acima da banheira, na qual ela podia se espremer para sair. Ela, cautelosamente, pisou na borda da banheira vazia e içou-se para cima, segurando-se no pequeno parapeito da janelinha. Diferente da janela – agora quebrada – do quarto, essa pequena abertura estava com a tranca totalmente enferrujada. Charlie forçou o melhor que pôde, mas a janela não se mexeu. Ela já começara a pensar em enrolar um pedaço do lençol rasgado no punho e socar o vidro, quando ouviu um leve ruído vindo do quarto.

Charlie tinha plena consciência de que seus raptores sabiam que tinha um banheiro anexado ao quarto e que, a qualquer momento, eles entrariam ali e a puxassem para fazer seja lá o que for. Seu coração começou a bater tão forte que teve medo de os idiotas a ouvirem do quarto. Ela desceu da banheira e se dirigiu ao meio do banheiro – tentando agir naturalmente, sem entregar seu plano de fuga – respirou fundo e tomou coragem para enfrentar quem quer que entre ali. Quando a porta abriu, o medo que já sentia a fez pular para trás, mas a visão da pessoa a fez recuar, surpresa. Em seguida, a raiva intensa fez seu estômago revirar, tentou resistir ao ímpeto de pular direto naquela juba de cabelo loiro falso.

–Não acredito que seja você, sua vaca. – rosnou – Por que estou aqui, Georgie?

–Olha a boca, queridinha. Talvez não devesse me chamar assim mais...

Notas finais
Gostaram? To orgulhosa do tanto que a fic ta crescendo! *O* Reviews? Recomendação? Oi leitoras novas? (com ? mesmo) Bjs de Amortentia da EP :*