Somos Pó E Sombra - Interativa
8 O mais normal possível
Notas iniciais
POV: Raziel
- “Sophia, Emily, Antony, Nick, Tiffany, Diana, Angel, Scott, Brandon e Faith entraram no Pandemônio discretamente, observando as pessoas que lá se encontravam. Detectaram sem dificuldades os demônios disfarçados, e, com suas runas de invisibilidade, se livraram deles sem causar problemas.” — eu li. — Não, não vai dar. Você acha mesmo que eles fariam isso? Tipo, como Caçadores normais? Lembra do que eles fizeram com os últimos dois roteiros sérios que mandamos?
- Hum, com o primeiro foi um aviãozinho de papel. O segundo eles amassaram e jogaram na cabeça de um loiro estranho – Ithuriel lembrou-se – Acho que seu nome era Draco. Algo assim.
- É. Eles provavelmente vão testar canetas nesse, na melhor das hipóteses. Melhor não mandar.
- Não custa nada tentar.
POV: Sophia
Estávamos tranquilamente brincando com Senhor Bigodes, tentando ensiná-lo a fazer coisas legais, como rolar e fingir de morto.
- Senta – Scott pediu pela décima vez. — Senta. Senta. SENTA, CRIATURA!
- NÃO GRITE COM ELE! — eu cocei atrás de sua orelha, e ele sentou. — Viu? Você só precisa ser gentil.
- Não sei não – Diana comentou. -, mas a gentileza dele já me deixou com cinco arranhões.
- Ainda não confio nesse gato – Antony disse.
- Você não confia em nenhum gato – Angel lembrou. — E não sei porquê. Quer dizer, quem essa coisinha fofa pode machucar?
- Eu – Diana levantou uma manga do casaco, revelando os cinco arranhões citados. Isso não serviu para incentivar Antony a sair detrás do sofá.
- Não vou chegar perto desse bicho.
- NÃO CHAME ELE DE BICHO! — Cobri as peludas orelhinhas de Bigodes com minhas mãos, para ele não ouvir essas baboseiras.
- Ah, Angel, não confio em gatos por causa de meus pequenos desentendimentos com lobisomens, que, por algum motivo, me odeiam.
- Talvez seja porque você os odeia – Brandon sugeriu. — Ou talvez porque você já tenha tentado matá-los algumas vezes. Sei lá. Só acho.
- É uma teoria aceitável – Nick concordou. Não estava colaborando no processo de adestramento de Senhor Bigodes, mas pelo menos não o xingou. Ainda. Acho que quer poupar a voz, porque ficou uns dois dias meio rouco.
- Gente – Faith entrou na biblioteca com o celular na mão. — temos que ir caçar uns demônios.
POV: Nick
- Eu odeio essa maldita roupa – Angel se queixou. — É muito... colada.
- E preta. Colada e preta — Emily concluiu. — Se não querem que a droga dos humanos nos percebam, por que temos que nos vestir como um bando de góticos? Isso chama a atenção. Pelo menos a minha. Quer dizer, não é todo dia que você vê dez adolescentes góticos armados andando por aí.
- Vocês não deviam ir de vestido? — perguntei.
- Você quer é ir à uma festa com seis garotas em microvestidos, seu safado – Tiffany me lançou um olhar mortal. Tenho que me lembrar de trancar a porta do quarto quando for dormir.
- Não falei de nenhum vestido micro. E, ei, você esqueceu de contar o Brandon. São sete garotas.
Brandon tacou Senhor Bigodes em mim. Quando eu achava que seria morto por um projétil de gato voador, Sophia se meteu na minha frente e agarrou o bichano no ar.
- Ninguém. Toca. No. Bigodes.
As garotas daqui me assustam, sério.
- Além disso, Tiffany – voltei minha atenção para ela. — Não vai fazer muita diferença se vocês usarem microvestidos ou roupas de combate. Os dois são sexualmente sugestivos o sufici...
Nunca imaginei que ela pudesse levantar um elefante, mas, bem, ela pode. Só que ninguém daqui tem uma obsessão semidoentia por elefantes, então só me restou sair correndo.
POV: Angel
Após o discurso educativo de Nick sobre roupas femininas e o primeiro elefante voador a cruzar a atmosfera terrestre, nós finalmente fomos até o Pandemônio.
- Sabe – Faith comentou no caminho (fomos à pé. Carros, nunca mais). -, não sei porque enviam todos os únicos Caçadores de Sombras de Nova York para o mesmo lugar. É irracional.
- Concordo – Emily disse.
- Ou vamos ou teremos uma tediosa discussão sobre isso com o Cônsul – Diana suspirou.
