PARTE DOIS: INCUSSUS

O corredor parecia infinito. Assim como na sala onde ele conheceu Somnium, o corredor não tinha nenhuma fonte luminosa, mas não era totalmente escuro. Ele já estava andando a tanto tempo que não conseguia mais ver a luz de sua cozinha. Guilherme pensou seriamente na possibilidade do corredor realmente não ter um final, até que algo diferente apareceu: inicialmente Guilherme achou que eram quadros, mas, ao analisar melhor, descobriu que eram fotografias emolduradas pelas paredes do corredor. As fotografias mostravam criaturas brancas e sem pelos, com pescoços relativamente longos e olhos semelhantes aos de Somnium, com as mesmas pupilas em forma de estrela de quatro pontas. Essas criaturas se alimentavam da carne de pessoas recém-assassinadas, que provavelmente haviam acabado de passar por seus pesadelos finais. Guilherme seguiu andando, olhando rapidamente cada fotografia, até que notou uma fotografia diferente. Ele se aproximou e viu que era a fotografia de uma aranha gigante se alimentando de pessoas (algumas mortas, outras ainda vivas), então o pedaço de chão sob Guilherme se abriu e ele caiu durante cerca de dois segundos.

O impacto foi forte. Guilherme havia caído em uma sala pequena com apenas uma porta. Ele se levantou lentamente e seguiu em direção à porta. Enquanto aproximava a mão da maçaneta, notou que uma música vinha do aposento que estava após a porta. Ele parou, respirou e abriu.

A sala estava toda escura, com exceção de um pequeno facho de luz que iluminava uma vitrola. A porta se fechou sozinha e as luzes se acenderam uma por uma, revelando uma série de jaulas resistentes que abrigavam criaturas pálidas da espécie vista nas fotos, e a última luz iluminava uma dessas criaturas presa pelos braços e pernas na parede, com pequenos ganchos presos aos lábios e ligados à pele do rosto, forçando um enorme sorriso e, para completar, um nariz vermelho e redondo, como os que os palhaços usam.

A criatura, cujo lado esquerdo do peito estava com uma iluminação vermelha semelhante à do bebê-criatura, rosnava descontroladamente. As outras criaturas (que estavam em jaulas) gritavam contra Guilherme e se balançavam de modo irracional, tentando a qualquer custo quebrar as grades.

Quando Guilherme pegou a faca, elas conseguiram gritar ainda mais e mais furiosas, mas Guilherme as ignorou. Ele se aproximou do “palhaço”, que se mexia descontrolado e desesperado.

Ao se aproximar da criatura (meio metro de distância), a criatura olhou em seus olhos, com um olhar furioso e matador. Guilherme se lembrou de seu pai e sua mãe e continuou encarando a criatura. O ódio aumentou. Ele se lembrou de Somnium (aquele maldito!) e se lembrou das fotos das criaturas se alimentando de pessoas. Guilherme olhou para os dentes afiados do “palhaço” e notou os restos de carne (provavelmente humana) que estavam entre eles.

Guilherme esfaqueou dezenas e dezenas de vezes a criatura, que gritou e rosnou enquanto tentava revidar até a morte. Quando o “palhaço” morreu (e alguns dos ganchos já haviam rasgado seus lábios), Guilherme enfiou a faca em seu peito e, ignorando o sangue também escuro e viscoso, pegou a segunda chave e a guardou no bolso.

Ele se virou para a direita e notou a presença de uma segunda porta. Guilherme chutou a vitrola no chão e abriu a porta.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.