Notas iniciais
Espero que gostem da história. Não desanimem, os 6 primeiros capítulos falam sobre Miguel e Iuri, algo que você poderia encontrar em qualquer original. O que diferencia essa autoria? Que a história irá além do que você imagina!

São 10h27 de uma tarde de quinta-feira de Julho de 2011. David, fruto de um estupro acaba de nascer. Pobre criança. Sua mãe, Julia, neste exato momento de dor está pensando o que fará depois que sair do parto. Ela não quer esse filho, ou como ela chama-o: aberração. Para Julia, David é uma criatura que lembra sua dor e sofrimento, então ela decide que irá deixá-lo para adoção. Ela não pode assumir isso.

Toda vez que o bebê chutava, ela lembrava das agressões que sofrera. Por quê Julia não abortou? Ela sempre pensou em sua mãe, que achava que isso era um presente de Deus e que se ele foi enviado a ela, o mínimo que deveria ser feito era colocar ele ao mundo. Julia, presa a sua religião, sofreu por longos noves meses, passando por crises de pânicos, tentativas de suicídio e, a cada dia que passava viva, achava mais intensamente que essa era a missão dela.

Estava na hora dele nascer. Com muita dor e angustia, David nasceu forte e saudável, chorando como um grande menino, pensou ela. Olhando para ele, ela começa a se emocionar, todos pensamentos de ódio, rancor de culpa que sentira, agora é preenchido por amor.

Mas nem sempre o destino colabora.

Mesmo com perdão e amor, David não era para ser de Julia: seu destino estava escrito com outras pessoas. A cabeça de Julia começou a girar, a última coisa que ela conseguiu anexar antes da morte eram os médicos pegando seu filho de seu colo. Antes do anoitecer, seus olhos se encontraram e Daivid agora estava sozinho no mundo. Sua a vó agora o chamava de aberração do Demônio.

Neste mesmo momento, Iuri acaba de se sentar na cama e começar a chorar. Por algum motivo, ele sempre passa por seus desafios com a cabeça erguida, forte e resistente. Mas nem sempre ele aguenta tanta coisa dentro de si. Iuri começa a pensar se a vida é tão difícil como parece.

Desde criança, sonha com uma família onde ele possa ser feliz, tendo um bom emprego e podendo assim sustenta-la. Até seus dez anos, não sabia como chegaria neste sonho. Agora, com quinze anos, sentado na cama e chorando, acredita que seu sonho nunca irá se realizar.

Cercado de amigos presentes com o corpo, ele sente saudades dos velhos tempos. Para ele, na infância tudo era mais fácil e sem deveres, onde seus amigos estavam lá por pura diversão e sinceridade. Preenchido pela dor de saber que nem tudo era como antes, mais um acontecimento é o culpado para com que ele esteja chorando. Sua irmã acabara de descobrir que Iuri é gay. Com medo de seus pais descobrirem, implorou para Ana não contar para eles.

Não, Iuri não esta chorando por sua irmã saber. Ele esta chorando por não poder contar para seus pais e ser aceito, estava com medo de que eles o olhassem com desprezo e amargura. Sempre fizera de tudo para orgulhá-los, desde tirar dez em todas as provas, sempre ajudar a arrumar a casa até parar de amar alguém para não magoa-los. Ele sabia que não conseguiria esconder isso por muito tempo. Ele sabia que cada dia que passa, esta mais perto de contar a eles.

Sua mãe, uma cristã tradicional nunca aceitaria um filho gay, já que achava que Deus havia criado o homem e a mulher. Seu pai, dono de uma agência de advogados, queria que seu filho casasse com uma mulher e continuasse com seus negócios.

Ele estava morrendo de medo do dia em que precisasse contar.

Iuri, cansado de chorar, limpou suas lágrimas. Ele sabe que a vida não parará por que ele está triste, muito menos irá dar uma solução. Então levanta da cama, pega seu celular e liga para Jana, sua amiga de escola, para irem ao parque, já que estava tendo um show de graça.

Jana estava pensando em convidar ele parar ir na mesma hora que ele ligou, então satisfeito com isso, começou a se arrumar e correr até a estação do metro, onde prometera encontrar sua amiga.

Miguel estava na casa de sua mãe. Ele sempre fazia companhia para ela, já que ela não havia superado o termino com seu pai Antonio, quando ele tinha 12 anos. Ele sempre se sentiu culpado pelo fato de que sua mãe nunca conseguiu voltar a trabalhar depois do termino do casamento, já que achava que ele que causou. Miguel sempre soube que um dia o casamento daria errado, afinal, eles sempre brigavam e ele sempre era o motivo da briga.

Agora ele tinha dezesseis anos. Sua mãe sabia que ele era gay e apoiava isso. Seu pai, um engenheiro de trinta anos, não podia nem sonhar que seu filho beija meninos e Miguel não faz questão de deixar tudo do jeito que está.

Miguel está se arrumando para ir até a casa de seu pai Antonio. Miguel e seu pai vão almoçar juntos, já que hoje é a primeira folga de Antonio desde quando ele começou a trabalhar. Por mais triste que seja ver sua mãe sempre triste e sozinha, ele não culpa seu pai. Seu pai foi sincero em falar que estava amando outra mulher e que o relacionamento estava, cada ano, indo por água a baixo.

Quase pronto, vendo que estava adiantado, decidiu preparar o almoço para sua mãe. Quando pronto, chamou-a e despediu-se dela. Ele sempre foi carinhoso com sua mãe e amigos, disposto a ajudar em qualquer momento. Algumas pessoas dizem que ele é fraco, idiota e trouxa por ser assim, mas um dos pontos fortes dele é nunca ligar para o que os outros pensam.

Miguel não imagina o que acontecerá hoje, para ele, tudo ocorrerá normalmente, como mais um dia normal. Então ele sai de casa e pega o ônibus direto para o metro.

O que Miguel não sabe, é que ele encontrará Iuri. O que Iuri não sabe, é que seu sonho se realizará. O que o pequeno David não sabe, é que no dia do seu nascimento, será o mesmo dia em que garantirá o seu futuro.

O que todos esquecemos, é que o destino sempre brincará conosco. Para aqueles que esperam, parem. Tudo tem a sua hora.

Notas finais
Agradeço se você chegou até aqui! Mande alguma sugestão, onde eu errei, o que você achou, o que gostaria que mudasse, estou aberto a tudo! Obrigado!