O resto do percurso foi feito em total silêncio, exceto pelas no mínimo vinte vezes quando Sophia lamentou ter deixado Senhor Bigodes sozinho.
Entramos no Pandemônio, e, céus, que lugar quente e tumultuado! O Instituto é dez vezes melhor, na minha opinião.
- Será que eles não conhecem uma coisa chamada ar condicionado?
- Se colocassem ar condicionado aqui, isso poderia causar problemas de saúde nas pessoas, pois seu corpo está quente, em contato com o ar frio poderia...
- Ninguém quer saber, Tiffany.
Mais alguns singelos momentos procurando o demônio, e, quando estávamos a ponto de enfiar uma lâmina serafim em um inocente, Brandon começou a gritar que havia achado o verdadeiro.
Isso, sim, chamou a atenção do pessoal da boate, mas depois de uma rápida olhada, eles não estranharam os góticos armados e tatuados e voltaram para o que quer que estivessem fazendo. Vá entender.
- Quem é? — Antony perguntou, se espremendo entre as pessoas para chegar ao meu parabatai.
- Aqueles quatro, ali – ele apontou. Dava para perceber que eram realmente demônios pelo jeito que agiam, pareciam desconfortáveis ali.
- Certo, o quê vamos fazer? — perguntei, pegando meu machado.
- Runas. Invisibilidade – Emily lembrou, pegando a estela e rabiscando no braço. Todos fizemos o mesmo.
- Nós somos dez... — Faith começou.
- Não contem comigo – Sophia disse, já guardando as armas e pegando o livro A Casa de Hades de algum lugar do mundo.
- COMO VOCÊ CONSEGUIU ISSO? — Tiffany exclamou.
- Tenho meus contatos – Sophia sorriu e se sentou, apoiada na parede.
- Como eu ia dizendo, nós somos nove, e eles são quatro – Faith concluiu. — Cada dupla de parabatai mata um.
Brandon pigarreou.
- Quatro não é um número par.
- Descobriu isso sozinho? — Diana perguntou.
Brandon revirou os olhos.
- Enfim... — Antony se pronunciou. — Emily, Tiffany e Scott, vocês ficam com um.
- Vai ser moleza – Scott comentou.
POV: Diana
Existem várias maneiras de se começar uma luta.
A pior delas é gritar “THIS IS SPARTA” e pular em cima do inimigo.
Mesmo assim, foi o que Faith fez.
E eu, no papel de parabatai dela, não pude mandá-la pro hospício. O demônio deve pensar que somos loucas, porque assim que ela fez isso, como não havia nada a perder, eu me joguei em cima do bicho também.
Como ele estava de costas para nós, nós tivemos o fator surpresa e vantagem numérica, e acabamos com o bicho em uns trinta segundos. Faith agarrou seus braços e os torceu para trás, enquanto eu fiz a parte legal, que é a decapitação.
Só que, hum, nós fomos as primeiras a atacar, e chamamos a atenção de um demônio que não estava ocupado lutando contra outras pessoas, e ele veio para cima da gente, e ele contava com o fator surpresa daquela vez, porque eu já tinha guardado minhas espadas.
Quando estávamos quase, tipo, morrendo, uma lâmina o atravessou, e seu corpo foi tombando morto para o chão, mas Antony o segurou antes que caísse e tirou uma foto com seu celular.
- Essa vai para o Face – ele disse. Parecia nem ter notado nossa presença lá.
- Hum... obrigada – Faith agradeceu.
- Prestem mais atenção – ele rosnou não muito educadamente, diferente da pessoa gentil de antes. Aí eu percebi a ausência de um anel em suas mãos.
- Oh.
- Aqui – Nick foi para o lado dele e enfiou um anel em seu dedo. — E trate de ficar com isso, sim? Sem ele você fica mais insuportável que eu.
Antony revirou os olhos e foi tirar foto com os outros mortos.
Chequei como os outros estavam indo em batalha, e só faltava um demônio, e era logo o dos sem-parabatai.Tiffany estava sentada nos ombros dele, tentando achar seu coração enfiando uma adaga em seu peito inúmeras vezes, e Scott batia em seu rosto com seu taco de basebol. Emily estava checando A Casa de Hades com Sophia. Eu também faria isso, se meu grupo fosse tão... estranho.
Angel estava se divertindo muito desenhando bigodes nos mortos, e Sophia começou a soltar gritos de “PERCABETH!” após alguns momentos, sem tirar os olhos do livro.
Então eles se casaram e viveram felizes para sempre. Só que não. Tio Rick não vai deixar.
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